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Pai Nosso | Clara Ferreira Alves

por Cláudia Oliveira, em 24.01.16

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No Goodreads

Minha pontuação: 3*

 

É um livro árduo. Pela forma como está escrito e pelo tema. Um retrato sôfrego do que se passa no Médio Oriente. Demorei a terminar a leitura porque não é um livro para ler de uma ponta à outra sem parar, respirar fundo e deixar fomentar as ideias.  

 

As descrições das condições de vida das crianças foram as partes mais difíceis de ler. Como elas acabam por ser mártires assim que crescem o suficiente. "Como os porcos na engorda antes da matança". As crianças de Gaza não podem ter cães. Nem sabem que podem ter cães. É um animal impuro para o Profeta. 

 

"Enquanto o lunático falava, eu pensava que alguém devia oferecer um cão, um gato, um peixe, uma tartaruga, às crianças de Gaza. Para as ensinar a amar."

 

Maria é o nome da protagonista, uma fotografa de guerra. Somos levados a conhecer o que se passa dentro da guerra. Da cabeça dos que fazem a guerra. Como os terroristas tratam as pessoas, como seguem indiferentes ao resto mundo. O 11 de Setembro também está presente. A alegria dos terroristas. 

 

"É preciso prestar atenção a todas as coisas que acontecem pela primeira vez. 

Não só às coisas que acontecem pela primeira vez na nossa vida. A todas as coisas, as que acontecem fora da nossa vida e dentro de outras vidas. Quando um avião cai não é a primeira vez que acontece. Quando um avião decapita as Torres do World Trade Center é uma primeira vez. Os corpos a cair das janelas. Corpos que explodiram no chão sem que ninguém ouvisse o som porque a grande explosão abafou a pequena explosão."

 

No meio destas descrições agoniantes temos passagens muito bonitas sobre livros. Várias referências literárias. São estas passagens as minhas preferidas, que atenuam a dor das palavras do sofrimento descrito nesta história.  

 

"Quando a tia, numa dessas arrumações de sexta-feira em que escovava a casa de uma ponta à outra, decretou o exílio de Stendhal, que tomou por mais um russo transviado, corri a salvá-lo do caixote. Henri-Marie Beyle era orfão de mãe como eu, criado pelo pai e uma tia. Na companhia dele sentia-me poupada. Salvei A Cartuxa de Parma e escondi-o debaixo da cama, onde iria juntar-se a Tolstoi e Dostoievski."

 

Não é fácil falar sobre este livro. Nem é fácil gostar dele. Assim como não é fácil lê-lo. Recomendo com ressalvas.

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