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VIAGEM AO SONHO AMERICANO | ISABEL LUCAS

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Tive a feliz oportunidade de ir ao evento na Fábrica das Palavras ouvir a Isabel Lucas sobre este trabalho editado pela Companhia das Letras o ano passado. O título e a capa tinha despertado o meu interesse, mas foram as palavras da autora, naquele dia, que colocou alguma urgência nesta leitura. Comprei o livro, não descansei enquanto não o li.  

 

Em 2016, Isabel Lucas saiu de Portugal com a missão de percorrer os Estados Unidos a partir da sua literatura. São doze reportagens, durante um ano, ou seja, uma por mês. O objetivo era passar determinado tempo entre a realidade e a ficção de forma a captar as mudanças, assim como descobrir a situação política e social. Viajou imenso, com um telemóvel, computador e alguma roupa. Com poucos planos. As reportagens foram publicadas no Público, onde trabalha e mais tarde compiladas neste livro. 

 

"Foi a literatura que me fez começar esta viagem e a partir dela tentar perceber mais sobre um país com o qual cresci, porque era com ele que inevitavelmente se crescia no Ocidente nos anos oitenta ou noventa. A amar muitos dos seus escritores, da sua música, do seu cinema, da sua arte, dos seus ideais de liberdade, possibilidade, aceitação da diferença, irreverência, energia criativa."

 

Esta viagem só foi possível com a ajuda da Fundação Luso Americana que patrocinou os custos. Segundo ela, o trabalho jornalístico só funciona assim hoje em dia.  Não há verbas. Partir à aventura, em busca de respostas, cheia de incertezas, é algo que eu sinto como um ato de coragem. A forma como transportou para a escrita essa experiência é comovente. Primeiro, é uma mulher com muita piada. Segundo, o seu olhar sobre o outro é de uma enorme generosidade. Terceiro, senti o tamanho do mundo e o quanto somos um milhão de coisas ao mesmo tempo. Impressionante como um país pode ter tantas culturas diferentes dentro dele. Não sei se gostei do que descobri em relação aos Estados Unidos. Acho que ficou muito claro o lado negativo, mas precisava de sentir algo mais positivo. 

 

Nesta altura, Obama acaba o legado e Trump está na corrida com Hilary. Isabel Lucas mostra como o povo pensa, reage e tem dúvidas. Aqueles que não votaram sentem-se culpados. Os emigrantes sentem medo. A organização do livro é perfeita. Inicialmente apresenta uma lista de obras literárias, sugestões de leitura, fotos, a reportagem e um Travel Log (notas postadas no Facebook ao longo da viagem).

 

Começa com um dos meus livros preferidos, Moby Dick, onde refere as maratonas literárias que fazem Simon's Bethel durante 25 horas seguidas. É feita uma ligação entre o clássico e o estado atual da cidade. É assim em todas as reportagens. Ao longo do livro vamos testemunhar os encontros entre a jornalista e alguns escritores. Vamos ouvir histórias de pessoas muito distintas, com realidades opostas. São experiencias que acrescentam. Tudo o que é dito, é necessário. Cada detalhe. Cada ironia e pormenores. 

 

"E vai sozinha?, perguntam-me mais uma vez, tantas vezes. Quase sempre é assim quando saio para um trabalho longo. Isso raramente se pergunta a um homem. Andar por aí, sendo mulher, é ter noção, não apenas do preconceito, mas de que somos um corpo exposto a mais perigos. Ainda é assim. "

 

Joan Didion, Susan Sontag, Rebecca Solnit, Toni Morrisson, Franzen, Philip Roth, Cormac McCarthy, entre outros nomes mundialmente conhecidos são referidos ao longo das doze reportagens. Fiquei com vontade de explorar mais a literatura americana e ir até ao Alasca. Super recomendo este livro para quem gosta de livros de não fição, tem um fascínio pela América e gosta de livros de road trip. Para quem não gosta também pode arriscar sair da zona de conforto, é um trabalho de muita qualidade que merece ser lido e partilhado. 

