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"Uma Estranheza em Mim" | Orhan Pamuk

por Cláudia Oliveira, em 23.02.17

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Este senhor não sabe escrever um livro mau, nem razoável. Muito menos livros pequenos. 

 

Orhan Pamuk começa a integrar a minha lista de autores preferidos da vida. Um lugar que alcançou apenas com o meu primeiro contacto com a sua escrita em "O Museu da Inocência". De imediato decidi ler tudo escrito por ele. Assim que os meus olhos bateram neste seu último livro em Portugal na biblioteca, trouxe-o comigo. Um calhamaço de 640 páginas. Com capítulos longos e personagens intermináveis. Melhor de tudo? Acabou, e está quase a sair outro calhamaço pela mesma editora. Eu vou querer ler também. 

 

A forma como Orhan Pamuk escolheu para escrever esta história é bastante interessante. Primeiro conta a história principal, um romance iniciado de forma peculiar e dentro dos costumes de Istambul. Um homem apaixona-se pelo olhar de uma mulher durante uma festa, escreve-lhe cartas durante três anos até que combinam fugir juntos. Mas algo vai acontecer. Tenho lido opiniões no qual devendam este pormenor, ainda bem que não as li antes. O que acontece naquele momento deixou-me de queixo caído. Não posso dizer-vos, mas tenho muita vontade.

 

Achei bestial as voltas que o romance tem logo nas primeiras páginas. E as voltas que o romance tem durante o livro inteiro. Fui apanhada de surpresa várias vezes. Mas nem só de romance vive este livro. Como estava a dizer ele escreveu a história de forma a conhecermos os pontos de vista de todas as personagens ligadas ao romance principal. Ao inicio pode ser um bocadinho estranho, mas depois começa a ganhar fluidez e a história entranha-se. As personagens ganham vida. 

Mevlut é o nosso protagonista. Ele é vendedor de boza. Uma prática muito comum e tradicional em Istambul . Acaba por ser uma prática simbólica e muito importante para explicar o panorama geral vivo no país em relação ao comportamento e desenvolvimento do mesmo. 

 

É um retrato realista de Istambul entre 1969 e 2012. Desde a proibição do aborto, desenvolvimento tecnológico, entrada das mulheres na faculdade. É grandioso. Perturbador também. A nossa realidade é diferente, os choques culturais são inevitáveis. Os costumes e hábitos daquela sociedade não podiam estar mais detalhadas. E talvez por isso tenha sentido algum cansaço ao longo da leitura. O livro parecia interminável. 

 

Adorei e recomendo. Sobretudo para leitores sem pressa.

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"Abre" | Mário Caetano | Uma noite de coaching

por Cláudia Oliveira, em 20.02.17

 

Sobre ontem

 

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"A Ilha de Martim Vaz" | Jonuel Gonçalves

por Cláudia Oliveira, em 15.02.17

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Este livro chamou por mim através das palavras "amor" e "Luanda". Não se passa apenas em Luanda, viaja por mais continentes e três épocas. 

 

Várias vozes, sobretudo mulheres, apaixonadas pela vida e com sonhos grandes. "O Vice Rey ordenou outro concurso para professores régios e pensei me apresentar também mas a freira não achou boa ideia". Passou por mim várias emoções, a mais evidente foi a revolta. Revolta pelas desigualdades raciais e de género. Pelos sonhos que são interrompidos por regras imposta pelo Homem. É difícil viver num Mundo onde as mulheres não podem ter asas nem ir em busca de sonhos. Onde elas precisam de fugir para casar com quem amam. É lamentável. Eu sofri com estas mulheres. "Podes ser a melhor de todos, ainda assim  vão te humilhar vão te dar uma nota muito baixa para todos saberem que lugar de mulher parda alforriada é na cozinha ou na varredura...". As palavras "lugar de mulher" incomodam-me. 

 

Através desta história viajei por vários países acompanhada de uma historia de amor pelo qual torci. Uma mulher e um homem com cores diferentes apaixonam-se e isso não é bem visto pela família. Para levarem o romance adiante precisam de fugir. "A loucura começou ao inventarem que somos várias espécies e umas devem mandar nas outras, perdeu-se a noção do símbolo principal de Adão e Eva...". Quem é que inventou isto? Responde-me um angolano, "os portugueses". E eu fico a pensar sobre isto, com necessidade extrema de mergulhar na história e encontrar mais respostas. Se um livro provoca esse impulso em mim, se me faz passar horas a pensar no assunto, me faz questionar, o livro faz o seu papel. 

