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"OS FALSÁRIOS" | BRADFORD MORROW

por Cláudia Oliveira, em 13.09.17

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A novidade da Clube do Autor está a conquistar os leitores. "Os Falsários", de Bradford Morrow está entre os Melhores Livros do Ano (Financial Times) e no Top 100 da Amazon. Um romance que traz de volta a tradição dos policiais da Agatha Christie e Arthur Conan Doyle.

 

A morte do famoso falsário Adam vai dar inicio ao grande mistério deste livro. Ele é encontrado rodeado de livros raros com as mãos decepadas. Quem terá cometido o crime? A policia não encontra pistas e tem dificuldades para solucionar o mistério. Somos levados para o meio dos livros e do crime através da voz do nosso protagonista, o Will, um falsário pouco amistoso e namorado da irmã do assassinado. 

 

O que mais gostei deste livro foi descobrir como trabalham os falsários. Como funciona o mundo ilegal dos livros e autógrafos falsificados. É de facto original. As referências literárias também sáo uma constante e torna o livro fantástico para quem gosta de ler sobre livros e escritores. 

 

A minha maior dificuldade foi simpatizar com o protagonista. Só conhecemos o ponto de vista dele e isso dificultou a experiência. Primeiro, ele é arrogante e parece-me tudo menos simpático. Sabem quando não gostam de alguém à primeira vista? Não gostei do Will à primeira e isso não mudou durante o livro inteiro. Nunca confiei nele. 

 

"A morte é uma coisa perigosa. Extinção do sofrimento, libertação dos problemas da vida, a morte é também uma acusação."

 

Recomendo, vale a pena pelos novos conhecimentos referentes a uma profissão peculiar e referências literárias. Gostei.

 

 

 

 

 

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"SWING TIME" | ZADIE SMITH

por Cláudia Oliveira, em 12.09.17

 

Nunca é muito justo para uma escritora ser comparada a outra. Sobretudo a uma escritora com o sucesso de Elena Ferrante. E houve uma altura que muitos livros eram indicados para os fãs da escritora ou as autoras era chamadas de "próxima Ferrante". Talvez seja gratificante para alguns escritores, frustrante para outros. Para os leitores cria uma tendência, uma enorme expectativa quando o assunto é a sua escritora preferida. Foi exactamente isso que me aconteceu, mas felizmente soube separar o trabalho da Zadie Smith e ter uma gratificante experiência de leitura. 

 

Swing Time debruça-se sobre uma relação de amizade de duas meninas mestiças com talento para a dança e canto. Ambas com esferas familiares distintas e condições financeiras vão cruzar as suas vidas e criar uma ligação para a vida. Como ambas lutam por um lugar no meio artístico há competição e algumas situações envoltas em ciume.

 

É um livro com um ritmo muito próprio, com passagens marcantes. Emocionei-me varias vezes, a minha imaginação conseguiu ler este livro enquanto assistia a tudo da primeira fila tal é a escrita realista e crua da autora. Apesar de termos apenas o ponto de vista de uma das meninas, acabamos por conhecer todas as personagens de igual forma. 

 

O crescimento no corpo de uma menina, mais tarde mulher, enquanto tenta entender o mundo e o que a rodeia. A mãe, a maternidade é outro assunto muito abordado. Sem floreados, com toda a sinceridade do mundo. O mundo dos adultos enquanto uma menina em fase de crescimento. As respostas ao nevoeiro dos seus pensamentos em fase adulta que se juntam como peças. 

 

"Oh, é muito bonito e racional e respeitável dizer que uma mulher tem todo o direito à sua vida, às suas ambições, às suas necessidades, e por aí fora - é aquilo que eu sempre exigi - mas em criança, não, a verdade é que é uma guerra de atrito, a racionalidade não entra nas contas, nem um bocadinho, tudo o que queremos da nossa mãe é que reconheça de uma vez por todas que é nossa mãe e só nossa mãe, e que a sua batalha com o resto da vida acabou. Tem de depor as armas e dedicar-se a nós. E se não o fizer, então sim, é uma guerra de verdade, e entre a minha mãe e eu foi uma guerra. Só na idade adulta aprendi a admirá-la realmente..."