ENSINA-ME A VOAR SOBRE OS TELHADOS | JOÃO TORDO

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O mais recente livro do João Tordo chama-se "Ensina-me a Voar Sobre os Telhados", saiu no dia 20 de Março pela Companhia das Letras. Tem 486 paginas de pura melancolia e tristeza.

 

Entre o Japão e Portugal numa distância de 100 anos, o romance dá lugar a duas histórias distintas com algo em comum. Começa em Portugal, com um acontecimento trágico, o suicídio de um professor de Geografia em pleno Colégio Camões. O narrador é um homem que está divorciado, com um filho surdo, alcoólico, que decide reunir os colegas para conseguirem conversar sobre a tragédia. No Japão, a história também é trágica, dois amigos são separados devido a uma situação muito triste. O governador, pai de um dos amigos, castiga brutalmente o seu filho desprezando-o de forma a honrar a família. 

 

Durante todo o livro senti uma carga pesada de tristeza. Lia um bocadinho todos os dias, mas sentia que a história não avançava. Requer paciência. Perturba-me ler um livro tão triste em dias felizes. A escrita do João Tordo foi o elemento essencial para continuar a tentar conectar-me com as personagens. Gostei bastante das primeiras cem páginas, mas depois senti-me perdida e desconectada. O romance não cresce, tem tantas personagens e detalhes que acaba por ser frustrante não sentir nenhum entusiasmo por nada do que acontece. 

 

"Há quem diga que o suicídio é a forma suprema de egoísmo; que o suicida deixa, na sua esteira, um rasto indelével de dor. A verdade é que, para os que partem, as perguntas cessam."

 

Gostei particularidade da existência de diversidade e representatividade. As personagens são muito distintas do que costumamos encontrar nos romances contemporâneos. Vozes dos rejeitados e ignorados pela sociedade. Culturas e tradições ricas, sobretudo nas passagens dedicadas ao Japão. Questões de fé e esperança durante momentos de agonia e fracasso. Como lidam com a dor e a morte? Como continuam os seus dias afogados nos próprios erros?  A questão da surdez é abordada no romance através do filho do narrador e da relação que ambos têm. Como é ser pai de um filho surdo? 

 

Achei muito interessante a abordagem que o autor fez em relação à levitação, sendo uma prática difícil de acreditar como algo existente. O título é uma pequena referência a esse mundo incógnito e místico. Li numa das notas do autor sobre este romance, que esta história nasceu de uma conversa com um homem japonês. Transcrevo de seguindo um bocadinho:

 

"Eu tinha estado na China alguns anos antes, mais propriamente em Xangai, onde conheci um homem japonês que, durante um jantar, me confessou, embriagado, que descendia de uma linhagem de praticantes de levitação – que o seu trisavô pairara sobre a cordilheira dos Himalaias... Nunca sabemos de onde nos chegam estas associações e, no que diz respeito ao meu ofício, aprendi a não fazer demasiadas perguntas nem a sabotar as ligações inesperadas da imaginação. "

 

João Tordo tem uma escrita belíssima e bastante rica. Um romance primaveril, numa narrativa muito introspectiva. Não dá para resistir a um novo romance de um nossos escritores preferidos, não é verdade? Apesar de ter ficado pouco impactada, valeu a pena. 

A RESISTÊNCIA | JULIÁN FUKS

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Vencedor do Prémio Saramago de 2017, Julian Fuks é um escritor brasileiro filho de pais argentinos editado o ano passado pela Companhia das Letras com o romance "A Resistência". Em 2007 e 2012 foi finalista do Prémio Jabuti e do Prémio Portugal Telecom com os livros "Histórias de literatura e cegueira" e "Procura do romance" respetivamente. Em 2012 foi considerado pela revista Granta um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros. "A Resistência" é o seu quarto romance

 

O mote desta história é o irmão adoptivo do narrador agregado à fuga dos pais da Argentina para o Brasil durante o período da ditadura. Contado na primeira pessoa, revela pormenores da história da sua família e do mistério envolto em relação ao irmão adoptado. Com una ligação muito forte a esta história, o Julian Fuks expõe a sua própria história de forma muito intensa e sincera. Revela que sempre teve uma relação estranha com esse irmão adoptado. Que ele sempre foi um estranho ou motivo de brincadeira como é costume entre crianças, "já não és meu irmão". Diria que este livro foi uma forma de aproximação e uma espécie de investigação às raízes da sua família. Mais do que isso, uma homenagem à força dos seus pais.

