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TAG | MARÇO FEMININO

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Deixei para o final do mês porque tinha a certeza que teria novas sugestões após as leituras dedicadas ao Março Feminino. Não gosto de me repetir, talvez por isso evite responder a TAGs, mas esta é diferente. É criativa, tem conteúdo, para além disso foi criada pela Sandra, do Say Hello To My Books. Adoro.

 

Tentei escolher livros pouco falados por aqui, tentei não repetir algumas respostas dadas por mim e por outras bloggers, mas foi difícil (não é Alexandra? algumas respostas dela, podiam ser as minhas, é a blogger com quem mais me identifico a nível dos gostos literários).

 

Que todos os anos se celebre o Março Feminino, que sejam lidas muitas mulheres e partilhadas várias sugestões! 

 

1. Aqueles dias do mês - Um livro que os homens nunca vão perceber.

 

“Um Quarto Só Para Si”, Virgínia Woolf

Acredito que todos os leitores conseguem entender a mensagem deste livro. Este livro ou qualquer outro. Aliás, preferia que alguns homens lessem este livro para descortinar algumas questões ligadas à luta pela desigualdade de género. Um quarto só para si é um grito sufocado, em nome de todas as mulheres, pela sociedade que insistia em colocar as mulheres num papel ingrato e os homens num lugar dominante. Para escrever, as mulheres precisavam de um quarto só para si, e romper com diversos preconceitos. Este livro é o primeiro passo, dado pela Virgínia Woolf, em colocar os pontos nos is sobre as necessidades criativas das mulheres, e transmitir uma mensagem que as mulheres para além de entenderem, sentem.

 

2. Filha da mãe da depilação - Um livro que te arrepia só de pensar.

 

“Vozes de Chernobyl”, Svetlana Alexievich

Estava indecisa. Vários livros contam episódios da história mundial com foco no sofrimento, maus tratos ou violência. Tantas opções podiam estar nesta resposta. Decidi escolher um livro que aborda o desastre nuclear em Cherbonyl, por ser pouco comentado. Milhares de mortes, idosos que tiveram de abandonar os seus lares, grávidas que deram à luz crianças deformadas tal o impacto das radiações da explosão. Foi o primeiro livro que li da autora e me levou às lágrimas.

 

3. Aquele batom vermelho que dá um up a qualquer look - Um livro que te pôs bem-disposta/o num dia cinzento 

 

“Mulheres”, Carol Rossetti

É um trabalho magnifico por parte da Carol Rossetti. Um livro que vou oferecer à minha filha, às minhas irmãs e amigas. Um livro que traz todo um espírito descomplicado. Podemos amar o nosso corpo como é, podemos amar quem quisermos e ser como e o que quisermos. Li o livro durante o projeto mais fantástico deste mês, Março Feminino (que por acaso é da autora desta TAG).

 

Extra

“Não Sou Esse Tipo de Miúda”, Lena Dunham

Este livro foi escrito pela criadora, produtora e protagonista da série Girls. Numa abordagem muito divertida, este livro traz reflexões de quem está a crescer e encontra o fantástico mundo dos adultos. Sem filtro, num mundo particular e feminino, este livro não sendo uma grande obra está muito perto de uma conversa com a melhor amiga. Dá aquele ânimo em dias mais chatos.

 

 4. Cérebro Feminino - Um livro que parecia confuso, mas acabou por fazer muito sentido.

 

“Beloved”, Toni Morrison

A escrita intrincada e os temas abordados não permitiram uma leitura fluida. Nada me preparou para este livro. Precisei abrandar o ritmo, ficar em silêncio absoluto para absorver a sua escrita e a mensagem. Livro cruel sobre o racismo escrito de uma forma muito visceral. Numa realidade completamente diferente da minha, este livro foi confuso e pediu muita dedicação. No entanto, valeu totalmente o esforço. Leiam. Preciso de ler o outro livro da autora que tenho na estante.

 

 

5. "Mulheres não percebem de futebol, nem gostam de cerveja" - Um livro que vomita clichés. 

 

“Um Final Feliz”, Annie Darling

Uma mulher com um sonho, recuperar uma livraria em falência. Um homem que se acha o mais bonito e simpático. Não é, é só arrogante. Uma paixão entre os dois. Personagens estereotipados, situações muito comuns de uma comédia romântica. O título diz tudo. Leve, para dias de praia. Salvou-se, no meio dos clichés, a dedicação e o amor da protagonista pelos livros.

