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"A ILHA DAS QUATRO ESTAÇÕES" | MARTA COELHO

por Cláudia Oliveira, em 17.08.17

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Antes de avaliar um livro tenho em consideração o público alvo. Este livro é para adolescentes e muito distante das minhas escolhas habituais. No entanto, recebi o livro do Clube do Autor e fiquei curiosa com o título e a promessa de uma aventura com sabor a verão. "Aqui não são permitidos telemóveis, computadores, nem tablets. Só resta viver.", anuncia a capa sobre esta ilha misteriosa. 

 

Através dos capítulos intercalados conhecemos dois pontos de vista, da Cat e do Santi. Ambos vão para a ilha para embarcar numa mudança e aventura por motivos muito distintos. Assim que se conhecem sentem uma enorme empatia e acabam por criar uma ligação. A história tem ritmo, devido à forma como a autora Marta Coelho decidiu contar a história. Conhecemos mais adolescentes e juntamente com os protagonistas conhecemos as suas motivações, segredos e dramas.

 

Infelizmente o ambiente ficou para segundo plano e foi mal aproveitado. Uma ilha com câmaras, adolescentes, quatro estações do ano. Panorama perfeito para um livro cheio de pormenores e camadas. Havia tanto para desenvolver e explorar. Os romances e as ligações entre as personagens têm mais destaque. Tive a sensação que o pano de fundo não fez grande diferença nos acontecimentos e até considero que algumas situações foram muito incoerentes. 

 

O ponto forte são os  diversos temas abordados: amizade, família, depressão, relações abusivas, entre outros.  Assuntos reais que precisam estar nos livros dos adolescentes como uma chamada de atenção. Os protagonistas são muito lineares o que dificultou a minha envolvência nesta história. Precisavam de mais camadas, defeitos, profundidade como os seus dramas. Lamentavelmente tive dificuldade para terminar o livro e emocionar-me.

 

Marta Coelho foi guionista da série Morangos Com Açúcar, é notória essa faceta da escritora nos constantes diálogos criados na maioria dos capítulos para desenvolver o enredo. É de louvar uma editora apostar neste género literário direccionado ao público mais novo e ganharmos assim uma nova voz dentro da literatura juvenil portuguesa. 

 

Não fiquei convencida. Ficou muito aquém dos livros que já li para o mesmo público alvo. 

 

(livro cedido pelo Clube do Autor)

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"DIAS ÚTEIS" | PATRÍCIA PORTELA

por Cláudia Oliveira, em 31.07.17

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Há dois anos que ando para ler algo da Patrícia Portela. Foi desta. 

 

Recentemente lançado pela Caminho, "Dias Úteis" tem pouco mais de cem páginas. Numa edição linda levou-me a uma compra por impulso. E mais uma vez não errei. Pelo contrário, é maravilhoso. Assumo que tenho algum receio em recomendar este livro. Tem pouco de linear e tradicional. Precisamos de sair da zona de conforto e dar lugar a novas vozes na literatura portuguesa.

 

Antes de começar a semana, temos um conto espectacular sobre o dia do GRANDE jogo. O mundo pára para ver o grande jogo. A ironia é presente nas palavras inquietantes que nos representam. Uma linguagem recriada, estendida para a filosofia, várias metáforas e alegorias.  Dias que perdemos aqui e acolá, e assim se passa mais uma semana. 

 

Um livro para reler. Um livro que acrescenta, nos vira do avesso e nos deixa a pensar. Que mais queremos nós da literatura? Foi uma leitura intensa e curta. Sobre isto de ocupar os dias, (in)conformados. Um conto por cada dia da semana. 

 

"somos todos zombies, nem carne, nem peixe, nem vivos, nem mortos, e não há plano de contingência para tamanha catástrofe natural."

 

Recomendado. Vou ler certamente mais livros da autora.

 

(livro comprado com algum risco)

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Memorizem este nome, Raquel Gaspar Silva. Ainda vamos ouvir falar muito nela. O seu primeiro livro editado recentemente pela Elsinore intitula-se "Fábrica de Melancolias Suportáveis". Que título maravilhoso é este? E esta edição fantástica? A primeira vez que ouvi falar na autora foi numa visita à editora, sabia que uma mulher portuguesa seria editada brevemente pela Elsinore. Sabia o seu nome e que a história do seu livro se passava no Alentejo. Esperei expectante durante algumas semanas. Quando meti os olhos no livro, num passeio inesperado, comprei-o por impulso. 

