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"SEJA FELIZ SEM DIETAS" | MAFALDA RODILES

por Cláudia Oliveira, em 06.04.17

 

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A Mafalda Rodiles é actriz. Lembram-se dela dos "Morangos com Açúcar"? Ela foi estudar para o Brasil, mas já não regressou. Acabou por se apaixonar e troxou Lisboa pelo Rio de Janeiro. Não é nutriocionista, mas tem excelentes conselhos para vos dar neste livro. Juro. E ainda dá cursos onde implementa bons hábitos alimentares às suas alunas. Eu assisti às quatro aulas gratuitas delas e vi alguns vídeos no seu canal Youtube. Ela partilha mais informações caso subscrevam o seu site: Seja Feliz Sem Dietas.

 

Vou explicar o que gosto nas partilhas da Mafalda. A energia positiva. Sabem aquela pessoa que vocês passariam muitas horas a ouvir porque é boa onda e consegue transmitir alegria em tudo o que diz? Ela é assim. No livro acabamos por saber um bocadinho da pressão que ela viveu por causa do seu sonho em ser actriz. E dos problemas alimentares que teve, compulsão alimentar, engordar, emagrecer e viver sempre em dietas. Até ao dia em que foi mãe. Ser mãe tem o condão de mudar muitas mentalidades. Ela decidiu parar com as dietas e adotar um estilo diferente: saudável, sem privar-se de nada. E deixar de sentir fome à noite. 

 

Toda a gente sabe que as dietas têm um prazo. Quando acabam os corpos voltam ao lugar e dificilmente as mentalidades mudam. As dietas precisam de ser transformadas em hábitos saudáveis sem pressões, sem contar calorias, sem vivier completamente obcecada com isso. Sabem o que acontece quando decidimos não comer alguma coisa? Queremos desesperadamente comer essa coisa. Mas claro, estar sem fazer dieta não é passar a comer tudo. É necessária força de vontade edisciplina. A Mafalda explica muito bem como funciona. Ela é maravilhosa. 

 

Eu não acredito em tudo o que leio e faço pesquisa sobre tudo antes de mudar alguma coisa. Recomendo que façam o mesmo e escolham uma especialista na área de acordo com o que acreditam. É importante confiarem na pessoa que vos vai acompanhar. A Mafalda dá cursos e ainda tem disponibilidade online para acompanhar as alunas e esclarecer todas as dúvidas. 

 

O melhor conselho que eu li neste livro? Beber muita água. Três litros por dia. Acho que é o seu primeiro conselho e é óptimo. Juro que faz maravilhas e é um primeiro passo muito importante. Digo eu, que não sou nutricionista mas vi os benefícios da água na minha vida. Entretanto, comprem este livro, é inspirador e mostra uma experiência transformadora. Traz dicas valiosas. A força de vontade é sempre vossa, claro. 

 

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Prontas para serem felizes? Acredito que sim!

 

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"SUPERALIMENTOS" | MAFALDA RODRIGUES DE ALMEIDA

por Cláudia Oliveira, em 04.04.17

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"Superalimentos" é a nova aposta da editora Saída de Emergência. Cada vez mais interessados em editar livros dedicados à vida/alimentação saudável. Faz todo o sentido nos tempos que correm, onde existem cada vez pessoas interessadas no assunto. É um incentivo e decididamente maior  diversidade à disposição.

 

A Mafalda de Almeida é licenciada em Ciências da Nutrição no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. Tem um blog chamado Loveat, com receitas e dicas muito saborosas. Digo saborosas porque tive oportunidade de confeccionar e provar algumas. Ela também faz alguns workshops, podem obter todas as informações no blog dela. 

 

O livro está dividido por receitas para o pequeno-almoço, almoço, lanches e jantar. Sempre recheado de fotos apelativas e dicas interessantes. Indica quais são os superalimentos, ou seja, aqueles alimentos que têm muitos nutrientes e fazem toda a diferença na nossa alimentação. O que mais gostei no livro de receitas foram as opções para o pequeno almoço e lanches porque nunca sei muito bem como variar. Algumas são de dificuldade mínima e mesmo aqueles com mais dificuldades na cozinha vão ter bons resultados. 