 

6. Mini-saia - Um livro curto, mas bom. 

Karen”, Ana Teresa Pereira

 Conheci a escrita da autora o ano passado e fiquei muito curiosa com este título. Recomendo para um primeiro contacto com os livros da escritora. Tem os elementos necessários para uma história muito cativante. Uma mulher com perda de memória após um acidente, acorda numa casa desconhecida. Um suposto namorado que está ansioso pelo aniversário dela devido a uma herança. Uma empregada muito suspeita. Uma cascata como pano de fundo do acidente. Como termina esta história? Será que ela perdeu mesmo a memória? Leiam. Vale a pena. Sobretudo se gostam da história do clássico “Rebecca”, Daphne du Maurier.

 

7. Bolsa de Mulher - Um livro com muita coisa dentro, que te provocou várias emoções. 

 

Tetralogia, de Elena Ferrante (todos os seus livros)

A série está quase a chegar, a historia é incrível e provoca várias emoções devido à complexidade das personagens. São muito reais, dentro dos defeitos, escolhas e emoções. A história de Lila e Lena é talvez a minha preferida no mundo inteiro. Aquela em que penso várias vezes. Aquela que gosto de recomendar a toda a gente, com um pedacinho de inveja porque vão começar e eu já terminei. Ferrante escreveu sobre mim, sem saber. Muito grata. Até fico com um brilho nos olhos de me lembrar e vontade de reler.

 

8. Mrs. Always Right - Como as mulheres têm sempre razão, escolhe um livro que aconselhas a toda a gente.

 

Rebecca, Daphne Du Maurier

Este livro foi tão impactante para mim que fico em pulgas para saber a opinião dos outros quando o começam a ler. É um clássico, não é enfadonho e tem descrições belíssimas assim como uma história que prende do inicio ao fim. Não deu para largar sem chegar ao fim. Não dá para ficar indiferente à qualidade de escrita desta mulher.

 

9. Mas porque é que tenho que gostar de cor-de-rosa? - Um livro que toda a gente gosta, menos tu!

 

“A Rapariga no Comboio”, Paula Hawkins

Foi difícil de encontrar um livro muito apreciado que me tenha desiludido, mas assim que bati os olhos neste livro dei como encerrada a resposta. Este livro ainda é usado como referência para os thrillers publicados depois. Ganhou adaptação cinematográfica. Um livro campeão de vendas. No entanto, achei pouco surpreendente. Adivinhei o assassino nos primeiros capítulos e não o acho merecedor de tanta popularidade.

 

10. Sutiã nosso de cada dia - Um livro que te incomodou ou um livro que foi um alívio chegar ao fim.

 

A Casa com Alpendre de Vidro Cego, Herbjorg Wassmo

Um romance do ponto de vista de uma criança abusada sexualmente de um tio. É o assunto mais difícil, contado de forma muito sensível e intensa. Tenho pena que a continuação não tenha saído como estava prometido. É por essas e por outras que não gosto de começar uma série sem os outros livros publicados. Esta autora nasceu na Noruega, é pouco conhecida por cá, mas já tem vários títulos publicados. Adorava ler mais livros dela.

 

 

11. Ir à manicure - Toda uma curiosidade sobre um livro que anda na boca do povo, mas ainda não leste. 

 

Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes 2, Elena Favilli

Preciso de ler este livro! A edição é maravilhosa, a mensagem é poderosa. Tem tudo para me agradar. Já repararam que anda por aí uma vaga de livros dedicados a mulheres. E ainda bem. Podem vir mais.

 

12. Fitas e lacinhos - O livro mais girly que já leste.

 

"O Meu Livro de Estilo", Gabriela Pinheiro

O livro é escrito de uma forma muito divertida, num tom muito próximo de uma conversa entre duas amigas. Cheio de imagens lindas e conselhos muito úteis na hora de transformar o nosso estilo ou guarda-roupa. A Gabriela Pinheiro defende que "não deves usar tudo só porque é moda". Deve existir uma selecção da nossa parte e amigos sinceros por perto. 

