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PORTO EDITORA ACUSADA DE DISCRIMINAÇÃO

por Cláudia Oliveira, em 23.08.17

 

A editora Porto Editora é acusada de discriminação em livros de actividades para meninos e meninas. A situação foi partilhada no site Capazes e teve direito a resposta imediata por parte da editora através de vários tweets após diversas questões levantadas por parte da apresentadora Rta Ferro Rodrigues na rede social indicada.

 

"Rita, esses títulos dão resposta a uma procura do mercado, daí estarem prestas a esgotar. Existem, no nosso catálogo, outros em que a segmentação segue outros critérios, assegurando a diversidade de opção. Recusamos, perentoriamente, as acusações que nos são feitas e a associação destes títulos a uma postura sexista que não nos define nem àquele que adquiriram estes livros. Trabalhos todos os dias para fomentar a igualdade, tolerância e liberdade. A liberdade do nosso catalogo é a prova disso: abordamos questões de sexualidade, de género, raciais, étnicas e muito mais. São vários os títulos que sustentam esta diversidade." 

 

A apresentadora contra argumentou e colocou várias outras questões. Entretanto a situação está a ser analisada pela CIG (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género) e a Porto Editora já publicou uma nota justificativa no site, podem ler AQUI

 

Eu não quero fazer essa distinção com os meus filhos e obviamente não vou adquirir estes livros. Defendo a igualdade de género. Igualdade nas oportunidades, deveres e direitos. Já viram as capas destes livros? Os meninos têm imagens alusivas ao desporto, natureza e aprendizagem. As meninas a cupcakes e bijuteria. E os exercícios? Mais fáceis para as meninas numa faixa etária entre os 4 e 6. Havia necessidade? Existe discriminação explicita nesta situação e uma imagem vale mais que mil palavras. E sim, existe desigualdade, é um problema que precisa de ser combatido no dia a dia por todos. 

 

Qual a vossa posição em relação a esta situação?

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21 comentários

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De Ana a 23.08.2017 às 12:47

Eu acho ridículo é os livros terem sido publicados em 2016 e ser sucesso de vendas. Só um ano depois esta situação vem à baila. Mesmo que os pais comprassem um livro só porque diz que é para o gênero da criança. Que raio de pai não abre os livros primeiro antes de facultar à criança? Pegam num livro e pronto? Não os comparam com os demais antes? Digo pai/mãe como outra pessoa qualquer que queira dar um livro a uma criança... É difícil de encontrar mas tento sempre ser neutra. Comprar com o tema de animais por exemplo. A criança já é tão bombardeada com obrigações de escolha que eu me recuso a fomentar isso.
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De Cláudia Oliveira a 23.08.2017 às 12:56

Eu também me recuso a fomentar a desigualdade por isso não concordo com a edição de livros deste género. Não precisamos de abrir o livro para verificar que há discriminação a partir do momento que olhamos para estas duas capas e o simples facto de existirem livros distintos para crianças com a mesma idade. Porquê? Somos assim tão diferentes com quatro anos? Ou com outra idade qualquer? Precisamos de distinguir o que é para meninos e meninas. Para mim, os livros são meios de educação e é na educação que tudo começa.

Infelizmente ainda é comum separar e fazer essas distinção, o que permitiu tanto sucesso. Também tento sempre ser neutra, tenho duas crianças em casa e não faço essa diferença.

Obrigada pelo comentário. :)
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De Daniela a 23.08.2017 às 13:43

Nesse caso específico que mostra a imagem, sim, é mais fácil o das meninas. Mas poderá haver outras situações em que acontece o contrário, só analisando o livro todo. As cores e capas pronto, foi uma escolha como acontece em vários sítios. No entanto, lá está só compra assim quem quer, eles têm outras opções :)
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De Cláudia Oliveira a 23.08.2017 às 14:58

Mas nem sequer devia existir exercícios para meninas e para meninos. Apenas para crianças. :D
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De Daniela a 23.08.2017 às 19:24

Sim, compreendo esse ponto de vista...
Mas a meu ver, isso também não está errado. Mais ou menos como os brinquedos, em que grande parte deles também são "diferenciados" :)
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De Daniela a 23.08.2017 às 19:58