 

A sua família passou pela ditadura na década de 70 na Argentina. Sendo este um período de várias dificuldades, os seus pais foram para o Brasil para escapar ao regime. Trouxeram consigo esta criança, uma novo irmão. Numa altura em que muitas crianças desapareceram da Argentina devido à morte, fome, exílio e falta de condições para garantir uma vida com condições básicas. Muitas crianças foram dadas para adopção e levadas para longe das suas famílias. 

 

"Resistir: quanto em resistir é aceitar impávido a desgraça, transigir com a destruição cotidiana, tolerar a ruína dos próximos? Resistir será aguentar de pé a queda dos outros, e até quando, até que as pernas próprias desabem?"

 

Este irmão que parece uma figura silenciosa acaba por ser a peça mais importante deste livro. A força dos laços familiares e as recordações que modificam perante a histórias e as certezas de cada um. Com uma escrita excepcional este livro foi uma leitura extraordinária e difícil de largar. Envolvente e forte este romance é uma lufada de ar fresco dentro das minhas leituras. Uma verdadeira surpresa marcada pela narrativa do escritor Julian Fuks. Recomendo muito!

 

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OS CEM MELHORES POEMAS PORTUGUESES DOS ÚLTIMOS CEM ANOS | ORGANIZADO POR JOSÉ MÁRIO SILVA

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Quero mais poesia na minha vida. Mais paz na alma, mais aconchego no coração. Quero ser desarmada e atingida com força pelas palavras. Quero que mexam e remexam as minhas emoções à flor da pele. Quero um nó tão grande na garganta que me faça gritar as mágoas. Nada melhor do que começar este ano com poesia lusófona para atrair qualidade nos trabalhosos 365 dias de 2018.

 

Esta seleção de poemas foi feita pelo José Mário Silva. Ele é critico literário no Expresso (o meu preferido, leio tudo, adoro). Esta obra é um convite a todos os leitores e não leitores de poesia. Uma porta de entrada para os que não costumam ler poesia. Uma homenagem a grandes poetas e poetisas. Acredito que muitos ficaram de fora. Mas para quem conhece pouco, como eu, será um prato cheio. 

 

O livro está dividido pela seguinte ordem: Breves Notas; Retratos; Relatos, Desacatos; Hiatos e Autores por Ordem Cronológica. O livro apesar do fraco papel usado, tem uma capa resistente e bonita. Fiquei apaixonada por vários poemas e cheia de vontade embarcar nesta viagem desconhecida da poesia. Alguns conhecia da escola, dos cadernos, por aí. Outros nomes nem por isso e foi uma surpresa encontrar novos nomes para acrescentar na minha lista de "preciso de ler". Acreditem, foi difícil escolher o poema preferido. 

 

Realço os seguintes nomes, Ruy Belo; Almada Negreiros; Maria Teresa Horta; Rui Costa; Rui Lage; Hélia Correia, Nuno Júdice; Herberto Hérder; Joaquim Cardoso Dias; Golgona Anghel; António Maria Lisboa; Mário Dionísio; Adília Lopes; Daniel Jonas; Ana Hatherly; Fernando Pessoa e os seus heterónimos. 

 

Gosto de poemas sobre o obscuro, a dor, a solidão. Gosto de poemas sobre as pessoas e o mundo. Gosto das palavras arrancadas da alma, da pele e de todo o sofrimento capaz de estar nas palavras. Gosto de não entender e reler e voltar a não entender. Gosto de sentir sem entender. Gosto de poesia e nunca pensei que gostasse tanto. 