 

São mulheres, sobretudo mulheres lutadores e com objectivos marcantes como a igualdade. A mãe de uma delas é fantástica. Quer estudar e lutar pelos seus direitos e entrar na política. Também temos uma actriz de sucesso que vive uma vida completamente diferente daquilo que as aparências mostram. Uma mulher sofrida, solitária e com algum mau feitio. O único homem deste livro passa uma imagem miserável, com pobreza de espírito e algo amargurada.

 

Passagens sobre o sucesso, a amizade, as lutas, a ambição. A música sempre presente na arte do sapateado ou nos videoclips do Mickael Jackson. Adorei a descoberta do talento e os olhos vidrados de entusiasmo. Enquanto escrevo este texto fiquei com saudades das personagens, acreditam? Uma história cativante que me marcou de alguma forma. 

 

Recomendo. Voz própria, diferente e encantadora.   

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"NEVOEIRO EM AGOSTO" | ROBERT DOMES

por Cláudia Oliveira, em 29.08.17

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Chorei juntamente com o Ernest. 

 

Diz o prefácio escrito pelo Dr Michael von Cranach: " Quando olho para Ernest gostava que tudo não tivesse acontecido mas, como todos sabemos, isso é impossível. Já nem sequer compensar é possível (e que palavra infeliz e cor derosa arranjámos na altura no contexto da indemnização às vitimas do Holocausto!). Mas livros como este devolvem a Ernest e a todas as vítimas a dignidade que lhes foi roubada de um modo cruel. "

 

Estas palavras bastavam como incentivo à leitura deste livro. No entanto, vou tentar completar com a minha experiência de leitura. Ler sobre esta temática não é fácil, todos sabemos. Fiquei realmente tocada com a história do Ernest. É de uma profunda agonia certas passagens de tão revoltante.  É impossível ficar indiferente e não sentir compaixão. Isto aconteceu! Com ele e com milhares de pessoas!

 

Uma criança, uma simples criança é tratada da pior forma possível. Como lidar com a tristeza do Ernest longe da sua família  num lugar livre de qualquer afecto? Como rejeitar uma criança desamparada? Como explicar aos filhos de hoje que muitas crianças morreram devido as atrocidades provocadas pelo Homem? Como explicar o Holocausto e o racismo? Como explicar a maldade?

 

Este livro mostra um bocadinho da realidade das famílias nómadas yeniches em 1933. Robert Domes conta o que aconteceu ao Ernest, um menino de uma dessas famílias. Não é uma história superficial, pelo contrário, existe informação detalhada na sua narrativa tornado o romance muito rico.

 

Ernest é levado para uma instituição por alemães após o separarem  da sua família. O pai está constantemente fora de casa, a mãe está grávida não consegue suportar o sustento de todos. Ele é uma criança que não cumpre regras, passa a vida a ser repreendido e a saltitar de instituição em instituição. Ninguém gosta dele por ser de etnia cigana. São várias as vezes que é acusado de roubo e tratado de uma forma bastante cruel. 

 

Chorei juntamente com o Ernest. Chorei quando a mãe se foi embora e ficou desamparado. Quando esperançoso esperava a visita do pai. Quando fechava os olhos e acreditava que tudo ia passar um dia. Uma criança, era só uma criança! 

 

 Recomendo. Emociona e revolta.

 

(livro cedido pela editora)

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"O VERMELHO E O NEGRO" | STENDHAL

por Cláudia Oliveira, em 25.08.17

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Se Julien tivesse conta no twitter seria o típico usuário obsessivo da hashtag #odeiopessoas.

 

Stendhal sabia escrever sobre os sentimentos. Com requinte e alguma ironia construiu um dos melhores e complexos personagens de todos os tempos. Ainda tem a capacidade de conversar com o leitor de forma despretensiosa e muito cativante. Esta é a considerada a sua obra-prima, um romance histórico psicológico. Uma leitura indiscutivelmente inesquecível.  

 

Julien entrou directamente para a minha lista de personagens preferidos mais insuportáveis e bem construídos. Não sendo o meu preferido (Holden e Alex são os meus eternos amores), tenho de enaltecer o trabalho deste grande escritor e recomendar seriamente este clássico para quem gosta do género e ainda não riscou este título da lista. Julien é um homem mesquinho e cínico, usa e abusa da sua cativante personalidade para obter aquilo que quer das pessoas, no entanto não as suporta.