 

O livro  informa todos os valores nutricionais de todas as receitas, o que pode interessar a algumas pessoas. Dá importância à utilização dos alimentos de época e até tem uma lista de tudo o que devemos ter em casa. Este livro foi uma boa surpresa e terá bastante utilidade na minha casa ao longos dos próximos tempos. 

 

Diria que é o livro certo para os que pretendem mudar hábitos alimentares. Tem receitas saudáveis e apelativas. 

 

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"A RAPARIGA DE ANTES" | JP DELANEY

por Cláudia Oliveira, em 03.04.17

 

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Dia 5 nas livrarias, diz que é o livro mais esperado. Um thriller psicológico completamente original. Eu tive a oportunidade de ler antes do lançamento, curiosa com esta aposta da Suma de Letras. Agradeço a oportunidade. Venho partilhar convosco a minha sincera opinião. 

 

Imaginem uma casa minimalista, com diversas regras e um interminável questionário antes de qualquer arrendamento após aprovação pelo famoso e exigente arquitecto. Jane, a rapariga de agora, está completamente interessada em arrendar a casa após passar por uma situação muito delicada. Ela precisa de recomeçar a vida num lugar completamente diferente para ultrapassar o passado. Emma, a rapariga de antes, também foi moradora desta casa. As histórias de ambas vão cruzar-se. 

 

A história das duas personagens é contada através de capítulos intercalados, dá logo um bom ritmo e dinâmica à história. Sobretudo nas primeiras páginas. Eu estava cada vez mais intrigada. Queria saber quem é que no seu prefeito juízo arrenda uma casa daquelas. Quem é que quer passar por tantas etapas para viver num lugar daqueles. Não podem ter livros! Nem deixar nada no chão! Uma espécie de prisão, quartel general. O objectivo é ser um desafio para os morados, serem mais disciplinadas e organizadas. 

 

Achei a premissa fantástica. Senti empatia pela história da Jane quando ela conta mais detalhes. Arrepiante. Mas depois, o meu entusiasmado esmoreceu. Caiu completamente a pique. Foram aparecendo peças para cobrir algumas falhas evidentes e transformou-se numa história mediana. O final foi fraco, é notória a falta de experiência do autor.

 

Adorei o facto de abordar o minimalismo. A casa é como uma personagem importante num jogo misterioso. Mas atenção, esta história pode criar confusão entre pessoas minimalistas e pessoas com transtornos obsessivos compulsivos. As pessoas minimalistas não são pessoas transtornadas ou obcecadas com coisas fora do lugar. Minimalismo é algo leve, não é uma onda pesada a vigiar tudo o que está fora do lugar. Tinha de fazer este desabafo. 

 

Achei as cenas de sexo simplesmente desnecessárias, muita palha para encher capítulos sem acrescentar nada à história. Até senti que estava a ler outro livro em alguns momentos. As personagens são absurdamente irritantes (excepto a Jane, gostei um bocadinho dela). Os maus tratos, as perseguições e as relações abusivas continuam a ser uma constante, é um tema muito utilizado pelos novos autores. Só muda o cenário. 

 

A pergunta fica no ar, que género de pessoa quer viver numa casa cheia de regras completamente surreais?

 

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VEDA #2 "EM NOME DA FILHA"| CARLA MAIA DE ALMEIDA

por Cláudia Oliveira, em 02.04.17

 

"Vídeo opinião e divulgação"


"Em Nome da Filha", da Carla Maia de Almeida

Este livro custa apenas 3.15€ e precisa de ser divulgado e partilhado. Podem encontrar facilmente no Pingo Doce.
Relatos muito duros de mulheres vitimas de violência doméstica.

E tu, já leste, ficaste curioso? 


Subscreve o canal se queres continuar a acompanhar o VEDA.
Vídeos todos os dias às 18h em Portugal e 15h no Brasil

 

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"leite e mel" | Rupi Kaur

por Cláudia Oliveira, em 28.03.17

 

 

Um dos melhores livros deste ano. Já entrou para a lista e ainda estamos em Março. É um livro necessário e precisa de ser lido por toda a gente. Talvez esteja a exagerar, mas este livro tem essa capacidade: colocar as minhas emoções à flor da pele. Arrasou-me e fez-me sentir esperança.   