 

Uma pergunta, porque raio o blogs.sapo.pt não reconhece a palavra "poetisa"? 

 

Escolhi um dos meus poemas preferidos com alguma dor no coração. É de uma poetisa que pretendo explorar mais este ano. 

 

Adília Lopes (p. 155)

"Não gosto tanto

de livro

como Mallarmé

parece que gostava

eu não sou um livro

e quando me dizem 

gosto muito dos seus livros

gostava de poder dizer

como o poeta Cesariny

olha

eu gostava

é que tu gostasses de mim

os livros não são feitos

de carne e osso

e quando tenho

vontade de chorar

abrir um livro

preciso de um abraço

mas graças a Deus

o mundo não é um livro

e o acaso não existe

no entanto gosto muito

de livros

 

 

Mais poesia virá por aqui. Estou com o projeto Ler Poesia em andamento juntamente com a Alexandra. Já mostrei a próxima poetisa a integrar este projeto ainda este mês no Instastories (@ClaudiaOSimoes). Para quem não sabe, o Instastories faz parte da aplicação Instagram e é só carregar na foto do perfil da pessoa em questão para assistir. 

COM O MAR POR MEIO | JOSÉ SARAMAGO E JORGE AMADO

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Quanto vale uma amizade distanciada por um oceano? A amizade entre estes dois grandes nomes sonantes da literatura, José Saramago e Jorge Amado, tem uma enorme dose de admiração e apreço. Podemos confirmar através das cartas trocadas entre eles durante o período de 1992-1998. É uma amizade composta de confidências e sinceridade. É notório o carinho entre eles e a comum paixão pela escrita. Para além de um sentido de humor bastante refinado e audaz. 

Estava ansiosa para ler este livro recentemente lançado pela Companhia das Letras. Sou uma leitora apaixonada pela obra dos dois. Jorge Amado veio primeiro, na adolescência, li vários títulos. José Saramago veio mais tarde, numa fase transformadora. Ambos marcaram o meu percurso literário e são fortes influências na minha vida. Não consegui evitar as lágrimas durante a leitura. 

 

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A edição de primorosa e muito bonita. Contém fotografia, cartas digitalizadas e devidas referências. A letra do texto está azul em homenagem à cor do mar e à tinta da caneta usada nas cartas. A organização ficou a cargo da filha de Jorge Amado, Paloma Jorge Amado, Bete Capinan e Ricardo Viel. O livro foi lançado na Flip de 2017 na Flip após a extraordinária ideia de Pilar del Río de criarem a Casa Amado-Saramago. Finalmente chegou a Portugal e já podemos ler as palavras trocadas entre os dois. Que privilégio! 

 

"Já se sabe que todos os dias são bons para desejar felicidades aos amigos, mas nesta época, no limiar de um novo ano apetece rodeá-los de todos os votos benéficos e de todos os abraços carinhosos."

 

Entre alegrias e tristezas, entre conquistas e derrotas acabamos por invadir a privacidade da correspondência dos dois e transformar a experiência numa aprendizagem profunda. Não há distância possível entre uma amizade verdadeira e baseada no respeito. No final, ficou uma saudade apertada. 

 

Acabei por ler várias vezes alguns trechos e levo comigo palavras que jamais esquecerei. Recomendo muito.

JALAN JALAN - UMA LEITURA DO MUNDO | AFONSO CRUZ

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Afonso Cruz é um autor português muito querido. Sempre fiel ao seu estilo poético e melancólico, os seus livros agradam os leitores mais pequenos e graúdos. Deixam normalmente uma marca e depositam alguma esperança no coração de quem o lê. Nunca irei deixar de o ler, nem procurar nas entrelinhas o encanto da vida. 

