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"UM MUNDO DE PERNAS PARA O AR" | ELAN MASTAI

por Cláudia Oliveira, em 06.07.17

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Elan Mastai é guionista, agora lançou o seu primeiro romance editado pela Bertrand. Eu acho sinceramente que deve continuar a escrever livros. "Um Mundo de Pernas para o Ar" é um livro cativante, uma mistura interessante de ficção cientifica, comédia e romance.
 
Estava a precisar de uma leitura dinâmica, divertida e original. Este foi o livro que me ofereceu os três ingredientes e me proporcionou bons momentos. Uma lufada de ar fresco no meio das minhas últimas leituras. 
 
Este livro contém a história mais original que já li este ano. É completamente fora da caixa,  com personagens interessantes e tridimensionais. Ao longo da leitura foram ganhando consistência e acabaram por me conquistar. Sobretudo as mulheres. São mulheres carismáticas. Têm girl power. E para quem ama livros vai identificar-se um bocadinho com elas. Algumas adoram livros e até trabalham em livrarias. Não é fantástico? Mas calma, este livro não tem quase nada de normal. É um distopia, um mundo paralelo de 2016. 
 
 
Tom vive no mundo diferente do nosso. 2016, onde não existe guerra nem pobreza. A tecnologia resolveu tudo. Todas as necessidades básicas são atendidas pela tecnologia. Os carros voam, não existem bombas de gasolina (como eu era feliz!), nem supermercados. Uau, era bom era. Aposto que íamos adorar este mundo.
 
O pai do protagonista tem uma profissão altamente, é dono de uma empresa dedicada ao turismo das viagens no tempo. Uma coisa perfeitamente normal, não é verdade? E claro, a viagem no tempo vai dar muito que falar neste romance. Uma pontinha do enredo: imaginem que o Tom apaixona-se por uma rapariga que quer ser crononauta (porque não pode ser astronauta). Crononauta é alguém que pode fazer viagens no tempo. Agora imaginem que algo acontece entre eles e os planos mudam.  
 
Já pensaram no que andamos a fazer com o planeta? Já pensaram o que será feito dele daqui a uns anos? Dá que pensar. Estamos a caminhar para um lugar onde muitos não vão gostar de viver. Tínhamos a possibilidade de viajar numa máquina do tempo. O que faríamos de diferente? Onde errámos com o nosso planeta? E uns com os outros, onde estamos a falhar? 
 
No meio de uma história divertida temos uma crítica fortíssima aos tempos modernos. Onde os olhos fixam o ecrã luminoso em busca de informação rápida, seja ela verdade ou mentira. Perdemos tanta coisa, não é verdade? Eu fui surpreendida por este livro até ao fim. O capitulo seguinte foi sempre uma surpresa. E apesar da leitura ter sido de altos e baixos, devido à narrativa do autor, quando faço o balanço final acabo de sorriso no rosto. 
 
O amor é a base. Somos feitos de emoções e agimos conforme elas. Alguns têm a coragem de agir, outros continuam a remoer no que podia ter sido feito e não foi. É isso que nos distingue? Vamos aproveitar os nossos, presentes e atentos. 
 
 
Não deixem de ler. O livro está amanhã (7) nas livrarias. Não desanimem nos momentos onde o autor teima em arrastar a história, tudo muda e são surpreendidos até ao fim. Para além das passagens brilhantes que tocam de tão bonitas e cruas. 
 
"Esta é a felicidade que não mereço. Não depois do que fiz. Este agradável momento familiar é um pedaço de rolha a fluturar num mar de sangue."
 
Recomendo. 
 
(livro cedido pela editora)

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Este livro fala no primeiro amor. Diria, na primeira paixão. Na existência de química entre duas pessoas. É a história do Henry e da primeira vez em que se apaixona. Do seu primeiro beijo, do primeiro momento mágico e frio na barriga. Ele conhece a Grace no dia em que ambos são escolhidos para coordenar o jornal da escola . Ela é considerada uma miúda estranha, veste roupa muito larga e anda apoiada numa bengala. A Grace é a estrela deste livro. A sua estranheza acaba por conquistar e marcar o seu carácter.  

 

O Henry é um miúdo cheio de dúvidas, com pouca autoconfiança e muito carente. Foi a primeira vez que viu um rapaz com constantes ataques nervosos em relação à sua paixoneta. Normalmente é a menina a fazer esse papel em quase todas as historias de amor . Aqui é tudo invertido e funciona. Afinal os rapazes no mundo inteiro não são todos fortes e confiantes. Mas o que é original no começo, acaba por ser irritante no desenrolar da trama. Ele é extremamente carente. Em alguns momentos pensa que o facto de serem namorados dá-lhe o direito de dizer que a Grace é dele. Não é. Ninguem é de ninguém. Isso não é romântico.

 

Há um momento  mágico, como acontece no cinema, muito bem descrito entre o casalinho . Adorei, é o meu momento preferido neste livro. Tem tudo a ver com os peixes da capa, mas não vou contar. É genuíno, trouxe um bocadinho aqueles momentos de adolescente guardados eternamente na caixinha das recordações. Trouxe do passado o sabor doce das primeiras paixões.  As mensagens trocadas pelos dois são muito fofas. Existem diversas referencias à cultura pop dos adolescentes dos tempos modernos. Redes sociais, cinema e música estão no mote das conversas dos dois e dos amigos. Adorei o facto do talento para a escrita ser abordado. No meu tempo não existiam jornais na escola. Uma pena. 

 

A escrita da autora é cativante.  Muito criativa, existe equilíbrio entre o drama e a leveza do primeiro beijo. Quando a historia da Grace começa a ser desvendada o livro não perde o interesse. Somos confrontados com um assunto muito delicado, a perda, o luto. A forma como as pessoas sofrem e continuam a viver com a dor. Talvez seja um pouco estranho, mas tudo o que é diferente acaba por provocar esse estranhamento. 

 

Não é um livro igual aos outros livros para adolescentes com histórias de amor. Tem vários elementos que o distingue. A carência do rapaz, a objectividade da rapariga. As famílias diferentes de ambos, uma é muito liberal, a outra é confusa e problemática. A capacidade de superação após um desgosto. O primeiro amor, aquele que acreditamos ser eterno.   

 

 Foi uma boa surpresa e estou convencida que muitos adolescentes vão adorar esta história. 

 

(livro cedido pela editora)

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