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Um pouco de cinema com... Olhos Grandes

por Cláudia Oliveira, em 26.02.15

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Tim Burton está diferente. Foi o que constatei ao ver Big Eyes (Olhos Grandes).

Margaret casa com Mr Keane numa tentativa de refazer a vida. Ela tem talento para pintar, ele para enganar e vender. Mr. Keane assume ao mundo que é o autor dos quadros dos meninos com olhos grandes, o que é totalmente falso. É a sua mulher que pinta. A arte é dela. Desta forma, o casal entra num novelo gigante de mentiras.

A história passa-se na década 50. Destaque para as roupas, referências e abordagem à emancipação da mulher. Naquela altura, as mulheres ficavam em casa a cuidar dos filhos e da casa. Dificilmente a arte das mulheres era apreciada. O filme é interessante do aspecto social e papel das mulheres na sociedade. Frases como “nunca conheci mais nada” são proferidas pela Margaret . Foi bom ver o tema abordado.

O filme é bonito. Achei a fotografia bela, as cores vivas que Tim Burton nos habituou estão lá.

O filme chama-se Grandes Olhos devido ao olhos enormes que Margaret  gosta de pintar nos seus quadros. Senti falta de uma maior explicação para esse facto. Afirmar que “são a janela da alma” deixou-me desiludida. Esperava uma razão maior, confesso.

Fantástico está também o actor Christoph Waltz. Sou fã dele deste o filme Sacanas Sem Lei (Inglourious Basterds). Neste filme não desilude. Faz de charlatão egocêntrico e mentiroso compulsivo. A cena final, no tribunal, é hilariante! O seu personagem é o mais interessante de todo o filme.

Amy Adams também está muito bem. Faz de uma mulher submissa, cheia de sonhos e talento. Gostei muito da forma como ela mostra segurança e calma nos momentos menos convenientes. Apesar de aceitar uma mentira gigantesca, o espectador torce por ela. Entende as suas motivações.

Não gostei da menina que faz filha do casal. Sobretudo na fase adolescente. Achei a prestação muito fraca.

O filme conseguiu prender-me até ao final, mesmo cheia de sono. Coloca questionamentos interessantes acerca da moralidade de cada indivíduo. Transmite ensinamentos sobre a mentira: mentiras servem para proteger, não podem prejudicar ninguém. As piores mentiras são aquelas que contamos a nós mesmos.

E a arte? O que é arte? Vender muito é um factor importante? Críticos de arte servem para quê? Qual a função da arte?

Destaque para a banda sonora. Duas músicas de Lana Del Rey: Big Eyes e I can Fly.

Recomendo o filme para quem admira o trabalho de Tim Burton mas não está à espera do melhor filme de sempre. Para os admiradores do actor Christoph Waltz. E para quem gosta de filmes baseados em factos verídicos e visualmente belos.

Nota 7.

 

 

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