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COM O MAR POR MEIO | JOSÉ SARAMAGO E JORGE AMADO

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Quanto vale uma amizade distanciada por um oceano? A amizade entre estes dois grandes nomes sonantes da literatura, José Saramago e Jorge Amado, tem uma enorme dose de admiração e apreço. Podemos confirmar através das cartas trocadas entre eles durante o período de 1992-1998. É uma amizade composta de confidências e sinceridade. É notório o carinho entre eles e a comum paixão pela escrita. Para além de um sentido de humor bastante refinado e audaz. 

Estava ansiosa para ler este livro recentemente lançado pela Companhia das Letras. Sou uma leitora apaixonada pela obra dos dois. Jorge Amado veio primeiro, na adolescência, li vários títulos. José Saramago veio mais tarde, numa fase transformadora. Ambos marcaram o meu percurso literário e são fortes influências na minha vida. Não consegui evitar as lágrimas durante a leitura. 

 

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A edição de primorosa e muito bonita. Contém fotografia, cartas digitalizadas e devidas referências. A letra do texto está azul em homenagem à cor do mar e à tinta da caneta usada nas cartas. A organização ficou a cargo da filha de Jorge Amado, Paloma Jorge Amado, Bete Capinan e Ricardo Viel. O livro foi lançado na Flip de 2017 na Flip após a extraordinária ideia de Pilar del Río de criarem a Casa Amado-Saramago. Finalmente chegou a Portugal e já podemos ler as palavras trocadas entre os dois. Que privilégio! 

 

"Já se sabe que todos os dias são bons para desejar felicidades aos amigos, mas nesta época, no limiar de um novo ano apetece rodeá-los de todos os votos benéficos e de todos os abraços carinhosos."

 

Entre alegrias e tristezas, entre conquistas e derrotas acabamos por invadir a privacidade da correspondência dos dois e transformar a experiência numa aprendizagem profunda. Não há distância possível entre uma amizade verdadeira e baseada no respeito. No final, ficou uma saudade apertada. 

 

Acabei por ler várias vezes alguns trechos e levo comigo palavras que jamais esquecerei. Recomendo muito.

JALAN JALAN - UMA LEITURA DO MUNDO | AFONSO CRUZ

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Afonso Cruz é um autor português muito querido. Sempre fiel ao seu estilo poético e melancólico, os seus livros agradam os leitores mais pequenos e graúdos. Deixam normalmente uma marca e depositam alguma esperança no coração de quem o lê. Nunca irei deixar de o ler, nem procurar nas entrelinhas o encanto da vida. 

 

Este calhamaço mais recente editado pela Companhia das Letras reúne vários textos sem uma linha condutora. Temos a visão bastante pessoal do narrador que nos faz uma visita guiada pelos mais diversos temas. Filosofia, literatura, geografia, arte, ciência são assuntos abordados incluindo fotografias da sua autoria."Jalan Jalan" significa passear em indonésio, a leitura do mundo pode ser um passeio interminável pelas emoções e diferentes perspectivas sobre o mesmo assunto. É exactamente esse o encanto deste livro, as várias posições em relação a um determinado momento ou conceito e uma mistura de significados. As culturas existentes no Mundo contêm uma grandeza ilimitada que nem as 600 páginas que Afonso Cruz escreveu são suficientes para fazer essa leitura.  No entanto, ele consegue tocar nos temas mais sensíveis enquanto enobrece sem julgamento as escolhas dos outros. Tem uma visão tão peculiar e humildade que só podemos aprender com ele. 

 

Agostinho é citado diversas vezes, assim como outros grandes escritores e filósofos.

 

"Não faças demasiados planos para a vida, porque podes estragar os planos que a vida tem para ti."

 

Afonso Cruz conta peripécias da sua vida ligadas à literatura e às suas viagens. Algumas para reflectir como é o caso da grande coincidência em relação às personagens do livro "Para Onde Vão os Guarda-Chuvas". Essa passagem fez-me pensar nas coincidências constrangedoras e que mais vale assumir uma mentira do que passar por mentiroso. Fez-me entender que as ideias nascem em todos e que é complicado descobrir de onde vieram, se são plagiadas ou uma inspiração. Sim, as coincidências existem. 

