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"A FLOR AMARELA" | ANABELA MOTA RIBEIRO

por Cláudia Oliveira, em 24.05.17

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Um trabalho académico que virou livro-ensaio relacionado com o romance de Machado de Assis intitulado "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Um clássico há muito tempo na minha lista de livros para ler um dia. 

 

Sem dar respostas, a autora levanta questionamentos através das palavras da personagem emblemática Brás Cubas. Ele revela uma enorme força e franqueza no momento de expor os seus medos e dúvidas. Afinal, não tem nada a perder. Está morto, pode ser sincero quantas vezes quiser. Isso torna-o muito interessante. Entendo porque é o livro da vida de muitos leitores assim como o fascínio por esta personagem. 

 

Teria ganho mais com a leitura do clássico antes de ter lido este. Estaria familiarizada com a história, teria a sensação de reencontro com uma personagem memorável. Desta forma não passou de um leitura de alguém leiga na matéria e com pouco aproveitamento. No entanto, fiquei com vontade de ler a obra clássica de Machado de Assis. Se era um dos objectivos da autora, foi concretizada. 

 

Os meus capítulos preferidos são aqueles focados na relação de Brás Cubas com a mãe e a forma como enfrentou a morte desta. Foi aqui que o livro teve todo o meu interesse. Quem me segue há algum tempo sabe o quanto sou aficionada pelo tema. Também gosto bastante do capitulo sobre a vida, uma excelente divagação em relação à expressão "Era preciso viver".  O que corresponde viver?

 

 "Quando se dá a morte e alguém tão próximo como a mãe, não só se experimenta uma dor aguda que resulta da perda como se compreende que um dia se vai morrer também. Deixam de existir barreiras, outros elos uma cadeia sequencial e lógica. Fica-se órfão."

 

É notável a admiração da autora pelo protagonista de "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Foi subtil na forma como mostrou essa paixão pela obra . É um excelente livro para quem pretende reencontrar ou conhecer Brás Cubas pela visão da jornalista que nasceu no mesmo dia (20 de outubro) que a criação de Machado de Assis.

 

 (livro cedido pela editora)

 

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Mais um livro YA com representatividade LGBT. Simon tem 16 anos, é gay. Ele sabe, aceita-se, nunca contou a ninguém e não compreende porque tem de anunciar ao mundo. Porque precisa de gritar ao sete ventos que gosta de rapazes? Também não faço a mínima ideia. Ele deixou-me a pensar nisso, colocou todas as minhas certezas sobre o assunto do avesso. Como se eu tivesse alguma coisa com isso (não tenho). Muitas pessoas acham que podem meter o nariz onde não devem ou precisam de saber tudo sobre a sexualidade dos outros. 

 

Simon troca emails com alguém da sua escola. Ele não conhece Blue pessoalmente. Vocês sabem como é emocionante trocar emails com um estranho (simpático e com boas intenções, claro). Simon é um adolescente engraçado, com uma família ainda mais engraçada. Dei tantas gargalhadas com este livro (a minha irmã pode confirmar). Não dava para conter de forma nenhuma. Ele tem saídas muito criativas. Alguém vai descobrir os emails e fazer chantagem. A autora precisava de um conflito para a sua história, ok? A vida real nem sempre corre às mil maravilhas. Mas fica a pergunta. Porque temos de usar os segredos dos outros como armas? O ser humano consegue ser lixo de vez em quando. Fica o conselho. Se estás a sofrer de chantagem por um pateta qualquer não te cales, não tenhas medo, conta. 

 

É muito difícil largar este livro. Acreditem em mim. Queres descobrir quem é o Blue (não posso contar se vai realmente ser revelado), queres saber o que o Simon vai fazer em relação à chantagem (a escolha dele foi altamente). Precisamos de mais livros como este, os adolescentes precisam de livros com personagens como estes. Precisam de conhecer o Simon e o seu grupo de amigos. 

 

E as referências ao Harry Potter? Fofas. E as bolachas em miniatura em cada capitulo? Fofas. E os emails entre o Simon e o Blue? Fofos e divertidos. E a capa? Gira!

