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As Mulheres de Cinza | Mia Couto

por Cláudia Oliveira, em 06.02.16

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No Goodreads

Minha pontuação: 4*

 

Mia Couto  lançou uma trilogia chamada As Areias do Imperador. Este ano sai o segundo volume, em 2017 o terceiro. Não vejo a hora de ter o próximo volume nas minhas mãos. Com saudades de ler Mia Couto comprei o seu último romance histórico cheia de expectativas. Foi melhor do que estava à espera. 

 

A história passa-se em 1895, quando os militares portugueses chegaram ao sul de Moçambique para derrotar o império de Ngungunyane, o último dos lideres do Estado de Gaza. Para os receber está uma menina de quinze anos chamada Imani da tribo VaChopi para servir de intérprete. Germano de Melo é a voz portuguesa dos militares nesta história. 

 

A história avança sobre o ponto de vista da Imani e do Germano. As conversas entre a Imani e a mãe são momentos ternurentos que contrabalançam com o terror vivido naquela época. O papel das mulheres é um assunto dominante. E o meu preferido. As cartas informativas do Germano para as terras portuguesas também são bastante interessantes, a um dado momento o militar começa a questionar a guerra e o seu papel. 

 

A cultura moçambicana é descrita cheia de magia e deslumbramento. Com uma aura triste e melancólica, a história de guerra fica cada vez mais doce . Não seria de esperar outra coisa do escritor Mia Couto. Ele é um artista com as palavras. 

 

Pinceladas sobre a maternidade e a luta das mulheres dão mais beleza a esta história.  Ler este livro entristeceu-me, mas encheu-me de esperança. Emocionante. 

 

"-A sua mãe também era espancada?

- A avó, a bisavó e a trisavó. É assim desde que a mulher é mulher. Prepare-se para ser espancada também você."

 

"Naquele momento confirmei o que há muito suspeitava: não há nada neste mundo que não esteja sob a minha pele. a rocha, a árvore, tudo vive por baixo da minha epiderme. Não há fora, não há longe: tudo é carne, nervo e osso. Talvez não precisasse de engravidar. Dentro do meu corpo se abrigava o mundo inteiro."

 

Um livro para leitores que gostam de personagens femininas fortes e de romances envoltos em culturas africanas. 

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Mia Couto

por Cláudia Oliveira, em 08.07.15

60 anos de Mia Couto

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