 

Clássico intemporal, faz um retrato maravilhoso da sociedade do século XIX, em França. Julian tem ambições, ser rico longe da sua vida modesta. O pai detesta que ele leia e tenha tiques de finório sendo gozado constantemente. Criei empatia imediata com o Julien por causa desse episódio, mas depois ele vai trabalhar para a casa da Sra Rênal e a minha simpatia por ele muda drasticamente. A mulher não está habituada a lidar com tantas atenções e acaba por se apaixonar pelo Julien. Pobre senhora, não sabe onde se está a meter. Ela é casada e o marido começa a ferver de ciúmes. Ele cria vários inimigos por onde passa. Mais não conto. 

 

"Se ele não ultrapassar o nível de um verso de opereta, toleram-no. Mas, quanto ao homem que pensa, que tem energia e ideias novas, chamam-lhe cínico."

 

Este livro cativou-me imenso no inicio, mas depois o meu entusiasmo caiu a pique com o seu desenvolvimento. Gostei do final dramático, adorei a escrita do autor e como já disse o Julien é inesquecível. Recomendo mas ainda estou dividida entre o "gostei" e o "gostei muito".

 

 

(livro para o Clube dos Clássicos Vivos)

 

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"O LABIRINTO DOS ESPÍRITOS" | CARLOS RUIZ ZAFÓN

por Cláudia Oliveira, em 24.08.17

 

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Oitocentas páginas. Who cares? Carlos Ruiz Zafón já tinha ganho o meu coração com os livros anteriores. Tenho carinho especial pelas personagens. Sobretudo pelo carismático Fermín que tem uma justa homenagem com este livro. Andei a adiar a despedida desde o dia em que recebi o livro como presente (obrigada!). Aquele sabor agridoce do adeus e do reencontro. Em três dias li este calhamaço, absurdo como as páginas voaram. 

 

Este livro é o último da série "O Cemitério dos Livros Esquecidos". Numa Barcelona obscura, gótica e misteriosa com um encantamento indiscutível, narrado com a proeza que o autor já nos habituou. Este livro fecha o ciclo, anuncia novidades e traz novas respostas a alguns mistérios . O livro invade o nosso imaginário  e transporta o leitor para um lugar escondido e confortável. A sensação de reencontrar velhos amigos e escutar sábias palavras carregadas da sabedoria do nosso Fermín. 

 

"-Este lugar é um mistério, Julián, um santuário. Cada livro, cada volume que vês tem uma alma. A alma de quem o escreveu, e as lamas daqueles que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém passa o olhar pelas páginas, o sue espírito cresce e torna-se forte... Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, nós os que conhecemos este lugar, os guardiões, certificamo-nos de que vem para aqui."

 

Não é maravilhosa esta passagem? Momento amorzinho. 

 

Sempre que o Daniel e a sua família entravam em cena enchiam as páginas e eu ficava completamente vidrada na história. O mesmo não se sucedia em outros momentos. Em infindáveis diálogos cheguei a aborrecer-me e perder-me em tantos detalhes desnecessários para o desenvolvimento da trama. No entanto, com um final um bocadinho previsível, foi um belo encerramento. 

 

Recomendo. Mas o primeiro livro ainda continua a ser o meu preferido. 

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"A ILHA DAS QUATRO ESTAÇÕES" | MARTA COELHO

por Cláudia Oliveira, em 17.08.17

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Antes de avaliar um livro tenho em consideração o público alvo. Este livro é para adolescentes e muito distante das minhas escolhas habituais. No entanto, recebi o livro do Clube do Autor e fiquei curiosa com o título e a promessa de uma aventura com sabor a verão. "Aqui não são permitidos telemóveis, computadores, nem tablets. Só resta viver.", anuncia a capa sobre esta ilha misteriosa. 

 

Através dos capítulos intercalados conhecemos dois pontos de vista, da Cat e do Santi. Ambos vão para a ilha para embarcar numa mudança e aventura por motivos muito distintos. Assim que se conhecem sentem uma enorme empatia e acabam por criar uma ligação. A história tem ritmo, devido à forma como a autora Marta Coelho decidiu contar a história. Conhecemos mais adolescentes e juntamente com os protagonistas conhecemos as suas motivações, segredos e dramas.

 

Infelizmente o ambiente ficou para segundo plano e foi mal aproveitado. Uma ilha com câmaras, adolescentes, quatro estações do ano. Panorama perfeito para um livro cheio de pormenores e camadas. Havia tanto para desenvolver e explorar. Os romances e as ligações entre as personagens têm mais destaque. Tive a sensação que o pano de fundo não fez grande diferença nos acontecimentos e até considero que algumas situações foram muito incoerentes. 

