Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



"UMA MAGIA MAIS ESCURA" | V. E. SCHWAB

por Cláudia Oliveira, em 16.05.17

 

IMG_20170515_171923.jpg

 

Victoria Schwab, ou V. E. Schwab, é a autora do mais recente sucesso de literatura fantástica editado em Portugal pela Editora Minotauro. Uma série direccionada para o público de Young Adult. Ainda sem conclusão, a trilogia tem recebido imensos elogios por parte dos leitores do género. A autora lançou o segundo volume em 2016 e está a escrever o terceiro. Precisamos dos seguintes, não suporto a ideia de começar uma série e não terminar.  

 

Este história passa-se em 1819, em Londres. A cidade está dividida em quatro mundos paralelos: Cinzenta, Vermelha, Branca e Preta. Cada uma tem um diferente grau de magia, sendo que a Londres Negra desapareceu na escuridão e a Vermelha é governada pelo principie Rhy.  É na Londres Vermelha que a história deste volume está centrada. Como protagonista temos o Kell, embaixador do império de Maresh, ele viaja entre os diversos universos para entregar correspondência entre os governantes. Traz objectos de um mundo para o outro, vende-os de forma ilegal e proibida. No meio dessas visitas, entre um mundo e outro, vai acontecer algo muito grave devido a um erro do Kell. 

 

Kell é uma personagem muito interessante. A história dele não é entregue ao leitor de uma só vez, é desvendada ao longo da trama através dos seus relacionamentos e ligações. Mas para mim a melhor personagem é a Delilah. Apesar de irritante, é muito forte, tem a capacidade de roubar muitas vezes o protagonismo do Kell ( e não só, visto que ela faz do roubo o seu passatempo preferido). Tem uma enorme sede de vida e poder. Não olha a meios para atingir os fins. Aceita-se, admite que rouba porque gosta. Ela vai ser uma chave importante para o decorrer da história.

 

Adorei o facto deste livro não ter romance. Viva os livros sem romance forçado entre as personagens. Sério, até fico emocionada com tal facto. É possível um bom livro não viver de um romance banal ou de um triângulo amoroso. Também gostei muito do final do livro, promete uma boa continuação. Fiquei curiosa e pretendo ler o próximo volume. Espero que a autora tenha dado mais profundidade às cidades. Senti uma enorme ausência da presença de Londres nesta história. O destaque foi para as personagens ( o que não é necessariamente mau), mas podia ter aproveitado mais estas Londres. Há um infindável mundo para explorar. Será no próximo volume?

 

Fiquei agarrada à história até ao fim. Os elementos mágicos são complexos, sobretudo a ideia da magia estar no sangue. A narrativa e os diálogos também são bons. Uma autora para ficar debaixo de olho. Os leitores de fantasia têm aqui uma mão cheia de criatividade e talento.

 

(livro cedido pela editora)

Autoria e outros dados (tags, etc)

"HISTÓRIA DA MENINA PERDIDA" | ELENA FERRANTE

por Cláudia Oliveira, em 09.05.17

IMG_20170509_095723.jpg

 

Lila e Elena. Minhas queridas. São as protagonistas de uma história contada pelo ponto de vista de uma. Dividem o protagonismo entre os diversos livros da série.  Elena escreve sobre ela e sobre a sua grande amiga Lila. Portanto, não podemos confiar totalmente na sua história. Vemos as pessoas como queremos, não como elas são realmente. Existem momentos em que sinto raiva ou tristeza de uma, às vezes da outra. Nesta série nunca sabemos o que vai acontecer. Tudo é inesperado. Este fim foi inesperado. Não é um final fechado, sem pontas soltas, pelo contrário. Deixa algumas perguntas sem resposta. 

 

É uma história sobre Nápoles, sobre a construção de uma cidade pós guerra. É sobretudo a construção de uma vida de sonhos num lugar pequeno, cheio de condicionantes impeditivas para obter bons estudos ou uma boa vida. Amores reais e difíceis, famílias corajosas e tempestuosas. É sobre a vida onde mora a amizade e o amor. 