 


Livro cedido pela Lua de Papel / Leya
Nas livrarias no dia vinte e oito de Março

 

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Obrigada!

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"A Substância do Mal" | Luca D'Andrea

por Cláudia Oliveira, em 27.03.17

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Suspeitei estar perante um thriller arrebatador. Daqueles em que uma pessoa fica várias vezes de boca aberta sem saber muito bem o que pensar. 

 

Jeremiah, um jovem cineasta muito dedicado e perfeccionista. Ele e o seu amigo acabam por fazer muito sucesso com o lançamento de um documentário. Esta parte é espectacular, o processo de filmagens, a fama. Tudo muda quando Jeremiah encontra a sua cara metade e resolve construir uma família. Os tempos de fama já lá vão até ao dia em que ele se muda com a família para uma pequena vila situada nas montanhas do Sul do Tirol. Eventualmente ouve falar numa tragédia chamada pelos populares como "massacre Bletterbach" . Ninguém sabe quem é o assassino, ninguém quer falar sobre o assunto. Isto é o suficiente para nascer em Jeremiah a vontade de ir até ao local do crime e quem sabe resolver o caso. 

 

Li um bocadinho durante a hora de almoço e não voltei a repetir. Tem passagens sangrentas, capazes de revoltar os estômagos mais sensíveis. Fico facilmente impressionada com descrições deste género. Optei por ler o livro antes de dormir e não tive pesadelos. E costumo sonhar com os livros que mais mexem comigo. Nem precisam de ser thrillers. A leitura é daquelas super rápidas, o ritmo é alucinante e estamos sempre com curiosidade em relação ao desfecho. Parecia que estava a ver um filme. Parecia que estava nas montanhas frias. A escrita é muito cinematográfica e envolvente. 

 

O ponto forte desta história é o ambiente retratado. Muito realista e necessário para cativar o leitor e manter o mistério permanente. As montanhas acabam por roubar algum protagonismo às personagens e aumentar a carga dramática. Com o decorrer da história, quantas mais eram as mentiras, menor era o meu entusiasmo. Gostei bastante de algumas cenas, mas no geral o livro que mexeu pouco com o meu lado emocional. Não roí as unhas, não ficava a pensar na história quando pousava o livro. 

 

O autor italiano Luca D´Andrea está a ser comparado aos grandes Stephen King e Jo Nesbo. Os direitos já foram vendidos a trinta países. 

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Eu sei que muita gente gostou deste filme/livro, mas eu tenho sérios problemas com personagens iguais ao Ove. Adultos resmungões, infelizes, sempre a criticar tudo e todos. O meu problema com pessoas com este temperamento é grande na vida real. Não dá, o mais longe possível. Na literatura é quase igual. Eu sei que ele tem os seus motivos, e que passou muito nesta vida, mas por amor de deus, parece uma criança sem o chupa chupa prometido no Natal. Para além disso o filme/livro está cheio de personagens estereotipadas.

E aquele casamento? O Ove era um parvo deste sempre. Não abria a boca para nada, mal sabia dançar. Uma mulher meiga apaixona-se por ele, mas morre. Toda a gente morre à volta do Ove. E o quê que ele quer fazer? Matar-se. Todo um drama, coitadinho. Trata mal toda a gente e isso é muito engraçado. Não, não é. Ele irritou-me deste o primeiro segundo.

Consegui gostar um bocadinho mais do filme, mas não adorei. E pessoas deste género não merecem tantas oportunidades. Desprezam os outros, desprezam a vida e costumam ser muito egoístas. Tanta gente com problemas...pessoas com problemas superiores e em troca têm sempre um sorriso. Essas sim, valem tudo. Achei o livro aborrecido. Super aborrecido. Salvou-se o gato. 

 

Estreia hoje nos cinemas. Aposto que vão gostar muito. 

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"O Dia em Que Te Conheci" | Rowan Coleman

por Cláudia Oliveira, em 22.03.17

 

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Alzheimer é a forma mais comum de demência. A Doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras). 

