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BANGLADESH, TALVEZ E OUTRAS HISTÓRIAS | ERIC NEPOMUCENO

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Bangladesh, talvez e outras Histórias é um livro de contos do brasileiro Eric Nepomuceno lançado este ano pela Porto Editora durante o Correntes d'Escritas.

 

São histórias sobre o comum, de fácil empatia e alguma comoção. Os finais são em aberto, deixando o destino das personagens entregues ao leitor. Não são histórias muito conclusivas, mas foi exatamente isso que me fascinou. A responsabilidade fica do nosso lado, a imaginação faz o resto do trabalho. 

 

Uma das histórias mais marcantes é um dos contos mais curto. O autor consegue de forma muito conscisa colocar várias emoções. O meu conto preferido chama-se História de pai e Filho, foi o que mais me comoveu. A lágrima ao canto do olho apareceu. O filho é levado pelo pai durante várias tardes para almoçar num restaurante, mas é sempre interrompido por amigos e conhecidos. Um dia, chateado, o filho decide que não quer ir mais almoçar àquele restaurante. Acaba por ir contrariado. O que acontece depois irá marca-los para o resto das suas vidas. 

 

A corrida contra o tempo, as memórias de infância, as histórias que nos fazem sorrir ou chorar. Os putos curiosos espreitam a vizinha pela janela, os homens crescidos com as suas fragilidades durante a conquista. São momentos que nos intensificam os dias. A felicidade ali, presente, e nunca descansamos em procurar por ela. 

 

Gostei bastante. Confesso que a força dos primeiros contos foi superior à força dos últimos. Prefiro os mais curtos e intensos. O autor não subestima a nossa inteligência em momento algum, não explica. Adoro quando é assim. Recomendo, fiquei muito contente por conhecer mais um autor brasileiro.

 

Histórias curtas para quem quer usufrir do prazer da leitura de sorriso na cara. 

HISTÓRIAS DE ADORMECER PARA RAPARIGAS REBELDES 2 | FRANCESCA CAVALLO E ELENA FAVALLI

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Numa edição primorosa, por ordem alfabética, este livro contém 50 extraordinárias ilustradoras que dão vida a mulheres igualmente fantásticas. Um trabalho de duas italianas, a Francesca e Elena, que já conta mais de trinta traduções. Se livros sobre mulheres estiveram na moda, e for um motivo para mais trabalhos criativos de mulheres serem divulgados, só pode ser uma boa motivação. Obrigada à Nuvem da Tinta por ter editado este livro em Portugal. 

 

Não desfazendo das outras histórias, houve uma que me fez pesquisar mais e ficou gravada na minha memória. Fiquei realmente impressionada com a coragem dela e como foi importante a sua atitude. Falo da Ruby, a primeira menina negra com seis anos que entrou  para uma escola com apenas crianças brancas. A forma como ela e a sua família combateram o racismo entranhado no sistema é de arrepiar, Existe um filme sobre ela no Youtube. Fui à procura de mais informações e encontrei várias coisas. Hoje ela é uma ativista dos direitos humanos. Mulher de garra. 

 

Já conhecia algumas, JK Rownling, Opray, Beyoncé, Ellen Degeneres, entre outras.  Mas a maioria são mulheres pouco populares que participaram fortemente para a mudança e seguiram a premissa de que podem ser quem quiserem. É essa a grande mensagem deste livro. É interessante ver que são mulheres de todo o mundo, com realidades tão diferentes, empenhadas em transmitir uma mensagem. Este livro mostra que ainda temos muito trabalho pela frente na mudança de pensamentos. A luta continua.

 

Estes livros são necessários na vida das crianças que serão os adultos de amanhã. Recomendo muito. Mensagens fortes numa edição cativante que prima pela qualidade do trabalho de várias mulheres. É um livro necessário nas estantes, nas bibliotecas e escolas. 

 

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VIAGEM AO SONHO AMERICANO | ISABEL LUCAS

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Tive a feliz oportunidade de ir ao evento na Fábrica das Palavras ouvir a Isabel Lucas sobre este trabalho editado pela Companhia das Letras o ano passado. O título e a capa tinha despertado o meu interesse, mas foram as palavras da autora, naquele dia, que colocou alguma urgência nesta leitura. Comprei o livro, não descansei enquanto não o li.  