 

 13. Girl Power - Uma autora que é uma mulher do caraças. Explica porquê. 

 

Emma Reyes

Esta mulher passou por várias dificuldades. Pego nelas, embrulhou-as em veludo e fez da sua história uma história de sucesso. Pintora colombiana, marcada por uma vida intensa e sem apoio familiar. Há algo mais inspirador do que histórias de empoderamento? Quando li o seu livro de memórias fiquei a admirar o seu trajeto e força. 

 

14. Mulheres nos livros - Indica três livros com personagens femininas fortes.

 

A minha vontade era responder a esta TAG com títulos escritos por mulheres, mas foi aniquilada com esta questão. Vou escolher todos os livros de George RR Martin. Para mim, mulheres fortes na literatura estão o mais perto da realidade possível. Têm qualidades e defeitos. Agem por impulso ou de acordo com os seus princípios. Fogem ao conveniente, rompem com preconceitos e lutam pelos seus interesses. Posto isto, temos um leme absolutamente genial criado pelo autor mais demorado de sempre. Sansa, Arya, Dany, Cersei, é apenas uma amostra. São sete livros em português.

 

15. Mulheres nos filmes - Indica três filmes com personagens femininas fortes. 

 

Mustang

Se me pedirem uma única recomendação é este que vou indicar. Por ser o meu preferido de sempre (este e mais uma mão cheia). Por ser poderoso e representar a realidade de muitas mulheres por este mundo fora. Motivos para veres este filme? A temática, beleza, representação, fotografia, tudo. Adorei todas as meninas, sobretudo a mais nova. Pequena heroína. Linda, fofa. Não quero contar nada sobre o filme, perde a piada toda.

 

Black Panther

Minha nossa, as mulheres deste filme são o melhor deste filme. Filme carismático com questões importantes e mensagens fulcrais numa sociedade machista e racista. Não via um filme de super-heróis tão bom desde o último do Batman. Sério! Obrigatório!

 

Hidden Figures

As mulheres podem ser cientistas, podem fazer calculas mega difíceis. Podem pertencer a um grupo de trabalho liderado por homens e fazerem a diferença. Este filme é necessário.  Fico mesmo contente que exista. Ri e chorei muito. Não podem perder.

 

Extra

As Serviçais

Outro filme preferido da vida. Nunca li o livro, mas o filme é espetacular. Uma história sobre o racismo, com momentos de humor. Mulheres corajosas, curiosas, com princípios vincados e movimentos transformadores. Um retrato americano da década de 60 que vale cada segundo.

 

 

 

36 PERGUNTAS QUE ME FIZERAM GOSTAR DE TI | VICKI GRANT | + DESAFIO

 

Neste vídeo falo da novidade da Gailivro, "36 Perguntas Que Me Fizeram Gostar de Ti", da escritora Vicki Grant. Um livro para adolescentes, que acabou por me surpreender. Mas explico todos os motivos dessa surpresa no vídeo e ainda lanço um desafio baseado nesta história. São apenas 5 perguntas que podes responder nos comentários, no teu blogues ou até mesmo enviar por e-mail. És capaz de arriscar qual das perguntas está no romance?

 

Desafio  | 5 perguntas 

1 - Serias capaz de participar num estudo de psicologia deste género?

2 -  Se pudesses convidar qualquer pessoa no mundo inteiro para jantar qual seria?

3 - Quando foi a última vez que cantaste? Já agora, revela a música. 

4 - Qual é tua memória mais marcante e antiga relacionada com os livros?

5 - Se só pudesses oferecer um único livro durante toda a tua vida, qual seria?

 

 

Podes comprar AQUI ou AQUI

 

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MULHERES | CAROL ROSSETTI

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Existem livros que merecem ser partilhados, oferecidos e divulgados o máximo possível. É o caso do livro da ilustradora brasileira Carol Rossetti. "Mulheres", um livro sobre mulheres para o mundo inteiro abraçar e ler. Quando olho para este livro sinto carinho e amor. É um belo trabalho por parte da Carol, com um mensagem preciosa. 

 

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Igualdade, luta conta os preconceitos e um incentivo às diferenças. Amor pelo corpo, seja de que forma for. Amor pela liberdade de escolha. Cada um veste-se como quer, usa o que quiser, ama quem quiser. Somos dignas de respeito na sala de aula quando está calor, queremos usar calções ou uma saia. Temos o direito de vivermos segundo os nossos desejos. Queremos ser quem quisermos, sem vergonha ou medo. Queremos um Mundo onde o amor impera e o ódio não vive entre a sociedade.  

