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Escrevo desde os oito. Escrevi três livrinhos. O diário do André (inspirado nos diários de Adrian Mole), a história da Inês e outro inacabado cujo o nome da protagonista não interessa. Pedi uma máquina de escrever com nove anos e ainda a guardo no quarto com carinho. Enquanto não descobri a literatura pensei ser uma possível escritora. Pensei ter qualidades, maturidade e noção de todas as características para um romance. Fui para a escola, sonhava através das composições com mundos imaginários muito elogiados pelo professor careca de português. Gabava tanto a minha criatividade que passei a acreditar fortemente que tinha um talento. Escrevi uma peça de teatro representada diante da escola pela turma, subi ao palco com um ramo de flores. Os testes psicotécnicos sugeriram uma profissão ligada às humanidades. Nasceu um desejo na minha vida: ser escritora. E dizia a toda a gente. Sem vergonha, com os olhos brilhantes. Escrevi várias vezes esse sonho em todos os blogues que tive (desde 2006). Nos meus diários pessoais. Entre amigos, família. Queria ser escritora. Cheguei a participar em alguns concursos literários.

 

Cresci, infelizmente. A ingenuidade deu lugar à realidade. Conheci a literatura através dos russos e apaguei esse desejo porque não tenho nada para acrescentar. Não vou fazer a diferença. Quanto mais leio boa literatura mais tenho certeza que não passa de um sonho doido. O talento tem outro nome. Nomes gigantes. E para fazer igual ao que continuo a criticar prefiro manter-me afastada enquanto "o músculo da escrita" não é forte o suficiente. Nunca será, nunca terei a habilidade dos mestres. No entanto, o mercado parece ter espaço para todos. Um mercado que achava limitado ao talento, acabou por estender-se às estrelas, youtubers, actrizes cozinheiras, apresentadoras fit, apresentadoras românticas, etc...Não é com desdém que digo isto, só quero dizer que se calhar não é impossível editar um livro no mundo moderno. Ou auto publicar. Leio livros que são considerados os preferidos de muitas pessoas e repenso, consigo escrever um bocadinho melhor. Afinal uma das super dicas dos escritores é: leia muito. Eu leio muito, posso escrever um livro? Não creio. No entanto não me imagino a desligar a luz dos meus sonhos enquanto baixo os olhos e digo: esquece. O amor pode ser a (minha) única motivação (e a quantidade enorme de pessoas no mundo também) e a realidade o meu maior obstáculo.

 

No fundo, sempre escrevi melhor no escuro e a minha vida agora tem muita luz. As palavras não escorrem imparáveis, nem o meu olhar tem distância suficiente para alcançar o absurdo de tudo isto.

 

Deixo algumas sugestões para aspirantes a escritores,

 

"Poquê Ler os Clássicos?", Italo Calvino

"A Arte de Escrever", Arthur Schopenhauer

"Cartas a Um Jovem Poeta", Rainer Maria Rilke

"Para Ler como Um Escritor", Francine Prose

Qualquer livro do Bukowski

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