 

"O Mundo é um livro, e aqueles que não viajam lêem apenas a primeira página. Um pequeno passo é já uma página em frente. Um passo para lá do hotel é já um pedaço de viagem".

 

Para além dos textos relacionados com a literatura, os meus episódios preferidos são sobre a morte. A importância da sua existência assim como a forma como a morte é vista um pouco por todo o lado. Os parágrafos curtos e assertivos que aparecem por vezes dão densidade à experiência de leitura. Só senti falta de algumas notas explicativas em relação às inúmeras referências que me passaram completamente ao lado. 

 

É um livro que precisa de paragens, um café, e quiçá uma fatia de bolo pelo meio. Uma leitura do mundo perfeita para os viajantes do mundo com um coração bondoso. Um livro para leitores do mundo (mesmo que as suas viagens sejam através dos outros). 

 

“Muitas das minhas viagens começaram pelos livros. Foram caminhos que saíram das folhas e se prolongaram para lá das estantes, das paredes da biblioteca."

 

O livro será apresentado pelo Pedro Mota e Pedro Veira no dia 6 de Dezembro na Livraria Férin em Lisboa pelas 21 horas. 

LER OS NOSSOS | SEGUNDA QUINZENA

 

Estante de Livros (POST) – Todos os Nomes, José Saramago

Holly Reader (POST e VIDEO)– "Como o Mar Por Meio", José Saramago e Jorge AmadoRonda das Mil Bela sem Frol, Mário de CarvalhoAntídoto, José Luís PeixotoMaresia e Fortuna, Andreia FerreiraAté ao Fim, Vergilio FerreiraCaim, José Saramago

The Daily Miacis (POST) – As Crónicas de Amindrus, Bérnia, e Efende -  O Ressurgir dos Titãs, de R.C. Vicente

A Livraria Imperfeita (VÍDEO) – A doença, o sofrimento e a morte entram num bar, Ricardo Araújo Pereira

Mais Mulheres Por Favor (POST)Dias Úteis, Patrícia PortelaPoesia Reunida, Maria do Rosário PedreiraNovas Cartas Portuguesas, váriasCaderno de Memórias Coloniais, Isabela FigueiredoPorto, última estação, Mariana Correia Pinto

Já Estou Cá e, Por Agora Fico (POST)Bichos, Miguel Torga,Morreste-me, José Luís Peixoto, Maria!Não Me Mates que Sou Tua Mãe, Camilo Castelo Branco

So Happy With Wooks (POST) - Ler os Nossos | o que li

Books & Beers (VIDEO)Wrapup

Mente Literária (POST)As Intermitências da Morte, José SaramagoO Barão de Lavos, Abel Botelho

Redabookbitch (IG)O Arco d´Santa Ana, Almeida GarrettNovos Contos da Montanha, Miguel Torga

CataO Homem Duplicado, José SaramagoGramática do Medo, Maria Manuel Viana/Patrícia ReisA Paixão Segundo Constança H., Maria Teresa Horta

 

Autores citados nos textos, vídeos e no Instagram

João Pinto Coelho, José Saramago (7), Hugo Gonçalves, M. Teixeira Gomes, Tânia Ganho, Al Berto, Vanessa Fidalgo, Mário de Carvalho (2), Mário Henrique Leiria, José Gameiro, Maria Teresa Horta (3), Isabel Cristina Pires, Alice Vieira, Miguel Esteves Cardoso, Sebastião da Gama, Manuel Alberto Vieira, Jorge Amado, Ricardo Araújo Pereira (2),Maria do Rosário Pedreira, Isabela Figueiredo, R.C. Vicente, Andreia Ferreira, Vergilio Ferreira, Maria Manuel Viana, Patrícia Reis, Patrícia Portela,Luiz Pacheco, Herberto Hélder, Miguel Torga (2), Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Carla Maia de Almeida, Camilo Castelo Branco, José Luís Peixoto, Mariana Correia Pinto, abel Botelho

 

Especial Literatura Portuguesa (POST) – AQUI

Lista Ler os Nossos (VÍDEOS)- AQUI

RESUMO | LER OS NOSSOS

 

Neste vídeo faço o resumo do mês de novembro e do projeto Ler os Nossos . Foi um mês espetacular no sentido em que gostei de todas as leituras e fiz grandes descobertas. Algumas mudaram a minha forma de olhar para a literatura. Se participaram têm até dia 5 para escrever ou fazer o vosso vídeo de forma a fazer o sorteio final. 


