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amulherqueamalivros

DESAPARECER NA ESCURIDÃO | MICHELLE MCNAMARA

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Lançamento: Julho, 2018

Editora: Relógio D´Água

 

Sinopse

Este livro tem o enredo, suspense e intensidade de um policial. Trata-se, no entanto, de um livro de não-ficção. McNamara morreu de forma trágica a meio da investigação que procurava identificar o Golden State Killer, responsável por uma onda de violações e assassinatos na Califórnia que se prolongou por mais de dez anos. A Polícia arquivou o caso. Mas McNamara continuou a investigação pelos seus próprios meios. Desaparecer na Escuridão é o relato de anos de investigação sobre a mente de um criminoso impiedoso.

É também o retrato da obsessão de uma mulher pelo fim da impunidade de um assassino. Este livro está destinado a tornar-se um clássico da literatura policial. Os direitos de adaptação para série de televisão foram adquiridos pela HBO.

 

Opinião

Michelle morreu em 2016, infelizmente não ficou a conhecer o rosto da sua "baleia branca", a quem apelidou de Golden State Killer. O homem que a fez escrever, pesquisar, investigar e passar várias noites em claro foi recentemente apanhado pela policia através do ADN. Alguns meses depois da publicação do livro nos Estados Unidos, com entrada direta para o top de vendas dos livros de não-ficção. Dois anos após a morte da autora.

 

Não foi ela que finalizou este livro, o seu marido contratou outro escritor de romances policiais, Paul Haynes. Infelizmente sem o desfecho merecido e o nome do violador. Por um bocadinho... No entanto, a inexistência desse desfecho não elimina a grande viagem literária no mundo do crime real que este livro permite. Está cheio de textos da Michelle que foram partilhados no seu blog "True Crime Diary", fotos, mapas, notas do editor, dados da policia adquiridos para a investigação e um Pósfacio do marido dela.

 

O modo operadis do Golden State Killer era invadir as casas durante a noite apontando luzes fortes para o rosto das vitimas com armas. Ele visitava as casas antes, analisava a família, cortava as linhas telefónicas, escondia cordas debaixo da cama e invadia com o intuito de violar a mulher e amarrar o homem. Aparecia com o rosto tapado com uma máscara de esqui e costumava roubar alguns objetos após o ataque. Colocava pratos empilhados em cima do homem e caso ele deixasse cair algum, a mulher seria morta. Chegou a matar. Estimam-se mais de 45 casos de mulher violadas e 12 casos de assassinato.

 

Somos levados pela obsessão da autora e sentimos a carga emocional depositada no seu trabalho. Achei curiosa este obsessão da autora, o que me levou a questionar várias vezes sobre a sua própria história. Acabei por me emocionar quando descreve a sua relação com a mãe. Aproxima-a, mostra a sua sensibilidade. Outra coisa que adorei neste livro foi a introdução da Gyllian Flynn. 

 

"Adoro ler histórias sobre crimes reais, mas sempre tive consciência de que, enquanto leitora, me transformo conscientemente na consumidora da tragédia de outra pessoa. Portanto, enquanto consumidora responsável, tento ser cuidadosa nas escolhas que faço. Leio só o melhor: escritores persistentes, perspicazes e compassivos. Era inevitável encontrar Michelle."

 

Não dá como não sentir frustração por ela, sem conhecer o desfecho desta investigação. A Michelle esteve tão perto. Ela foi importante na resolução deste crime e a sua intuição não esteve muito longe. Percebemos que o traço que ela criou do Golden State Killer é semelhante com a realidade. 

 

Este livro deve ser incluído nas leituras dos fanáticos do crime real. Não sendo um romance ficional é deveras impressionante. Marcado por muita violência, com uma narrativa bastante envolvente, é um livro que não queremos largar e ainda precisamos de falar sobre ele com toda a gente. As descrições são narradas com mestria, com enorme riqueza nos pormenores levando a reconstruir as cenas do crime facilmente na nossa imaginação. 

 

A personalidade forte desta mulher é traduzida pelo seu trabalho extraordinário. A persistência assim como a sua sensibilidade são traços notórios na sua escrita. Adorei. Aposto que vocês também vão adorar. 

 

"Quando conto a alguém nascido na zona que estou a escrever sobre um violador em série de Sacramento, ninguém pergunta qual dele é: isto é revelador não só sobre esta zona nos anos setenta, mas também sobre o EAR"*

 

A HBO já comprou os direitos da obra, teremos uma série para desfrutar. 

 

*EAR, significa East Area Rapist. nome pelo qual Golden State Killer era chamado pela polícia 

 

Para comprar o livro, clique AQUI

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MINDHUNTER - CAÇADOR DE MENTES | JOHN DOUGLAS/ MARK OLSHAKER

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Data: Julho, 2018

Editorial Presença

Tenho de começar com esta passagem. 