 

Vamos fazer assim, não vos vou entregar a história. Vou revelar apenas a experiência de leitura. Podem aproveitar, clicar no play do vídeo e ouvir um excerto. Uma passagem que define claramente a escrita da autora.

 

Este livro é pequeno, lamentei o número de páginas de tão maravilhoso, mas tem o tamanho certo. No fim reli as minhas passagens preferidas, andei com o livro de um lado para o outro mais uma quantidade de dias. Adiei este texto na expectativa de descobrir a dimensão do impacto deste livro na minha vida. 

 

Um livro pequeno pode guardar muitas histórias. É este o caso. Revelou-se uma enorme surpresa, talvez a maior surpresa do meu ano. Raquel Gaspar Silva revela uma enorme maturidade na sua prosa poética. Foi exactamente o texto rebuscado que mais me fascinou. Uma história que revela pouco, com várias interpretações.

 

Carlota é o nome da nossa protagonista. É a história da própria Carlota contada através das imagens que guarda dos outros. Fotografias mentais que parecem distantes e nubladas. A interpretação é nossa e aposto que será diferente para cada leitor. Meias palavras, histórias nas entrelinhas. A história não é entregue aos leitores na totalidade. Fica a sensação que a Carlota tem uma fábrica extensa de memórias melancólicas  (como indica o título) e cativantes (na minha perspectiva). 

 

"A mãe era pequena, de troço no cabelo e vestidos de flores miudinhas, personalidade simples e ambições leves como um coelho. Suportava sem embaraço o sabor da autoridade paterna, não participando dos cálculos de gestão domésticos, pois a sua tarefa era zelar pelos filhos em recatada manifestação de amor. Assim aprendera: não ser abertamente expressiva para que ninguém a julgasse excêntrica. Toda ela era a complacência do jugo matrimonial."

 

Vi muito do nosso país,  das nossas tradições. Das famílias numerosas e das suas casas ao cheiro da terra debaixo do sol tórrido. Para além de visceral, foi uma leitura quase visual. Foi inevitável ir ao baú das minhas memórias enquanto lia este livro. 

 

Na medida certa, com uma narrativa surpreendente e capaz de emocionar, este livro deixa a sua marca. Recomendo imenso.  

 

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ENTREVISTA À AUTORA ANABELA MOTA RIBEIRO

por Cláudia Oliveira, em 01.06.17

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 Foto de: Clara Azevedo

 

A primeira vez nunca esquecemos. Iniciamos em junho um novo espaço no blog "A Mulher que Ama Livros" dedicado às entrevistas breves e concisas, de forma a dar conhecer um pouco mais do trabalho feito em Portugal pelos nossos. Sempre foi um foco, "ler os nossos". Partilhar os nossos.

 

É um privilégio começar com uma autora portuguesa, talentosa, criativa e dinâmica. Fez rádio, é jornalista, coordena e modera debates sobre livros. Assina juntamente com o escritor Agualusa o programa da Feira do Livro do Porto (já viram o programa fabuloso para este ano?). O seu mais recente livro "A Flor Amarela" foi editado pela Quetzal em Fevereiro deste ano. Anabela Mota Ribeiro estará na Feira do Livro no dia 4 e 17 de junho. Foi um privilégio enorme fazer esta entrevista e conhecer um pouco mais a autora. Entretanto descobri que fiz o caminho ao contrário, devia ter lido "Memórias Póstumas de Brás Cubas" primeiro e a sua Flor depois.

 

 

A Feira do Livro de Lisboa está a chegar. Anabela Mota Ribeiro estará presente no dia 4 de junho. O que significa para si a Feira do Livro? Como olha para este evento? 


Gosto da Feira do Livro, gosto de espaços de encontro e descoberta, gosto de iniciativas que podem tocar públicos diversos, democráticas, gosto da misturada. Gosto, evidentemente, da possibilidade de comprar bons livros com preço especial, para mim e para oferecer. Vou estar a assinar livros em dois fins de semana: no primeiro, "Paula Rego por Paula Rego" e no domingo seguinte "A Flor Amarela - ímpeto e melancolia em Machado de Assis." 

 

A Feira do Livro do Porto dá aos leitores a possibilidade de conhecerem grandes estrelas como Han Kang, Laurent Binet e Teju Cole. Sente que ainda existe interesse dos leitores conhecerem e ouvirem os escritores?