 

A escrita do Jonuel é muito cinematográfica, muito visual. Foi inevitável procurar imagens da Ilha de Martim Vaz. Beleza pura. Personagens que valem a pena conhecer. No entanto, não é um livro fácil. Tem o seu ritmo, a narrativa é fragmentada e pode dificultar a sua leitura em alguns momentos. É um livro importante no sentido de não deixar morrer o que algumas pessoas passaram por causa da escravatura e racismo. 

 

Sublinhei várias passagens para voltar a ele no futuro. É umas das minhas temáticas preferidas. Recomendo.

 

livro enviado pela editora

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"Anna e o Homem Andorinha" | Gavriel Savit

por Cláudia Oliveira, em 13.02.17

 

 

Este livro embalou-me enquanto adoçava o meu coração. 

 

Escrito de uma forma bonita quase musical, este livro conta a história da Anna. Tem sete anos quando vê o seu querido pai (professor de linguística) desaparecer. Levado pelos nazis durante a Segunda Guerra, entregue a um destino que a filha não entende. Claro que não entende. É difícil compreender a maldade, a guerra, o poder de alguns homens em relação a outros. Sorte no meio de tanta infelicidade, ela conhece o Homem Andorinha. Uma pessoa muito importante para a sua sobrevivência.

 

"Os seres humanos são a melhor esperança do mundo para a sobrevivência de outros seres humanos".

 

Muito se escreve sobre esta temática. Não foi mais uma leitura. Esta ficou comigo. Arrancou-me uma lágrima, abraçou-me. Esta história não conta descaradamente o que se está a passar. Somos nós, leitores, que tiramos ilações e entendemos o que a Anna não entende. Somos nós que ficamos com um aperto no peito e sentimos o gelado vento no rosto enquanto as personagens passam fome e tentam chegar ao seu destino. 

 

Mais do que uma história de sobrevivência, este livro foi uma maravilhosa homenagem às palavras. A forma como utilizamos as palavras e as consequências das mesmas na nossa vida. Dei por mim a reflectir bastante sobre isto de termos nomes para tudo e reduzirmos pessoas a adjectivos. A humanidade criou a língua para comunicarmos, mas quantos de nós entende verdadeiramente os outros? Se precisamos todos uns dos outros para sobreviver, porque nos vemos como inimigos? Só porque temos uma forma de falar diferente? Tão pouco. Revoltante.

 

Incrível estreia do autor e músico Gavriel Savit. Leiam, sem pressa. Este livro marcou este mês friorento e trouxe esperança e um desejo: um homem- andorinha para todos os que estão sozinhos, sem um abraço. 

 

 

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"A Dama de Espadas" | Alexander Pushkin

por Cláudia Oliveira, em 08.02.17

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Gostei de ler este conto. A narrativa é simples e fluida. Fiquei presa ao enredo até ao final. Toca em alguns temas interessantes, a ambição, o vicio do jogo, as tradições da cultura russa. Puskine não me desiludiu e fiquei com vontade de ler mais contos escritos por ele. Alguma recomendação? Eu gosto dos russos, sempre gostei. Adoro a complexidade no meio da simplicidade. O jogo com o leitor e a lição de moral. As personagens são sempre interessantes e mesmo num conto nota-se alguma profundidade. O toque dramático também é bastante recorrente. Adorei quando a condessa pediu um livro ao neto e referiu-se aos livros de menor interesse como romances banais. Há uma pequena critica aos escritores banais e uma preocupação pela alta sociedade em ler somente literatura de qualidade. Esta condesa é uma figura. Mas quem vai brilhar é o jovem ambicioso Hermann.

Valeu a pena e recomendo. 

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"Confissões de Inverno" | Bredan Kiely

por Cláudia Oliveira, em 06.02.17

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Um adolescente perdido, uma mãe focada em festas sociais, um pai ausente. Aidan encontra um refúgio nos braços do padre da aldeia. Um homem com uma voz calma, muito querido pelos habitantes da aldeia. No entanto, é tudo aparência, ele abusa das crianças que frequentam a igreja. Tudo se passa numa cave, após um copo de whisky. 

