Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Mais sobre mim

foto do autor


QUER ANUNCIAR O SEU LIVRO? contactoclaudiaoliveira@gmail.com


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D




As segundas feiras podem ser boas

por Cláudia Oliveira, em 22.06.15

Um colega está a trabalhar a última semana nesta empresa. Vai reformar-se. Respeito-o imenso devido à idade e sabedoria. Tem uma imagem imponente, cabelos brancos e um ar carrancudo. Estou nesta empresa há seis anos, mais ou menos, se  conversámos duas vezes foi muito. Isto porque a empresa tem dois setores separados por alguma distância e encontramos-nos apenas alguns segundos todos os dias. Segundos que servem para ele entregar-me alguns serviços que fazem parte do meu trabalho. Ao longo dos anos sempre achei que ele não gostava de mim. E por ser a única pessoa distante de mim, sinto pena pelo julgamento sem conhecimento de causa. Apesar de entender perfeitamente que nesta vida haverá sempre alguém que não irá com a minha cara. E aceito sem problemas. Já lá vou, deixem-me situar-vos do pano de fundo.

O meu marido também trabalha nesta empresa. A função dele está ligado diretamente ao setor do meu colega reformado. O ano passado tivemos um filho, durante cinco meses estive de licença de maternidade. Um dia, durante esse período, o marido foi almoçar a casa e levou-me seis livros. Livros novos. "O senhor Carlos (nome fictício) ofereceu-te estes livros". Ofereceu? Como assim? "Ele sabe que adoras ler e quis oferecer-te alguns livros que gostou de ler". Através do meu marido tomou conhecimento da minha paixão pela leitura. Eu agradeci muito! Fiquei a admirá-lo mais. Os leitores deste mundo têm uma linha imaginária que os une. Sobretudo se os autores preferidos forem os mesmos. Nesse caso, a linha tem a cor verde, não é tão transparente. Isto sou eu a inventar. 

Quando regressei ao emprego nunca consegui falar sobre o assunto com o meu colega. Agradeci por alto, mas nunca toquei no assunto de forma a iniciar uma conversa. Sempre que o encontrava a almoçar no café tinha um livro aberto na mesa. "Bom almoço" e sentava-me com o meu livro. Não consigo explicar esta timidez aguda que só surge com algumas pessoas.

Um dos livros que o meu colega me ofereceu foi O Museu da Inocência, de Orhan Pamuk. Um livro que entrou para os meus livros preferidos da vida. Nunca lhe disse. Apesar de termos em comum o gosto pela leitura nunca fui capaz de trocar impressões com ele. Acho que o facto de pensar que ele não gosta de mim nunca ajudou a quebrar o gelo. O marido chegou a insistir várias vezes. É pouco dado a confianças, sério!

Na sexta feira vamos ter o jantar de despedida. Tenho conversado com o meu marido sobre o facto de querer oferecer alguma coisa ao meu colega como símbolo de gratidão. Tenho matado a cabeça de tanto pensar no assunto. 

Hoje quando entrou no escritório vinha animado. Trazia consigo a colega nova. Demorou breves minutos. Enquanto apresentou a equipa voltei a lembrar-me de como me ignora educadamente. Indicou outra colega para a entrega dos serviços que devem ser entregues à minha pessoa. Deixei de ligar a isso há muito tempo, mas é sempre chato. A colega também nem abriu a boca para dizer nada, quem sou eu. Os serviços chegam sempre ao destino, é o que interessa. 

Ele abandonou a sala com o "até logo" do costume. Em menos de um minuto regressou à sala com quatro livros na mão. "Cláudia, estes são para os próximos quinze dias". Com um sorriso gigante. Eu agradeci, agradeci imenso, com o coração aos pulos, vermelha que nem um tomate. Os meus colegas assistiram à cena, mas ninguém disse nada. A vida é engraçada. Estou para aqui a pensar em como um gesto vale mais do que dezenas deles. Sinto-me patética.

Não foram precisas mais de duas frases. Nunca o irei esquecer. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quando estou com algum problema refugio-me nos livros. Ontem aconteceu uma tragédia no meu grupo de amigos. Passei a noite em claro, sempre a pensar no assunto. Não foi comigo diretamente, mas sinto-o como se fosse. Aproveitei alguns momentos para ler enquanto questionava vezes sem conta o sucedido e a vida no geral. Acabei por ler até à página duzentos e dezasseis do romance A Capital.

Sempre fui assim. Um problema, mergulho nos livros. O marido costuma dizer que tenho mais facilidade em ultrapassar os assuntos. Não sei se isto é uma forma de fugir, visto que recolho-me na histórias de outros, mas não acredito que seja. Enquanto leitora sinto que a vida é relativa, não somos nada e aceito melhor os factos. É, acho que é isso. Somos pequeninos pequeninos. Reviravoltas estão sempre a acontecer. Nos meus dramas emocionais do passado, problemas com ex-namorados, foram sempre os livros a salvar-me. Enquanto lia, o tempo passava e as feridas cicatrizavam. Lembrei-me disso ontem à noite. 

Aliás, lembrei-me de um verão em especial. Fui para o Algarve passar férias com amigos depois do final de um relacionamento problemático. Num intervalo entre praia e piscina passei numa Feira do Livro à beira mar e comprei vários livros. Lembro-me que comprei dez livros da Marion Zimmer Bradley e trouxe-os em sacos de plástico na viagem de autocarro para Lisboa. Lembro-me da minha amiga ficar admirada com a velocidade com que terminava livros em manhãs de piscina. No final, a dor tinha desaparecido. O meu sorriso voltava enquanto fechava livros atrás de livros. 

Também recordo que foi nos livros que encontrei o refúgio necessário quando o meu pai faleceu. Com oito anos comecei a imaginar que o meu pai estava num mundo totalmente diferente do meu, à espera para ser salvo. Ou que tinha feito uma viagem especial e um dia ia regressar. É, na altura foi bom. Visto que ninguém teve uma conversa sincera comigo sobre o assunto. Até que percebi que as pessoas que mais amamos desaparecem e nós não temos culpa nenhuma. 

É, ultrapasso melhor os problemas. 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Roleta literária

por Cláudia Oliveira, em 20.05.15

Se à partida conheço os meus gostos e sei quais são os livros que me enchem as medidas porque insisto em ler outras coisas? Uma vez ouvi uma booktuber que prezo bastante (Claire) dizer que a maior qualidade que um leitor pode ter é "não ter medo de sair da sua zona de conforto". Eu saio várias vezes da minha zona de conforto, acabo sempre desiludida. Salvo as exceções. Devia escolher apenas livros e autores que já conheço? Devia começar a ler a sinopse? Devia prestar atenção nas capas? As exceções têm valido a pena. Sempre prefiro o desconhecido e já tive a sorte de conhecer autores novos por causa desta minha vontade de arriscar. No entanto, tenho gasto dinheiro em livros que não mereciam um cêntimo da minha parte se os tivesse lido antes. Se tivesse lido a sinopse talvez nem os tivesse comprado. Será um risco constante ser leitora? Faz parte do processo? A descoberta é o lado encantador de ser leitor,. É, deve ser. 

Autoria e outros dados (tags, etc)



Mais sobre mim

foto do autor


QUER ANUNCIAR O SEU LIVRO? contactoclaudiaoliveira@gmail.com


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D