 

Vamos romper com os preconceitos e oferecer este livro a toda a gente. No final vamos parar de meter o nariz onde não devemos. Aproveitamos e pedimos à Porto Editora para editar o outro livro da Becky Albertalli.

 

(livro cedido pela editora)

 

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"UMA MAGIA MAIS ESCURA" | V. E. SCHWAB

por Cláudia Oliveira, em 16.05.17

 

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Victoria Schwab, ou V. E. Schwab, é a autora do mais recente sucesso de literatura fantástica editado em Portugal pela Editora Minotauro. Uma série direccionada para o público de Young Adult. Ainda sem conclusão, a trilogia tem recebido imensos elogios por parte dos leitores do género. A autora lançou o segundo volume em 2016 e está a escrever o terceiro. Precisamos dos seguintes, não suporto a ideia de começar uma série e não terminar.  

 

Este história passa-se em 1819, em Londres. A cidade está dividida em quatro mundos paralelos: Cinzenta, Vermelha, Branca e Preta. Cada uma tem um diferente grau de magia, sendo que a Londres Negra desapareceu na escuridão e a Vermelha é governada pelo principie Rhy.  É na Londres Vermelha que a história deste volume está centrada. Como protagonista temos o Kell, embaixador do império de Maresh, ele viaja entre os diversos universos para entregar correspondência entre os governantes. Traz objectos de um mundo para o outro, vende-os de forma ilegal e proibida. No meio dessas visitas, entre um mundo e outro, vai acontecer algo muito grave devido a um erro do Kell. 

 

Kell é uma personagem muito interessante. A história dele não é entregue ao leitor de uma só vez, é desvendada ao longo da trama através dos seus relacionamentos e ligações. Mas para mim a melhor personagem é a Delilah. Apesar de irritante, é muito forte, tem a capacidade de roubar muitas vezes o protagonismo do Kell ( e não só, visto que ela faz do roubo o seu passatempo preferido). Tem uma enorme sede de vida e poder. Não olha a meios para atingir os fins. Aceita-se, admite que rouba porque gosta. Ela vai ser uma chave importante para o decorrer da história.

 

Adorei o facto deste livro não ter romance. Viva os livros sem romance forçado entre as personagens. Sério, até fico emocionada com tal facto. É possível um bom livro não viver de um romance banal ou de um triângulo amoroso. Também gostei muito do final do livro, promete uma boa continuação. Fiquei curiosa e pretendo ler o próximo volume. Espero que a autora tenha dado mais profundidade às cidades. Senti uma enorme ausência da presença de Londres nesta história. O destaque foi para as personagens ( o que não é necessariamente mau), mas podia ter aproveitado mais estas Londres. Há um infindável mundo para explorar. Será no próximo volume?

 

Fiquei agarrada à história até ao fim. Os elementos mágicos são complexos, sobretudo a ideia da magia estar no sangue. A narrativa e os diálogos também são bons. Uma autora para ficar debaixo de olho. Os leitores de fantasia têm aqui uma mão cheia de criatividade e talento.

 

(livro cedido pela editora)

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"HISTÓRIA DA MENINA PERDIDA" | ELENA FERRANTE

por Cláudia Oliveira, em 09.05.17

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Lila e Elena. Minhas queridas. São as protagonistas de uma história contada pelo ponto de vista de uma. Dividem o protagonismo entre os diversos livros da série.  Elena escreve sobre ela e sobre a sua grande amiga Lila. Portanto, não podemos confiar totalmente na sua história. Vemos as pessoas como queremos, não como elas são realmente. Existem momentos em que sinto raiva ou tristeza de uma, às vezes da outra. Nesta série nunca sabemos o que vai acontecer. Tudo é inesperado. Este fim foi inesperado. Não é um final fechado, sem pontas soltas, pelo contrário. Deixa algumas perguntas sem resposta. 