 

Aidan é confrontado com as dúvidas comuns de um adolescente à procura da sua identidade. É claramente uma criança que precisa de ajuda dentro da sua própria casa. A única pessoa que se preocupa com ele é a empregada Elena. Uma mulher que nem sequer é estimada pela patroa. Ele também  procura nas drogas, junto dos colegas da escola, um escape para enfrentar os dias. Existem momentos no livro muito realistas entre os adolescentes envolvidos em álcool e drogas. As minhas partes preferidas foram as cenas entre o Aidan e o padre. São tensas e deixaram-me ansiosa e revoltada. É um tema deliciado, que provoca náuseas. 

 

São descobertos todos os anos casos de pedofilia dentro da igreja católica . Este livro é o retrato realista da manipulação da igreja perante situações semelhantes. Aliás, o escândalo retratado no filme "Spotlight" em Boston é referido neste livro. Quem não se recorda? Como se comportam os padres depois de descobrirem? Que recomendações dão às crianças? Foi difícil de assimilar tal crueldade. 

 

Esta história também me fez pensar na forma como muitos pais banalizam o crescimento dos seus filhos. A presença e vigia regular é bastante importante no seio familiar. Talvez este livro passe a ideia que a pedofilia só acontece em ambientes familiares desequilibrados, facto que discordo em absoluto. É através de manipulação e uma voz hostil que a maior parte dos casos acontece. Às vezes, são os próprios familiares. O medo das crianças é sempre o maior obstáculo para os casos serem descobertos. Na igreja católica são abafados e maior parte dos abusadores saem ilesos.

 

Gosto quando um livro me surpreende e me provoca sentimentos vários. Foi o caso deste. Recomendo. 

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"A Biblioteca À Noite| | Alberto Manguel

por Cláudia Oliveira, em 31.01.17

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Tenho uma paixão imensa por bibliotecas desde o primeiro dia em que conheci uma. Tinha cerca de oito anos, mudou a minha vida para sempre.

 

Este livro chamou logo a minha atenção, a capa é lindíssima e a temática é das minhas preferidas. Era impossível não comprar. E felizmente não me arrependi nada. Apesar do preço, valeu cada cêntimo. Aprendi bastante e fiquei cheia de vontade de conhecer mais bibliotecas e visitar uma biblioteca à noite. Deve ser mágico. Talvez não seja tão mágico assim, mas é fantástico. Experimentei. Filmei e tudo. Tenho de vos mostrar. 

 

O livro está muito bem estruturado, passeia pelas diversas bibliotecas e tem muita informação. Faz ótimas referências literárias e aborda assuntos necessários, importantes e fulcrais. Os livros eram queimados de forma a impedir o crescimento do povo. Os livros digitais continuam a ser ferramentas importantes para quem tem pouco acesso aos livros. Os livros proibidos podem ser lidos em qualquer lugar. Não é fantástico? Passeia pela mente do leitor, assim como "os problemas" da falta de espaço.  Quem ama os livros, vai identificar-se com algumas passagens. Vai aprender, os olhos vão brilhar. 

 

O livro tem diversas fotografias. Apaixonei-me perdidamente por algumas. Fiquei cheia de vontade de viajar pelo mundo, percorrer os corredores silenciosos. Olhar no rosto das bibliotecárias e pensar: "tens um emprego maravilhoso". Este livro será para consulta daqui para a frente, tem tanta informação que foi impossível absorver tudo. 

 

Recomendo! Cada página, cada frase, cada letra deste livro. 

 

 

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"O Rapaz e o Pombo" | Cristina Norton

por Cláudia Oliveira, em 23.01.17

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Este livro trouxe-me mais informação sobre o holocausto. Nunca tinha lido tantas informações sobre Portugal naquela altura. Alguém pode indicar-me mais um livro com o mesmo enquadramento social? 

 

O rapaz deste livro pode ser qualquer criança separada da mãe durante a segunda guerra mundial. Uma criança não entende o que se passa à sua volta, vai observando os outros e tirando as suas próprias conclusões. Sabe que tem de partir com a irmã, não pode ver os os pais e tem de deixar o seu animal de estimação em casa. Não tem muita comida e precisa de rapar o cabelo. O rapaz do pombo, como ele é tratado, sente saudades da vida que deixou. O pombo era um dos seus poucos amigos. Aquela "ratazana do esgoto" era a sua companhia quando as outras crianças lhe viravam a cara. 

 

O pombo representou nesta história, ao meus olhos, a liberdade dos judeus. Um animal ferido, preso numa gaiola, à espera de voltar a voar.

 

Este livro conta uma história  inspirada em factos verídicos. Está tudo bem explicado no final. A autora dá voz às mulheres que eram usadas como prostitutas, violadas para saciar o desejos dos homens, mulheres que perdiam os seus filhos assim que nasciam. Revela o que se passava no nosso país, como conseguiram superar a guerra mantendo uma postura neutra. Ela afirma que queria que o rapaz representasse todos os outros. 