Penso que o público tem uma grande apetência pelas conversas, pela possibilidade de diálogo, quer ser interpelado, ver com ouvidos, ouvir com o corpo todo. Ou seja, procura qualquer coisa que é única, diz respeito a um momento, a uma intensidade, qualquer coisa que implica aquele que assiste e o envolve com o corpo todo. De certa maneira, o virtual, a instantaneidade, o fragmento, nada disto rouba espaço às feiras do livro ou festivais literários. Eles complementam-se e potenciam-se.   

 

Existem livros que nos escolhem e outros que escolhemos. "Memórias de Brás Cubas" encaixa em alguma das situações? 


Li pela primeira vez MPBC na faculdade, numa disciplina de opção que fiz com o Prof. Abel Barros Baptista. Já tinha lido Machado, mas ele deu-mo a ler de outra maneira. O livro é uma constante escolha e um feitiço: somos agarrados por ele, lemos e lemos e nunca o achamos. Um clássico é também isso.

 

Ao ler "A Flor Amarela" fiquei deslumbrada e interessada no clássico. É sua intenção cativar novos leitores para Machado de Assis ao transformar o que começou por ser um trabalho académico de Filosofia neste livro?


Se houver pessoas a descobrir Machado de Assis a partir do meu livro, ou pelo que eu possa dizer sobre o autor, fico contentíssima. Lê-lo é um prazer imenso. Aliás, o que faz sentido é ler o livro do Machado e depois ler a minha Flor. Devo dizer que este trabalho académico mereceu mínimas alterações. A minha dissertação era heterodoxa... Procurei ler de um ponto de vista filosófico o livro. O meu lugar de partida era a Filosofia. Por isso também tive dois orientadores: um de Filosofia e outro de Literatura Brasileira, João Constâncio e Abel Barros Baptista, respectivamente.  

 

No seu blog disponibiliza várias entrevistas muito organizadas. O blog é reflexo da sua personalidade ou apenas uma ferramenta de trabalho? 


Talvez eu seja demasiado organizada (do estilo de pôr os cabides todos virados para o mesmo lado). O que me espanta é a possibilidade de viver na desordem e na sujeira (que são coisas diferentes, mas que aparecem juntas nesta minha mania). Por isso, sim, talvez esta organização que encontra no blog seja um reflexo da minha personalidade. O blog foi desenhado pelo Pedro Neves do Sapo a partir de conversas que tivemos e daquilo que lhe pedi. Ao mesmo tempo, o blog é apenas uma ferramenta de trabalho, uma expressão do que venho fazendo desde há uns anos. Gosto de pensar nele como uma casa onde está o essencial do meu trabalho; e eu, que não guardo nada, guardo tudo, afinal, ali.  

 

Já fez rádio, programas de televisão, coordena e modera debates de livros, é escritora e jornalista. O que lhe falta fazer? 


Falta sempre fazer tudo, não é? E falta tempo de digestão. As coisas precisam de tempo para ser pensadas, integradas, criadas. Faço essas coisas todas, às vezes todas ao mesmo tempo, mas acredito cada vez mais na importância do vazio, de não fazer nada, de não entender, de isso ser um motor para voltar a fazer tudo outra vez. 

 

"Se houver pessoas a descobrir Machado de Assis a partir do meu livro, ou pelo que eu possa dizer sobre o autor, fico contentíssima. Lê-lo é um prazer imenso."

 

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"HOMENS IMPRUDENTEMENTE POÉTICOS" | VALTER HUGO MÃE

por Cláudia Oliveira, em 25.05.17

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Fico tão feliz por não ter desistido deste escritor. Foram quatro livros antes de me apaixonar por ele. "O Filho de Mil Homens"; "Contos de Cães e Maus Lobos"; "A Desumanização" e "A Máquina de Fazer Espanhóis" fizeram parte das minhas leituras ao longo dos anos, mas ainda não estava convencida. Gostei sem amar. Amei sem saber. 

 

Valter Hugo Mãe tem o dom de conquistar os seus leitores através das inúmeras metáforas e forma poética na hora de contar uma história. Sem precisar de muita acção, ele prova que não é (só) a história que interessa, é a forma como as palavras nos acertam. Foi certeiro. Ou talvez eu estivesse no momento certo para as receber. Ou maturidade. Parece muito espiritual dito desta forma, mas não sei transmitir de outra.

 

Foi um livro que passou muito tempo comigo. O meu sentimento por ele cresceu ao longo dos dias. Tão grande este amor que entrou para a lista dos preferidos deste ano. Estava na hora Valter Hugo Mãe, estava na hora de reconhecer e baixar as defesas. Fui uma leitora desconfiada durante muito anos. Por pensar que não passavam de uma série de frases bonitas escolhidas de propósito para provocar sentimentos tristes e bonitos. Estava redondamente enganada. E ainda bem. 