Livros Mencionados


“Talvez Para Sempre”, José Gameiro
“A Paixão Segundo Constança H., Maria Teresa Horta
“O Luto de Elias Gro”, João Tordo
“O Homem Duplicado”, José Saramago
“Reaccionário com dois Cês”, Ricardo Araújo Pereira
“O Rosto de Deus”, Ana Teresa Pereira
“Letra Aberta”, Herberto Hélder
“O Crocodilo que Voa”, Luiz Pacheco
“Comunidade”, Luiz Pacheco
“Os Bichos”, Miguel Torga
“As Pessoas do Drama”, H.G. Cancela

Playlist | Ler os Nossos: AQUI

UNBOXING | O NOVO DO AFONSO CRUZ E OUTROS

 Este é o vídeo com as primeiras compras feitas na Black Friday. Aproveitei sobretudo os descontos de 20% nas novidades. Só livros fantásticos que pretendo lr já em dezembro. Não deixem de seguir o Instagram para acompanhar as leituras e as novidades (@ClaudiaOSimoes). Há instastories todos os dias até ao Natal. 

 

Livros mencionados

 

"Jalan Jalan", Afonso Cruz

"Novas Cartas Portuguesas", Maria Isabel Barreno; Maria Teresa Horta; Maria Velho da Costa

"Os Passos em Volta", Herberto Hélder

"Os Cem Melhores Poemas Portugueses", vários

 

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"O CROCODILO QUE VOA" | LUIZ PACHECO

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Quero tentar perceber este fascínio que me fez ir até à biblioteca, pedir os escritos de Luiz Pacheco, assistir ao documentário sobre ele e ler dois livros de seguida.

 

Luiz Pacheco criou a Contraponto, uma editora que publicou Herberto Hélder (poeta maior, opinião “Letra Aberta”), Virgílio Ferreira, Manuel de Lima, Cesariny antes de ninguém.. Só publicava o que tinha qualidade, detestava gralhas e tinha uma forma de ver a literatura muito particular. E acho que é exatamente isso que me fascina, a forma como fala na literatura, escritores e poetas. As suas contradições são constantes em várias entrevistas e a má língua também. Não há uma mísera entrevista neste livro onde não agrida verbalmente os que outrora foram seus amigos. Nas suas palavras todos se venderam ao sistema, assinaram contratos para escrever e editar anualmente em troca de dinheiro, ou no caso do Cesariny, dedicaram-se a outros interesses para conhecerem a fama. Acho que único amigo salvo por esta corrente de criticas foi Herberto Hélder, homem com uma postura bastante reservada e dedicada à arte da escrita. Saramago é o cão da Agustina, Virgílio Ferreira só pensa em dinheiro, Antero de Quental é um homossexual disfarçado, Natália Correia uma lésbica devassa. Pacheco choca com as suas opiniões. Presumo que não vá agradar a muita gente. Li-o sem levar muito a sério o que diz. No entanto, consegui ver o seu amor pelos livros, a sua mágoa em relação ao grupo de amigos que se desfez.

 

Pacheco tem uma história de vida absolutamente cativante. Desde o número de mulheres (com 15 anos eram muito velhas), as hilariantes histórias de libertinagem e como acabou os últimos dias da sua vida. São páginas de entrevistas dadas a diversos jornais e revistas, num tom bem-disposto. Ri imenso, desprendi-me de ideias construídas à volta dos escritores mencionados. "Lobo Antunes tem muita inveja do Saramago. Pensava que podia ganhar o Nobel sozinho". Até da Pilar ele falou.