 

Gostei do livro. Li-o rapidamente, devido à escrita simples e intensa da autora. Senti-me perto daquele rapaz. Revoltei-me com a dor daquelas mulheres. No final já estava um bocadinho cansada da história, mas cheguei ao final com a sensação de melancolia e uma tristeza imensa. Pensei muito naquelas pessoas. Nem consigo imaginar o sofrimento daquelas famílias. É nos livros onde é descrita a maldade dos seres humanos com os da sua espécie que encontro o tamanho do meu sofrimento e dos que se queixam por tudo e por nada. Não temos nada para nos queixar enquanto estivermos perto da nossa família e com comida no prato. 

 

Mais um livro necessário, intenso e destruidor. Leiam!

 

livro cedido pela editora

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"A Filha Obscura" | Elena Ferrante

por Cláudia Oliveira, em 20.01.17

 

Após a leitura de um livro da italiana Elena Ferrante eu mudo. Cresço como mulher, como leitora. Os livros dela têm esse efeito sobre mim. Não fosse ela a minha escritora preferida. Não fosse ela a escritora que mais escreve sobre mim sem conhecer-me pessoalmente. Ela é brilhante!

 

Este mês pretenda ler o quatro livro da série napolitana, mas optei por ler um conto chamado "A Filha Obscura". Li em ebook na versão pt-br ("A Filha Perdida"), mas o conto já foi traduzido e editado em Portugal juntamente com outros contos. O livro chama-se "As Crónicas do Mal de Amor". Esta edição tem três contos: "A Filha Obscura", "Dias de Abandono" e "Um Estranho de Amor". Obrigada a quem me alertou no meu último vídeo. Sendo assim já não há desculpa, podem (e devem) ler este conto!

 

Não vão simpatizar com a protagonista. Vão julgar as suas atitudes e palavras. Muitos consideram a sua atitude vinda de uma mulher amargurada e egoísta. Tavez o que ela tenha feito não seja o mais bonito, mas eu consegui compreender. Talvez muitas mães vão conseguir entender também. Outras nem por isso. Vão apontar o dedo. Como fazem na vida real. Por isso, muitas se calam e fingem que está tudo bem. Eu gostei dela. Muito. Gosto da forma como ela diz a verdade. Sem filtros. Da sua coragem e da despreocupação em relação aos outros (nós, leitores). A forma como fala sobre a maternidade apesar de ser contra a ideia cor de rosa e feliz implementada na sociedade. São pensamentos justos? São sinceros. 

 

O livro mexeu tanto comigo que ainda hoje penso nele. Já o terminei há uma semana. Ontem fui deitar-me com a história na cabeça, com uma situação em particular. Penso nessa mulher várias vezes. E pretendo reler o conto, desta vez na versão pt-pt após a aquisição (ou requisição) do mesmo. No entanto, tenho de terminar a série napolitana. Eu ando a evitar dizer adeus à Lila e Elena, mas é necessário. 

 

Elena Ferrante nunca me desiludiu. Mais um conto fabuloso!

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"Um Final Feliz" | Annie Darling

por Cláudia Oliveira, em 17.01.17

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Este livro é muito ao género de uma comédia romântica. 

 

Naqueles dias mais chatos, em que precisamos de uma boa gargalhada, este é o género de livro ideal. Passamos um bom bocado, sonhamos e sorrimos. Por ser um livro sobre livros tive curiosidade em lê-lo. Tem boas opiniões espalhadas pela comunidade booktube e o título captou o meu interesse. 

 

A dona da livraria Bookends morre e deixa a livraria ao cuidado da Posy e do seu sobrinho Sebastian. O Sebastian é conhecido por ser o homem mais arrogante de Londres. Ela é uma eterna romântica. A livraria não caminha para o sucesso e precisam de uma solução. 

 

Não concordei com as escolhas da Posy, não senti empatia pelo Sebastian. Mas ao longo da histórias tudo se recompõe e acabei por gostar do desenlace. Fala evidentemente de livros, não fosse a Posy uma leitora ávida e apaixonada. A narrativa flui, somos levados e encantados. O final é o melhor na minha opinião. Não foi um livro marcante, nem a melhor história de amor, mas gostei muito.

 

Li o livro na altura ideal, final do ano e com o espírito leve. 

 

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