 

Há uma evolução, uma inovação na sua escrita. A cada livro o autor transforma-se. Cria uma linguagem muito própria. É possível? Respeitei o ritmo lento do livro e consegui mergulhar na história. O escritor é muito poderoso na forma como apresenta a história. Somos levados lentamente para dentro da magistral floresta japonesa mais conhecida como a “Floresta dos Suicidas”. Senti-me muito pequena perante o tamanho e o silêncio desta história. Senti o peso e a leveza nas palavras do Valter Hugo Mãe. Admiro a capacidade de alguém, através das suas palavras, revelar sentimentos desconhecidos. Conheci uma família, bebi da sua cultura e conhecimento. 

 

Aquelas árvores gigantes com cordas a balançar ao vento causa-me uma sentimento de admiração e curiosidade. Um livro capaz de trazer calma aos dias mais agitados e vários murros no estômago para não adormercemos com tanta paz. Não sei como é que o autor faz isto, mas é brilhante. Este é o meu Valter Hugo Mãe preferido. Finalmente. 

 

(comprei este livro, como compro todos os outros do autor)

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"A FLOR AMARELA" | ANABELA MOTA RIBEIRO

por Cláudia Oliveira, em 24.05.17

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Um trabalho académico que virou livro-ensaio relacionado com o romance de Machado de Assis intitulado "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Um clássico há muito tempo na minha lista de livros para ler um dia. 

 

Sem dar respostas, a autora levanta questionamentos através das palavras da personagem emblemática Brás Cubas. Ele revela uma enorme força e franqueza no momento de expor os seus medos e dúvidas. Afinal, não tem nada a perder. Está morto, pode ser sincero quantas vezes quiser. Isso torna-o muito interessante. Entendo porque é o livro da vida de muitos leitores assim como o fascínio por esta personagem. 

 

Teria ganho mais com a leitura do clássico antes de ter lido este. Estaria familiarizada com a história, teria a sensação de reencontro com uma personagem memorável. Desta forma não passou de um leitura de alguém leiga na matéria e com pouco aproveitamento. No entanto, fiquei com vontade de ler a obra clássica de Machado de Assis. Se era um dos objectivos da autora, foi concretizada. 

 

Os meus capítulos preferidos são aqueles focados na relação de Brás Cubas com a mãe e a forma como enfrentou a morte desta. Foi aqui que o livro teve todo o meu interesse. Quem me segue há algum tempo sabe o quanto sou aficionada pelo tema. Também gosto bastante do capitulo sobre a vida, uma excelente divagação em relação à expressão "Era preciso viver".  O que corresponde viver?

 

 "Quando se dá a morte e alguém tão próximo como a mãe, não só se experimenta uma dor aguda que resulta da perda como se compreende que um dia se vai morrer também. Deixam de existir barreiras, outros elos uma cadeia sequencial e lógica. Fica-se órfão."

 

É notável a admiração da autora pelo protagonista de "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Foi subtil na forma como mostrou essa paixão pela obra . É um excelente livro para quem pretende reencontrar ou conhecer Brás Cubas pela visão da jornalista que nasceu no mesmo dia (20 de outubro) que a criação de Machado de Assis.

 

 (livro cedido pela editora)

 

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"NO CORAÇÃO DO IMPÉRIO" | ALEXANDRA VIDAL

por Cláudia Oliveira, em 27.04.17

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Primeiro romance histórico deste ano. Para quem, como eu, está a começar a ler históricos, escolhi o livro certo. Li-o num ápice ao contrário do que esperava. Gostei de ser surpreendida.

 

Na primeira página somos empurrados para o século XVI, um carregamento de escravos vindos do Congo chega a Portugal. Foi esta página que me prendeu de imediato. O sofrimento das mulheres durante a viagem destroçou-me. Violadas, maltratadas e conduzidas para lugares completamente desconhecidos longe das suas famílias. Arrepiante.

 

"Muitas mulheres foram violadas pelos homens brancos. De unhas grandes e disformes, com a boca deformada pelo escorbuto, eles davam livre rédea ao prazer com a carne agrilhoada das fêmeas em cativeiro. Talvez se tivessem transformado em estranhos cadáveres, mortos que respiram mas não sentem, a quem já foi roubada a alma."

