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"NOSSA SENHORA DE PARIS" | VICTOR HUGO

por Cláudia Oliveira, em 21.07.17

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Levei comigo até Paris o livro de Victor Hugo. E ainda tive o privilegio de estar pertinho do lugar onde ele escreveu este romance, a sua casa. Tem uma vista lindíssima, diga-se de passagem. Inspiração não lhe faltava, presumo. Este romance surgiu na tentativa do autor salvar a Catedral Notre Dame, um edifício que previa ser demolido. E parece que ele conseguiu! 

 

Vamos ao livro? Gostei bastante da experiência de leitura em Paris. A leitura fluiu super bem enquanto lá estive. Fiquei agarrada ao enredo, às personagens e a todas as descrições. Li numa edição antiga da biblioteca local dividida em dois volumes. Estava a correr super até que vim para Portugal e troquei para a edição da Civilização. A edição encontra-se esgotada. 

 

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Não sei muito bem explicar o que se passou, mas o meu entusiasmo esmoreceu. O ritmo de leitura diminui e o meu interesse também. Só fui recuperar quase no final com as peripécias envoltas ao Quasímodo. Ele aparece poucas vezes, ao contrário do que estava à espera. Quando aparece é espectacular. E aquele final? Arrasador. Triste, triste. 

 

A grande protagonista deste romance é a Catedral, são feitas diversas descrições e exposta toda a sua importância. Victor Hugo nunca poupou os leitores em relação aos pormenores das suas histórias. E gosto bastante da narrativa, adorei "Os Miseráveis" (um dos favoritos da vida, para reler), mas este livro perdeu-me a um dado momento. Isso não tira o valor da obra, é grandiosa e deve ser lida. A critica política e social que o autor faz é extraordinária. Vale pelo contexto social-económico. As personagens são todas complexas e bem desenvolvidas. 

 

Passa-se no século XV, em 1482, em Paris. Victor Hugo volta a dar voz aos pobres e rejeitados. A Catedral para além de ser um lugar de oração, ajudava os órfãos e os que procuravam refúgio. Há um reconhecimento dessa necessidade, um pedido para continuar a desempenhar o seu papel social. Também temos uma critica envolta ao papel da mulher, a perseguição obsessiva e a opinião de Victor Hugo em relação à condenação por enforcamento. Ele realmente não era de acordo com tal julgamento. A mensagem mais evidente é a dificuldade da sociedade em aceitar a diferença. Quasímodo, é um homem desfigurado, e a sociedade não tem piedade. A primeira cena, durante a festa na praça, é muito triste. Fiquei abalada. 

 

Quanto à adaptação da Disney, não tem nada a ver. A mensagem está lá, o Quasímodo também.Adoro o filme, revi antes de iniciar a leitura e foi encantador. A música da Sara Tavares, "Longe do Mundo" é arrepiante e ternurenta. Umas das minhas músicas preferidas da Disney. 

 

Recomendo. Victor Hugo é mestre.

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