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amulherqueamalivros

Qua | 25.02.15

Bonsai | Alejandro Zambra

Cláudia Oliveira

 

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Há muito muito tempo, no Natal, recebi um bonsai do namorado. Outros tempos, namorado diferente. Após ida a uma exposição de bonsais, encantada, pedi um. São árvores minúsculas. Precisa  de muito cuidado, dedicação. Lembro-me de ter cuidado do bonsai a primeira semana, cheguei a ler livros sobre o assunto, mas aborreci-me. O bonsai acabou por morrer. Relacionado ou não, naquela altura, eu era assim. Aborrecia-me facilmente com o amor. Viciada, naquela altura, na euforia das primeiras semanas de paixão. Quando a chama esmorecia, colocava um ponto final e ia procurar a sensação inicial noutra pessoa. 

Bonsai é um livro pequeno, como um bonsai. Delicado, como um bonsai. Complexo, adivinhem, como um bonsai. É aquele livro com o título mais adequado de sempre.

Um casal, Júlio e Emília, envolvem-se inesperadamente. Começam muito bem, com mentiras. Ironias à parte, afirmam ter lido Proust quando eram mais novos. Não leram. Pequenas mentiras servem para impressionar (algumas) pessoas. A relação deles parece estar bem, entre conversas intelectuais, leitura em voz alta, sobretudo antes do sexo. Até ao dia em que lêem um conto do autor Macedonio Fernádez. Não vos vou contar a história do conto. Tem um bonsai, é o que posso dizer. 

Li poucas opiniões antes de escrever este texto. Só para comparar as minhas ideias após a leitura deste romance. Gosto de fazer isso. Os leitores, os queridos leitores, tiram conclusões baseadas na sua experiência de vida ou formam as suas opiniões depois de lerem críticos frios, obcecados com notas/estrelas. Alguns, salvam-se as excepções. Eu, no alto da minha arrogância, venho transmitir o que o livro me mostrou. Lamento, é um bocadinho diferente. 

Pequenos e infundados detalhes ligam as pessoas. Sejam verdades ou mentiras. Seja um presente, uma fotografia ou a partilha da mesma experiência. Sobretudo, esta última, a partilha da mesma experiência. Assim como ligam, também desfazem. Basta tão pouco para desfazer o que foi construído. Ou, quem sabe, não tenha sido construído nada.

Os personagens (como na vida) da mesma forma que se ligam, também se separam. As amizades longínquas são deixadas sem explicação, também não interessa. Naquela altura dava jeito viver com ela. Não gosto dele, mas preciso dele para uma festa entre colegas. Interesses, a vida é isso. Se não cuidarmos, perdemos. Como um bonsai. 

 

Bonsai é escrito de uma forma bem estruturada. De escrita simples, conquista. Delicia quem lê. Alejandro Zambra é incrível. 

Nota 4. 

 

Existe também uma adaptação cinematográfica feita em 2011. Preciso de ver! O trailer está o máximo. 

 

Ter | 24.02.15

Dlog #12 |

Cláudia Oliveira

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Ontem comecei a ler o livro "O Museu da Inocência" de Orhan Pamuk. Turco, vencedor do Nobel em 2006. Andava para ler há bastante tempo. Como venceu a sondagem do "primeiro parágrafo" ficou como leitura temática (o tema é amor) este mês. Guardei para o fim. Li três capítulos. Ainda hoje comentei, "acho que descobri mais um autor para a vida". Assim como Saramago, Somerset Maugham, Sandoi Márai, Eliane Brum e Danna Tartt. Já não me acontecia há muito muito tempo.  Sim, um homem nesta lista. Se calhar é muito cedo para festejar. São seiscentas páginas. Ainda bem que não me deixei influenciar por opiniões negativas. Estou a gostar tanto tanto tanto.

Ter | 24.02.15

A História d'O | Pauline Réage

Cláudia Oliveira

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A História de O  foi escrito pela escritora Anne Declos sobre o pseudónimo Pauline Réage em 1954 em Paris. A capa mostra o corpo de uma mulher de corpete vestido, com o rosto escondido, alucivo ao tema abordado.

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Li este livro devido a uma indicação do canal Youtube chamado Livrogram. Porém, já tinha ouvido falar nele como substituto, com qualidade, ao livro 50 Sombras de Grey.

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Conta a história de O, uma mulher apaixonada levada pelo seu amante René para um castelo para se submeter a práticas sadomasoquistas com o seu consentimento.

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Achei o livro bem escrito e com uma enorme sensualidade. Sem utilizar linguagem obscena, as práticas sexuais são descritas com detalhes. A história está bem desenvolvida, contém personagens bem construídos e diálogos interessantes qb. Uma atmosfera pesada e misteriosa paira em todo o romance de forma a dar credibilidade a tudo o que a autora descreve.

É bastante apropriado o facto da história se passar num castelo. Os actos de sadomasoquismo são intensas e cheias de objectos próprios. O é presa e preparada com rigor para todos os momentos. Chega a ser chicoteada, amarrada e ensinada a ser uma escrava.

Não gostei muito do livro. É bem escrito, é uma óptima escolha para quem gosta do tema, mas achei um bocado arrastado, o que tornou a minha experiência de leitura em momentos de tédio. No entanto, matei a minha curiosidade.

Existe uma adaptação cinematográfica de 1975 com a actriz Corinne Cléry.

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Duas estrelas, mas tenho de concordar que é uma opção perfeita para quem quer ler literatura erótica.