 

O ponto forte são os  diversos temas abordados: amizade, família, depressão, relações abusivas, entre outros.  Assuntos reais que precisam estar nos livros dos adolescentes como uma chamada de atenção. Os protagonistas são muito lineares o que dificultou a minha envolvência nesta história. Precisavam de mais camadas, defeitos, profundidade como os seus dramas. Lamentavelmente tive dificuldade para terminar o livro e emocionar-me.

 

Marta Coelho foi guionista da série Morangos Com Açúcar, é notória essa faceta da escritora nos constantes diálogos criados na maioria dos capítulos para desenvolver o enredo. É de louvar uma editora apostar neste género literário direccionado ao público mais novo e ganharmos assim uma nova voz dentro da literatura juvenil portuguesa. 

 

Não fiquei convencida. Ficou muito aquém dos livros que já li para o mesmo público alvo. 

 

(livro cedido pelo Clube do Autor)

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"AS VINHAS DA IRA" | JOHN STEINBECK

por Cláudia Oliveira, em 16.08.17

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"As casas no campos, tinham sido abandonadas, e os campos consequentemente, também haviam sido abandonados. Somente nos depósitos dos tractores, cujas chapas onduladas brilhavam como prata polida, havia vida e esta vida era alimentada com metal, gasolina e óleo, enquanto os discos das charruas reverberava ao sol."

 

"Os ratos entravam e acumulavam provisões aos cantos, nas caixas e ao fundo das gavetas, nas cozinhas. E as doninhas entravam e caçavam os ratos, e as corujas pardas esvoaçavam, guinchando e tão depressa entravam como saíam."

 

Citado na minha leitura anterior, surgiu a vontade de ler este livro. Procurei por um exemplar no site de vendas de usados e encontrei este por cinco euros. Gosto imenso da colecção Dois Mundos, portanto fiquei bastante satisfeita quando o livro chegou à minha casa em óptimas condições. Entretanto, a editora Livros Brasil já deu uma nova capa ao livro e é fácil encontrar nas livrarias. Este livro venceu o Prémio Pulitzer em 1940 e o autor recebeu o Nobel da Literatura em 62.

 

A história passa-se na década de 30, no período da Grande Depressão. Uma época de grandes dificuldades atingindo vários sectores da actividade económica em vários países. Nesta história John Steinbeck foca-se nos campos das grandes planícies no Texas e do Oklahoma atingidas por uma tempestade de poeira provocando assim um êxodo para Califórnia dos habitantes daquelas terras em busca de trabalho para sustentar a família e sobreviverem.

 

Não sei como é que o Steinbeck faz mas consegue sempre encantar-me com os seus livros. Cria personagens com quem é fácil criar empatia e ligações fortes. Para o resto da vida. As suas histórias mostram-nos o tamanho dos nossos problemas como um ponto minúsculo perante as dificuldades das suas personagens. Foi uma agonia constante pegar neste livro pela tristeza que nela contém. No entanto, apesar de sofrida foi uma experiência de leitura intensa e enriquecedora. Ninguém termina este livro da mesma forma como começou. É aquele livro que muda a perspectiva e nos vira do avesso com as injustiças. 

 

Depois vi o filme e adorei. Uma excelente adaptação. Ver as personagens ganharem vida é maravilhoso. Sobretudo se correspondem totalmente ao que imaginámos. 

 

Este livro é um dos meus favoritos da vida, só podia recomendar. Maravilhoso, obra prima. 

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"O JARDIM DAS BORBOLETAS" | DOT HUTCHISON

por Cláudia Oliveira, em 14.08.17

 

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Este é o primeiro de uma trilogia intitulada "Coleccionador". Começa com o pé direito, com fortes indicações de se tornar numa escritora reconhecida no seu meio. E até parece que existe uma disputa entre duas produtoras para a sua adaptação. Certamente um filme arrepiante.

 

Neste livro o nosso vilão adora coleccionar meninas. Assim que chegam ao Jardim, tatua as costas de todas com asas lindas e brilhantes. São violadas, massacradas e depois mortas. Quando mortas são embalsamadas e expostas num corredor no meio de resina. Assustador e macabro. No Jardim vivem um mundo muito próprio e com fracas hipóteses de escapar. Mas uma das raparigas foge e agora é interrogada pela policia.