 

É a melhor série de livros que já li em 32 anos, com milhares de quilómetros de letras no meu curriculum como leitora. São as personagens mais parecidas comigo, apesar de fictícias e estarem num ambiente completamente diferente do meu. As oportunidades delas, a sede pela vida e estudos, a relação de amizade das duas protagonistas é bastante próxima da relação de amizade que mantive (ou mantenho, o fim de uma amizade continua a ser uma amizade, não existe ex-amigo, de amigo passamos a coisa nenhuma). Senti cada palavra, e consegui viver com estas personagens durante muitos meses depois de terminada a leitura dos outros volumes. O mesmo acontecerá com este. Estas personagens vão comigo para sempre porque sou eu (às vezes a Lila, às vezes a Elena, não posso revelar onde sou uma, onde sou a outra, às vezes sou as duas). Talvez seja muito prepotente da minha parte dizer que esta escritora escreveu-me, mas a realidade é esta. Encontrei as minhas fragilidades nesta série e reconheci os meus defeitos nas personagens. Quando sinto raiva das suas atitudes também as sinto como minhas. 

 

Na fase adulta, ficamos mais próximos da morte. As pessoas começam a desaparecer, por doença ou morte inesperada. No último livros há muito sofrimento. A carga dramática começa na vida amorosa da Elena, devido a uma grande reviravolta é transportada para a vida da Lila. Continua a existir a habitual competição entre elas. Na cabeça da Elena, acho que ela compete sozinha sem saber. Neste livro vamos ter atitudes surpreendentes por parte de várias personagens. Um turbilhão de emoções. Preparem-se. O título é perfeito para este volume, mal sabia eu. 

 

Não ficamos indiferentes à escrita da Elena Ferrante. É visceral e emotiva, fria e doce. Tudo junto e misturado. Estou completamente apaixonada  pela sua narrativa. Gostava tanto de escrever assim. Sem filtros, no entanto nada é deixado ao acaso.  E apesar de ser impossível reconhecermos a escrita de uma mulher, estes livros só podiam ter sido escritos por uma. Uma das minhas escritoras preferidas. Vou ler tudo o que tenha sido escrito por ela. Infelizmente, faltam-me poucos. Mas sempre posso reler, não é verdade? 

Autoria e outros dados (tags, etc)

"REGRESSO À PEQUENA ILHA" | BILL BRYSON

por Cláudia Oliveira, em 05.05.17

Instasize_0505104153.jpg

 

Após um pedido do editor para voltar a escrever após vinte anos do livro "Crónicas de Uma Pequena Ilha", Billy regressa a Inglaterra para recolher memórias para o seu último livro de viagens. Nunca tinha lido nada do autor, mas já tinha ouvido falar no registo bem disposto da sua narrativa. Após a leitura deste, fiquei extremamente interessada em ler os primeiros livros. Contudo, acho que não foi uma boa ideia começar por este.  

 

Há uma ligação evidente ao passado, teria sido mais interessante descobrir as diferenças em relação à primeira experiência. Regressar a um lugar é completamente diferente da primeira visita. De conhecer novos cheiros, vivenciar tudo pela primeira vez é uma gratificante experiência. Apesar de ele acabar também por vivenciar novas experiências a expectativa é diferente. A idade e o espírito aventureiro é outra, o que altera tudo.

 

Acabei por dar valentes gargalhadas nas primeiras páginas, mas fiquei aborrecida com o desenvolvimento da história. Os dados geográficos são muito chatos e desinteressantes. São longos parágrafos cheios de números e questões que nunca suscitaram o meu interesse. Quando revelava histórias divertidas, quase retiradas um filme de comédia, dei valentes gargalhadas. Em outros momentos simplesmente senti-me incomodada com a falta de educação do autor (capítulo sobre a H&M, por exemplo). 

 

No fundo, o propósito do livro atingiu-me. Fiquei com muita vontade de conhecer os campos verdejantes do Reino Unido. Também passei bons momentos com a leitura do livro e fiquei interessada em ler mais livros do Bill Bryson. Não foi o melhor livro de viagens que já li, acredito que o autor tenha conseguido melhor nos seus diversos livros lançados pela editora Bertrand em Portugal. 

 

(livro cedido pela editora)

Autoria e outros dados (tags, etc)

"SE EU FOSSE TUA" | MEREDITH RUSSO

por Cláudia Oliveira, em 02.05.17

IMG_20170501_174009_578.jpg

 

 

Não nego a importância de livros para adolescentes com personagens diferentes dos padrões comuns . São realmente necessárias histórias contadas do ponto de vista de adolescentes com problemas de identidade ou algum tipo de perturbação mental.  Este livro será com certeza importante para muitos adolescentes. Este livro não fala sobre problemas de identidade ou algum tipo de perturbação mental. Este livro conta a história da Amanda, ela nasceu rapaz.

