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Neste vídeo abordo vários assuntos e trago um passatempo. Levanto uma discussão saudável sobre os nossos autores no final do vídeo. Adorava saber a vossa opinião. Agradeço desde já o tempo dispensado. 

 

 

Clube dos Clássicos Vivos (LINK)

AQUI

 

Trailer "Castelo de Vidro" (LINK)

AQUI

 

Entrevistas (LINKS)

PORTO EDITORA FALA SOBRE A FEIRA DO LIVRO | ENTREVISTA A PAULO REBELO GONÇALVES

TRABALHAR NA FEIRA DO LIVRO | ENTREVISTA A SANDRA PINTO BARATA

ENTREVISTA A BRUNO VIEIRA AMARAL

ENTREVISTA À AUTORA ANABELA MOTA RIBEIRO

 

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Regras do Passatempo

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Uma participação por dia (podem participar todos os dias)

Até dia 3 de julho, dia 4 informo quem é o vencedor

Morada nacional

 

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foto: Porto Editora

 

Ao longo do mês de junho passaram por aqui os autores, leitores e até ficámos a saber como é trabalhar na Feira do Livro de Lisboa. Entrevistas AQUI, AQUI E AQUI. Também fiz a contagem decrescente até ao dia da inauguração, podem ver AQUI. O Clube dos Clássicos Vivos também não faltou, podem ver AQUI. Dei a conhecer o lado de quem ama a feira e espera por ela todos os anos. Também era importante  dar a conhecer o outro lado, o trabalho de equipa da Porto Editora. Encerramos desta forma, e muito bem, com as palavras de quem trabalha diariamente com os livros e prepara anualmente a FLL. 

 

Paulo Rebelo Gonçalves, responsável de comunicação e imagem do grupo Porto Editora há cerca de dezoito anos, aceitou dar uma entrevista ao blog "A Mulher Que Ama Livros" para revelar algumas informações sobre a preparação e o balanço da Feira do Livro deste ano. Tive o prazer de conhecer o Paulo Rebelo Gonçalves num evento exclusivo para bloggers. Um evento que me permitiu verificar o enorme entusiasmo por parte de todos os presentes em relação à chegada da feira. Para além de conhecer antecipadamente algumas confirmações de presenças e eventos. Foram abordados nesta entrevista vários assuntos: o trabalho antes da feira, os escritores, os eventos, as vendas, a concorrência e a relação com os bloggers. Estou muito grata pela disponibilidade demonstrada pela editora em cooperar de forma tão dedicada nesta entrevista e dar-me a possibilidade de chegar a alguns autores e leitores (através da iniciativa de livro sugerido presente na Feira do Livro de Lisboa - fotos no final da entrevista).  

 

A Feira do Livro de 2017 encerrou no dia 18 com um balanço muito positivo. A 87ª edição contou com cerca de meio milhão de visitantes e mais de mil sessões de autografos.  Foi muito bom, não foi? Agora só nos resta esperar pelo próximo ano. 

 

 

Quando chega a Feira do Livro há uma enorme euforia por parte dos leitores e amantes da grande festa do livro.  A editora partilha desse entusiasmo?

O nosso entusiasmo começa muito antes, quando iniciamos a preparação de todos os detalhes da nossa participação na Feira do Livro. A dada altura, ao entusiasmo junta-se a expetativa pelo dia de abertura – por alguma razão colocámos um “countdown” no site Autores que nos unem semanas antes do início da feira. 

 

Com quanto tempo de antecedência preparam a Feira do Livro?

Respondo assim: ainda não tinha terminada esta edição e já estávamos com ideias para 2018. 

 

É dada formação aos livreiros? Precisam de conhecer o catálogo e/ou o nome dos autores?

Os nossos livreiros conhecem bem o nosso catálogo, os nossos autores e os livros. Tem-se o cuidado de fazer reuniões de equipa antes do arranque da feira para partilhar os cuidados a ter, as regras de funcionamento considerando o regulamento da própria feira, a mecânica de promoções, partilhando naturalmente informação sobre a nossa agenda de eventos, que autores vão estar presentes, etc.

