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Memorizem este nome, Raquel Gaspar Silva. Ainda vamos ouvir falar muito nela. O seu primeiro livro editado recentemente pela Elsinore intitula-se "Fábrica de Melancolias Suportáveis". Que título maravilhoso é este? E esta edição fantástica? A primeira vez que ouvi falar na autora foi numa visita à editora, sabia que uma mulher portuguesa seria editada brevemente pela Elsinore. Sabia o seu nome e que a história do seu livro se passava no Alentejo. Esperei expectante durante algumas semanas. Quando meti os olhos no livro, num passeio inesperado, comprei-o por impulso. 

 

Vamos fazer assim, não vos vou entregar a história. Vou revelar apenas a experiência de leitura. Podem aproveitar, clicar no play do vídeo e ouvir um excerto. Uma passagem que define claramente a escrita da autora.

 

Este livro é pequeno, lamentei o número de páginas de tão maravilhoso, mas tem o tamanho certo. No fim reli as minhas passagens preferidas, andei com o livro de um lado para o outro mais uma quantidade de dias. Adiei este texto na expectativa de descobrir a dimensão do impacto deste livro na minha vida. 

 

Um livro pequeno pode guardar muitas histórias. É este o caso. Revelou-se uma enorme surpresa, talvez a maior surpresa do meu ano. Raquel Gaspar Silva revela uma enorme maturidade na sua prosa poética. Foi exactamente o texto rebuscado que mais me fascinou. Uma história que revela pouco, com várias interpretações.

 

Carlota é o nome da nossa protagonista. É a história da própria Carlota contada através das imagens que guarda dos outros. Fotografias mentais que parecem distantes e nubladas. A interpretação é nossa e aposto que será diferente para cada leitor. Meias palavras, histórias nas entrelinhas. A história não é entregue aos leitores na totalidade. Fica a sensação que a Carlota tem uma fábrica extensa de memórias melancólicas  (como indica o título) e cativantes (na minha perspectiva). 

 

"A mãe era pequena, de troço no cabelo e vestidos de flores miudinhas, personalidade simples e ambições leves como um coelho. Suportava sem embaraço o sabor da autoridade paterna, não participando dos cálculos de gestão domésticos, pois a sua tarefa era zelar pelos filhos em recatada manifestação de amor. Assim aprendera: não ser abertamente expressiva para que ninguém a julgasse excêntrica. Toda ela era a complacência do jugo matrimonial."

 

Vi muito do nosso país,  das nossas tradições. Das famílias numerosas e das suas casas ao cheiro da terra debaixo do sol tórrido. Para além de visceral, foi uma leitura quase visual. Foi inevitável ir ao baú das minhas memórias enquanto lia este livro. 

 

Na medida certa, com uma narrativa surpreendente e capaz de emocionar, este livro deixa a sua marca. Recomendo imenso.  

 

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7 comentários

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De Anónimo a 16.07.2017 às 22:24

Percebo que é o tipo de livro que tem de mexer com as nossas emoções, seja de que forma for...ou pelas palavras e pelo que projetamos ou por nos identificarmos com o que lemos. Lembro-me que tu gostaste muito do Leite e Mel - outro livro com a mesma premissa para o leitor, ter de mexer com os nossos sentimentos - mas eu não gostei assim tanto. Gostei da forma, de coisas que li...mas não foi visceral. Seja como for, é bom ir sabendo que existem livros assim e autores novos. Vou ver se sei mais sobre a autora e sobre o que ela escreveu. =)

Olga
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De Cláudia Oliveira a 16.07.2017 às 22:38

Este tem uma proposta diferente. Não é totalmente poético e não é totalmente claro nos factos. Nem conta uma história parecida. Aqui o leitor é responsável pela interpretação.
Quase no final do livro, uma notícia transformou a leitura numa experiência visceral.
Acredito que livros assim não são experiências intensas para todos. No entanto, mesmo com algumas dúvidas, recomendo.
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De Anónimo a 16.07.2017 às 22:45

Sim, não digo que a premissa seja a mesma pela essência ou pelo objectivo a que as autoras se propõem...mas quando existe este tipo de escrita, esta prosa mais poética, claramente há intenção de nos chegar ao âmago...ou pelo menos é assim que interpreto a coisa. Quando as coisas não são diretas. Quando não são totalmente claras, como dizes. =) Mas nada como experimentar ler o livro...até porque a amostra é curta para tirar grandes ilações. Estou a falar das perceções que me deixou o que ouvi e li...mas podem estar totalmente erradas. =)

Olga
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De Cláudia Oliveira a 16.07.2017 às 23:54

Não acho que estejas errada. :)
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De Cláudia Oliveira a 16.07.2017 às 22:39

Este é o seu primeiro romance. Ela escreve poesia num blog. Espreita, quem sabe gostes da amostra que a Wook disponibiliza.
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De Anónimo a 16.07.2017 às 22:49

Vou ver sim. Eu gosto muito de prosa poética - e de poesia. Não tenho lido grandes livros nesse género ultimamente, mas gosto muito. Ainda há dias falava com a Cristina Gaspar sobre isso, sobre esse gosto, e sobre recomendações de livros. =)
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De Cláudia Oliveira a 16.07.2017 às 23:54

Podes deixar algumas sugestões do género. Ficaria muito agradecida. :)

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