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"O Universo Nos Teus Olhos" | Jenifer Niven

por Cláudia Oliveira, em 07.03.17

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Depois do sucesso de "Fala-me de Um Dia Perfeito" chega o tão esperado "O Universo nos Teus Olhos" da norte americana Jennifer Niven. Mais um livro com fortes temáticas, duas personagens como protagonistas e muito drama. Eu sou fã do seu primeiro romance, era difícil não ter expectativas em relação a este. Mas tentei.

 

Libby era a rapariga mais gorda dos Estados Unidos. Após a morte da sua mãe ela come até deixar de conseguir sair de casa. O caso é filmado e exposto na televisão no dia em que a levam para os cuidados médicos com ajuda de uma grua. Jack tem uma doença chamada prosopagnosia, não consegue reconhecer rostos. Ele esconde isso de toda a gente, inclusive família. Estes dois adolescentes vão estabelecer uma ligação após uma brincadeira de muito mau gosto com a Libby por parte dos amigos do Jack e do próprio. Temos aqui matéria excelente para um livro dentro do género jovem-adulto. 

 

Jennifer Niven aborda e levanta importantes questões como a gordofobia, preconceito, depressão, bullying. É preciso falar muito sobre isto entre os jovens (e não só), é necessário existirem tentativas para acabar com o preconceito entre os adolescentes. O papel da literatura é importante, precisa de espalmar na nossa cara os problemas existentes da sociedade. O preconceito está presente em todo o lugar. Quantas vezes olhamos para uma pessoa gorda e temos pensamentos lamentáveis? Quantas vezes temos um gesto desagradável para quem é diferente dos padrões estabelecidos pela sociedade preconceituosa?

 

A Libby tem uma personalidade forte, aceita-se e enfrenta a escola com todos os olhares em cima de si. A Libby apesar de insegura em alguns momentos (como toda a gente, não é verdade?) é uma menina com sonhos e desejos (como toda a gente, não é verdade?). A Libby tem sentimentos e magoa-se, ao contrário da sua aparência e do que os outros pensam. Ela é a estrela deste livro, gostaria muito que a Jennifer tivesse focado este livro só nela. Ela não muda por causa de um rapaz, ela é girl power. Vocês precisam de ler a melhor cena de sempre: Libby na piscina, de mão na anca!

 

Infelizmente a autora decidiu dividir o foco pelo Jack. Um rapaz querido por todos com uma cabeleira afro. Existem outros detalhes que me desagradaram. A ausência de ajuda psicológica. Acho muito difícil estes dois não terem bases emocionais fortes (nem família, amigos, psicólogos, médicos,...). Dá a sensação que é possível enfrentar tudo sem ajuda de ninguém. Não é bem assim. 

 

O Jack não me convenceu. Achei completamente inverossímil o facto da doença dele não ter sido reconhecida pela família. Como assim ninguém notou? Como assim alguém vive desta forma sem ajuda médica? Todas as cenas parecem pouco reais e não deu para imaginar nada do que foi desenvolvido nesse sentido. Por favor, não dá. É evidente que a autora não tem conhecimento de causa e houve pouco trabalho de pesquisa. 

 

Gostei da mensagem do livro. A autora consegue chamar a atenção do leitor para a urgência de respeitar o próximo e as suas diferenças. Por favor, deixem os outros serem como são. Parem com julgamentos estúpidos. Deixem os outros em paz. Dêem uso a palavras delicadas e simpáticas. 

 

Apesar de não estar contente nas primeiras páginas (primeiras cem), estabeleci alguma empatia com as personagens ao longo da história. Acabei por torcer por elas. O romance era inevitável, acaba por entrar num cliché próprio dos livros deste género. Queria tanto comentar uma cena romântica convosco, mas não quero estragar a vossa experiência de leitura. A escrita da autora é cativante. Tenta ser profunda em determinados momentos, leve em outros. 

 

Leiam, sem expectativas altas (sobretudo se tiverem lido o romance anterior). Libby é amor. 

 

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4 comentários

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De Marta a 07.03.2017 às 10:42

Tenho que experimentar!
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De Cláudia Oliveira a 07.03.2017 às 11:27

Espero que gostes!
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De Sandra a 07.03.2017 às 13:57

Respeitar o próximo e as suas diferenças. Devia ser a primeira regra para viver em sociedade. Faz-me tanta confusão o constante julgamento geral. Acho que quando somos adolescentes, infelizmente, faz parte. Não temos maturidade psicológica e emocional e deixamo-nos levar. Mas em idade adulta devíamos saber respeitar as diferenças dos outros e não o fazemos.
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De Cláudia Oliveira a 07.03.2017 às 14:28

Cabe agora a alguns adultos educar as suas crianças nesse sentido. E dar o exemplo, sobretudo isso. :)

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