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amulherqueamalivros

Ter | 23.02.16

Dois Rios | Tatiana Salem Levy

Cláudia Oliveira

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No Goodreads

Minha pontuação 4*

 

Autora brasileira, editada em Portugal. O seu romance mais conhecido chama-se A Chave da Casa. Dois Rios foi publicado pela Tinta da China em 2012. No mesmo ano, a editora lançou também Curupira Pirapora, uma história infanto-juvenil pertencente ao Plano de Leitura Nacional. 

 

Dois irmãos gémeos, a Joana e o António, recebem uma noticia que irá quebrar a ligação existente entre eles. O que restou do passado será desenterrado após conhecerem uma mulher francesa chamada Marie-Ange. O livro está dividido em duas partes. Primeiro a Joana.  As memórias acabam por vir à tona quando regressa a Dois Rios, a cidade onde passava férias com o irmão. A infância está em cada canto daquela lugar daquela cidade. Depois o António. A tentativa de aproximação em relação ao irmão. O encontro e desencontro com o amor. 

 

Gostei muito da forma como a Tatiana Salem Levy resolveu contar esta história. Ela mistura doçura e sofrimento. A história é delicada. A infância e o amor. Os fantasmas do passado e as ligações quebradas. A vida segue, as pessoas mudam. Algumas nunca recuperam, outras colocam para debaixo do tapete os fantasmas. 

 

Mexeu com as minhas memórias de infância. A primeira parte foi lida com agonia. Parei diversas vezes a leitura para respirar fundo. Felizmente, a segunda parte trouxe alguma leveza. Para mim, porque o António sofre muito com o abandono. 

 

"Quero rever o lugar onde eu passava as férias de verão, retornar ao que deixei adormecido no tempo, aos dias e à noite da morte do meu pai."

 

O lugar onde passamos as férias é uma cicatriz ou uma tatuagem. A vida traz e leva pessoas. E não precisam de morrer para deixarem de pertencer à nossa vida.  Recomendo aos leitores que gostam de histórias tristes. 

Seg | 22.02.16

Stone Arabia | Dana Spiotta

Cláudia Oliveira

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No Goodreads

Minha pontuação 4* 

 

Este livro chamou muito a minha atenção quando o vi nas livrarias. A culpa foi da capa. 

 

A história passa-se nos finais da decada de 70 e inicio da 80. Nik e Denise são irmãos. No começo da história, sabemos que os pais estão separados e eles vivem com a mãe. O pai visita-os esporadicamente e no décimo aniversario de Nik oferece-lhe uma guitarra. Nik decide que quer se cantor e nunca mais larga a guitarra. O pai acaba por morrer e a relação da família quebra-se. Denise cresce sem encontrar o seu verdadeiro talento, fascinada pelo talento do irmão. Já na fase adulta, Nik refugia-se no seu mundo e Denise tenta aproximar-se do irmão e lida com os seus receios. 

 

Adorei este livro. Não conseguia parar de ler. Foi uma fantástica descoberta a cada página. O livro atrai vários questionamentos, de forma subtil, com abertura para os leitores tirarem as suas próprias conclusões. A relação e o afastamento entre os dois irmãos é interessante. A ligação da Denise com a mãe é conturbada. A forma como o Nik tenta relacionar-se sem sucesso é culpa da sua personalidade egocêntrica e frustrada. 

 

O rock marca presença nesta história, a autora faz isso muito bem. São feitas várias referências à cultura pop. Respira-se arte neste livro. 

 

"Não se tratava apenas de Nik ter recebido uma guitarra do pai. Nik pegou na guitarra com todas as suas forças e nunca mais a largou."

 

Apesar do livro ser ficcional, a autora inspirou-se no seu padrasto para criar o personagem Nik. Mas Nik pode representar muitos músicos. Sobretudo, aqueles que não resistiram à fama e procuraram refúgio num lugar solitário. 

 

Suspeitei do final durante todo o livro, mas fui apanhada de surpresa na mesma. 

 

Recomendo a leitores que queiram ler uma história onde a música, frustração e solidão seja um só tema. 

 

Dom | 21.02.16

Pedro Páramo | Juan Rulfo

Cláudia Oliveira

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No Goodreads

Minha pontuação 4*

 

Segundo, algumas palavras do Gabriel Garcia Marquez, Juan Rulfo, escritor mexicano, serviu de inspiração para encontrar o seu caminho na literatura. Juan Rulfo escreveu apenas dois livros: um de contos e o romance Pedro Páramo. Um clássico na literatura mexicana. 

 

Após uma promessa feita à mãe, Juan regressa a Comala de forma a encontrar o pai, Pedro Páramo. A história desenvolve-se através das vozes dos vários personagens, traçando a personalidade do pai de Juan assim como a vida passada daquela cidade. Todos os habitantes citados no romance têm uma ligação com o pai de Juan. 

 

"A vida já é dura o bastante. A única coisa que faz com que a gente mova os pés é a esperança de que ao morrer nos levem de um lugar a outro; mas quando fecham para a gente uma porta e a que continua aberta é só a do inferno, mais valeria não ter nascido."

 

A narrativa alterna entre a primeira e a terceira pessoa, sem uma estrutura linear. São pedaços narrativos, com histórias soltas envoltas em mistério e magia. O melhor deste livro são as histórias contadas e a escrita de Juan Rulfo. 

 

A escrita é densa. Não consegui ler o livro de uma ponta à outra sem parar, apesar de curto. É o tipo de livro para apreciar.

 

Gostei bastante. Recomendo aos leitores que gostam muito do romance Cem Anos de Solidão, do Gabriel Garcia Marquez.

Sex | 19.02.16

O Leitor do Trem das 6h27 | Jean-Paul Didierlaurent

Cláudia Oliveira

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Minha pontuação 2.5*

 

O escritor francês Jean-Paul Didierlaurent ainda não foi traduzido em Portugal. O Leitor do Trem das 6h27 é o seu romance de estreia. Anteriormente, venceu duas vezes o prémio Hemingway com os seus contos. Mais uma leitura feita no Kobo devido à existência dos livros digitais. 

 

Guylain trabalha numa fábrica onde são destruídos centenas de livros diariamente. Ele salva da máquina trituradora de papel, chamada de Coisa, algumas páginas para ler durante as suas viagens de comboio. Torna a vida dos passagens do comboio um bocadinho mais feliz. Como que um gesto de esperança. 

 

As primeiras páginas conquistaram-me. Estava a adorar o enredo, os personagens e todo aquele mundo criado pelo autor. Cheguei a ponderar se estava perante uma distopia, mas enganei-me redondamente. Depois do acontecimento que irá mudar o foco total da história, perdi o interesse inicial. O livro é curto, a leitura acabou por ser facilmente concluída. Mas o autor deixou a desejar com o desenvolvimento. Tinha tudo para ser uma boa história. Que pena. Rapidamente, um livro sobre livro torna-se num livro sobre a busca pelo amor. E não convenceu de maneira nenhuma. 

 

"Com o inicio do Salão do Livro de Paris, o fluxo de caminhões se intesificou consideravelmente. A época de muitos lançamentos, em setembro, e o período propício a prémios literários existiam havia muito tempo. Era preciso abrir espaço nas livrarias, tirar as obras encalhadas das prateleiras."

 

Enquanto o assunto principal são os livros e a vida de leitor, a história é fantástica.