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amulherqueamalivros

OS MEUS NÓBEIS PREFERIDOS

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vencedor deste ano (2017)

 

 

Em Outubro foi anunciado o vencedor do Prémio Nobel da Literatura. A Academia Sueca escolhe um escritor todos os anos, sendo este um prémio polémico e pouco coerente em determinadas escolhas.

 

Costumo estar atenta ao nome vencedor e ter grandes surpresas após a leitura das obras dos designados vencedores. Conheci obras e autores fantásticos que talvez tivessem passado despercebidos se não integrassem esta lista. Herman Hesse, Ernest Hemingway, Yasunari Kawabata, Gabriel Garcia Marquez, Albert Camus, Toni Morrison, Alice Munro, entre outros. Hoje quero partilhar os meus nóbeis preferidos, indicando as duas obras preferidas. Escolhi apenas autores que li duas ou mais títulos.

 

Espero que gostem e não deixem de me dizer qual o vosso Nobel preferido e o livro. Mais sugestões são sempre bem vindas. 

 

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John Steinbeck

Nobel em 1962

 

As obras preferidas: "Ratos e Homens" (1937) e "As Vinhas da Ira" (1932)

 

Gosto sobretudo da dureza e realismo que coloca nas suas histórias. São episódios muito tristes e cruéis. Os dois livros tiveram um impacto enorme em mim e nunca os esquecerei. Para mim são duas obras primas da literatura mundial tal a sua complexidade e grandeza. Quero ler mais livros do autor. O título que mais me desperta interesse é "A Leste do Paraíso".

 

 

Samuel Beckett

Nobel em 1969

 

As obras preferidas: "Ah, os Dias Felizes,Não Eu" e "À Espera de Godot"

 

Este autor marcou-me, mexeu na ferida. Foi ao meu lado mais profundo e fez-me pensar. Mudou sem dúvida a minha perspectiva em relação ao tempo, à vida. É fenomenal. Pretendo ler "Watt".

 

 

 

 

José Saramago

Nobel em 1998

 

As obras preferidas: "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (1984) e "As Intermitências da Morte" (2005)

 

 Gosto da genialidade e da critica contida nos seus livros. Surpreendo-me sempre que leio um livro de Saramago. Nunca fiquei desiludida com nenhum. O seu estilo é único, uma mistura de ironia sombria e delicadeza. Quero ler todos os seus títulos, o próximo será "O Evangelho Segundo Jesus Cristo".

 

 

 

Orhan Pamuk 

Nobel em 2006

 

As obras preferidas: "O Museu da Inocência" (2008) e "Uma Estranheza em Mim" (2014)

 

Gosto muito da sua sensibilidade. A forma como conta as histórias sobre as pessoas do seu país. É um excelente contador de histórias! Fico completamente ofuscada pela sua voz narrativa. Quero ler "Neve" e o seu livro de não fição "Outras Cores". 

 

 

 

 

 

 

 

Mário Vargas Llosa

Nobel em 2010

 

As obras preferidas: "Travessuras da Menina Má" (2006) e  "O Herói Discreto" (2013)

 

Uma das minhas personagens femininas preferidas de sempre é a Lily, a menina má. As suas personagens são sempre inesquecíveis. Adoro a forma singela com que conta as historias enquanto revela a realidade e mística das suas raízes. Quero ler a grande obra "Conversas na Catedral".

 

 

 

Svetlana Alexijevich

Nobel em 2015

 

As obras preferidas: "As Vozes de Chernobyl" (1997) e "A Guerra Não tem Rosto de Mulher" (1985)

 

Graças a este prémio tive a possibilidade de ler dois grandes livros de não fição. É um trabalho impecável da autora que considero necessário e urgente.  São relatos duros e intenso. Obras maravilhosas. Quero ler tudo o que ela escreveu.

 

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15 ESCRITORES COM BLOG

 

Tomei a liberdade de pesquisar e criar esta lista incrível com alguns blogues de escritores. Deu algum trabalho mas valeu super a pena. Alguns foram uma descoberta, outros seguia há algum tempo. Gosto de ler os blogues de escritores, sobretudo quando abordam assuntos actuais de forma descontraída e divertida. Sou a única?

 

Espero que gostem! 