 

Na adolescência somos confrontados com muitas dúvidas relacionadas com o nosso corpo. Achamos que estamos no mundo errado com o corpo errado. Sentimos as nossas inseguranças mais do que nunca, escondemos as dúvidas e no silêncio tentamos encontrar um lugar. Precisamos de lidar com muitas coisas ao mesmo tempo. 

 

Quantas de nós não sofreu por ser muito magra ou muito gorda? Quantas de nós não foi alvo de maldades ou rejeição devido a escolhas diferentes do chamado "normal"? A sociedade está a mudar, mas precisamos de continuar esta luta. Precisamos de continuar a reforçar que as diferenças fazem parte da evolução, que podemos respeitar o próximo. 

 

Livros que incentivam mensagem bonitas e urgentes têm de vir à tona para reforçar personalidades inseguras. Ser um ombro para quem não encontra um porto seguro. Um amigo para quem fica no silêncio a chorar em frente ao espelho. Meninas, mulheres, somos dignas de amor, estamos juntas nesta luta. Vamos elogiar mais as outras mulheres, vamos apoiar quem tem trabalhos inspiradores. Vamos!

 

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Espero sinceramente que este livro encontre muitos leitores. Porque para além de ser uma grande homenagem à mulher, é uma grande mensagem de amor para a humanidade. 

 

A Carol Rossetti coloca os seus trabalhos no instagram, podem ver mais trabalhos no seu site, AQUI. Podes comprar AQUI.

 

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QUANDO PERDES TUDO NÃO TENS PRESSA DE IR A LADO NENHUM | DULCE GARCIA

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"Quando Perdes Tudo Não Tens pressa de Ir a Lado Nenhum" foi escolhido para representar Portugal na 18ª edição do Festival do Primeiro Romance de Budapeste, a realizar-se entre 18 e 22 de Abril este ano, na Hungria. Dulce Garcia é jornalista e editora da revista Sábado. Este romance foi publicado em Fevereiro do ano passado pela Guerra & Paz. 

 

Uma mulher vive no aeroporto à espera de um homem. Ela acabou o casamento porque se apaixonou por um homem casado. É motivo de notícia e algum interesse pelas revistas e jornais. Qual foi o caminho até àquela decisão? As primeiras páginas mostram a sua realidade, revelam pequenos apontamentos da sua infância e fazem-nos sentir alguma ligação pela Isabel. Fiquei logo agarrada à história e à voz narrativa.

 

De forma inesperada somos surpreendidos por duas vozes narrativas. Ele e ela, intercaladas. Com pontos de vista muito diferentes acerca do amor. Ela mais apaixonada, insegura e envolvida. Ele mais carnal, e sinceramente bastante irritante. Não consegui gostar nada do Afonso. É um cobarde e revela exatamente isso em quase todos os capítulos. Machista e retrograda. Tentei não julgar as personagens, mas não foi fácil. 

 

Numa escrita simples, de fácil envolvimento, li este livro num ápice. E apesar da dificuldade em ler os capítulos do Afonso, consegui terminar com satisfação. Gostei do desfecho, mas não foi surpreendente. Estive o livro inteiro à espera daquele momento e quando acontece achei muito breve e não senti o impacto. No entanto, a história não se limita a este romance, tem a história da Cármen, do irmão, do avô, do pai e de muitos casos semelhantes.

 

A responsabilidade do passado e da família nas nossas (más) decisões. A forma somos todas as experiências nos constroem, mesmo aquelas que nos são alheias. A dor da separação quando alguém parte sem estarmos à espera, sem um pré-aviso, sem um adeus. O que fica do amor quando este é partido em dois e ninguém pode fazer nada? 

 

"...ninguém duvide de que uma árvore com raízes, e bem regada, tem mais probabilidades de se fixar à terra e aguentar o embate de um temporal do que outra plantada e logo deixada ao abandono."

 

Talvez te vás identificar muito com alguns episódios desta relação ou ver nas atitudes de algumas personagens a realidade de pessoas que conheces. Acho que pode muito bem acontecer. Recomendo este livro, acho que tem uma excelente história, um formato interessante e uma voz feminina muito realista.

NOVIDADE | AS CIENTISTAS | RACHEL IGNOTOFSKY

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Adoro estes livros com destaque para as mulheres. É só um dos meus temas preferidos dentro da literatura. Boas protagonistas, boas escritoras e muito #girlpower. A edição deve ser linda e super interessante. Parabéns à Bertrand pela aposta. Sai dia 9 deste mês. 

