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A Seta do Tempo | Martin Amis

por Cláudia Oliveira, em 01.11.16

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Minha pontuação 4.5*

 

Esta foi provavelmente a leitura mais difícil deste ano. É um livro que necessita de extrema atenção e acredito que não consegui captar tudo o que o autor quis dizer nas entrelinhas. Mas são estes os livros que mais prazer me dão. Primeiro o autor conquistou-me de tal maneira que pretendo ler mais livros dele. Depois a história é contada de uma forma completamente diferente de tudo o que já li. Adoro quando sou surpreendida desta forma. 

 

A história é contada de uma forma particularmente original. Acompanhamos os personagens de trás para a frente. Desde adultos até serem crianças,. Os diálogos também são iniciados pelo final. Nas primeiras páginas tive a sensação de ser sugada para dentro do livro e andar às cambalhotas. Depois tudo se compôs, acabei por encontrar algo sentido no meio da confusão. 

 

A critica à sociedade feita pelo autor é espectacular. Quantos caminham sem entender o que se passa à sua volta sem fazer um esforço para entender? Toca nas feridas, mexe com os dedos e segue o caminho como se não tivesse dito nada de mal. Sarcástico, de uma extrema elegância. O livro está cheio de passagens interessantes sobre todos nós.  

 

"Mas a opinião mundial, enquanto força, já se foi há muito tempo. Não se consegue dizer ao certo quando aconteceu isso. Após o tiro para a Lua, lembro-me eu, apagou-se uma luzinha na cabeça de toda a gente; de repente o mundo pareceu mais aconchegante, mais local, mais bafiento. A opinião mundial, por outro lado, desapareceu lentamente. Tal como a consciência dentária de si mesmo. Hoje em dia veem-se sorrisos de ogre por todo o lado, e ninguém se importa. As pessoas não se importam tanto com o aspecto das outras pessoas. Por isso as pessoas podem ser o que são, sem se importarem que as outras se importem."

 

Foi neste livro que encontrei a melhor definição de amor. Uma comparação improvável. Martin Amis sabe escrever tão bem sobre amor sem cair no ridículo ou lamechice. Há uma relação emocional entre o Tod e outra mulher com divagações absolutamente encantadoras. 

 

Tod acaba por ir parar a Auschwitz onde vai praticar medicina. Nesses capitulos são descritas situações no campo de concentração arrepiantes, duras. O autor conjunga a frieza com a subtileza. Adorava encontrar uma palavra extraordinária para descrever a escrita de Martin Amis. 

 

Rendi-me à narrativa, à escrita, às ideias. Fiquei perdida, reli alguns paragrafos e no final senti-me transformada. Fantástico na sua originalidade. Denso na sua mensagem. Um livro que tenho receio de recomendar a toda a gente, mas que me encheu as medidas. 

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