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amulherqueamalivros

Clube dos Clássicos Vivos | Escolha de Março/Abril

Venho anunciar o clássico para Março e Abril. "Paris é uma Festa" foi o título vencedor. Não podia estar mais entusiasmada. Tenho saudades de ler Hemingway. Acredito que esta leitura conjunta será benéfica para todos, de forma a trocarmos muitas ideias e opiniões.

Fica desde já o convite para a leitura deste título. Quem pretende participar? Alguém tão entusiasmado como eu? Já têm o livro na vossa estante?

Vamos lá, desejo a todos uma excelente leitura!

"A Ilha de Martim Vaz" | Jonuel Gonçalves

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Este livro chamou por mim através das palavras "amor" e "Luanda". Não se passa apenas em Luanda, viaja por mais continentes e três épocas. 

 

Várias vozes, sobretudo mulheres, apaixonadas pela vida e com sonhos grandes. "O Vice Rey ordenou outro concurso para professores régios e pensei me apresentar também mas a freira não achou boa ideia". Passou por mim várias emoções, a mais evidente foi a revolta. Revolta pelas desigualdades raciais e de género. Pelos sonhos que são interrompidos por regras imposta pelo Homem. É difícil viver num Mundo onde as mulheres não podem ter asas nem ir em busca de sonhos. Onde elas precisam de fugir para casar com quem amam. É lamentável. Eu sofri com estas mulheres. "Podes ser a melhor de todos, ainda assim  vão te humilhar vão te dar uma nota muito baixa para todos saberem que lugar de mulher parda alforriada é na cozinha ou na varredura...". As palavras "lugar de mulher" incomodam-me. 

 

Através desta história viajei por vários países acompanhada de uma historia de amor pelo qual torci. Uma mulher e um homem com cores diferentes apaixonam-se e isso não é bem visto pela família. Para levarem o romance adiante precisam de fugir. "A loucura começou ao inventarem que somos várias espécies e umas devem mandar nas outras, perdeu-se a noção do símbolo principal de Adão e Eva...". Quem é que inventou isto? Responde-me um angolano, "os portugueses". E eu fico a pensar sobre isto, com necessidade extrema de mergulhar na história e encontrar mais respostas. Se um livro provoca esse impulso em mim, se me faz passar horas a pensar no assunto, me faz questionar, o livro faz o seu papel. 

 

A escrita do Jonuel é muito cinematográfica, muito visual. Foi inevitável procurar imagens da Ilha de Martim Vaz. Beleza pura. Personagens que valem a pena conhecer. No entanto, não é um livro fácil. Tem o seu ritmo, a narrativa é fragmentada e pode dificultar a sua leitura em alguns momentos. É um livro importante no sentido de não deixar morrer o que algumas pessoas passaram por causa da escravatura e racismo. 

 

Sublinhei várias passagens para voltar a ele no futuro. É umas das minhas temáticas preferidas. Recomendo.

 

livro enviado pela editora

Um livro extremamente necessário

 

 

O título "Em Nome da Filha" da escritora Carla Maia de Almeida chamou-me a atenção nos lançamentos de um site. Quando li a sinopse fiquei logo interessada e cheia de vontade de partilhar convosco. O livro é pequeno, cerca de cem páginas, custa 3.15€. Várias mulheres vitimas de violência doméstica foram entrevistas e contaram as suas histórias agora partilhadas neste pequeno livro. Livro necessário porque é importante mudar mentalidades e falar no assunto. 

 

A reportagem Em Nome da Filha - Retratos de Violência na Intimidade é maioritariamente composta por testemunhos de mulheres vítimas de violência doméstica. Entrevistadas em vários pontos do país, acederam a contar as suas histórias sob anonimato, por razões compreensíveis. A essa urgência de partilha correspondeu a vontade de contribuir para a mesma causa: lutar contra um problema que não é «doméstico», mas de toda a sociedade. De todos nós, mulheres e homens.  

"Anna e o Homem Andorinha" | Gavriel Savit

 

 

Este livro embalou-me enquanto adoçava o meu coração. 

 

Escrito de uma forma bonita quase musical, este livro conta a história da Anna. Tem sete anos quando vê o seu querido pai (professor de linguística) desaparecer. Levado pelos nazis durante a Segunda Guerra, entregue a um destino que a filha não entende. Claro que não entende. É difícil compreender a maldade, a guerra, o poder de alguns homens em relação a outros. Sorte no meio de tanta infelicidade, ela conhece o Homem Andorinha. Uma pessoa muito importante para a sua sobrevivência.