 

"Perguntam-nos por que razão é o crime real tão empolgante para os leitores espectadores... Cremos que a reposta é que, pela sua própria natureza, o crime real lida com a essência e com os fundamentos daquilo a que de forma arrogante chamamos <a condição humana>. Ou seja, os instintos e as emoções que todos sentimos: amor, ódio, ciúme, vingança, ambição, lascívia, alegria e tristeza, terror, desilusão, desespero e sentimentos de grandiosidade e de legitimidade pessoal... em muitos casos acompanhados de medidas iguais de desajustamento profundo e de autoaversão."

 

Gosto cada vez mais de ver e ler sobre crimes reais. Costumo assistir a alguns canais no YouTube com relatados de crimes e sempre tive curiosidade sobre toda a história envolvente. O que aconteceu para o homem se transformar num monstro? Será que nascem assim? Será que todos passaram por um trauma na infância? Interessa-me sobretudo a psicologia da mente criminosa. 

 

Quando o livro "MIndhunter - Caçador de Mentes" chegou às minhas mãos fiquei em pulgas para pegar nele. Tinha assistido à série na Netflix baseada no livro, no inicio do ano, e adorado. Tinha visto opiniões no Youtube estrangeiro relacionadas com o livro e não podia ter ficado mais feliz por ver que a Editoral Presença tinha lançado a obra em Portugal. Acabadinho de ser editado, a edição está impecável e vale cada página. 

 

Quando John Douglas quis trabalhar a mente humana dos criminosos, de forma a estruturar uma analise detalhada e conseguir apanhar os assassinos antes de expandirem o terror, não teve o trabalho facilitado. O FBI não acreditava que a psicologia estava relacionada ou que podia ser traçado um perfil antes de apanharem o criminoso.  John Douglas revolucionou a investigação ao desenvolver métodos para saber como funcionava a mente dos serial killers. Começou a trabalhar na década de 70, antes de existir o termo "serial killer". Ele estudou diversos casos e investigou vários assassinos e torturadores. Esteve na prisão de frente com os mais temidos criminosos de forma aprofundar os seus conhecimentos e descobrir pormenores importantes para acrescentar à sua analise. Foi um homem muito importante na formação de vários agentes e na melhoria das investigações. Muitos casos foram solucionados devido à sua inteligência e perspicácia. 

 

Neste livro conhecemos a vida do John Douglas, informações sobre a sua vida pessoal. Casar com um agente do FBI, ausente de casa a maioria das vezes, com a mente sempre a fervilhar, não é de todo fácil. Percebemos isso ao longo dos capítulos, ele não tinha praticamente vida pessoal. Estava demasiado envolvido com o seu trabalho. 

 

OS casos relatados neste livro são imensos. Tem histórias macabras de fazer arrepiar qualquer leitor. É imaginável a forma doentia com funcionava a mente destes assassinos. Mas Douglas sabia como fazer cada um deles escorregar nas próprias palavras, entendia cada detalhe e acabava por ter bastante sucesso na resolução dos crimes.

 

O que mais me impressionou foram os padrões, os traumas de infância, a forma como os serial killers se relacionavam com a mãe. Cresciam em ambientes poucos hostis, com famílias disfuncionais. Na adolescência, através do comportamentos das suas mães, acreditavam não eram dignos de relações amorosas com outras mulheres por serem feios, rudes ou gordos. Douglas defende que estes homens não nascem monstros, considera que desenvolveram esse ódio contra as mulheres devido a traumas ocorridos na infância. Mas este é apenas um detalhe no meio de outras características desenvolvidas no livro. 

 

Optei por não focar esta opinião em nenhum caso em particular, mas os maiores crimes da história são relatados ao detalhe neste livro. Desde Kemper, Brudos, estrupador Ted Bundy, maníaco Charles Manson, assassino de crianças negras Wayne, Rissell que ficou conhecido por começar a matar aos 14 anos são uma pequena parte do que vão encontrar. Cuidado, contém descrições muito fortes e macabras. 

 

"Aquilo que tento fazer com um caso é recolher todos os indícios com que tenho de trabalhar - os relatórios do caso, as fotografias e as descrições do local do crime, os depoimentos das vítimas ou os protocolos da autópsia - e pôr-me mental e emocionalmente na cabeça do criminoso."

 

Uma mão cheia de psicologia, explicações e detalhes interessantíssimos. Este livro é excepcional, acrescenta conhecimento e deixa um fascínio pela mente humana em qualquer leitor. Um dos meus preferidos deste ano, super completo, instigante e com uma narrativa que nos prende do inicio ao fim. Super recomendo. 

