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"A QUÍMICA DOS NOSSOS CORAÇÕES" | KRYSTAL SUTHERLAND

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Este livro fala no primeiro amor. Diria, na primeira paixão. Na existência de química entre duas pessoas. É a história do Henry e da primeira vez em que se apaixona. Do seu primeiro beijo, do primeiro momento mágico e frio na barriga. Ele conhece a Grace no dia em que ambos são escolhidos para coordenar o jornal da escola . Ela é considerada uma miúda estranha, veste roupa muito larga e anda apoiada numa bengala. A Grace é a estrela deste livro. A sua estranheza acaba por conquistar e marcar o seu carácter.  

 

O Henry é um miúdo cheio de dúvidas, com pouca autoconfiança e muito carente. Foi a primeira vez que viu um rapaz com constantes ataques nervosos em relação à sua paixoneta. Normalmente é a menina a fazer esse papel em quase todas as historias de amor . Aqui é tudo invertido e funciona. Afinal os rapazes no mundo inteiro não são todos fortes e confiantes. Mas o que é original no começo, acaba por ser irritante no desenrolar da trama. Ele é extremamente carente. Em alguns momentos pensa que o facto de serem namorados dá-lhe o direito de dizer que a Grace é dele. Não é. Ninguem é de ninguém. Isso não é romântico.

 

Há um momento  mágico, como acontece no cinema, muito bem descrito entre o casalinho . Adorei, é o meu momento preferido neste livro. Tem tudo a ver com os peixes da capa, mas não vou contar. É genuíno, trouxe um bocadinho aqueles momentos de adolescente guardados eternamente na caixinha das recordações. Trouxe do passado o sabor doce das primeiras paixões.  As mensagens trocadas pelos dois são muito fofas. Existem diversas referencias à cultura pop dos adolescentes dos tempos modernos. Redes sociais, cinema e música estão no mote das conversas dos dois e dos amigos. Adorei o facto do talento para a escrita ser abordado. No meu tempo não existiam jornais na escola. Uma pena. 

 

A escrita da autora é cativante.  Muito criativa, existe equilíbrio entre o drama e a leveza do primeiro beijo. Quando a historia da Grace começa a ser desvendada o livro não perde o interesse. Somos confrontados com um assunto muito delicado, a perda, o luto. A forma como as pessoas sofrem e continuam a viver com a dor. Talvez seja um pouco estranho, mas tudo o que é diferente acaba por provocar esse estranhamento. 

 

Não é um livro igual aos outros livros para adolescentes com histórias de amor. Tem vários elementos que o distingue. A carência do rapaz, a objectividade da rapariga. As famílias diferentes de ambos, uma é muito liberal, a outra é confusa e problemática. A capacidade de superação após um desgosto. O primeiro amor, aquele que acreditamos ser eterno.   

 

 Foi uma boa surpresa e estou convencida que muitos adolescentes vão adorar esta história. 

 

(livro cedido pela editora)

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