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"HOMENS IMPRUDENTEMENTE POÉTICOS" | VALTER HUGO MÃE

por Cláudia Oliveira, em 25.05.17

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Fico tão feliz por não ter desistido deste escritor. Foram quatro livros antes de me apaixonar por ele. "O Filho de Mil Homens"; "Contos de Cães e Maus Lobos"; "A Desumanização" e "A Máquina de Fazer Espanhóis" fizeram parte das minhas leituras ao longo dos anos, mas ainda não estava convencida. Gostei sem amar. Amei sem saber. 

 

Valter Hugo Mãe tem o dom de conquistar os seus leitores através das inúmeras metáforas e forma poética na hora de contar uma história. Sem precisar de muita acção, ele prova que não é (só) a história que interessa, é a forma como as palavras nos acertam. Foi certeiro. Ou talvez eu estivesse no momento certo para as receber. Ou maturidade. Parece muito espiritual dito desta forma, mas não sei transmitir de outra.

 

Foi um livro que passou muito tempo comigo. O meu sentimento por ele cresceu ao longo dos dias. Tão grande este amor que entrou para a lista dos preferidos deste ano. Estava na hora Valter Hugo Mãe, estava na hora de reconhecer e baixar as defesas. Fui uma leitora desconfiada durante muito anos. Por pensar que não passavam de uma série de frases bonitas escolhidas de propósito para provocar sentimentos tristes e bonitos. Estava redondamente enganada. E ainda bem. 

 

Há uma evolução, uma inovação na sua escrita. A cada livro o autor transforma-se. Cria uma linguagem muito própria. É possível? Respeitei o ritmo lento do livro e consegui mergulhar na história. O escritor é muito poderoso na forma como apresenta a história. Somos levados lentamente para dentro da magistral floresta japonesa mais conhecida como a “Floresta dos Suicidas”. Senti-me muito pequena perante o tamanho e o silêncio desta história. Senti o peso e a leveza nas palavras do Valter Hugo Mãe. Admiro a capacidade de alguém, através das suas palavras, revelar sentimentos desconhecidos. Conheci uma família, bebi da sua cultura e conhecimento. 

 

Aquelas árvores gigantes com cordas a balançar ao vento causa-me uma sentimento de admiração e curiosidade. Um livro capaz de trazer calma aos dias mais agitados e vários murros no estômago para não adormercemos com tanta paz. Não sei como é que o autor faz isto, mas é brilhante. Este é o meu Valter Hugo Mãe preferido. Finalmente. 

 

(comprei este livro, como compro todos os outros do autor)

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4 comentários

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De Gorduchita a 25.05.2017 às 12:41

Ainda não li nenhum livro dele. Mas está um na minha prateleira para ler. Vou ter de o ler brevemente, assim sendo! :)
Aconteceu-me algo do género com Haruki Murakami. O primeiro livro que li dele - Kafka à beira mar - ficou a muito menos de meio na primeira tentativa. Parecia um livro sem sentido, que não me despertou nada.
Passados uns meses, dei-lhe uma nova oportunidade. Li-o de empreitada! Adorei-o. E depois disso li já imensos livros dele e gostei de todos! Acho a escrita e as histórias absolutamente fascinantes!
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De Cláudia Oliveira a 26.05.2017 às 10:09

O Haruki é outro, nunca sei se amo ou não. Um dia apaixono-me. Só amei um livro dele. Às vezes acontece... :)
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De Marta a 25.05.2017 às 21:10

Comprei o "Desumanização" na altura em que foi lançado e nunca o li porque não achei que estivesse preparada para ler VHM pela primeira vez. Com este post, acho que vou arriscar! (:

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