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DEDO 6 | Madame Bovary | Gustave Flaubert

por Cláudia Oliveira, em 06.10.15

 

A discussão está acontecer no Clube dos Clássicos Vivos. Está a ser uma mais valia ler o que foi dito por outras leitoras.

A minha opinião? Começo por dizer que dei quatro estrelas a este livro. Não dei cinco porque não me arrebatou, também senti algum desconforto da minha parte perante o trato da Emma, a protagonista desta história, em relação à sua filha. No entanto, gostei bastante de conhecer a história. Sabia apenas que se tratava de adultério. Não se deixem enganar, não é apenas sobre adultério.

Emma casa com Charles Bovary tornando-se na senhora Bovary. Ela é uma mulher sonhadora, iludida pelas histórias de amor de romance e uma vida melhor. Inconformada, nunca está satisfeita com nada. Assim que casa percebe que falta mais, o frio na barriga desaparece e uma tristeza instala-se.

Pessoalmente, considero uma das personagens femininas mais marcantes da literatura. Estava habituada a ler clássicos com mulheres submissas, acomodadas. Emma vai atrás do que quer.  Nisso ganhou muitos pontos da minha parte. Apesar de a considerar muitas vezes uma tola por acreditar num amor romanceado, consegui entender algumas motivações. Quantas mulheres não são assim? Quantas mulheres perante a realidade de um casamento percebem que foram enganadas pelas próprias emoções? 

Flaubert fez polémica quando lançou este livro. Acreditam que chegou a ser julgado sob acusação de imoralidade? Imaginem em 1856 aquela sociedade receber um romance com a história de uma mulher adultera. A sociedade burguesa sentiu-se atacada com esta história devido à ridicularização por parte do escritor. Os amantes são ridicularizados, basta ler alguns diálogos. Em 1857 ele é absolvido. Grande Flaubert!

O que mais gostei neste livro foi o facto dos homens serem personagens pouco fortes, chegam a ser tolos e pouco inteligentes. Ao contrário das mulheres desta história. Charles é um personagem tão fraco, chega a dar pena. Já a sogra dela é o máximo. Também gostei de ser surpreendida pelo autor na parte final. Não estava nada à espera. Fiquei irritada, preferia outro desfecho, mas não deixa de ser uma óptima escolha por parte do escritor. Não posso contar mais. Na discussão no Clube dos Clássicos Vivos falamos melhor sobre isso. 

Recomendo para quem gosta de história com uma narrativa lenta, característica da maioria dos clássicos. Arrisco a dizer que é um livro para os admiradores do português Eça de Queirós e para os que consideram a Anna Karenina, do Tolstói, insuportável. 

 

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