 

Podem comprar AQUI

 

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PROJETO ORGANIZE A SUA CASA | 52 SEMANAS

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 Quando a vida muda, mudamos com ela

 

"Uma casa é um espaço vivo em constante mudança, que cresce e se desenvolve à medida que as pessoas que o habitam fazem o mesmo"

 

A vida muda, assim como os objetivos de vida. Acredito que as mudanças trazem aprendizagem e experiência. Para alguém, como eu, que adora planear e organizar, nos primeiros tempos fica um bocadinho perdida, mas tudo se encaixa. O que estava a ser adiado passa a ser prioridade, o que era prioridade acaba por perder a sua força.

 

Alguma coisa tem de ficar pelo caminho, temos de escolher o essencial para os próximos tempos. E foi exatamente isso que eu fiz. Pausa no canal do YouTube com o qual já não me identificava, nem me entusiasmava mais. Sigo dois canais em Portugal e cinco no Brasil. O que significa que tenho mais tempo livre para fazer o que me motiva e deixa feliz. A partilha no Instagram deixa-me totalmente satisfeita porque o público é maior e o feedback mais real e dinâmico. Não sinto saudades nenhumas do YouTube, sorry. Sempre disse que seria o Instagram a rede social com mais força nos próximos tempos, é notório. Desta forma, dei a possibilidade de voltar à escrita, e estou a escrever um livro sobre maternidade. Um trabalho diário e muito gratificante. 

 

Sempre fui organizada, mas estou a precisar que seja algo mais consistente e enraizado. Sem ser uma obsessão. Quero aprender novos truques e ver o que se encaixa com o meu novo estilo de vida. É um tema que gosto imenso e estou sempre a procurar ler mais sobre o assunto. Quem me segue há algum tempo sabe que ando sempre a criar projetos e desafios, gosto de trazer conteúdo novo e não ficar presa ao mesmo de sempre. Acho que 2018 foi (ou está a ser) um dos anos mais criativos. Tive a possibilidade de trabalhar com profissionais, adquirir conhecimento e fazer novos contatos. 

 

O projeto Organize a Sua Casa

 

Quando recebi este livro, lancei a ideia do projeto no Instagram e algumas pessoas gostaram. Consiste em seguir o projeto da autora Paulina Draganja através do seu livro Organize a Sua Casa - Um projeto por semana. O projeto dura 52 semanas, ou seja, um ano. Podes comprar o livro AQUI e acompanhar regularmente no blog, ou simplesmente seguir o blog ou os stories no Instagram. Para isso, precisas de ter a aplicação Instagram e adicionar-me aos teus seguidores. A minha conta é @amulherqueamalivros.pt.

 

 

Cada semana tem um objetivo que nos dará algum trabalho, mas é isso mesmo. Sem trabalho não vamos a lado nenhum, não é verdade? A autora tem um blog  uma conta no Instagram que podes acompanhar e até imprimir as listas de tarefas (mas está em sueco). No entanto, farei os possiveis para manter-te informada das tarefas antecipadamente. Podes começar este desafio no inicio do ano, quando decidires criar a típica lista de objetivos. Mas eu não quis esperar. 

 

 

Criar e manter uma organização

" É verdade que a arrumação certa é importante, Mas há dois outros fatores que são necessários para criar um sistema duravel: a estrutura certa e as rotinas certas"

 

Estou de facto entusiasmada com o projeto que me parece super simples e eficaz. Alguns hábitos precisam de mudar, é preciso ter isso em conta, porque sem mudanças não conseguimos adquirir novos hábitos. É como largar um vicio pouco saudável, passar a ir regularmente ao ginásio ou comer de forma saudável. E outro aspeto bastante importante é a rotina. Eu ainda me estou a adaptar à nova rotina (farei um post sobre a minha nova rotina matinal e noturna brevemente), mas sei que aprendi bastante com o desafio #6amclub (ainda se lembram dele? foi uma experiência enriquecedora, recomendo a todos). 

 

Sugiro que reflitas se realmente precisas deste projeto. Se a rotina está implementada e te sentes capaz de transformar a tua vida em algo mais organizado. E sem desculpas, "não tenho tempo". A organização e a rotina trazem tempo de qualidade. E ainda, poupança. Não acreditas? Experimenta!

 

"É bom ter rotinas. São uma forma de cuidarmos de nós próprios. Se sofrermos de stress, é bom ter uma rotina para descansar. Há coisas na vida que não conseguimos se não decidirmos a consegui-las." Demasiado cliché? Quando me perguntam como consigo ser tão organizada não consigo responder de imediato. Foi um processo, um caminho que acabou por se tornar algo muito natural que fica difícil de responder. Acredito que toda a gente consegue. Porque eu não era assim, aprendi a ser. Também tenho os meus momentos de preguiça, mas sei que só atinjo objetivos se não me permitir ser preguiçosa a maior parte do tempo. Eu gosto de desafios.

 

Vamos ao desafio da primeira semana?