 

A escrava Imani, baptizada pelo frades portugueses de Maria da Esperança, é a protagonista desta história. Uma mulher inteligente, com enorme sede de conhecimento. É enviada para aprender a escrever e a ler quando é colocada na corte de D. João III, para servir a rainha D. Catarina de Áustria. O seu professor é o homem pelo qual se apaixona, o gramático Rodrigo Montalvão. O romance acontece muito rápido. Uma paixão arrebatadora entre livros, num piscar de olhos e meia dúzia de palavras trocadas.

 

 A história é escrita de forma despretensiosa, leve e pouco descritiva. Estive sempre interessada no romance central. Li metade sem dar pelas páginas voarem diante dos olhos. Não tem descrições longas e detalhadas para quem está à espera de muitos pormenores sobre o terramoto ou a corte de D. João III. Fica o aviso. É tudo muito rápido neste livro. Tão rápido que fiquei baralhada em alguns momentos. Senti falta de mais explicações em outros. Contudo, estive a torcer pelo casal improvável até ao fim.

 

Mas o final...

 

Não gostei. Foi apressado, não foi intenso. Foi uma correria de acontecimentos sem explicação. Pouco ou nada sobre os estragos do terramoto. Personagens com atitudes pouco coerentes. Uma pena, a autora tinha nas mãos uma boa história mas não conseguiu concretizar nem manter uma narrativa coerente até ao fim. 

 

Como primeira experiência, valeu a pena. Uma leitora assídua de romances históricos provavelmente vai ter outra opinião. 

 

(livro cedido pela editora)

 

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Da leitura do momento | Eça de Queirós

por Cláudia Oliveira, em 12.01.17

 Livraria Civilização Editora

408 páginas

 

 

 José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de novembro de 1845 numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, no centro administrativo da cidade; foi batizado na Igreja Matriz de Vila do Conde . Filho de José Maria Teixeira de Queirós e Carolina Augusta Pereira d'Eça, Com 16 anos foi para Coimbra estudar Direito, tendo aí sido amigo de Antero de Quental. Seus primeiros trabalhos, publicados como um folhetão na revista "Gazeta de Portugal", apareceram como coleção, publicada depois da sua morte sob o título Prosas Bárbaras. Em 1869 e 1870, Eça de Queirós viajou ao Egito e visitou o canal do Suez que estava sendo construído, o que inspirou diversos de seus trabalhos, o mais notável dos quais o Mistério da Estrada de Sintra, de 1870, e A Relíquia, apenas publicado em 1887. Em 1871 foi um dos participantes das chamadas Conferências do Casino. Quando foi despachado mais tarde para Leiria para trabalhar como um administrador municipal, escreveu sua primeira novela realista da vida portuguesa, O Crime do Padre Amaro, que apareceu em 1875. Aparentemente, Eça de Queirós passou os anos mais produtivos de sua vida em Inglaterra, como cônsul de Portugal em Newcastle e em Bristol. Escreveu então alguns dos seus trabalhos mais importantes, A Capital, escrito numa prosa hábil, plena de realismo. Suas obras mais conhecidas, Os Maias e O Mandarim, foram escritas em Bristol e Paris respetivamente. Seu último livro foi A Ilustre Casa de Ramires, sobre um fidalgo do séc XIX com problemas para se reconciliar com a grandeza de sua linhagem. É um romance imaginativo, entremeado com capítulos de uma aventura de vingança bárbara ambientada no século XII, escrita por Gonçalo Mendes Ramires, o protagonista. Trata-se de uma novela chamada A Torre de D. Ramires, em que antepassados de Gonçalo são retratados como torres de honra sanguínea, que contrastam com a lassidão moral e intelectual do rapaz. Morreu em 1900 em Paris. Seus trabalhos foram traduzidos em aproximadamente 20 línguas. Foi também o autor da Correspondência de Fradique Mendes e A Capital, obra cuja elaboração foi concluída pelo filho e publicada, postumamente, em 1925. Fradique Mendes, aventureiro fictício imaginado por Eça e Ramalho Ortigão, aparece também no Mistério da Estrada de Sintra.

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José Luís Peixoto | Prémio Oceanos 2016

por Cláudia Oliveira, em 07.12.16

José Luís Peixoto_créditos Gonçalo Lobo Pinhei

 

José Luis Peixoto venceu o Prémio Oceanos 2016 com o romance "Galveias". Tenho tido oportunidade de ler os seus romances, podem ver a minha opinião em diversos textos: AQUI. Leiam, é maravilhoso!

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Um vídeo onde falo na importância dos comentários no youtube/blog. Divulgo o "Clube dos Clássicos Vivos" e falo no projecto "Ler os Nossos".

Clube dos Clássicos Vivos

Blog da Miúda Geek

 

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