 

Em 2016, Isabel Lucas saiu de Portugal com a missão de percorrer os Estados Unidos a partir da sua literatura. São doze reportagens, durante um ano, ou seja, uma por mês. O objetivo era passar determinado tempo entre a realidade e a ficção de forma a captar as mudanças, assim como descobrir a situação política e social. Viajou imenso, com um telemóvel, computador e alguma roupa. Com poucos planos. As reportagens foram publicadas no Público, onde trabalha e mais tarde compiladas neste livro. 

 

"Foi a literatura que me fez começar esta viagem e a partir dela tentar perceber mais sobre um país com o qual cresci, porque era com ele que inevitavelmente se crescia no Ocidente nos anos oitenta ou noventa. A amar muitos dos seus escritores, da sua música, do seu cinema, da sua arte, dos seus ideais de liberdade, possibilidade, aceitação da diferença, irreverência, energia criativa."

 

Esta viagem só foi possível com a ajuda da Fundação Luso Americana que patrocinou os custos. Segundo ela, o trabalho jornalístico só funciona assim hoje em dia.  Não há verbas. Partir à aventura, em busca de respostas, cheia de incertezas, é algo que eu sinto como um ato de coragem. A forma como transportou para a escrita essa experiência é comovente. Primeiro, é uma mulher com muita piada. Segundo, o seu olhar sobre o outro é de uma enorme generosidade. Terceiro, senti o tamanho do mundo e o quanto somos um milhão de coisas ao mesmo tempo. Impressionante como um país pode ter tantas culturas diferentes dentro dele. Não sei se gostei do que descobri em relação aos Estados Unidos. Acho que ficou muito claro o lado negativo, mas precisava de sentir algo mais positivo. 

 

Nesta altura, Obama acaba o legado e Trump está na corrida com Hilary. Isabel Lucas mostra como o povo pensa, reage e tem dúvidas. Aqueles que não votaram sentem-se culpados. Os emigrantes sentem medo. A organização do livro é perfeita. Inicialmente apresenta uma lista de obras literárias, sugestões de leitura, fotos, a reportagem e um Travel Log (notas postadas no Facebook ao longo da viagem).

 

Começa com um dos meus livros preferidos, Moby Dick, onde refere as maratonas literárias que fazem Simon's Bethel durante 25 horas seguidas. É feita uma ligação entre o clássico e o estado atual da cidade. É assim em todas as reportagens. Ao longo do livro vamos testemunhar os encontros entre a jornalista e alguns escritores. Vamos ouvir histórias de pessoas muito distintas, com realidades opostas. São experiencias que acrescentam. Tudo o que é dito, é necessário. Cada detalhe. Cada ironia e pormenores. 

 

"E vai sozinha?, perguntam-me mais uma vez, tantas vezes. Quase sempre é assim quando saio para um trabalho longo. Isso raramente se pergunta a um homem. Andar por aí, sendo mulher, é ter noção, não apenas do preconceito, mas de que somos um corpo exposto a mais perigos. Ainda é assim. "

 

Joan Didion, Susan Sontag, Rebecca Solnit, Toni Morrisson, Franzen, Philip Roth, Cormac McCarthy, entre outros nomes mundialmente conhecidos são referidos ao longo das doze reportagens. Fiquei com vontade de explorar mais a literatura americana e ir até ao Alasca. Super recomendo este livro para quem gosta de livros de não fição, tem um fascínio pela América e gosta de livros de road trip. Para quem não gosta também pode arriscar sair da zona de conforto, é um trabalho de muita qualidade que merece ser lido e partilhado. 

ENSINA-ME A VOAR SOBRE OS TELHADOS | JOÃO TORDO

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O mais recente livro do João Tordo chama-se "Ensina-me a Voar Sobre os Telhados", saiu no dia 20 de Março pela Companhia das Letras. Tem 486 paginas de pura melancolia e tristeza.

 

Entre o Japão e Portugal numa distância de 100 anos, o romance dá lugar a duas histórias distintas com algo em comum. Começa em Portugal, com um acontecimento trágico, o suicídio de um professor de Geografia em pleno Colégio Camões. O narrador é um homem que está divorciado, com um filho surdo, alcoólico, que decide reunir os colegas para conseguirem conversar sobre a tragédia. No Japão, a história também é trágica, dois amigos são separados devido a uma situação muito triste. O governador, pai de um dos amigos, castiga brutalmente o seu filho desprezando-o de forma a honrar a família. 