 

Semana 1 | Escrever a lista de prioridades

- 17 a 24 de Julho

 

O livro da Paulina será como um guia, tem várias ferramentas que podemos usufruir de acordo com a nossa realidade. Cada casa tem as suas necessidades especificas. Ela sugere que o primeiro passo seja escrever a lista de prioridades. No livro existe um espaço para escrever uma lista das prioridades mas podes anotar tudo num caderno (ou no teu blog/instagram). Toma nota das dificuldades e do que te incomoda na tua casa. Pode ser qualquer coisa, desde uma gaveta desarrumada à desordem na garagem. Escreve tudo o que vier à cabeça. 

 

Alguns exemplos:

- trocar os quartos dos membros da família

- encontrar um sistema prático para a reciclagem

- tornar o espaço mais amplo

- fazer um pequeno jardim doméstico

- ter as especiarias todas organizadas

 

 Cuidado para não criares projetos demasiado longos - o prazo tem de ter uma semana. Organizar a cozinha pode ser algum muito grande, o melhor é dividir por pequenos projetos. Um ano para fazer tudo o que estiver na nossa lista de prioridades. 

 

Parece fácil. Temos uma semana para definir as nossas prioridades e começar a preparar a mente para o que vem a seguir. Começa hoje e vai até à próxima terça. Brevemente falo mais sobre o desafio da semana 2 nos stories. Em baixo deixo a foto com os desafios até à semana 16, para quem quiser passar para o papel. Já podem deitar o olho aos próximos desafios e decidir se querem participar. 

 

Não se esqueçam de usar a hashtag #organizeasuacasa de forma a vos encontrar nas redes sociais. Entretanto, vou ver se faço a minha lista de prioridades também. Se tiverem alguma dúvida é só deixar comentário ou enviar mensagem. Boa organização, estamos juntas!

 

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AS TRÊS VIDAS | JOÃO TORDO

 

 

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Editora Companhia das Letras

Data Maio 2018

Sinopse

 

História de amor, saga familiar, mistério policial, retrato de um mundo que ameaça resvalar da corda bamba, Três Vidas é um dos mais importantes romances de João Tordo, tendo-lhe valido o Prémio Literário José Saramago.


António Augusto Milhouse Pascal vive longe do mundo, num velho casarão alentejano, com os três netos pouco dados a regras e um jardineiro taciturno. O isolamento é quebrado pelas visitas de clientes abastados que procuram ajuda do velho patriarca, em tempos um importante espião e contra-espião, testemunha activa das grandes guerras do século XX. O nosso narrador - um lisboeta de origens modestas - entra na história quando Milhouse Pascal o contrata como arquivista dos segredos que envolvem os seus clientes. Não poderia adivinhar o rapaz, ao aceitar o trabalho, que este acabaria por consumir a sua própria vida. A partir do momento em que se apaixona por Camila, neta do patrão com sonhos de ser funambulista, que desaparece após uma viagem a Nova Iorque, o destino do narrador enreda-se irreversivelmente nos mistérios da família, partindo a sua existência em três.

 

Opinião

Cada livro que leio do João Tordo é uma surpresa. Teve a capacidade de reinventar-se, experimentar e arriscar. Sendo esta uma história de amor, uma saga familiar, um mistério policial acabou por trilhar por diversos caminhos, portanto temos a sua obra mais completa a nível criativo. Um novelo que precisa de ser desenrolado pelo leitor até ao fim, envolto em mistério e peripécias entre várias cidades (Lisboa, Alentejo, Nova Iorque). 

 

Apesar de mais uma vez nos presentear com histórias onde os homens são os protagonistas, a menina Camila é quem mais brilha neste enredo. A grande paixão do nosso narrador. Um homem com raízes humildes que aceita trabalhar para um homem excêntrico de forma a ajudar a família com as despesas. Foi sem dúvida a Camila que mais me cativou, ela e a sua forma de olhar a vida e amar a liberdade. Mas todas as personagens são interessantes, têm alguma peculiaridade que as torna próximas e profundas.

 

Senti o tom deste romance menos melancólico, menos dramático. Talvez seja o livro ideal para conhecer o trabalho de João Tordo, apesar do meu preferido continuar a ser O Luto de Elias Gro (preciso de ler os seguintes da trilogia). É notável a mudança do escritor, desde o Prémio José Saramago em 2009. 

 

É um livro grande, que se lê muito bem. Somos levados para dentro das cenas, fazemos as mais diversas teorias sobre o misterioso António Pascal, o patrão do narrador. Conhecemos os seus três netos, um trio divertido e pouco vulgar. Torcemos pelo protagonista, procuramos respostas encontramos mais perguntas. As cenas marcadas pela arte do funambulismo são muito sedutoras, dão um toque mágico a todo o enredo. Consegui imaginar perfeitamente aqueles momentos, acho que são as minhas preferidas. 