 

Antes das entrevistas li a obra-prima “Comunidade” que me fez admirá-lo como escritor e editor. É sua própria história, num tom melancólico e doce. Liguei a sua arrogância à dureza da vida. Ele era uma espécie de fantoche nas entrevistas. Nota-se em determinados momentos o aproveitamento por parte dos jornalistas. Quando tocam na ferida, repetem, insistem até que exploda com um “puta que os pariu”. Foi um homem com uma vida imensa, com um final medíocre porque quis manter-se à distância do deslumbramento proveniente da fama. 

 

"Crocodilo que Voa" chegou a ser o título de uma revista que o Luiz Pacheco e o poeta António José Forte planeavam fazer, mas que nunca chegou a publicar-se. Esta edição tem entrevistas do Rui Zink, Ricardo Araújo Pereira, Baptista Bastos, Paula Moura Pinheiro, entre outros. "Esse livro é uma merda! Isso é uma aldrabice. É bom para andar por essas pequenas editoras", responde ele ao semanário Sol em 2008 sobre o lançamento deste livro. 

 

Quero ler tudo o que ele escreveu. O próximo será a sua biografia lançada pela Tinta da China, de João Pedro George. 

5 EM 5 + LEITURAS EM ANDAMENTO (39)

Mês especial, cinco leituras para partilhar. Só autores portugueses Dos bons!

 

Livros lidos:

“O Luto de Elias Gros”, João Tordo

“Reaccionário com dois Cês”, Ricardo Araújo Pereira

“A Letra Aberta”, Herberto Helder

"Comuninadade", Luiz Pacheco

“O Rosto de Deus”, Ana Teresa Pereira

 

 

Documentários Helberto Helder: https://www.youtube.com/watch?v=-p0Cn...

Luiz Pacheco:https://www.youtube.com/watch?v=rBoh6...

"O LUTO DO ELIAS GRO" | JOÃO TORDO

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Alguém disse que comprou este livro na Feira do Livro porque a livreira afirmou que tinha sido escrito por um anjo de tão perfeito. Eu ouvi aquilo e fiquei a pensar no meu exemplar em casa a ganhar pó. Mas estava guardado para o momento ideal. Foi agora. O livro estava à minha espera também. Nada me preparou para esta história. 

 

Sabemos à partida que Elias está de luto, mas ainda não fazemos ideia do resto da história. Somos completamente apanhados de surpresa. A história é costurada pelas mãos do escritor com camadas, em pequenos diversos episódios que complementam cada pedaço anterior. De forma corrida, não dá para largar este livro sem respirar fundo. Também o protagonista está atravessar um processo de luto, daí o escape para a ilha totalmente sozinho. Talvez não queira estar sozinho, talvez queira encontrar nos outros quem perdeu.

 

Mais do que uma história sobre a forma como perdemos as pessoas que mais amamos é um livro sobre empatia. Numa ilha as pessoas revelam-se, entregam-se a afectos. Deus parece ser o escape num meio do caminho, a busca por uma fé desajustada. As relações estreitam-se, escapam por entre os dedos, passamos a vida com medo de perder. A nossa tristeza é fruto de quem perdemos ao longo da vida? Numa ilha queremos fugir mas não temos mais do que a natureza, o silêncio e a própria solidão.

 

Nota-se ligeiras influencias de grandes obras e autores. Borges está por todo o lado, a grande baleia Moby Dick também. Reconheço o gosto pessoal do escritor porque já o ouvi falar nestas obras como sendo as suas preferidas. Ao desejar escrever algo diferente, parece-me que desta vez encontrou a sua voz. Não conheço todos os seus livros, mas este supera o que conheci. Há uma evolução imensa na narrativa. Um livro que diz mais quando não diz tudo e nos faz principalmente sentir. Aquele final. Chorei tanto. 

 

Este livro tem camadas de tristeza resolutas em pensamentos melancólicos. Provoca e incomoda. Marca, sobretudo lido no momento certo. Foi o meu caso. Preciso do segundo volume urgentemente. 