 

Claire é casada e tem duas filhas. Uma de vinte e outra de três anos. Um casamento praticamente perfeito, uma vida pela frente, até que lhe é diagnosticada Alzheimer. Ela é professora de inglês, precisa de todo o seu conhecimento para a manter activa. A doença começa a danificar as suas memórias e ela precisa de abrir mão de parte da sua vida. No meio dessa confusão surge um homem encantador durante um encontro casual que a mudará, sobretudo a forma como irá encarar o futuro. 

 

O que mais gostei deste livro foi a relação desta família. É um ligação muito forte retratada nesta páginas. As filhas sempre atentas aos passos da mãe. Não deve ser nada fácil ver uma mãe perder as recordações mais preciosas da infância. Vê-la confusa, às vezes perdida.  As recordações doces são o que mais nos deixam um sorriso no rosto em dias pesados. Como será perder esses momentos? Elas mantêm um caderno para escreverem recordações, cheia de pequenos detalhes da vida de ambas. Pequenas passagens emocionaram-me, mas não foi uma experiência de leitura sempre dentro da mesma intensidade.

 

Achei a narrativa fria em alguns momentos e pouco visceral. Algo necessário para um livro com esta temática. Algumas opções da Claire deixaram-me confusa e afastada. Mas é contraditório quando digo que mexeu comigo em algumas passagens. Sobretudo reflexões sobre a vida e a sorte de quem tem belas recordações. E quando a Caitlin escreve sobre a mãe...é muito bonito. 

 

É tocante, triste, mas acaba por ter momentos alegres. Um desequilibro narrativo que não deixa aprofundar a dor de quem passa por esta doença. Afinal, a vida segue mesmo com obstáculos. 

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"O Universo Nos Teus Olhos" | Jenifer Niven

por Cláudia Oliveira, em 07.03.17

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Depois do sucesso de "Fala-me de Um Dia Perfeito" chega o tão esperado "O Universo nos Teus Olhos" da norte americana Jennifer Niven. Mais um livro com fortes temáticas, duas personagens como protagonistas e muito drama. Eu sou fã do seu primeiro romance, era difícil não ter expectativas em relação a este. Mas tentei.

 

Libby era a rapariga mais gorda dos Estados Unidos. Após a morte da sua mãe ela come até deixar de conseguir sair de casa. O caso é filmado e exposto na televisão no dia em que a levam para os cuidados médicos com ajuda de uma grua. Jack tem uma doença chamada prosopagnosia, não consegue reconhecer rostos. Ele esconde isso de toda a gente, inclusive família. Estes dois adolescentes vão estabelecer uma ligação após uma brincadeira de muito mau gosto com a Libby por parte dos amigos do Jack e do próprio. Temos aqui matéria excelente para um livro dentro do género jovem-adulto. 

 

Jennifer Niven aborda e levanta importantes questões como a gordofobia, preconceito, depressão, bullying. É preciso falar muito sobre isto entre os jovens (e não só), é necessário existirem tentativas para acabar com o preconceito entre os adolescentes. O papel da literatura é importante, precisa de espalmar na nossa cara os problemas existentes da sociedade. O preconceito está presente em todo o lugar. Quantas vezes olhamos para uma pessoa gorda e temos pensamentos lamentáveis? Quantas vezes temos um gesto desagradável para quem é diferente dos padrões estabelecidos pela sociedade preconceituosa?

 

A Libby tem uma personalidade forte, aceita-se e enfrenta a escola com todos os olhares em cima de si. A Libby apesar de insegura em alguns momentos (como toda a gente, não é verdade?) é uma menina com sonhos e desejos (como toda a gente, não é verdade?). A Libby tem sentimentos e magoa-se, ao contrário da sua aparência e do que os outros pensam. Ela é a estrela deste livro, gostaria muito que a Jennifer tivesse focado este livro só nela. Ela não muda por causa de um rapaz, ela é girl power. Vocês precisam de ler a melhor cena de sempre: Libby na piscina, de mão na anca!