 

Não foi um livro transformador ou marcante. Foi uma leitura sem efeitos e divertida. Talvez um bocadinho extensa sem necessidade, mas agradável no seu todo. Recomendo sempre João Tordo.   

OS PASSOS EM VOLTA | HERBERTO HELDER

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Data: Abril, 2015

Editora: Porto Editora

 

Sinopse

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Aparentemente um livro de contos, histórias de enredos simples, mas romanticamente transcendentes, representam os passos de um homem em torno da sua existência, sem respostas paradigmáticas, num vazio que se procura transformar em matéria. Sobeja-lhe o corpo, divino, prodigioso e redentor, onde regressa sempre.

«Talvez pudesse ouvir passos junto à porta do quarto, passos leves que estacariam enquanto a minha vida, toda a vida, ficaria suspensa. Eu existiria então vagamente, alimentado pela violência de uma esperança, preso à obscura respiração dessa pessoa parada. Os comboios passariam sempre. E eu estaria a pensar nas palavras do amor, naquilo que se pode dizer quando a extrema solidão nos dá um talento inconcebível. O meu talento seria o máximo talento de um homem e devia reter, apenas pela sua força silenciosa, essa pessoa defronte da porta, a poucos metros, à distância de um simples movimento caloroso. Mas nesse instante ser-me-ia revelada a essencial crueldade do espírito. Penso que desejaria somente a presença incógnita e solitária dessa pessoa atrás da porta.»

 

Opinião

Por vários lugares do mundo, o narrador é perseguido pela solidão, a angústia permanente. Entre álcool, noites obscuras e pensamentos marcados pela intensidade, cada conto é como escavar um buraco profundo na própria existência. Como costuma fazer a boa literatura, somos confrontados com emoções e estranhamentos que dificilmente somos capaz de colocar em palavras. Somos levados a sentir avalanches de perturbações que poucos escritores conseguem com as suas obras.

 

Herberto Helder, sendo o mestre, é um absoluto encantamento sempre que o leio. Primeiro, A Letra Aberta, a sua poesia maldita tornou-se num dos melhores livros de poesia da minha vida. Vendo o documentário sobre ele, tornei-me sua admiradora. Agora este maravilhoso Os Passos em Volta (1963), numa edição fantástica da Porto Editora, comprado o ano passado, guardado para ler neste projeto. Entretanto, já reli alguns contos. Já peguei nele entre pedaços mortos do dia a dia.

 

Teoria das Cores é um dos meus contos preferidos. Fala num pintor que tinha uma aquário com um peixe vermelho. O peixe está a tornar-se negro a partir de dentro. Tem uma página, mas marcou-me no meio de todos os outros. Lugar Lugares é outro absolutamente genial. Incrivel. As pessoas, boa noite, bom dia. Todos os outros são passagens preciosas, um autentico mistério em determinados momentos. Herderto Helder tem um talento inconcebível. 

 

" Era uma vez um lugar com um pequeno inferno e um pequeno paraíso, e as pessoas andavam de um lado para outro, e encontravam-nos, a ele, ao inferno e ao paraíso, e tomavam-nos como seus, e ele eram seus de verdade. As pessoas eram pequenas, mas faziam ruído. E diziam: é o mei inferno, é o meu paraíso. E não devemos malquerer às mitologias assim, porque são das pessoas, e neste assunto de pessoas, amá-las é que é bom." 

 

"Levava tudo para a retrete: o amor, o terror, a grande cidade, o anjo da guarda com quem atravessara o bairro atulhado de putas. A minha obra nascia."

 

"Faz com que eu seja sempre um poeta obscuro."

OS LOUCOS DA RUA MAZUR | JOÃO PINTO COELHO

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Ano: Novembro de 2017

Editora Leya

 

Sinopse

Quando as cinzas assentaram, ficaram apenas um judeu, um cristão e um livro por escrever.
Paris, 2001. Yankel - um livreiro cego que pede às amantes que lhe leiam na cama - recebe a visita de Eryk, seu amigo de infância. Não se veem desde um terrível incidente, durante a ocupação alemã, na pequena cidade onde cresceram - e em cuja floresta correram desenfreados para ver quem primeiro chegava ao coração de Shionka. Eryk - hoje um escritor famoso - está doente e não quer morrer sem escrever o livro que o há de redimir. Para isso, porém, precisa da memória do amigo judeu, que sempre viu muito para além da sua cegueira. 

Ao longo de meses, a luz ficará acesa na Livraria Thibault. Enquanto Yankel e Eryk mergulham no passado sob o olhar meticuloso de Vivienne - a editora que não diz tudo o que sabe -, virá ao de cima a história de uma cidade que esteve sempre no fio da navalha; uma cidade de cristãos e judeus, de sãos e de loucos, ocupada por soviéticos e alemães, onde um dia a barbárie correu à solta pelas ruas e nada voltou a ser como era.

