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Apanhada de surpresa com "Uma Duas"

por Cláudia Oliveira, em 10.10.14

Comecei a ler o livro “Uma Duas” de Eliane Brum com a necessidade de um livro leve. Quando estou com um calhamaço na mesa-de-cabeceira, leio de forma intercalada um livro leve. Como estava enganada. Um livro leve? Tão longe. Frio, frio, muito frio,… Este livro é forte e poderoso nas emoções transmitidas. É curto, mas conseguiu dizer mais que alguns calhamaços. Frio, frio, muito frio,… A relação entre uma mãe e sua filha, uma ligação doentia, suja. Tive de interromper esta leitura várias vezes para respirar fundo e pensar. Por isso demorei. Mexeu comigo. Não sei se pelo facto de ser mãe. Não sei, não sei. Uma loucura! Momentos em que estive à beira de chorar, explodir em lágrimas. O estômago virou do avesso. Aquela sensação estranha de estar a ler pessoas. “*Não, não estou querendo absolvição nem compaixão, sei mesmo que não a teria, porque é melhor pensar que eu sou a única perversa e que o resto da humanidade é bom e puro. Mas, gostando ou não, eu também sou **f**ilha deste mundo.”* A escrita de Eliane Brum é fantástica. Este livro foi uma surpresa. Recomendo esta leitura de uma ponta à outra, numa altura qualquer mas sobretudo nunca fase pouco deprimida. Este livro vai funcionar como a música triste num momento triste. Ainda bem que queria um livro leve. Ainda bem que não era. *“E ainda que eu não tenha sabido amar, acho que isso é um tipo de amor. Ainda que não tenha sido como deveria ser e como você tinha o direito que fosse, o que eu senti por você, mesmo quando a odiava, foi o sentimento mais completo e profundo que já senti nesse mundo a minha vida inteira.”

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