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amulherqueamalivros

Sex | 10.04.15

Capítulo I | diário da minha tentativa de ter uma vida saudável

Cláudia Oliveira

Nem só de livros se faz uma vida. É necessário ter hábitos saudáveis para além da leitura. Desta forma, abro a porta para o meu dia-a-dia para além das leituras. 

Bom dia, o meu nome é Cláudia, tenho trinta anos, um filho de um ano e quero mudar os meus hábitos de vida e educar o meu filho a comer de forma saudável. Eu nunca tive muitos cuidados na hora de escolher a comida e desporto nem vê-lo. Vi a reportagem da SIC: Somos o Que Comemos e fiquei abismada. Atormentou-me, acabei por ver três vezes a reportagem, para terem noção. Decidi, vou mudar. E vou mesmo. Por mim e pelos meus. Também podem espreitar AQUI a entrevista SUPER INTERESSANTE que a Lénia do blog not so fast partilhou no facebook. 

Segundo a reportagem e os especialistas abordados, o açúcar deve ser eliminado da nossa alimentação. Carne, de preferência de aves. Peixe, de preferência, sardinhas. E podem (devem) existir dias sem os ditos.

"Mas há estratégias que podem ser implementadas. Uma é comprar carne de melhor qualidade e comer menos quantidade e menos vezes. É preferível comer carne três vezes por semana em vez de comer carne gorda todos os dias. Além disso, toda a gente ganha se fizer uma alimentação vegetariana dois dias da semana e em vez da carne comer, por exemplo, arroz de feijão ou grão-de-bico com massa. Se se acrescentar hortaliças, ervas aromáticas e azeite, podemos dizer que são refeições perfeitas. Menos carne, mas de melhor qualidade; mais peixe (incluindo cavala e sardinhas, frescas ou em conserva de azeite) e ovos (podem ser consumidos três ou quatro por semana) são opções a privilegiar."

"Devemos tirar os refrigerantes, cereais com açúcar, pastelaria, óleos e margarinas – para cozinhar devemos usar o azeite, só azeite. Todos os refrigerantes são um estrago de dinheiro – as pessoas devem beber água. Os cereais com açúcar (os de pequeno-almoço e as bolachas) também são prescindíveis – devemos escolher cereais completos, integrais, que até são mais baratos. Compare-se o preço de uma caixa de cereais de pequeno-almoço com o de um pacote de flocos de aveia, que são altamente nutritivos. A aveia é muito mais barata e muito nutritiva."

Posto isto, vamos lá. O que fiz de imediato? Passei a ler os rótulos, com olhos de ver, dos produtos alimentares. Acho que é um passo importante. Então, vamos lá conhecer melhor aquilo que como. Se tem ou não açúcares, se é ou não verdadeiramente saudável. Desta forma eliminei vários produtos nas compras de mercearia.

Eu comia, até à semana passada, um (ou mais) doce todos os dias. Ou mais que um. Açúcar atrás de açúcar. E coincidência ou não sentia-me sempre cansada, sempre exausta, sem vontade para nada. Só poderei falar nisso quando os resultados desta mudança surtirem efeito. Eu não vou eliminar o açúcar com o objectivo de emagrecer. Um corpo magro não significa necessariamente que seja saudável. Para além disso pretendo engordar e voltar ao peso que considero saudável e feliz para mim. Não quero encher-me de porcarias e engordar à conta de gorduras e açúcares. 

O meu problema seria o pequeno-almoço. Sempre tentei criar pequenos almoços saudáveis mas acabava, por desleixo, comer uma porcaria qualquer e ir trabalhar. Não, chega! Vou acordar mais cedo, comer com calma e escolher melhor.

Algumas opções que me ocorreram e pus em prática:

1. pão alfarroba com pouca manteiga + sumo natural ou leite de amêndoa ou chá + uma peça de fruta

2. papas de aveia com leite de amêndoa com muesli (e/ou fruta)

3. panquecas saudáveis do blog Receitas da Gi

A meio da manhã, uma peça de fruta ou um iogurte magro. Vou começar a fazer iogurtes caseiros e trazer para o emprego. Quanto ao resto das refeições preciso de um plano. Deixei de comprar carne de porco há muito tempo. Tenho comido mais peixe e legumes. Estou a pensar começar a fazer uma ementa semanal para facilitar na hora de fazer compras ou escolher o próximo prato. Começo pela alimentação, depois passo para o desporto.