Na senda do extraordinário Perguntem a Sarah Gross, aplaudido pelo público e pela crítica, o novo romance de João Pinto Coelho regressa à Polónia da Segunda Guerra Mundial para nos dar a conhecer uma galeria de personagens inesquecíveis, mostrando-nos também como a escrita de um romance pode tornar-se um ajuste de contas com o passado.

 

Opinião

 

Não é um livro que recomende a toda a gente. Não é aquele livro de leitura super fluida, para devorar nas férias, cheio de peripécias. Pelo contrário, a experiência é árdua. Pela espera, pelo desenvolvimento e pela narrativa. No entanto, se te deixares cobrir pelas personagens e não andares a cem à hora, terás direito a uma boa história sobre judeus perseguidos durante a Segunda Guerra Mundial. Feridas abertas, vozes ensurdecedoras, dramas tão fortes que tornam os nossos problemas em míseros pormenores. Preprarem-se para episódios muito violentos. 

 

Não tinha ficado rendida ao primeiro e aclamado livro do João Pinto Coelho, Perguntem a Sarah Gross. Sem pedido de desculpas, assumo que nunca me deixei envolver pela história, senti que o tempo de espera para o grande final fora muito longo. Andas, andas, e quando devias explodir de emoção, não sentes nada. Sei que foi o livro preferido de muita gente, mas sinceramente já li livros mais cativantes. Neste romance, vencedor do Prémio Leya em 2017, o autor volta à mesma formula, só tens direito à emoção no final. 

 

A escrita é riquíssima. O que me agrada. Tem personagens interessantes, algumas surpresas pelo meio e nada neste livro é cliché. Sabem quando não fazem ideia para onde o autor vos quer levar? É exactamente isso. Não sabes que história anda o Eryk a escrever há mais de vinte e dois anos. Não sabes qual é a importância do livreiro cego Yankel no meio disto disto. Mas queres descobrir e perceber o que se passou na Polónia. 

 

Gostei um bocadinho mais deste romance, mas não fiquei com os olhos a brilhar nem aos pulos por ter encontrado o livro da minha vida. Encontro claramente um grande talento, muito estudo relativamente a este pedaço da História Mundial e há uma evolução evidente em relação ao primeiro. No entanto, a história tem um ritmo lento, é aborrecida em determinados momentos e contém personagens imensos.

 

Recomendo para os leitores persistentes. 

 

ALÇAPÃO | JOÃO LEAL

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Data: 2011

Editora: Quetzal 

 

 

Sinopse

Quando Rodrigo chega a S. João, percebe que vai ter de crescer depressa se quiser sobreviver ao violento código que rege a vida dos órfãos. A aparição de um novo e pouco ortodoxo padre traz-lhe uma visão de esperança que promete mudar tudo. Mas uma maldição familiar emerge do passado. Uma série de assassínios brutais vai arrastá-lo, a ele e a Jorge, o seu único amigo, para um lugar sobrenatural escondido atrás de um misterioso alçapão.

Há séculos à deriva, os habitantes de Lothar, a ilha flutuante, pensam que são os únicos sobreviventes do Grande Dilúvio. No centro da ilha, numa árvore gigantesca, vive um anjo caído que é o seu deus. Um acontecimento, contudo, vai agitar o quotidiano e levar a que dois deles decidam partir.

João Leal, nesta sua homenagem plena de imaginação às histórias de aventuras, faz com que as duas narrativas, tão distantes no tempo, se encontrem num momento decisivo para a história da humanidade.

 

Opinião

Se leram a sinopse percebem que têm uma sinopse um bocadinho invulgar. O livro está dividido em duas partes. A primeira é uma narrativa muito crua, até dolorosa, entre violência e maus tratos entre crianças que estão numa espécie de sobrevivência dentro do colégio de São João. 

 

Logo nas primeiras páginas o momento descrito fez-me chorar. Estou mais sensível, mas juro que começa de uma forma que despedaça o coração de qualquer um. E aqui, o autor faz referência à violência doméstica e a tantas famílias disfuncionais neste país. Outros temas, como a divindade, a música, a fé, a solidão, os laços familiares são colocados de forma muito subtil. Quase não damos por eles, mas estão lá.  

 

O autor escreve de forma tão envolvente que uma pessoa não consegue parar. Queremos saber o que vai acontecer ao Rodrigo e descobrir em que tipo de adulto se vai transformar. E mais uma vez, surpresa, o autor dá a volta a tudo. O inesperado é realmente a palavra certa para descrever esta história. Ora estamos a ler um romance sobre um miúdo perdido, como logo de seguida estão num thriller entre mortes e investigação. Mas o melhor ainda está por vir. A segunda parte é tudo o que menos esperamos. E se a maioria não gostou muito da segunda parte, eu achei de uma criatividade abismal e só consegui fechar a boca de espanto mesmo no final quando as duas narrativas se ligam. 