 

SINOPSE

 

Recheado de ilustrações divertidas e informativas, As Cientistas destaca e dá visibilidade às contribuições de 52 mulheres notáveis nos campos da Ciências, Tecnologias, Engenharia e Matemática (CTEM), desde a Antiguidade até ao presente. Se Marie Curie é hoje sobejamente reconhecida, muitas outras pioneiras e mulheres extraordinárias nunca receberam o reconhecimento que mereciam na sua época e foram esquecidas. Perfiladas neste livro encontram-se figuras famosas, como a primatologista Jane Goodall, assim como pioneiras menos conhecidas, como é o caso de Katherine Johnson, a física e matemática norte-americana que, em 1969, calculou a trajetória da missão Apollo 11 à Lua, ou as portuguesas Elvira Fortunato, engenheira, investigadora e inventora, e Branca Edmée Marques, que estudou e trabalhou com Marie Curie. As Cientistas celebra os feitos de mulheres intrépidas, muitas delas quase invisíveis que, através da audácia e da persistência, desbravaram caminho para a próxima geração de engenheiras, biólogas, matemáticas, médicas, astronautas e físicas em áreas tradicionalmente dominadas pelos homens.

Esta edição conta com o apoio da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, que assina o prefácio.

CORRESPONDÊNCIAS | OPINIÃO E PASSATEMPO

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Durante esta semana fui até ao Cinema Ideal para assistir ao filme Correspondências realizado por Rita Azevedo Gomes. O filme é baseado nas correspondências entre Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena durante 1957 e 1978, o período de exílio deste último. 

 

Dedicada ao meu projeto Ler Poesia, sobretudo pela poesia de Sophia de Mello Breyner, fui levada até ao cinema para visualizar este filme. Outro aspeto que me interessou bastante foi o facto de ser um filme realizado por uma mulher portuguesa. Não podia pedir mais. A sensibilidade está em todos os planos e escolha de poemas. Alguns já conhecia, foi interessante a ligação de imagens às palavras dos dois poetas. Existe um livro de correspondências (esgotado, da Guerra & Paz) onde foi baseado este filme. As cartas foram lidas e homenageadas em pequenos retalhos muito semelhantes à memória, imagens fugidias com alusão à solidão e falta de liberdade.

 

São duas horas e meia de amor às palavras. Escutadas por quem parava. São lidos poemas e cartas em várias línguas. Inglês, francês, italiano. A poesia é universal. A dado momento Sophia fala na força da poesia, na dificuldade em regressar ao seu país, na forma como a PIDE é muito organizada. Lamenta a inexistência dos apoios à educação. Formidável. O amor pela Grécia, na amizade com Agustina Bessa-Luís. Jorge de Sena tem um tom mais amargurado, abalado com a situação política vivida.

 

Correspondências foi apresentado em vários festivais de cinema internacionais e ganhou o Prémio Fundação Saramago e Livraria Lello para Melhor Filme Falado em Português, Galego ou Crioulo de Origem Portuguesa, Transversal às Competições no DocLisboa 2016 e o Prémio Melhor Realização no Caminhos do Cinema Português 2016


A correspondência entre Sophia e Jorge de Sena é um testemunho da forte e  profunda amizade entre estes dois poetas, mas é também marcada pelo sempre presente peso da censura e da situação política em Portugal naquela época. Estreia dia 8 de março, no dia da mulher, no Cinema Ideal, em Lisboa, no Cinema Trindade, no Porto, e no Alma Shopping, em Coimbra.

 

 

 

Sobre a realizadora Rita Azevedo Gomes

 

Nascida em Lisboa, em 1952, Rita Azevedo Gomes tem um percurso variado, ligado às artes visuais. Começou por estudar Belas Artes, ligando-se ao cinema a pouco e pouco. Esteve envolvida, ao longo dos anos, em inúmeros projectos em teatro, ópera, artes plásticas e cinema, tendo ainda desenvolvido, com grande reconhecimento, trabalhos gráficos em diversas edições de cinema da Cinemateca e da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1990, realizou o seu primeiro filme: “O Som da Terra a Tremer”, após o qual escreveu e realizou várias curtas e longas metragens internacionalmente reconhecidas em festivais de todo o mundo. Actualmente está a terminar a sua longa-metragem "A Portuguesa" e trabalha na Cinemateca Portuguesa como programadora. 

