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Laranja Mecânica | Anthony Burgess

por Cláudia Oliveira, em 13.07.15

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 Meu Feus*, como falar neste livro e passar a minha euforia ao indecisos?

Li este livro no fim de semana. Um clássico obrigatório na vida de um leitor interessado pelo género. Uma distopia  publicada em 1962. Este livro tem um dos melhores anti-heróis que já conheci. Não vou esquecer-me jamais deste personagem. Alex, narrador e protagonista, usa a maldade como fonte de divertimento. Adora espancar, violar, roubar para passar o tempo. Ele e o seu grupo de amigos percorrem as ruas com um objectivo: fazer maldades.

Ao longo da leitura criei uma ligação com Alex e a sua forma de falar. Anthony Burgess criou uma linguagem totalmente nova- Nadsat, com termos russos e calão à mistura. O objectivo do autor é mostrar ao leitor que pode ler um livro com termos desconhecidos e no final aprender palavras sem a necessidade de um dicionário.  Objectivo cumprido, caro Anthony. Não recorri ao glossário no final do livro, preferi não interromper o ritmo de leitura e entranhar o estranhamento inicial. Talvez muitos leitores desistam nas primeiras páginas, mas vale muito a pena insistir. 

O livro está dividido em três parte, cada parte tem sete capítulos. Dá um total de 21, a idade em que os adolescentes atingem a maioridade na Inglaterra. O último capitulo foi abolido da edição estadunidense, pelos vistos no filme também não está presente. Eu só ainda vi trinta minutos do filme, mas quero ver até ao fim brevemente. Estou apaixonada, é um obra-prima do Kubrick. Precisam de ver. 

O livro tem uma discussão interessante e bastante reflectiva acerca da liberdade de escolha, do bem e do mal. Coloco de forma ilustrativa duas citações que gostei bastante. 

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O que mais gostei no livro, para além da parte reflectiva do enredo, foi o protagonista. Muito bem construído, cheio de nuances interessantes. Nunca faz o papel de coitadinho, nem tenta convencer o leitor de nada. Não justifica os seus actos. É directo, trata-nos por "meus irmãos", ama a beleza e a arte. O humor agridoce está bastante presente neste romance. Nunca senti pena dele (vão perceber na segunda parte o que quero dizer), mas tive curiosidade em saber o que ia acontecer com ele. Não larguei o livro até chegar ao fim do mesmo. Ao escrever este texto, fiquei cheia de vontade de reler o livro. 

Li-o sem nenhuma espectativa. Felizmente. Quando terminei a leitura estava na dúvida em relação à avaliação. Esperei mais uma horas até decidir. O livro está muito presente na minha cabeça, acabei por sonhar com ele. Só sonho com livros que mexem comigo Fico eufórica só de pensar nele. Não podia de deixar de dar cinco estrelas. O livro entrou para os meus preferidos de sempre. O Alex entrou para a lista dos meus vilões preferidos. 

A edição da Alfaguara é super recomendada. Tem extras fantásticos! Notas explicativas, monólogos, entrevistas. Comprei-o por metade do preço (Hora H) na banca da Alfaguara na Feira do Livro deste ano.

Não vou falar mais sobre o livro para não estragar a experiência de leitura a ninguém. Havia mais para dizer, muito mais. Fico-me pela recomendação sem reservas. No entanto, a experiência de leitura é pessoal e muita gente não irá gostar deste livro como eu. Não é um livro para agradar a gregos e troianos. Divide opiniões, é controverso mas incrível. Incrível. 

 

*Deus é chamado de Feus neste livro.

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