 

"Os seres humanos são a melhor esperança do mundo para a sobrevivência de outros seres humanos".

 

Muito se escreve sobre esta temática. Não foi mais uma leitura. Esta ficou comigo. Arrancou-me uma lágrima, abraçou-me. Esta história não conta descaradamente o que se está a passar. Somos nós, leitores, que tiramos ilações e entendemos o que a Anna não entende. Somos nós que ficamos com um aperto no peito e sentimos o gelado vento no rosto enquanto as personagens passam fome e tentam chegar ao seu destino. 

 

Mais do que uma história de sobrevivência, este livro foi uma maravilhosa homenagem às palavras. A forma como utilizamos as palavras e as consequências das mesmas na nossa vida. Dei por mim a reflectir bastante sobre isto de termos nomes para tudo e reduzirmos pessoas a adjectivos. A humanidade criou a língua para comunicarmos, mas quantos de nós entende verdadeiramente os outros? Se precisamos todos uns dos outros para sobreviver, porque nos vemos como inimigos? Só porque temos uma forma de falar diferente? Tão pouco. Revoltante.

 

Incrível estreia do autor e músico Gavriel Savit. Leiam, sem pressa. Este livro marcou este mês friorento e trouxe esperança e um desejo: um homem- andorinha para todos os que estão sozinhos, sem um abraço. 

 

 

#Russialit | Vou ler

 

O conto russo deste fim de semana é do escritor Gogol. Este é o seu único conto escrito na primeira pessoa, na forma de um diário como indica o título. Foram estas palavras que me fizeram escolher "Diário de um Louco" como o segundo conto deste projecto: "...o razoável e o delírio, imperam em Diário de Um Louco, a ponto de o leitor se sentir desconfortavelmente a assistir ao sofrimento de um ser humano a quem a identidade se vai estilhaçando com a rapidez e a intensidade de um pequeno conto". Não parece super interessante? Eu acho que vou adorar, visto ser um dos meus temas preferidos na literatura e no cinema. Alguém me acompanha?

 

 

"Moonlight" | Um pouco de cinema

 

De todos os nomeados, este é o meu filme preferido. Aquele que eu vou torcer com todos os dedos dos pés e das mãos para vencer o Oscar , para a história andar de boca em boca e ser visto pelo mundo inteiro. Primeiro, vamos falar da realização? Amei, é feito de detalhes. A câmara está tão próxima das personagens que somos absorvidos para dentro daquela história. Planos lindos, fotografia fantástica em tons azuis e roxas. É todo um clima sensual, sujo e dramático. Não vos sei explicar, não sou critica, mas o filme encheu os meus olhos e o coração. Vamos falar na história? A humanidade precisa desta história. Precisa de ver com olhos de ver. Precisa de entender o medo de quem quer assumir o seu papel no mundo mas não consegue. Precisa parar de apontar o dedo e usar a violência em todos os momentos. Precisa de deixar que o amor chegue a todos. Este filme entra directamente para os meus preferidos deste ano sem nenhuma dificuldade em relação aos seus concorrentes. E na noite dos Oscars, lá estarei eu, a torcer. A esperança é a última a morrer, não é verdade? Eu tenho tendência para amar dramas,com famílias disfuncionais. Conflitos, silêncios e pouca explicação por parte das personagens. Este filme tem tudo aquilo que mais gosto: profundidade. Vejam, o cinema chama por vós. 

"A Dama de Espadas" | Alexander Pushkin

A-Dama-de-Espadas.jpg

Gostei de ler este conto. A narrativa é simples e fluida. Fiquei presa ao enredo até ao final. Toca em alguns temas interessantes, a ambição, o vicio do jogo, as tradições da cultura russa. Puskine não me desiludiu e fiquei com vontade de ler mais contos escritos por ele. Alguma recomendação? Eu gosto dos russos, sempre gostei. Adoro a complexidade no meio da simplicidade. O jogo com o leitor e a lição de moral. As personagens são sempre interessantes e mesmo num conto nota-se alguma profundidade. O toque dramático também é bastante recorrente. Adorei quando a condessa pediu um livro ao neto e referiu-se aos livros de menor interesse como romances banais. Há uma pequena critica aos escritores banais e uma preocupação pela alta sociedade em ler somente literatura de qualidade. Esta condesa é uma figura. Mas quem vai brilhar é o jovem ambicioso Hermann.

Valeu a pena e recomendo. 

leitora beta * divulgação * literatura *

contacta-me para mais informações contactoclaudiaoliveira@gmail.com

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