 

O livro é bastante fácil de ler, a linguagem é simples e os constantes diálogos dão imenso ritmo ao livro. Li-o num dia. Os capítulos curtos também ajudaram muito. Só mais um, só mais um,...No entanto, cheguei ao final incomodada com várias coisas nesta história. Perdi as contas às inúmeras vezes que a protagonista é chamada de "linda". Todas a acham linda, ela é linda mas não acredita, tão linda, linda. Na página oitenta já revirava os olhos com a falta de adjectivos por parte da autora. Eu entendo que a autora queria passar a mensagem de "tu és linda, todos somos, não interessa como somos, de quem gostamos". Mas a repetição não é de todo a melhor forma. Muito menos a nota final, cheia de explicações. 

 

É de louvar a coragem da autora em escrever uma personagem diferente da realidade da maioria para ajudar os adolescentes. Ela própria admite que teve medo em escrever esta história. Corajosa. No entanto, é preciso que seja feito com mestria. Não foi o caso. O livro é raso, sem profundidade. Nunca senti a dor da Amanda, nem algum tipo de sentimento. Já li YA suficientes para saber que não precisam de ser assim.

 

O processo de transformação, a tentativa de suicídio, a angústia da Amanda precisava de estar exposta e dilacerar o meu coração. Nem no momento mais dramático o meu coração ficou aos pulos. É muito difícil imaginar o sofrimento de alguém nesta situação. Ou ser mãe de alguém que um dia chega a casa e diz "afinal sou uma menina". Mas gostava de sentir através da literatura essas dúvidas. Reflectir, ficar atormentada. Não aconteceu.

 

Este livro pretende passar uma mensagem bonita, mas de forma pouco intensa. Podia ter sido muito melhor. 

(este livro foi cedido pela editora)

Autoria e outros dados (tags, etc)

"FUI EU QUE FIZ" | MARGARIDA GARCIA E MARIANA GÓIS

por Cláudia Oliveira, em 28.04.17

Munkee_0428080021.jpg

 

Este livro trouxe-me vontade de renovar os móveis todos lá de casa. Tem ideias simples e fáceis de concretizar. Eu acho que vou começar pelo quintal e pintar as paletes que fazem de esplanada no terraço. Já tenho as tintas, só falta comprar as lixas e começar. O bom tempo vem ajudar na decisão de dar cor à minha casa. 

 

As autoras deste livro têm um blog chamado "Once Upon a Trash" com um conceito que acho muito bonito para o planeta. A renovação e reutilização  dos móveis. Este livro é a compilação de vários projectos de reciclagem. Mais de trinta ideias partilhadas com fotografia bonitas e ao pormenor.  Os capitulos são divididos pelas várias divisões de uma casa: cozinha, sala, quarto, etc...

 

Este livro é uma inspiração! Gostei muito do resultado. Acho que até as pessoas com pouca habilidade para trabalhos manuais (é o meu caso!) conseguem transformar móveis velhos e sem graça em peças com atitude. 

 

Munkee_0428080201.jpg

Munkee_0428080242.jpg

(livro cedido pela editora)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

VEDA #27 #GIRLBOSS

por Cláudia Oliveira, em 27.04.17

 

 

Depois de ler o ebook escrito pela Sophia Amoruso, decidi ver a recente série da Netflix, "Girlboss". 13 episódios bem humorados. Diverti-me muito. É uma série divertida e leve. Ideal para quem está a fazer VEDA. Neste vídeo falo um pouco  sobre o livro e comento a primeira temporada completa. Com spoilers.

 

goodreads twitter instagram facebook

Autoria e outros dados (tags, etc)

"NO CORAÇÃO DO IMPÉRIO" | ALEXANDRA VIDAL

por Cláudia Oliveira, em 27.04.17

Munkee_0426142232.jpg

Primeiro romance histórico deste ano. Para quem, como eu, está a começar a ler históricos, escolhi o livro certo. Li-o num ápice ao contrário do que esperava. Gostei de ser surpreendida.

 

Na primeira página somos empurrados para o século XVI, um carregamento de escravos vindos do Congo chega a Portugal. Foi esta página que me prendeu de imediato. O sofrimento das mulheres durante a viagem destroçou-me. Violadas, maltratadas e conduzidas para lugares completamente desconhecidos longe das suas famílias. Arrepiante.

 

"Muitas mulheres foram violadas pelos homens brancos. De unhas grandes e disformes, com a boca deformada pelo escorbuto, eles davam livre rédea ao prazer com a carne agrilhoada das fêmeas em cativeiro. Talvez se tivessem transformado em estranhos cadáveres, mortos que respiram mas não sentem, a quem já foi roubada a alma."