 

Bem, fica o aviso, este livro nunca será nada do que estás à espera mesmo quando estás à espera que seja um livro muito louco. Está a um preço absurdo de bom (5€). Tenho mesmo pena que autores como João Leal não tenham mais reconhecimento e popularidade dentro dos leitores, mas aqui fica a minha parte na sua divulgação. Obrigada ao Hugo que me dá sempre dicas fantásticas, não falha. 

 

Recomendo muito.

A MORTE | MARIA FILOMENA MÓNICA

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Data: Julho, 2011

Editora: Fundação Francisco Manuel dos Santos

 

Sinopse

É provável que eu morra nos próximos dez, quinze anos. Tenho filhos e netos, amei e fui amada, escrevi livros, ouvi música e viajei. Poderia dar-me por satisfeita, o que não me faz encarar a morte com placidez. Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado. Gostaria que o debate sobre as questões aqui abordadas, o testamento vital, o suicídio assistido e a eutanásia, decorresse num clima sereno. Mas teremos de aceitar a discussão com todos os opositores, mesmo com aqueles que, por serem fanáticos, mais repulsa nos causam. Que ninguém se iluda: a análise destes problemas é urgente.

 

Opinião

"Em 1968, um grupo de peritos reuniu-se na Faculdade de medicina de Harvard para repensar no conceito  morte. Com base no critério de ser o cérebro o órgão que define uma pessoa, passou-se a declarar morto qualquer individuo que evidenciasse sinais de paragem cerebral. A decisão foi pacifica, uma vez que a Igreja Católica não se opôs à definição. "

 

O tema é pesado, mas a escritora consegue colocar uma leveza e aquela sensação descomplicada em relação ao assunto. Pensava que ia ficar com um peso enorme nas costas depois de ler este livro, mas pelo contrário. É retratado de forma muito sensível e fez-me refletir bastante sobre as mortes ingratas e tristes nos hospitais portugueses. Parece que a taxa de mortes em hospitais aumentou significativamente ao longo dos anos. 

 

Neste livro, a autora fala na primeira vez que teve contacto com a palavra morte. Acho que também aconteceu o mesmo comigo. Na catequese ou na disciplina Religião e Moral, falam bastante no inferno e no céu como duas opções para a morte. Lembro-me de questionar bastante a professora sobre este assunto e nunca aceitar as palavras como certezas absolutas. Assim como a autora deste livro. Mais tarde, Maria Filomena Mónica é confrontada com a doença de Alzheimer da mãe e a sua morte. Tudo o que ela escreve é de uma sinceridade incrível e alguma comoção. 

 

"...o que sentia não era tristeza, mas alívio. Isto pode parecer - e é-o - difícil de admitir, mas é o que sucede a quem tem pais com doenças psíquicas prolongadas. Os onze anos, em que assistira a uma mente brilhante deteriorando-se, haviam-me conduzido ao desespero."

 

A forma como a sociedade lida com a morte tem vindo a mudar bastante. Os rituais mudaram, assim como a maneira como falamos na morte. Através de várias referências literárias e casos reais somos levados a questionar sobre a eutanásia. Também nos é dado factos sobre a forma como o Estado trata o envelhecimento prolongado.

 

De todas as histórias relatadas neste livro, a mais marcante é a história de amor de dois velhinhos que ocorreu em 2011. Ela com 89 anos, ele com 85. É caso para dizer, "felizes para sempre, até que a morte os separe". Muito comovente. E mais uma vez levamos uma chapada da realidade. 

 

Recomendo muito este livro. É sem dúvida uma leitura completa, que nos vira do avesso e nos mete a refletir sobre a eutanásia, morte, e consequentemente, vida. Escrito de forma bastante acessível e envolvente. Não deixem de ler esta pechincha de livro (custou-me menos de 3,50€) pertencente à editora Fundação Francisco Manuel dos Santos. Tem títulos fabulosos que não me canso de recomendar. 

 

Outro livro sobre o tema, é o romance de Tolstoi, A Morte de Ivan Ilyich. Referido neste ensaio, li há uns anos e foi uma leitura absolutamente marcante. Também recomendo.

 

Saio desta leitura com a certeza que quero ler mais livros desta notável escritora. 

ALICE NO PAÍS DAS SAPATILHAS | SUSANA TAVARES

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Data de lançamento : 4 de julho

Editora: Manuscrito Editora

@alice_no_pais_das_sapatilhas

 

Sinopse

 Alice, 15 anos, é a miúda mais popular do colégio. Namora com o Mister Giraço do 12º ano e o seu blogue, Alice no País das Sapatilhas, soma visitantes e seguidores. Like, like, like! o seu sonho de vida é ser uma Fashion Blogger, sempre atenta às últimas tendências. 