 

É uma história sobre Nápoles, sobre a construção de uma cidade pós guerra. É sobretudo a construção de uma vida de sonhos num lugar pequeno, cheio de condicionantes impeditivas para obter bons estudos ou uma boa vida. Amores reais e difíceis, famílias corajosas e tempestuosas. É sobre a vida onde mora a amizade e o amor. 

 

É a melhor série de livros que já li em 32 anos, com milhares de quilómetros de letras no meu curriculum como leitora. São as personagens mais parecidas comigo, apesar de fictícias e estarem num ambiente completamente diferente do meu. As oportunidades delas, a sede pela vida e estudos, a relação de amizade das duas protagonistas é bastante próxima da relação de amizade que mantive (ou mantenho, o fim de uma amizade continua a ser uma amizade, não existe ex-amigo, de amigo passamos a coisa nenhuma). Senti cada palavra, e consegui viver com estas personagens durante muitos meses depois de terminada a leitura dos outros volumes. O mesmo acontecerá com este. Estas personagens vão comigo para sempre porque sou eu (às vezes a Lila, às vezes a Elena, não posso revelar onde sou uma, onde sou a outra, às vezes sou as duas). Talvez seja muito prepotente da minha parte dizer que esta escritora escreveu-me, mas a realidade é esta. Encontrei as minhas fragilidades nesta série e reconheci os meus defeitos nas personagens. Quando sinto raiva das suas atitudes também as sinto como minhas. 

 

Na fase adulta, ficamos mais próximos da morte. As pessoas começam a desaparecer, por doença ou morte inesperada. No último livros há muito sofrimento. A carga dramática começa na vida amorosa da Elena, devido a uma grande reviravolta é transportada para a vida da Lila. Continua a existir a habitual competição entre elas. Na cabeça da Elena, acho que ela compete sozinha sem saber. Neste livro vamos ter atitudes surpreendentes por parte de várias personagens. Um turbilhão de emoções. Preparem-se. O título é perfeito para este volume, mal sabia eu. 

 

Não ficamos indiferentes à escrita da Elena Ferrante. É visceral e emotiva, fria e doce. Tudo junto e misturado. Estou completamente apaixonada  pela sua narrativa. Gostava tanto de escrever assim. Sem filtros, no entanto nada é deixado ao acaso.  E apesar de ser impossível reconhecermos a escrita de uma mulher, estes livros só podiam ter sido escritos por uma. Uma das minhas escritoras preferidas. Vou ler tudo o que tenha sido escrito por ela. Infelizmente, faltam-me poucos. Mas sempre posso reler, não é verdade? 

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"SE EU FOSSE TUA" | MEREDITH RUSSO

por Cláudia Oliveira, em 02.05.17

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Não nego a importância de livros para adolescentes com personagens diferentes dos padrões comuns . São realmente necessárias histórias contadas do ponto de vista de adolescentes com problemas de identidade ou algum tipo de perturbação mental.  Este livro será com certeza importante para muitos adolescentes. Este livro não fala sobre problemas de identidade ou algum tipo de perturbação mental. Este livro conta a história da Amanda, ela nasceu rapaz.

 

O livro é bastante fácil de ler, a linguagem é simples e os constantes diálogos dão imenso ritmo ao livro. Li-o num dia. Os capítulos curtos também ajudaram muito. Só mais um, só mais um,...No entanto, cheguei ao final incomodada com várias coisas nesta história. Perdi as contas às inúmeras vezes que a protagonista é chamada de "linda". Todas a acham linda, ela é linda mas não acredita, tão linda, linda. Na página oitenta já revirava os olhos com a falta de adjectivos por parte da autora. Eu entendo que a autora queria passar a mensagem de "tu és linda, todos somos, não interessa como somos, de quem gostamos". Mas a repetição não é de todo a melhor forma. Muito menos a nota final, cheia de explicações. 

 

É de louvar a coragem da autora em escrever uma personagem diferente da realidade da maioria para ajudar os adolescentes. Ela própria admite que teve medo em escrever esta história. Corajosa. No entanto, é preciso que seja feito com mestria. Não foi o caso. O livro é raso, sem profundidade. Nunca senti a dor da Amanda, nem algum tipo de sentimento. Já li YA suficientes para saber que não precisam de ser assim.

