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amulherqueamalivros

Ter | 29.08.17

"NEVOEIRO EM AGOSTO" | ROBERT DOMES

Cláudia Oliveira

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Chorei juntamente com o Ernest. 

 

Diz o prefácio escrito pelo Dr Michael von Cranach: " Quando olho para Ernest gostava que tudo não tivesse acontecido mas, como todos sabemos, isso é impossível. Já nem sequer compensar é possível (e que palavra infeliz e cor derosa arranjámos na altura no contexto da indemnização às vitimas do Holocausto!). Mas livros como este devolvem a Ernest e a todas as vítimas a dignidade que lhes foi roubada de um modo cruel. "

 

Estas palavras bastavam como incentivo à leitura deste livro. No entanto, vou tentar completar com a minha experiência de leitura. Ler sobre esta temática não é fácil, todos sabemos. Fiquei realmente tocada com a história do Ernest. É de uma profunda agonia certas passagens de tão revoltante.  É impossível ficar indiferente e não sentir compaixão. Isto aconteceu! Com ele e com milhares de pessoas!

 

Uma criança, uma simples criança é tratada da pior forma possível. Como lidar com a tristeza do Ernest longe da sua família  num lugar livre de qualquer afecto? Como rejeitar uma criança desamparada? Como explicar aos filhos de hoje que muitas crianças morreram devido as atrocidades provocadas pelo Homem? Como explicar o Holocausto e o racismo? Como explicar a maldade?

 

Este livro mostra um bocadinho da realidade das famílias nómadas yeniches em 1933. Robert Domes conta o que aconteceu ao Ernest, um menino de uma dessas famílias. Não é uma história superficial, pelo contrário, existe informação detalhada na sua narrativa tornado o romance muito rico.

 

Ernest é levado para uma instituição por alemães após o separarem  da sua família. O pai está constantemente fora de casa, a mãe está grávida não consegue suportar o sustento de todos. Ele é uma criança que não cumpre regras, passa a vida a ser repreendido e a saltitar de instituição em instituição. Ninguém gosta dele por ser de etnia cigana. São várias as vezes que é acusado de roubo e tratado de uma forma bastante cruel. 

 

Chorei juntamente com o Ernest. Chorei quando a mãe se foi embora e ficou desamparado. Quando esperançoso esperava a visita do pai. Quando fechava os olhos e acreditava que tudo ia passar um dia. Uma criança, era só uma criança! 

 

 Recomendo. Emociona e revolta.

 

(livro cedido pela editora)

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