 

 

Passatempo

 

Tenho dois bilhetes para vos oferecer. Esta sessão acontece no dia 13 de Março, no Cinema Ideal (Lisboa/Chiado) pelas 19 horas. Basta preencheres o formulário com os teus dados. Vou sortear no dia da mulher, dia 8 de março, parece-me uma linda forma de marcar este dia. 

 

 

 

"leite e mel" | Rupi Kaur

 

 

Um dos melhores livros deste ano. Já entrou para a lista e ainda estamos em Março. É um livro necessário e precisa de ser lido por toda a gente. Talvez esteja a exagerar, mas este livro tem essa capacidade: colocar as minhas emoções à flor da pele. Arrasou-me e fez-me sentir esperança.   

 


Livro cedido pela Lua de Papel / Leya
Nas livrarias no dia vinte e oito de Março

 

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Obrigada!

"O Dia em Que Te Conheci" | Rowan Coleman

 

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Alzheimer é a forma mais comum de demência. A Doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras). 

 

Claire é casada e tem duas filhas. Uma de vinte e outra de três anos. Um casamento praticamente perfeito, uma vida pela frente, até que lhe é diagnosticada Alzheimer. Ela é professora de inglês, precisa de todo o seu conhecimento para a manter activa. A doença começa a danificar as suas memórias e ela precisa de abrir mão de parte da sua vida. No meio dessa confusão surge um homem encantador durante um encontro casual que a mudará, sobretudo a forma como irá encarar o futuro. 

 

O que mais gostei deste livro foi a relação desta família. É um ligação muito forte retratada nesta páginas. As filhas sempre atentas aos passos da mãe. Não deve ser nada fácil ver uma mãe perder as recordações mais preciosas da infância. Vê-la confusa, às vezes perdida.  As recordações doces são o que mais nos deixam um sorriso no rosto em dias pesados. Como será perder esses momentos? Elas mantêm um caderno para escreverem recordações, cheia de pequenos detalhes da vida de ambas. Pequenas passagens emocionaram-me, mas não foi uma experiência de leitura sempre dentro da mesma intensidade.

 

Achei a narrativa fria em alguns momentos e pouco visceral. Algo necessário para um livro com esta temática. Algumas opções da Claire deixaram-me confusa e afastada. Mas é contraditório quando digo que mexeu comigo em algumas passagens. Sobretudo reflexões sobre a vida e a sorte de quem tem belas recordações. E quando a Caitlin escreve sobre a mãe...é muito bonito. 

 

É tocante, triste, mas acaba por ter momentos alegres. Um desequilibro narrativo que não deixa aprofundar a dor de quem passa por esta doença. Afinal, a vida segue mesmo com obstáculos. 

"O Universo Nos Teus Olhos" | Jenifer Niven

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Depois do sucesso de "Fala-me de Um Dia Perfeito" chega o tão esperado "O Universo nos Teus Olhos" da norte americana Jennifer Niven. Mais um livro com fortes temáticas, duas personagens como protagonistas e muito drama. Eu sou fã do seu primeiro romance, era difícil não ter expectativas em relação a este. Mas tentei.

 

Libby era a rapariga mais gorda dos Estados Unidos. Após a morte da sua mãe ela come até deixar de conseguir sair de casa. O caso é filmado e exposto na televisão no dia em que a levam para os cuidados médicos com ajuda de uma grua. Jack tem uma doença chamada prosopagnosia, não consegue reconhecer rostos. Ele esconde isso de toda a gente, inclusive família. Estes dois adolescentes vão estabelecer uma ligação após uma brincadeira de muito mau gosto com a Libby por parte dos amigos do Jack e do próprio. Temos aqui matéria excelente para um livro dentro do género jovem-adulto. 

 

Jennifer Niven aborda e levanta importantes questões como a gordofobia, preconceito, depressão, bullying. É preciso falar muito sobre isto entre os jovens (e não só), é necessário existirem tentativas para acabar com o preconceito entre os adolescentes. O papel da literatura é importante, precisa de espalmar na nossa cara os problemas existentes da sociedade. O preconceito está presente em todo o lugar. Quantas vezes olhamos para uma pessoa gorda e temos pensamentos lamentáveis? Quantas vezes temos um gesto desagradável para quem é diferente dos padrões estabelecidos pela sociedade preconceituosa?