 

O processo de transformação, a tentativa de suicídio, a angústia da Amanda precisava de estar exposta e dilacerar o meu coração. Nem no momento mais dramático o meu coração ficou aos pulos. É muito difícil imaginar o sofrimento de alguém nesta situação. Ou ser mãe de alguém que um dia chega a casa e diz "afinal sou uma menina". Mas gostava de sentir através da literatura essas dúvidas. Reflectir, ficar atormentada. Não aconteceu.

 

Este livro pretende passar uma mensagem bonita, mas de forma pouco intensa. Podia ter sido muito melhor. 

(este livro foi cedido pela editora)

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"FUI EU QUE FIZ" | MARGARIDA GARCIA E MARIANA GÓIS

por Cláudia Oliveira, em 28.04.17

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Este livro trouxe-me vontade de renovar os móveis todos lá de casa. Tem ideias simples e fáceis de concretizar. Eu acho que vou começar pelo quintal e pintar as paletes que fazem de esplanada no terraço. Já tenho as tintas, só falta comprar as lixas e começar. O bom tempo vem ajudar na decisão de dar cor à minha casa. 

 

As autoras deste livro têm um blog chamado "Once Upon a Trash" com um conceito que acho muito bonito para o planeta. A renovação e reutilização  dos móveis. Este livro é a compilação de vários projectos de reciclagem. Mais de trinta ideias partilhadas com fotografia bonitas e ao pormenor.  Os capitulos são divididos pelas várias divisões de uma casa: cozinha, sala, quarto, etc...

 

Este livro é uma inspiração! Gostei muito do resultado. Acho que até as pessoas com pouca habilidade para trabalhos manuais (é o meu caso!) conseguem transformar móveis velhos e sem graça em peças com atitude. 

 

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(livro cedido pela editora)

 

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VEDA #27 #GIRLBOSS

por Cláudia Oliveira, em 27.04.17

 

 

Depois de ler o ebook escrito pela Sophia Amoruso, decidi ver a recente série da Netflix, "Girlboss". 13 episódios bem humorados. Diverti-me muito. É uma série divertida e leve. Ideal para quem está a fazer VEDA. Neste vídeo falo um pouco  sobre o livro e comento a primeira temporada completa. Com spoilers.

 

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"NO CORAÇÃO DO IMPÉRIO" | ALEXANDRA VIDAL

por Cláudia Oliveira, em 27.04.17

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Primeiro romance histórico deste ano. Para quem, como eu, está a começar a ler históricos, escolhi o livro certo. Li-o num ápice ao contrário do que esperava. Gostei de ser surpreendida.

 

Na primeira página somos empurrados para o século XVI, um carregamento de escravos vindos do Congo chega a Portugal. Foi esta página que me prendeu de imediato. O sofrimento das mulheres durante a viagem destroçou-me. Violadas, maltratadas e conduzidas para lugares completamente desconhecidos longe das suas famílias. Arrepiante.

 

"Muitas mulheres foram violadas pelos homens brancos. De unhas grandes e disformes, com a boca deformada pelo escorbuto, eles davam livre rédea ao prazer com a carne agrilhoada das fêmeas em cativeiro. Talvez se tivessem transformado em estranhos cadáveres, mortos que respiram mas não sentem, a quem já foi roubada a alma."

 

A escrava Imani, baptizada pelo frades portugueses de Maria da Esperança, é a protagonista desta história. Uma mulher inteligente, com enorme sede de conhecimento. É enviada para aprender a escrever e a ler quando é colocada na corte de D. João III, para servir a rainha D. Catarina de Áustria. O seu professor é o homem pelo qual se apaixona, o gramático Rodrigo Montalvão. O romance acontece muito rápido. Uma paixão arrebatadora entre livros, num piscar de olhos e meia dúzia de palavras trocadas.