 

A escrava Imani, baptizada pelo frades portugueses de Maria da Esperança, é a protagonista desta história. Uma mulher inteligente, com enorme sede de conhecimento. É enviada para aprender a escrever e a ler quando é colocada na corte de D. João III, para servir a rainha D. Catarina de Áustria. O seu professor é o homem pelo qual se apaixona, o gramático Rodrigo Montalvão. O romance acontece muito rápido. Uma paixão arrebatadora entre livros, num piscar de olhos e meia dúzia de palavras trocadas.

 

 A história é escrita de forma despretensiosa, leve e pouco descritiva. Estive sempre interessada no romance central. Li metade sem dar pelas páginas voarem diante dos olhos. Não tem descrições longas e detalhadas para quem está à espera de muitos pormenores sobre o terramoto ou a corte de D. João III. Fica o aviso. É tudo muito rápido neste livro. Tão rápido que fiquei baralhada em alguns momentos. Senti falta de mais explicações em outros. Contudo, estive a torcer pelo casal improvável até ao fim.

 

Mas o final...

 

Não gostei. Foi apressado, não foi intenso. Foi uma correria de acontecimentos sem explicação. Pouco ou nada sobre os estragos do terramoto. Personagens com atitudes pouco coerentes. Uma pena, a autora tinha nas mãos uma boa história mas não conseguiu concretizar nem manter uma narrativa coerente até ao fim. 

 

Como primeira experiência, valeu a pena. Uma leitora assídua de romances históricos provavelmente vai ter outra opinião. 

 

(livro cedido pela editora)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

 

Precisamos de divulgar mais este livro. É um livro extremamente necessário! Adorei, como todos os outros livros que li da autora. Um livro para todos! Leiam!

TEXTO OPINIÃO: AQUI

 

goodreads twitter instagram facebook

Autoria e outros dados (tags, etc)

"A SERPENTE DO ESSEX" | SARAH PERRY

por Cláudia Oliveira, em 21.04.17

Munkee_0421094713.jpg

 

Fico muito feliz quando encontro editados livros escritos por mulheres, com qualidade e uma capa maravilhosa. Parabéns à Minotauro pela escolha e trabalho. Tem surpreendido com os lançamentos.

 

Sarah Perry nasceu na Inglaterra, no Essex, tem 38 anos e este é o seu primeiro romance. Nem quero imaginar os seguintes. Esta mulher escreve de uma forma linda e única. É uma narrativa envolvente, sensorial e crua.

 

Este romance foi finalista do prémio "Costa Book Award" do ano passado. Na capa e na aba estão elogios de outras escritoras igualmente talentosas e vencedoras de outras prémios literários: Sarah Waters, Jessie Burton e Helen Macdonalds, " Uma obra de grande inteligência e encanto, de uma autora extremamente talentosa"; Adorei este livro..."; "Sarah Perry tem o dom raro...". Adoro quando mulheres elogiam outras mulheres dentro da mesma área.

 

Vamos à história e à minha opinião. 

 

Primeiro, a história passa-se em Londres durante o ano de 1983. Cora perde o marido mas não parece muito preocupada. Aliás, sentimos a frieza na personagem e alguma dificuldade em entender a sua postura em relação à morte do seu companheiro. É estranho. Cora não me agradou logo, mas deixou-me curiosa para saber mais sobre ela. E foi esse o encanto da história. Pelo menos para mim. A protagonista, a força da sua presença e todas as camadas que ela apresenta perante o matrimónio, a maternidade e a amizade. Após a morte do marido ela decide ir até Essex após escutar uma história sobre uma mítica serpente que assombra os dias da população daquela região. Ela quer ver com os seus próprios olhos, ela quer descobrir e experimentar uma vida diferente. No fundo, quer estar como bem entender. E logo aqui vemos que Cora não é uma mulher comum. 

 

Há todo um retrato da população e do ambiente vivido nas vilas modestas de Londres no século XIX. É feita uma descrição maravilhosa da natureza. Já viram fotos do Essex? Experimentem. Sarah Perry consegue transmitir na perfeição a paisagem verde, o ambiente húmido e gótico.

 

Nesta história a Cora não é única mulher espantosa. Martha, a amiga de Cora, é uma mulher lutadora e cheia de atitude. Adoro-a. Não fica na sombra da protagonista e consegue destaque em muitas cenas. Este livro está cheio de personagens realistas. Todos eles.