Mas, a um mês de fazer 16 anos, o feed da sua vida muda radicalmente quando os pais decidem ir viver para Rolhas, uma pequena e remota aldeia de Trás-os-Montes onde nem sequer há Internet. What? OMG! Vários emojis de espanto! 

E agora? Será possível sobreviver à adolescência sem redes sociais? e como é que ela, habituada a viver permanentemente online, vai traçar o seu caminho offline? Longe da cidade, dos centros comerciais, das amigas e do namorado… São demasiados dramas para uma janela de chat só! 

Alice no País das Sapatilhas - Tirem-me deste filme! é uma história divertida que acompanha as aventuras online e offline de uma adolescente dos dias de hoje, em que os dilemas próprios da idade passam pela existência (ou não) de Wi-Fi.

 

Opinião

Se eu tivesse 15 anos e a minha família tivesse a brilhante ideia de ir viver para Rolhas, uma aldeia de Trás-os-Montes, sem internet, acho que teria um colapso. Uma pessoa viciada em redes sociais, com um blogue, amigas, namorado, não pode ter outra reacção. certo? É um grande drama, sobretudo na adolescência. Adeus vida, olá idade da pedra. 

 

A Alice é uma adolescente super fútil, é blogger de moda, acha-se superior às outras raparigas e tem uma atitude de menina mimada que me fez revirar os olhos várias vezes ao longo da leitura. Mas se pensar na minha pessoa há uns anos atrás, ou em algumas miúdas desta idade, sempre agarradas ao telemóvel, consigo ver que a Alice é o retrato fiel de muitas raparigas. E claro, a idade traz sabedoria e os obstáculos muita aprendizagem. 

 

O livro lê-se de um só fôlego. O enredo é super rápido, não enrola, as situações são engraçadas e apesar do final se facilmente adivinhar a dada altura, acaba por ser muito fofo. Acho que a escritora Susana Tavares conseguiu passar muito bem a mensagem importante nos tempos modernos. É possível sermos felizes em modo offline. A vida tem uma série de coisas para fazer e viver para além das redes sociais. Se calhar, com 15 anos ia ter dificuldades em acreditar nisto, mas juro que é verdade. Pensamos que estamos a perder este mundo e o outro sem wi-fi, mas nada mudou no mundo virtual duas horas depois. 

 

Gostei muito deste livro. Aborda temas que me suscitam algum medo como mãe de pequenos adolescentes. Enquanto, não chega a minha vez, guardo o livro para eles lerem mais tarde. Entretanto,meto já a minha irmã adolescente a ler este livro, é uma forma subtil de lhe passar a mensagem. Outro ponto a favor deste livro são as pequenas ilustrações ao longo do livro e os balões correspondentes às sms trocadas entre as personagens. O trabalho a nível gráfico está muito bom. Espero que o livro vire uma série, seria engraçado aproveitar estas personagens com novas aventuras.

 

Recomendo. Aos pais, que lidam ou vão lidar com adolescente. Aos adolescentes que se acham a última bolacha do pacote e aos futuros adolescentes que não passam sem o seu telemóvel.  

 

Citação:

". Eu e o teu pai passámos demasiado tempo concentrados nas nossas carreiras em dar-te uma vida confortável. Tão confortável que tu nem consegues conceber a ideia de te separares dela por uns tempos... Mas não te preocupes, daqui a uns meses estás de volta à civilização,..."

 

"As mudanças podem ser boas, se estivermos na disposição de as aceitar."

YORO | MARINA PEREZAGUA

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Yoro deixou uma marca em mim. A audácia e inteligência da escritora Mariana Perezagua é tão evidente ao longo da narrativa que é impossível não ficar de queixo caído.  Tive a sensação que ela estava na primeira fila dos acontecimentos e conhecia detalhes que mais ninguém suspeitava em relação ao sofrimento daqueles que lidaram com a bomba de Hiroxima. 

 

Fui completamente atropelada pelo sofrimento da protagonista, H.. Alguém que nasceu com os dois sexos, criada como homem, mas sempre se sentiu mulher. Uma pessoa que vê a sua vida transformada depois do ataque nuclear. Alguém que deseja profundamente ser mãe e livrar-se dos seus traumas. Ler este livro é como cair num buraco profundo de angustia, numa espiral de emoções sem um pingo de esperança. 

 

Podia referir todos os outros temas abordados neste livro. São imensos e completam-se como um puzzle. Mais uma vez a audácia desta escritora a conseguir um enredo complexo e harmonioso entre si. Vou deixar a descoberta para os leitores curiosos. Fica desde já a ponta do véu levantada e espero que atraia mais leitores para este grande tesouro da literatura. Estou mesmo impressionada!

 

Para uma opinião mais completa, recomendo o post da Alexandra. A culpada pela leitura deste livro. 

leitora beta * divulgação * literatura *

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