 

 A história é escrita de forma despretensiosa, leve e pouco descritiva. Estive sempre interessada no romance central. Li metade sem dar pelas páginas voarem diante dos olhos. Não tem descrições longas e detalhadas para quem está à espera de muitos pormenores sobre o terramoto ou a corte de D. João III. Fica o aviso. É tudo muito rápido neste livro. Tão rápido que fiquei baralhada em alguns momentos. Senti falta de mais explicações em outros. Contudo, estive a torcer pelo casal improvável até ao fim.

 

Mas o final...

 

Não gostei. Foi apressado, não foi intenso. Foi uma correria de acontecimentos sem explicação. Pouco ou nada sobre os estragos do terramoto. Personagens com atitudes pouco coerentes. Uma pena, a autora tinha nas mãos uma boa história mas não conseguiu concretizar nem manter uma narrativa coerente até ao fim. 

 

Como primeira experiência, valeu a pena. Uma leitora assídua de romances históricos provavelmente vai ter outra opinião. 

 

(livro cedido pela editora)

 

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"A SERPENTE DO ESSEX" | SARAH PERRY

por Cláudia Oliveira, em 21.04.17

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Fico muito feliz quando encontro editados livros escritos por mulheres, com qualidade e uma capa maravilhosa. Parabéns à Minotauro pela escolha e trabalho. Tem surpreendido com os lançamentos.

 

Sarah Perry nasceu na Inglaterra, no Essex, tem 38 anos e este é o seu primeiro romance. Nem quero imaginar os seguintes. Esta mulher escreve de uma forma linda e única. É uma narrativa envolvente, sensorial e crua.

 

Este romance foi finalista do prémio "Costa Book Award" do ano passado. Na capa e na aba estão elogios de outras escritoras igualmente talentosas e vencedoras de outras prémios literários: Sarah Waters, Jessie Burton e Helen Macdonalds, " Uma obra de grande inteligência e encanto, de uma autora extremamente talentosa"; Adorei este livro..."; "Sarah Perry tem o dom raro...". Adoro quando mulheres elogiam outras mulheres dentro da mesma área.

 

Vamos à história e à minha opinião. 

 

Primeiro, a história passa-se em Londres durante o ano de 1983. Cora perde o marido mas não parece muito preocupada. Aliás, sentimos a frieza na personagem e alguma dificuldade em entender a sua postura em relação à morte do seu companheiro. É estranho. Cora não me agradou logo, mas deixou-me curiosa para saber mais sobre ela. E foi esse o encanto da história. Pelo menos para mim. A protagonista, a força da sua presença e todas as camadas que ela apresenta perante o matrimónio, a maternidade e a amizade. Após a morte do marido ela decide ir até Essex após escutar uma história sobre uma mítica serpente que assombra os dias da população daquela região. Ela quer ver com os seus próprios olhos, ela quer descobrir e experimentar uma vida diferente. No fundo, quer estar como bem entender. E logo aqui vemos que Cora não é uma mulher comum. 

 

Há todo um retrato da população e do ambiente vivido nas vilas modestas de Londres no século XIX. É feita uma descrição maravilhosa da natureza. Já viram fotos do Essex? Experimentem. Sarah Perry consegue transmitir na perfeição a paisagem verde, o ambiente húmido e gótico.

 

Nesta história a Cora não é única mulher espantosa. Martha, a amiga de Cora, é uma mulher lutadora e cheia de atitude. Adoro-a. Não fica na sombra da protagonista e consegue destaque em muitas cenas. Este livro está cheio de personagens realistas. Todos eles.

 

O livro tem um ritmo lento. Mas eu gostei. Um corpo em movimento cheio de lama. Uma descrição perfeita para a minha experiência de leitura. Em alguns momentos tive a sensação de estar a ler um clássico tal o requinte e a forma primorosa de algumas passagens. 

 

Não adianto mais. Descubram vocês. Não gosto de desvendar muito, mas adoro boas personagens e um bom enredo. Aqui está. O livro vale a pena e recomendo.

 

 

Aproveitem, participem no passatempo. AQUI

(livro cedido pela editora)

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HOMENAGEM A ROSA LOBATO DE FARIA

por Cláudia Oliveira, em 20.04.17

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