 

A Libby tem uma personalidade forte, aceita-se e enfrenta a escola com todos os olhares em cima de si. A Libby apesar de insegura em alguns momentos (como toda a gente, não é verdade?) é uma menina com sonhos e desejos (como toda a gente, não é verdade?). A Libby tem sentimentos e magoa-se, ao contrário da sua aparência e do que os outros pensam. Ela é a estrela deste livro, gostaria muito que a Jennifer tivesse focado este livro só nela. Ela não muda por causa de um rapaz, ela é girl power. Vocês precisam de ler a melhor cena de sempre: Libby na piscina, de mão na anca!

 

Infelizmente a autora decidiu dividir o foco pelo Jack. Um rapaz querido por todos com uma cabeleira afro. Existem outros detalhes que me desagradaram. A ausência de ajuda psicológica. Acho muito difícil estes dois não terem bases emocionais fortes (nem família, amigos, psicólogos, médicos,...). Dá a sensação que é possível enfrentar tudo sem ajuda de ninguém. Não é bem assim. 

 

O Jack não me convenceu. Achei completamente inverossímil o facto da doença dele não ter sido reconhecida pela família. Como assim ninguém notou? Como assim alguém vive desta forma sem ajuda médica? Todas as cenas parecem pouco reais e não deu para imaginar nada do que foi desenvolvido nesse sentido. Por favor, não dá. É evidente que a autora não tem conhecimento de causa e houve pouco trabalho de pesquisa. 

 

Gostei da mensagem do livro. A autora consegue chamar a atenção do leitor para a urgência de respeitar o próximo e as suas diferenças. Por favor, deixem os outros serem como são. Parem com julgamentos estúpidos. Deixem os outros em paz. Dêem uso a palavras delicadas e simpáticas. 

 

Apesar de não estar contente nas primeiras páginas (primeiras cem), estabeleci alguma empatia com as personagens ao longo da história. Acabei por torcer por elas. O romance era inevitável, acaba por entrar num cliché próprio dos livros deste género. Queria tanto comentar uma cena romântica convosco, mas não quero estragar a vossa experiência de leitura. A escrita da autora é cativante. Tenta ser profunda em determinados momentos, leve em outros. 

 

Leiam, sem expectativas altas (sobretudo se tiverem lido o romance anterior). Libby é amor. 

 

"A Mãe Eterna" | Betty Milan

 

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Um livro intimista, cheio de sentimentos profundos de uma filha prestes a ver a sua mãe partir devido a uma doença e velhice. Afinal são 98 anos. 

 

"Ninguém substitui ninguém."

 

"Ficou tudo muito estranho desde que você está sem estar."

 

Agora é a filha quem cuida da mãe. Uma mãe fragilizada, mas persistente. Não aceita ser ajudada, está mais amarga, mas nunca deixa de elogiar quem passa. Uma mãe vaidosa e pouco dada a ceder e aceitar a velhice como impedimento do quer que seja. Esta filha está preocupada por ter de dizer adeus, tem medo e dúvidas. Entre lamentos e alguns desejos, este livro carrega sentimentos tristes. É uma verdadeira homenagem ao amor maternal. Um amor incondicional, eterno, que continua depois da morte. 

 

Eu senti a carga pesada das palavras desta filha. Foi uma leitura angustiante e em alguns momentos sufocante. Apesar de alguns momentos descritos com ternura, não deixa espaço para pensamentos felizes. É morte em cada capitulo, é saudade em cada palavra. A vida é frágil e a maioria chega a esse ponto. O adeus aos entes queridos não é fácil.  O adeus, a partida, a velhice. 

 

As palavras desta filha ecoam nas nossas mentes e permanecem por muito tempo. Faz-nos olhar para os nossos e desejar mais tempo com eles. Mais anos de vida. Sem isto da morte. Nunca, por favor, nunca. É inevitável e não temos forma de controlar nada. Somos frágeis, não somos nada.

 

É um livro pequeno, mas não se deixem enganar. Valeu a pena conhecer a escrita da brasileira Betty Milan. Fiquei curiosa para ler outras obras com uma temática mais leve. Recomendo.

 

 

leitora beta * divulgação * literatura *

contacta-me para mais informações contactoclaudiaoliveira@gmail.com

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