 

Durante todo o livro senti uma carga pesada de tristeza. Lia um bocadinho todos os dias, mas sentia que a história não avançava. Requer paciência. Perturba-me ler um livro tão triste em dias felizes. A escrita do João Tordo foi o elemento essencial para continuar a tentar conectar-me com as personagens. Gostei bastante das primeiras cem páginas, mas depois senti-me perdida e desconectada. O romance não cresce, tem tantas personagens e detalhes que acaba por ser frustrante não sentir nenhum entusiasmo por nada do que acontece. 

 

"Há quem diga que o suicídio é a forma suprema de egoísmo; que o suicida deixa, na sua esteira, um rasto indelével de dor. A verdade é que, para os que partem, as perguntas cessam."

 

Gostei particularidade da existência de diversidade e representatividade. As personagens são muito distintas do que costumamos encontrar nos romances contemporâneos. Vozes dos rejeitados e ignorados pela sociedade. Culturas e tradições ricas, sobretudo nas passagens dedicadas ao Japão. Questões de fé e esperança durante momentos de agonia e fracasso. Como lidam com a dor e a morte? Como continuam os seus dias afogados nos próprios erros?  A questão da surdez é abordada no romance através do filho do narrador e da relação que ambos têm. Como é ser pai de um filho surdo? 

 

Achei muito interessante a abordagem que o autor fez em relação à levitação, sendo uma prática difícil de acreditar como algo existente. O título é uma pequena referência a esse mundo incógnito e místico. Li numa das notas do autor sobre este romance, que esta história nasceu de uma conversa com um homem japonês. Transcrevo de seguindo um bocadinho:

 

"Eu tinha estado na China alguns anos antes, mais propriamente em Xangai, onde conheci um homem japonês que, durante um jantar, me confessou, embriagado, que descendia de uma linhagem de praticantes de levitação – que o seu trisavô pairara sobre a cordilheira dos Himalaias... Nunca sabemos de onde nos chegam estas associações e, no que diz respeito ao meu ofício, aprendi a não fazer demasiadas perguntas nem a sabotar as ligações inesperadas da imaginação. "

 

João Tordo tem uma escrita belíssima e bastante rica. Um romance primaveril, numa narrativa muito introspectiva. Não dá para resistir a um novo romance de um nossos escritores preferidos, não é verdade? Apesar de ter ficado pouco impactada, valeu a pena. 

TUDO É POSSÍVEL | ELIZABETH STROUT

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Não sendo uma continuação, acaba por fazer parte de uma série ligada à protagonista do primeiro livro. E ao contrário de outras opiniões, não sendo obrigatório, acho necessário ler o primeiro.  “Tudo é Possível”, é a reunião de nove histórias, estão todas ligadas, de forma direta ou indireta, a Lucia Barton.

 

Lucia Barton é a protagonista do primeiro livro de Elizabeth Strout, “O meu nome é Lucia Barton”. Livro que eu amei e passei a recomendar a (quase) toda a gente. Em relação a este, estava com expetativas um bocado elevadas, mas apesar da história ser completamente diferente do que esperava, foi uma boa surpresa.

 

Numa das histórias, um homem recorda o momento em que abraça o corpo frágil da Lucia, assim como a história sofrida da família desta. Ao contrário do que esperam dela, Lucia ultrapassou os momentos difíceis. Será alguma réstia de esperança num meio tão pequeno? Lucia é uma escritora respeitada, lançou um romance e vai regressar à terra natal para o lançamento. Terá de enfrentar o passado e lidar com palavras duras, reprimidas por muito tempo vindas de quem menos espera. Atacamos quem admiramos por sermos mais exigentes? Ou não sabemos lidar com o sucesso dos outros?

 

Uma luta constante entre o presente e as lembranças do passado. Momentos mais intensos do que outros. A nossa experiência é inconstante, mas tem o mesmo ritmo melancólico do início ao fim. As personagens têm uma voz própria, isso agradou-me bastante. Não há como ficar perdido neste emaranhado de emoções. A escrita da Elizabeth Strout é tão poderosa que consegue dar vida a histórias que ficaram comigo depois de finalizada a leitura.