 

Ana Gil Campos

Patrícia Reis

Bruno Vieira Amaral

Isabela Figueiredo

Anabela Mota Ribeiro

João Tordo 

Nuno Nepomuceno

Gonçalo M. Tavares

Paolo Cognetti

Elísabet Benavent

Patrícia Portela

Jorge Carrión

José Rentes de Carvalho

Filipa Fonseca Silva

Nuno Costa Santos

 

ESCREVER E SER ESCRITOR (E ALGUMAS SUGESTÕES LITERÁRIAS)

 

 

Escrevo desde os oito. Escrevi três livrinhos. O diário do André (inspirado nos diários de Adrian Mole), a história da Inês e outro inacabado cujo o nome da protagonista não interessa. Pedi uma máquina de escrever com nove anos e ainda a guardo no quarto com carinho. Enquanto não descobri a literatura pensei ser uma possível escritora. Pensei ter qualidades, maturidade e noção de todas as características para um romance. Fui para a escola, sonhava através das composições com mundos imaginários muito elogiados pelo professor careca de português. Gabava tanto a minha criatividade que passei a acreditar fortemente que tinha um talento. Escrevi uma peça de teatro representada diante da escola pela turma, subi ao palco com um ramo de flores. Os testes psicotécnicos sugeriram uma profissão ligada às humanidades. Nasceu um desejo na minha vida: ser escritora. E dizia a toda a gente. Sem vergonha, com os olhos brilhantes. Escrevi várias vezes esse sonho em todos os blogues que tive (desde 2006). Nos meus diários pessoais. Entre amigos, família. Queria ser escritora. Cheguei a participar em alguns concursos literários.

 

Cresci, infelizmente. A ingenuidade deu lugar à realidade. Conheci a literatura através dos russos e apaguei esse desejo porque não tenho nada para acrescentar. Não vou fazer a diferença. Quanto mais leio boa literatura mais tenho certeza que não passa de um sonho doido. O talento tem outro nome. Nomes gigantes. E para fazer igual ao que continuo a criticar prefiro manter-me afastada enquanto "o músculo da escrita" não é forte o suficiente. Nunca será, nunca terei a habilidade dos mestres. No entanto, o mercado parece ter espaço para todos. Um mercado que achava limitado ao talento, acabou por estender-se às estrelas, youtubers, actrizes cozinheiras, apresentadoras fit, apresentadoras românticas, etc...Não é com desdém que digo isto, só quero dizer que se calhar não é impossível editar um livro no mundo moderno. Ou auto publicar. Leio livros que são considerados os preferidos de muitas pessoas e repenso, consigo escrever um bocadinho melhor. Afinal uma das super dicas dos escritores é: leia muito. Eu leio muito, posso escrever um livro? Não creio. No entanto não me imagino a desligar a luz dos meus sonhos enquanto baixo os olhos e digo: esquece. O amor pode ser a (minha) única motivação (e a quantidade enorme de pessoas no mundo também) e a realidade o meu maior obstáculo.

 

No fundo, sempre escrevi melhor no escuro e a minha vida agora tem muita luz. As palavras não escorrem imparáveis, nem o meu olhar tem distância suficiente para alcançar o absurdo de tudo isto.

 

Deixo algumas sugestões para aspirantes a escritores,

 

"Poquê Ler os Clássicos?", Italo Calvino

"A Arte de Escrever", Arthur Schopenhauer

"Cartas a Um Jovem Poeta", Rainer Maria Rilke

"Para Ler como Um Escritor", Francine Prose

Qualquer livro do Bukowski

15 Escritores Que Influenciaram a Minha Vida

Sem nenhuma ordem , segue a minha lista.

1. W. Somerset Maugham (mudou o meu olhar em relação às pessoas no geral e em relação a mim em particular)
2. Saramago (fez-me olhar para Deus e para a morte de forma diferente)
3. Samuel Beckett (deixou-me envergonhada com o tempo que gastamos à procura do Godot)
4. Victor Hugo ( nunca tinha conhecido um livro perfeito até ler Os Miseráveis)
5. Dostoievski ( descobri os russos)
6. Jane Austen ( descobri a coragem)
7. Jorge Amado ( ajudou-me na fase mais triste da minha vida)
8. Sandor Marai ( li os seus romances na fase mais libertadora e importante da minha vida)
9. Afonso Cruz ( a beleza das palavras, mais ainda)
10. Elena Ferrante (encontrei-me num livro)
11. George R Martin ( a única série que me prendeu e me transformou numa fangirl)
12. Charlotte Bronte ( deu-me uma das melhores protagonistas da minha vida, Jane Eyre)
13. Eça de Queiroz ( quando as leituras obrigatórias eram um prazer)
14. Virginia Woolf ( quando uma escritora é tão inspiradora...)
15. Chimamanda Ngozi Adochie ( enriqueceu o meu olhar perante a sociedade actual e levantou questões que nunca tinham surgido dentro de mim)

Extra
16. Pepetela (deu-me um bocadinho da cultura do meu marido)
17. Vargas Llosa ( apresentou-me a literatura latino americana)
18. Orhan Pamuk ( o encantamento de ler de forma lenta, muito lenta)
19. Michael Ende (magia para a minha vida)
20. Anne Frank e Primo Levi (e de repente o mundo não é assim tão belo)

Nesta lista estão os meus autores preferidos, os donos do meu coração e sem dúvida aqueles que estiveram presentes nas alturas mais marcantes da minha vida.