 

A história é revelada aos poucos. A rapariga interrogada faz questão de contar tudo a conta gotas o que pode criar algum desconforto no leitor. Não via a hora de obter mais informação daquele lugar, o que me fez virar páginas sem parar. Confesso que sou muito ansiosa neste tipo de coisas. Fez-me estar à beira do desespero enquanto prendia a minha atenção. Bela jogada. 

 

Consegui acreditar no que me era contado. É o mais importante numa história tão estranha, não é verdade? Consegui imaginar todos os cenários e ficar enojada em alguns momentos. Certamente que este livro provoca diferentes emoções em diferentes leitores. Eu tive uma experiência de leitura muito irregular. Senti-me envolvida até metade do livro, mas a minha atenção afastou-se em determinados momentos. Tive dificuldade em conectar-me com a história e não gostei muito do final. No entanto, fascinou-me este Jardim com livros como uma espécie de escape. Podem esperar várias referências. 

 

"À noite, o Jardim era um lugar de sombras e luar, onde se podia ouvir com mais clareza todas as ilusões que o transformavam naquilo que era. Durante o dia havia conversas e movimento, às vezes jogos ou canções, e isso disfarçava o som dos canos a transportarem água e nutrientes através dos canteiros, das ventoinhas que faziam circular o ar. À noite, a criatura que era o Jardim largava a sua pele sintética para revelar o esqueleto por debaixo."

 

A beleza de uma frágil borboleta e a monstruosidade de um homem num thriller que não te vai deixar indiferente. Recomendo.

 

(livro cedido pela editora Suma de Letras)

(estejam atentos, esta semana teremos um passatempo)

 

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OS SEGREDOS QUE NUNCA NOS CONTARAM | ALBERT ESPINOSA

por Cláudia Oliveira, em 07.08.17

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Busco nos livros alguma inspiração nos dias menos criativos. Adoro porque transportam alguma leveza para os meus dias mais pesados e angustiantes. Sobretudo quando não posso sair de casa e buscar a liberdade que tanto anseio em dias corridos e planeados. Neste livro encontramos as palavras que a nossa voz interior costuma sussurrar ao ouvido. Aquela motivação extra em dias menos positivos. Desvaloriza os queixumes de quem pensa não existir uma solução, dá uma palmada nas costas e pressiona para uma mente mais leve. Calma, há um lado positivo para tudo. Até para as perdas. 

 

Acredito no valor e no peso das palavras. Na transformação dos pequenos hábitos. Na energia do mundo, dá-me energia boa dar-te-ei muita luz e felicidade. É mesmo assim. Experimenta ou preferes lamentar repetidas situações? Abraçar o que nos acalma, como uma caneca quente de chá ou escutar uma música doce.  Viver é tão bom. Encerrar ciclos, renovar energias e deixar ir o que não quer ficar. Prontos?

 

Livro inspirador e cheio de boa energia. Recomendo. 

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"DIAS ÚTEIS" | PATRÍCIA PORTELA

por Cláudia Oliveira, em 31.07.17

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Há dois anos que ando para ler algo da Patrícia Portela. Foi desta. 

 

Recentemente lançado pela Caminho, "Dias Úteis" tem pouco mais de cem páginas. Numa edição linda levou-me a uma compra por impulso. E mais uma vez não errei. Pelo contrário, é maravilhoso. Assumo que tenho algum receio em recomendar este livro. Tem pouco de linear e tradicional. Precisamos de sair da zona de conforto e dar lugar a novas vozes na literatura portuguesa.

 

Antes de começar a semana, temos um conto espectacular sobre o dia do GRANDE jogo. O mundo pára para ver o grande jogo. A ironia é presente nas palavras inquietantes que nos representam. Uma linguagem recriada, estendida para a filosofia, várias metáforas e alegorias.  Dias que perdemos aqui e acolá, e assim se passa mais uma semana. 

 

Um livro para reler. Um livro que acrescenta, nos vira do avesso e nos deixa a pensar. Que mais queremos nós da literatura? Foi uma leitura intensa e curta. Sobre isto de ocupar os dias, (in)conformados. Um conto por cada dia da semana. 

 

"somos todos zombies, nem carne, nem peixe, nem vivos, nem mortos, e não há plano de contingência para tamanha catástrofe natural."

 

Recomendado. Vou ler certamente mais livros da autora.

 

(livro comprado com algum risco)

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