 

Não sendo um romance com uma estrutura linear e características comuns do romance tradicional pode causar algum estranhamento para os menos habituados. Eu adoro livros impactantes, daqueles em que o silêncio e a ausência fala mais do que os diálogos e as descrições. Elizabeth Strout é uma escritora que pretendo acompanhar, mais uma vez não defraudou as minhas expectativas e o encanto da sua escrita só tem tendência a melhorar. Que livro maravilhoso.

 

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A PITADA DO PAI | RUI MARQUES

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A semana passou chegou este livro, “A Pitada do Pai”, da editora Matéria-Prima. Adoro as edições desta editora, sente-se o cuidado em todos os trabalhos. O autor tem um blog com o mesmo nome, que eu desconhecia totalmente.

 

Normalmente compro livros de receitas, tiro uma ou outra ideia, mas volto a guardar e nunca mais pegar neles. Tenho vários encostados à prateleira, num espaço na cozinha, é raro mexer neles. Com este aconteceu o contrário, nunca mais o larguei, tem estado em cima da mesa da cozinha, na sala, na mala. Já fiz um total de cinco receitas, repeti algumas várias vezes. São todas muito fáceis e rápidas. Desta forma, tenho variado bastante nos pequenos-almoços, e incluído as receitas no meu dia a dia. São aquele género de receitas que posso usar e abusar porque são saudáveis e simples.

 

Neste momento, a receita de mais sucesso na minha cozinha é “Papas de Trigo Sarraceno e Quinoa”. É uma refeição quentinha e com um cheiro maravilhoso. Enquanto faço o meu ritual do #6amclub deixo o tabuleiro no forno. Fica pronto em trinta minutos.  Antes de ir para a cama coloco os ingredientes da receita no frigorífico a demolhar, de manhã é mais fácil. Faço um tabuleiro pequeno, como sobra sempre, aqueço e como em outras ocasiões. Não fico com aquela sensação desconfortável e pesada no estômago. É muito nutritivo e saudável.  A Francisca gosta e come um pouco comigo, o Gustavo prefere a mousse de chocolate saudável. Confesso que adoro as duas receitas. A mousse tem sido outra receita igualmente preparada religiosamente todos os fins de semana desde que tenho este livro. Já trouxe para o emprego com granola em cima.

 

Este livro é fantástico, tem sido uma lufada de ar fresco nas minhas receitas e na alimentação dos meus filhos. Tem imensas para explorar. Algumas são totalmente vegan, outras vegetarianas. Outra coisa que gostei muito é o facto de estar dividido pelas estações do ano, muito bem organizado. Facilitou imenso na escolha das receitas para esta altura do ano. Quentinhas e reconfortantes.

 

Com a chegada da Primavera vou começar a espreitar as outras receitas. Estou tão empolgada! Tenho partilhado pequenos momentos de cozinha no Instastories, algumas pessoas ficaram curiosas e já me pediram um vídeo sobre o assunto. Estou a selecionar algumas para vos garantir que é possível cozinhar de forma simples e rápida. Vou partilhar tudo, prometo.

 

Recomendo este livro para quem começa a dar passos pequenos na cozinha e pretende alterar hábitos. Também será uma ajuda preciosa para as mães. Podes comprar o livro AQUI.

 

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36 PERGUNTAS QUE ME FIZERAM GOSTAR DE TI | VICKI GRANT | + DESAFIO

 

Neste vídeo falo da novidade da Gailivro, "36 Perguntas Que Me Fizeram Gostar de Ti", da escritora Vicki Grant. Um livro para adolescentes, que acabou por me surpreender. Mas explico todos os motivos dessa surpresa no vídeo e ainda lanço um desafio baseado nesta história. São apenas 5 perguntas que podes responder nos comentários, no teu blogues ou até mesmo enviar por e-mail. És capaz de arriscar qual das perguntas está no romance?

 

Desafio  | 5 perguntas 

1 - Serias capaz de participar num estudo de psicologia deste género?

2 -  Se pudesses convidar qualquer pessoa no mundo inteiro para jantar qual seria?

3 - Quando foi a última vez que cantaste? Já agora, revela a música. 

4 - Qual é tua memória mais marcante e antiga relacionada com os livros?

5 - Se só pudesses oferecer um único livro durante toda a tua vida, qual seria?

 

 

Podes comprar AQUI ou AQUI

 

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