 

Este calhamaço mais recente editado pela Companhia das Letras reúne vários textos sem uma linha condutora. Temos a visão bastante pessoal do narrador que nos faz uma visita guiada pelos mais diversos temas. Filosofia, literatura, geografia, arte, ciência são assuntos abordados incluindo fotografias da sua autoria."Jalan Jalan" significa passear em indonésio, a leitura do mundo pode ser um passeio interminável pelas emoções e diferentes perspectivas sobre o mesmo assunto. É exactamente esse o encanto deste livro, as várias posições em relação a um determinado momento ou conceito e uma mistura de significados. As culturas existentes no Mundo contêm uma grandeza ilimitada que nem as 600 páginas que Afonso Cruz escreveu são suficientes para fazer essa leitura.  No entanto, ele consegue tocar nos temas mais sensíveis enquanto enobrece sem julgamento as escolhas dos outros. Tem uma visão tão peculiar e humildade que só podemos aprender com ele. 

 

Agostinho é citado diversas vezes, assim como outros grandes escritores e filósofos.

 

"Não faças demasiados planos para a vida, porque podes estragar os planos que a vida tem para ti."

 

Afonso Cruz conta peripécias da sua vida ligadas à literatura e às suas viagens. Algumas para reflectir como é o caso da grande coincidência em relação às personagens do livro "Para Onde Vão os Guarda-Chuvas". Essa passagem fez-me pensar nas coincidências constrangedoras e que mais vale assumir uma mentira do que passar por mentiroso. Fez-me entender que as ideias nascem em todos e que é complicado descobrir de onde vieram, se são plagiadas ou uma inspiração. Sim, as coincidências existem. 

 

"O Mundo é um livro, e aqueles que não viajam lêem apenas a primeira página. Um pequeno passo é já uma página em frente. Um passo para lá do hotel é já um pedaço de viagem".

 

Para além dos textos relacionados com a literatura, os meus episódios preferidos são sobre a morte. A importância da sua existência assim como a forma como a morte é vista um pouco por todo o lado. Os parágrafos curtos e assertivos que aparecem por vezes dão densidade à experiência de leitura. Só senti falta de algumas notas explicativas em relação às inúmeras referências que me passaram completamente ao lado. 

 

É um livro que precisa de paragens, um café, e quiçá uma fatia de bolo pelo meio. Uma leitura do mundo perfeita para os viajantes do mundo com um coração bondoso. Um livro para leitores do mundo (mesmo que as suas viagens sejam através dos outros). 

 

“Muitas das minhas viagens começaram pelos livros. Foram caminhos que saíram das folhas e se prolongaram para lá das estantes, das paredes da biblioteca."

 

O livro será apresentado pelo Pedro Mota e Pedro Veira no dia 6 de Dezembro na Livraria Férin em Lisboa pelas 21 horas. 

"O LUTO DO ELIAS GRO" | JOÃO TORDO

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Alguém disse que comprou este livro na Feira do Livro porque a livreira afirmou que tinha sido escrito por um anjo de tão perfeito. Eu ouvi aquilo e fiquei a pensar no meu exemplar em casa a ganhar pó. Mas estava guardado para o momento ideal. Foi agora. O livro estava à minha espera também. Nada me preparou para esta história. 

 

Sabemos à partida que Elias está de luto, mas ainda não fazemos ideia do resto da história. Somos completamente apanhados de surpresa. A história é costurada pelas mãos do escritor com camadas, em pequenos diversos episódios que complementam cada pedaço anterior. De forma corrida, não dá para largar este livro sem respirar fundo. Também o protagonista está atravessar um processo de luto, daí o escape para a ilha totalmente sozinho. Talvez não queira estar sozinho, talvez queira encontrar nos outros quem perdeu.

 

Mais do que uma história sobre a forma como perdemos as pessoas que mais amamos é um livro sobre empatia. Numa ilha as pessoas revelam-se, entregam-se a afectos. Deus parece ser o escape num meio do caminho, a busca por uma fé desajustada. As relações estreitam-se, escapam por entre os dedos, passamos a vida com medo de perder. A nossa tristeza é fruto de quem perdemos ao longo da vida? Numa ilha queremos fugir mas não temos mais do que a natureza, o silêncio e a própria solidão.