Sempre tive o hábito de fazer um bolo aos fins de semana. Recentemente experimentei fazer uma receita de um bolo sem gluten e usei açúcar amarelo. Bolo de laranja sem glúten da revista Bimby deste mês.

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Hoje é dia de fazer compras para encher o frigorifico. No calendário está marcado o dia 10 como o primeiro dia sem açúcar. Quantos dias vou estar sem conseguir consumir açúcar de forma incontrolável e desmedida? Vou sentir diferenças? É possível comer bem e sentir a barriguinha aconchegada? 

Ver pessoas a comer croissant com nutella enquanto engulo um pão de alfarroba não é fácil mas deixa-me feliz por saber que sou eu e a minha força de vontade a mandar no que como e não a minha mente. Não digo que nunca mais vou comer porcarias, mas vou mudar os números ao contrário. 

 

Sex | 10.04.15

Dlog #45 | Iluminada

Cláudia Oliveira

Fez-se luz. A felicidade de ver uma lâmpada acender é inqualificável. Sobretudo com um miúdo doente, com tanta roupa para lavar. Hoje acabei por acordar mais cedo. Tive tempo para ver uns vídeos no Youtube, fazer papas de aveia, arranjar tudo com calma. O primeiro dia do resto da nossa vida. 

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Tentei brindar mas desta garrafa não saiu pinga.  

 

Li 33 páginas do livro Música para Água Ardente do Bukowski. Três contos e nenhum deles sensacional. Por enquanto. 

 

Sex | 10.04.15

Não sei escrever sobre a morte

Cláudia Oliveira

Este texto foi escrito para o projecto #comcanela. O projecto consiste num texto com um tema aleatório todos os meses ao dia dez, às dez horas. Os participantes abordam o mesmo assunto e publicam os seus textos no mesmo dia/hora. #comcanela conta com os três participantes: O Informador e O Homem Certo e eu. Para participar é necessário usar a hastag #comcanela.

***

Lidei com a morte pela primeira vez com oito anos. Olhei para ela de cima a baixo e abanei a cabeça de modo a mostrar o meu descontentamento. Ela olhou-me nos olhos, sem pestanejar, mostrou-me quem manda, fez-me sentir medo. E desde aquele dia, permaneci com medo. Medo de cair e bater com a cabeça, de passar uma ponte e ela cair (por isso deixo sempre uma janela aberta para conseguir salvar-me), de um acidente de carro, comboio, autocarro, de ser assaltada e levar um tiro, de ser atropelada, de um sismo, uma bomba.

Olho para a minha família e tenho medo que alguém os leve. Por conhecer a dor, sei que não aguentaria tal facada do destino. Não saberia chorar tantas lárimas nem recuperar de novo. O tempo que levo a recuperar da batalha entre mim e a morte é demorada. Tem danos colaterais em tudo o que faço. 

Ter noção do tempo que me espera, faz-me sentir desesperada e irritada por saber que não terei as oportunidades que merecia. Por saber que não vou ter vida suficiente para ir atrás do quero ou sonho. Incomoda-me que os anos passem e não nos deixem viver duzentos anos, com saúde. 

Depois de ter sido mãe, a morte veio viver para uma nuvem mesmo em cima da minha cabeça. Eu sei que não vão entender esta relação entre mim e a morte (ou a vida onde sei que a morte chega). Eu sei que não consigo explicar muito bem, mas vem daí toda esta ansiedade, esta frustração. 

Já doeu mais. Só ao fim de vinte e tal anos é que aceitei a morte do meu pai. Antes, era culpada de todos os meus males. Da minha falta de sorte. Agora é culpada do medo que eu tenho em morrer. Porque, de tanto pensar na morte, por vezes, sinto-a muito muito perto.