Bem, só agora é que me apercebi que diz mesmo no título "para rapazes" e "para meninas". Andava a pensar que era só pela cor (clássico rosa e azul, que também podia ter sido diferente mas pronto). Isso realmente deveria ter sido evitado :/
Entretanto, acho que já retiraram o livro do mercado
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De Cláudia Oliveira a 24.08.2017 às 08:41

já retiraram e vão trabalhar com o governo para melhorar :D
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De Tri a 23.08.2017 às 15:26

Claro que é um caso claro de discriminação e desigualdade, a editora tenta, agora, dar a volta à situação porque só vê números: é uma empresa, o objetivo final (como de qualquer outra) é dar lucro.
No entanto, crianças são crianças e o desenvolvimento é igual independentemente do género, logo não devia sequer estar nas mãos dos pais a decisão de 'comprar ou não'; não deviam sequer de existir estes livros assim.
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De Cláudia Oliveira a 23.08.2017 às 15:38

Concordo, o desenvolvimento é igual independentemente do género. :) é isso tudo.
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De Bárbara Ferreira a 23.08.2017 às 20:29

Apetece-me virar uma mesa com os comentários das pessoas que acham que a Porto Editora "cedeu à CENSURA" da CIG. Isto é absolutamente horrível.
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De Cláudia Oliveira a 24.08.2017 às 08:42

evitei ler todos os comentários. mas imagino que existam comentários estúpidos como alguns tweets que eu li. :/
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De Andreia a 23.08.2017 às 21:05

Entretanto, a Porto Editora vai trabalhar em conjunto com a CIG! Ao que parece tomaram uma decisão sensata e vão cooperar para que lapsos destes não voltem à a acontecer. Percebo que nunca deveriam de ter acontecido, mas fico satisfeita pelo reconhecimento do erro e por a Editora querer ser melhor neste aspeto e colaborar para que ambos os géneros possam ter as mesmas oportunidades e o mesmo "tratamento".
Beijinhos
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De Cláudia Oliveira a 24.08.2017 às 08:42

Eu vi! Eu vi! Boa notícia :D

Beijinhos
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De The Daily Miacis a 23.08.2017 às 23:02

Para mim é um pau de dois bicos.

Eu não sou a favor da distinção discriminativa de géneros. Para mim um homem tem de saber limpar a casa como uma mulher deve saber trocar um pneu. Mas também temos que ser sinceros que nós mulheres não damos tanta importancia à manutenção do carro como os homens dão à manutenção da casa porque penso que é inato. Pode ser inato porque a sociedade assim nos impôs mas repara para colocares um pneu é preciso uma força mais ou menos consideravel para os parafusos ficarem bem colocados: nem todas as mulheres conseguem.

Isto tudo para dizer o quê? Que eu posso ser maria rapaz e não ser menos pessoa por isso, mas posso também ser muito feminina e só gostar de coisas de meninas. E se eu fosse uma criança de quatros ano podia chegar à livraria e querer o livro porque era rosa. E não estou a impor nada simplesmente eu gostei do rosa. Eu acho é que não podemos ser nem 8 nem oitenta . Eu por exemplo era maria rapaz e queria um comboio quando era criança, e a minha mãe não me deu porque era brinquedo de menino e tive barbies e nenucos e furbies, e não sou uma boneca de vidro: mal me sei maquilhar, não gosto muito de me arranjar se pudesse andava sempre de t shirt e calças de gangas. Eu penso que isto da questão dos géneros vem de cada e da educação de casa. Depois cada um faz as escolhas que quer :)
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De Cláudia Oliveira a 24.08.2017 às 08:47

A educação não pode distinguir géneros. Crianças precisam de livros de actividades e não livros para meninos e livros para meninas sobretudo com exercícios. Afinal não temos habilidades diferentes por sermos de sexos diferentes.