"LETRA ABERTA" | HERBERTO HELDER

 

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Nunca tinha sido empurrada com tanta força contra o abismo como fui pelos poemas de Herberto Helder. Uma crescente perturbação ao longo dos poemas que me fizeram querer saber mais sobre ele. Herberto Helder era um poeta genial, morreu em 2015.

 

"Meu deus faz com que eu seja sempre um poeta obscuro"

 

"Letra Aberta" transformou a minha forma de olhar para a poesia. Era disto que eu precisava para acordar. A literatura  nunca mais será igual, nunca mais será uma só linha contínua. Abriram-se muitas janelas para espreitar e procurar a porta. O meu tamanho transformou-se, passei a pequenina curiosa em bicos dos pés. 

 

Quando fechei o livro tinha um peso tão grande dentro de mim que achei possível cair. A garganta estava seca e o sangue fervia. Não queria sair dali. Precisava conhecer mais, desvendar. E reli, reli até dar nós na minha cabeça. Era disto que eu precisava. E fui em busca de mais, encontrei um documentário sobre o poeta, li algumas entrevistas. Um poeta que não suportava o mediatismo. Talvez por isso tenha sida tão demorado o meu encontro com os seus livros. O documentário está disponivel no YouTube. É dedicado ao poeta numa tentativa de conhecer mais do homem, dentro das suas limitações é muito interessante. Assistam se tiverem curiosidade. 

 

Não encontro neste momento palavras suficientes para demonstrar o meu fascínio nem o tamanho do impacto dos seus poemas na minha vida.

 

 

 o documentário

 

(li este livro para o projeto Ler os Nossos)

"REACCIONÁRIO COM DOIS CÊS" | RICARDO ARAÚJO PEREIRA

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Ricardo Araújo Pereira é um humorista português. Mas não é só um humorista, é mais do que isso. É uma personalidade muito estimada e apreciada pelo público. Alguém que respeitamos e admiramos. Paramos para escutar. É o "gato fedorento" que marcou a mudança do humor na televisão. 

 

Saiu mais um livro dele pela Tinta da China. Um livro que reúne várias crónicas sobre temas como Portugal, Redes Sociais, São crónicas publicadas ao longo de cinco anos. Pontos de vista interessantes sobre os assuntos mais chatos. Abre mentes, toca na ferida e ainda levanta questões que passam pela cabeça de alguns, mas muitas vezes ninguém confessa. 

 

Confesso que me diverti muito com este livro. Não concordo com tudo o que ele diz, mas gosto de ver que o humor em Portugal está de boa saúde. O Ricardo Araújo Pereira não perdeu a piada, mas está ligeiramente um Velho do Restelo. Foi engraçado ir até ao passado e recuperar histórias enterradas do meu país.  Senti o coração quentinho várias vezes, coloquei um sorriso no rosto outras tantas.

 

As minhas crónicas preferidas são sobre o facebook e a forma como as pessoas usam as redes sociais. Ri imenso por reconhecer várias peculiaridades minhas e dos que me rodeiam. Para mim, o melhor humorista é aquele que agarra nas coisas mais simples e consegue criar uma empatia entre ele e quem o escuta/lê. Trump, Ricardo Salgado, Vaticano,e-factura,os robôs de cozinha tão escapam ao humorista. E a crónica sobre o feminismo? Brutal, das melhores. Adorava que muita boa gente a lesse. Variedade não falta nesta selecção de crónicas. 

 

A nota introdutória do livro é uma carta a Portugal sobre as três melhores coisas que o país está a perder: comida, clima e língua. Parece completamente fora do contexto e antiga, sendo que este último verão foi o mais quente de sempre. Nesta carta ele reclama de falta de verão e de calor. Das comidas saudáveis e dos ingleses e franceses por todo o lado. Podiam ter escolhido uma introdução mais adequada e atual. 

 

Referências literárias não faltam neste livro, não fosse o Ricardo Araújo Pereira um grande leitor. Temas atuais comentados de forma perspicaz e divertida como seria de esperar.

 

Recomendo. Gostei bastante. 

 

(li este livro para o projeto Ler os Nossos)