 

O livro tem um ritmo lento. Mas eu gostei. Um corpo em movimento cheio de lama. Uma descrição perfeita para a minha experiência de leitura. Em alguns momentos tive a sensação de estar a ler um clássico tal o requinte e a forma primorosa de algumas passagens. 

 

Não adianto mais. Descubram vocês. Não gosto de desvendar muito, mas adoro boas personagens e um bom enredo. Aqui está. O livro vale a pena e recomendo.

 

 

Aproveitem, participem no passatempo. AQUI

(livro cedido pela editora)

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

Querem um conselho daqueles para levar para a vida? Leiam este livro!

 

Chimamanda foi babysitter, criou sobrinhos e filhos de amigos próximos. Conviveu de perto durante bastante tempo com crianças. Ela é feminista, "todos devemos ser feministas". Posto isto, uma amiga de Chimamanda queria saber como educar a filha acabada de nascer como feminista. Pois estava confusa e precisava de orientação. Não sabia como agir perante a maternidade e as suas decisões. Chimamanda aceitou o pedido e respondeu à sua amiga através de uma longa carta. Deu-lhe quinze sugestões. Servem para a sua amiga e para todos nós. Para os que não têm filhos e para todos os adolescentes.

 

Primeiro, este livro é de leitura obrigatória para quem tem interesse ou pretende conhecer mais sobre o feminismo. E mesmo para quem não quer, não custa nada sair da zona de conforto e dar uma oportunidade, não é? É um livro curto, apesar de muito informativo. Talvez seja necessário uma releitura para absorver tudo o que a Chimamanda pretende transmitir. Talvez seja necessário várias paragens para reflectir sobre o que acabámos de ler. Talvez seja necessário abrir os olhos sobre uma palavra que ainda cria muita confusa na mente de algumas pessoas: feminismo. 

 

A literatura tem um papel muito importante: informar, incomodar, sensibilizar e mudar mentes. Acredito intesamente nisso. Acredito no poder da literatura. A literatura pode causar estranhamento, iniciar grandes mudanças interiores e transformar-se em grandes decisões. Mudar a forma de olhar a vida, consequentemente olhar os outros e respeitar as suas escolhas. 

 

Se tenho uma escritora preferida (por acaso até tenho mais) ela tem o nome de Chimamanda Ngozi Adichie. Um nome que acabou por ser muito importante para mim. Nunca ninguém me explicara o que era o feminismo até encontrar esta escritora. Estão a ver o poder a literatura? Uma mulher nigeriana explicou-me o que era o feminismo sem conhecer-me. Obrigada, muita gratidão pela sua existência. Nem sei bem como tropecei nela. Ou talvez saiba.

 

Questionava-me há anos, defendia com unhas e dentes o papel da mulher em diversas situações. Existiam situações que me incomodavam muito. Desconhecia que não estava sozinha até encontrar um pequeno grupo no booktube. O booktube foi uma janela gigante. Sério, mulheres maravilhosas ajudaram-me imenso a entender o feminismo.  Elas não fazem ideia. O "leiamulheres"  também fez toda a diferença na minha vida. Mais uma vez a literatura a transformar-me, a ser uma extensão de mim mesma. 

 

Encontrei nas palavras de Chimamanda reconforto, identificação, entendimento. No fundo, um abraço apertado com uma nota agarrada: "não estás sozinha, somos muitas". Este livro ainda não foi editado em Portugal, mas tive a oportunidade de ler em ebook. Desta vez o poder das tecnologias. O meu respeito pela Chimamanda aumentou e bebi da sua sabedoria em cada palavra. Tenho tanta pena de não ter lido antes do nascimento do meu primeiro filho. Teria sido uma ajuda tão grande. No entanto, sei que agora nunca mais serei a mesma. Nunca mais vou questionar o meu papel como mãe dentro dos princípios feministas. Nunca mais vou sentir-me culpada com algumas decisões. Tenho orientação, sei como estar atenta e fazer a diferença na vida dos meus filhos. Farei o meu melhor.

 

Não vou dissecar o livro, nem revelar as sugestões de Chimamanda. Vou antes sugerir que o leiam. Um dos meus preferidos da vida, para reler sempre e recomendar a toda a gente. 

 

Sugestão dezasseis: coloque as palalvras de Chimamanda Ngozi Adichie no caminho dos seus filhos. 

 

goodreads twitter instagram facebook

 

Autoria e outros dados (tags, etc)



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D