 

Nota-se ligeiras influencias de grandes obras e autores. Borges está por todo o lado, a grande baleia Moby Dick também. Reconheço o gosto pessoal do escritor porque já o ouvi falar nestas obras como sendo as suas preferidas. Ao desejar escrever algo diferente, parece-me que desta vez encontrou a sua voz. Não conheço todos os seus livros, mas este supera o que conheci. Há uma evolução imensa na narrativa. Um livro que diz mais quando não diz tudo e nos faz principalmente sentir. Aquele final. Chorei tanto. 

 

Este livro tem camadas de tristeza resolutas em pensamentos melancólicos. Provoca e incomoda. Marca, sobretudo lido no momento certo. Foi o meu caso. Preciso do segundo volume urgentemente. 

NOVIDADE | OS CEM MELHORES POEMAS PORTUGUESES DOS ÚLTIMOS CEM ANOS | VÁRIOS

 O quão maravilhoso deve ser este livro? Num país de poetas este livro é necessário e urgente. Quero, quero muito. A reunião destes poemas foi feita pelo José Mário Silva.

 

SINOPSE

Entre grandes nomes canónicos já desaparecidos e jovens e promissórias vozes, o mundo da poesia portuguesa contemporânea é-nos apresentado com uma frescura e originalidade inesperadas e os poemas vão guiando o leitor numa viagem íntima por esse mundo à parte e imorredouro, apesar de actualíssimo, que é a poesia. Reúne poemas de autores como Fernando Pessoa, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Vitorino Nemésio, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Alexandre O'Neill, Mário Cesariny entre outros.

NOVIDADE | "DOIS IRMÃOS" | MILTON HATOUM

 

Parece que vamos ter finalmente uma edição para o famoso livro "Dois Irmãos", de ;Milton Hatoum. Um livro que fez imenso sucesso no Brasil e até teve direito a uma mini série televisiva produzida pela Globo. Tem o Cauã!

 

Vai estar nas livrarias a partir do dia 6 de Setembro pela linda editora Companhia das Letras. Este romance venceu o Prémio Jabuti de melhor romance. Pretendo ler. Sim! Sim!

 

Sinopse

Em Manaus, grande porto nas margens do rio Negro, na Amazónia, vivem-se as décadas douradas de Febre da Borracha, no dealbar do século XX. Na casa da família de Halim, a convulsão é de outra natureza. 
Yaqub e Omar são gémeos idênticos, nascidos no seio de uma família de origem libanesa. Parecem-se muito, mas por dentro são diametralmente diferentes. Yaqub é silencioso e introspectivo e passa o tempo com a cabeça enfiada em livros. Por seu lado, Omar, o preferido da mãe, é de caracter alegre e impulsivo. Une-os - ou separa-os - a paixão pela mesma mulher e a disputa pelo amor dos pais. 
Depois de alguns anos a viver no Libano, Yaqub regressa ao Brasil e instala-se numa vida de sucesso. Omar, pelo contrário, entre numa espiral de vícios, rancores, conflitos insolúveis e relações incestuosas. 
Há ainda Nael, filho da empregada da casa. Também ele tem os seus fantasmas e tenta, na busca, pela identidade do pai, reconstruir o seu passado. É ele quem nos conta a história do lento declínio da família, numa casa que se desfaz, imersa no sufocante calor da Amazónia, num quotidiano minado pela paixão, a vingança e o incesto. 
Da autoria das vozes maiores da literatura brasileira contemporânea, Dois Irmãos é uma tapeçaria de personagens inesquecíveis, um retrato vibrante de uma cidade e de um país em mudança, uma reflexão sobre o futuro que é possível reconstruir a partir das ruínas.

leitora beta * divulgação * literatura *

contacta-me para mais informações contactoclaudiaoliveira@gmail.com

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