 

Infelizmente a autora decidiu dividir o foco pelo Jack. Um rapaz querido por todos com uma cabeleira afro. Existem outros detalhes que me desagradaram. A ausência de ajuda psicológica. Acho muito difícil estes dois não terem bases emocionais fortes (nem família, amigos, psicólogos, médicos,...). Dá a sensação que é possível enfrentar tudo sem ajuda de ninguém. Não é bem assim. 

 

O Jack não me convenceu. Achei completamente inverossímil o facto da doença dele não ter sido reconhecida pela família. Como assim ninguém notou? Como assim alguém vive desta forma sem ajuda médica? Todas as cenas parecem pouco reais e não deu para imaginar nada do que foi desenvolvido nesse sentido. Por favor, não dá. É evidente que a autora não tem conhecimento de causa e houve pouco trabalho de pesquisa. 

 

Gostei da mensagem do livro. A autora consegue chamar a atenção do leitor para a urgência de respeitar o próximo e as suas diferenças. Por favor, deixem os outros serem como são. Parem com julgamentos estúpidos. Deixem os outros em paz. Dêem uso a palavras delicadas e simpáticas. 

 

Apesar de não estar contente nas primeiras páginas (primeiras cem), estabeleci alguma empatia com as personagens ao longo da história. Acabei por torcer por elas. O romance era inevitável, acaba por entrar num cliché próprio dos livros deste género. Queria tanto comentar uma cena romântica convosco, mas não quero estragar a vossa experiência de leitura. A escrita da autora é cativante. Tenta ser profunda em determinados momentos, leve em outros. 

 

Leiam, sem expectativas altas (sobretudo se tiverem lido o romance anterior). Libby é amor. 

 

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"Uma Estranheza em Mim" | Orhan Pamuk

por Cláudia Oliveira, em 23.02.17

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Este senhor não sabe escrever um livro mau, nem razoável. Muito menos livros pequenos. 

 

Orhan Pamuk começa a integrar a minha lista de autores preferidos da vida. Um lugar que alcançou apenas com o meu primeiro contacto com a sua escrita em "O Museu da Inocência". De imediato decidi ler tudo escrito por ele. Assim que os meus olhos bateram neste seu último livro em Portugal na biblioteca, trouxe-o comigo. Um calhamaço de 640 páginas. Com capítulos longos e personagens intermináveis. Melhor de tudo? Acabou, e está quase a sair outro calhamaço pela mesma editora. Eu vou querer ler também. 

 

A forma como Orhan Pamuk escolheu para escrever esta história é bastante interessante. Primeiro conta a história principal, um romance iniciado de forma peculiar e dentro dos costumes de Istambul. Um homem apaixona-se pelo olhar de uma mulher durante uma festa, escreve-lhe cartas durante três anos até que combinam fugir juntos. Mas algo vai acontecer. Tenho lido opiniões no qual devendam este pormenor, ainda bem que não as li antes. O que acontece naquele momento deixou-me de queixo caído. Não posso dizer-vos, mas tenho muita vontade.

 

Achei bestial as voltas que o romance tem logo nas primeiras páginas. E as voltas que o romance tem durante o livro inteiro. Fui apanhada de surpresa várias vezes. Mas nem só de romance vive este livro. Como estava a dizer ele escreveu a história de forma a conhecermos os pontos de vista de todas as personagens ligadas ao romance principal. Ao inicio pode ser um bocadinho estranho, mas depois começa a ganhar fluidez e a história entranha-se. As personagens ganham vida. 

Mevlut é o nosso protagonista. Ele é vendedor de boza. Uma prática muito comum e tradicional em Istambul . Acaba por ser uma prática simbólica e muito importante para explicar o panorama geral vivo no país em relação ao comportamento e desenvolvimento do mesmo. 

 

É um retrato realista de Istambul entre 1969 e 2012. Desde a proibição do aborto, desenvolvimento tecnológico, entrada das mulheres na faculdade. É grandioso. Perturbador também. A nossa realidade é diferente, os choques culturais são inevitáveis. Os costumes e hábitos daquela sociedade não podiam estar mais detalhadas. E talvez por isso tenha sentido algum cansaço ao longo da leitura. O livro parecia interminável. 

 

Adorei e recomendo. Sobretudo para leitores sem pressa.

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