Tens toda a razão, vem de cada um e da educação de casa. Por isso depende dos pais comprarem ou não esses livros. Mas era de evitar... no final a editora vai retirar os livros (depois de terem sido vendidos imensos). Não há como evitar algumas mentalidades, faz parte da cultura. Até com os brindes do mc donalds fazem esse tipo de coisa, quanto mais com um livro de actividades :D

Obrigada pelo teu ponto de vista
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De a dESarrumada a 24.08.2017 às 00:33

Acho que em 2016 já não se justifica este tipo de debates... era só terem evitado meter o "para rapazes/meninas" na capa e estava tudo feito. As crianças que preferissem o cor-de-rosa tinham esse, as crianças que preferissem o azul tinham o outro. Se os pais escolherem uma ou outra cor dependendo do sexo dos filhos aí já é outro "problema", e já me apetece dizer que são os pais a forçar talvez a escolha dos filhos...

Quanto ao nível de dificuldade demonstrado nos dois labirintos que aparecem... só tenho vontade de dizer que devem ter sido escolhidos "a dedo". Se o livro for dos 4 aos 6 anos é óbvio que vão ter exercícios de dificuldades diferentes, provavelmente no "de meninas" haverá exercícios mais difíceis para as crianças mais velhas e outros mais fáceis para as mais pequenas, tal como no "de rapazes"... mas isso só vendo os dois livros e comparando...
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De Cláudia Oliveira a 24.08.2017 às 08:49

Sim, os pais é que escolhe e pelos vistos foi um sucesso de vendas.

existem várias actividades e também cheguei a ver um exemplo contrário.

obrigada pelo teu comentário :)
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De Espiral a 24.08.2017 às 12:43

Comentei este assunto no meu blog de maneira "meio" a brincar, até porque toda a gente tem direito a opiniões diferentes mas aqui aprofundo um pouco tendo em conta algumas "certezas"...

As crianças têm desenvolvimento cognitivo, físico e emocional diferente dependente do sexo (género é outro coisa, não confundir). E isto é factual.

E também têm desenvolvimento diferente como é evidente tendo em conta educação, valores, contexto, etc.

O que não se pode confundir aqui são as liberdades sociais e escolhas pessoais que não devem ser restringidas pelo sexo da pessoa, com o que delas é inato ou inerente (como é o caso do sexo)

As crianças não são "projetos dos adultos", nem telas em branco. Em linguagem corrente, já têm "predefinições" e processos cognitivos e biologicos distintos. E sim tem preferências relacionadas com o sexo. Que são exactamente isso preferências. E devemos dar-lhes pistas para um desenvolvimento saudável e normal (normal do ponto de vista estatístico). Dar-lhes um mundo asseptico e politicamento correcto parece-me pouco adaptativo e nada saudável. para um desenvolvimento emocional e intelectual normal.

Por isso sim, o desenvolvimento é diferente. E sim, homens e mulheres tem desenvolvimentos cognitivos e apetências diferentes. Isto não é restringir nada. É perceber que os sexos são diferentes, com diferentes capacidades e ainda bem. Por norma são capacidades que se harmonizam mutuamente.

Em termos de opinião, que aqui cada um tem a sua: Não me choca os livros de todo. Até achei giros. E na minha opinião isto não tem nada a ver com igualdade de direitos entre homens e mulheres. Isso é outra coisa.

Para quem se interessa por estes assuntos do desenvolvimento cognitivo dos homens e mulheres aconselho o livro "O sexo e a cognição" da Doreen Kimura (psicóloga e investigadora), que numa escrita despretensiosa e falando de factos cientificamente comprovados, mas de modo claro explica facilmente vários pontos que referi aqui.


Beijinhos =)




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De Cláudia Oliveira a 24.08.2017 às 13:00

Obrigada, que comentário tão informativo! :)
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De Espiral a 24.08.2017 às 13:30

=)

Tentei dar uma perspectiva diferente e que pode ser interessante de aprofundar.
É sempre importante a partilha .
Beijinhos
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De Joana a 25.08.2017 às 16:24

Concordo contigo! Não acho nada correto diferenciar as crianças, ainda por cima de uma forma tão evidente! Pior ainda é por ser na área da educação, como se os rapazes fossem mais inteligentes que as raparigas!!
Apesar de todo o desenvolvimento e tudo o que se tem alcançado relativamente ao feminismo, sociedade é ainda, por vezes, um pouco retrógada!
Muito bom artigo!
beijinhos :)

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