 

José Luís Peixoto anunciou o novo livro na FLL no fim de semana passado. Guardam estas novidades para esta altura de forma a surpreender os leitores? É impressão minha ou nesta altura são lançados mais livros do que o habitual?

José Luís Peixoto e a editora entenderam que seria bom aproveitar a Feira para fazer essa surpresa aos seus muitos leitores. A Feira do Livro faz-se muito destes momentos de partilha especiais entre os autores e os leitores – aliás, é isso que define a nossa presença neste evento.

É natural que as editoras aproveitem a Feira do Livro para lançarem novos livros, mas não é líquido que seja o momento com maior incidência de lançamentos.

 

O Grupo Porto Editora fica sempre no mesmo lugar na Feira do Livro de Lisboa. Os leitores já se habituaram ou é uma questão de espaço?

 É uma questão de organização do evento. Estamos há vários anos naquele espaço e lá vamos continuar.

 

Este ano tiveram as presenças de Luís Sepúlveda, Augusto Cury e  Sveva Casati Modignani. Augusto Cury foi uma loucura. Como escolhem as presenças mais marcantes? Como é feita essa gestão? Contavam com tantas pessoas?

Refere autores que têm enormes legiões de fãs em Portugal. Mas é justo que fale de José Luís Peixoto, José Eduardo Agualusa, Richard Zimler ou Gonçalo M. Tavares, que tiverem largas dezenas de leitores a quererem autógrafos. Ou da Luísa Ducla Soares, que recebeu tanto carinho dos pequenos leitores. Mas há muitos outros autores e todos eles sentiram o afeto dos leitores e os menos conhecidos tiveram oportunidade de se darem a conhecer. Acreditamos que é essa nossa visão, de que a feira é um espaço para todos os autores e leitores, que faz com que tenhamos invariavelmente muitos milhares de pessoas connosco.

 

Existe algum autor muito pedido pelos leitores que ainda não esteve na FLL? Quem gostariam que estivesse presente, mas infelizmente ainda não foi viável?

Há sempre autores que, por esta ou aquela razão, não puderam estar presentes, mas haverá mais oportunidades. De qualquer forma, estamos mesmo muito contentes por termos tido tantos e tão bons autores nesta edição.

 

Como é a vossa relação com as outras editoras? Saudável ou competitiva? Vão espreitar a concorrência?

A nossa relação é saudável e competitiva. Apesar da crise que afeta o setor editorial português, a verdade é que se trata de uma indústria cultural muito profissional e dinâmica que em muito contribui para a riqueza do nosso país. Há excelentes editoras, que trabalham muito bem e gostamos que assim seja. O país, para evoluir e afirmar-se, precisa de um setor editorial forte, que promove a nossa cultura, a nossa língua, os nossos valores.

 

Nota-se uma preocupação crescente das editoras em colaborar com os bloggers. No Brasil é mais evidente esse trabalho. Em Portugal ainda estão a caminhar nesse sentido. Os bloggers têm um papel importante na divulgação e incentivo à leitura? Pretendem estreitar essa ligação?

O Grupo Porto Editora relaciona-se com os bloggers há muitos anos e sempre procuramos encontrar caminhos para reforçar os laços criados. É o que vamos continuar a fazer. 

 

O Grupo Porto Editora teve este ano uma iniciativa muito interessante: as sugestões dos bloggers através de frases junto dos seus livros preferidos. De quem partiu a ideia?

Surgiu durante as reuniões de planeamento que a equipa foi fazendo e, claro, foi aprovada por unanimidade.

 

Como se despedem da Feira do Livro? Cansados ou tristes?

Naturalmente cansados, mas contentes com o trabalho realizado e com o reconhecimento da parte dos leitores.

 

Qual é o próximo grande evento para preparar em seguida? 

Como a Feira do Livro de Lisboa não há comparação. Mas posso dizer que os lançamentos que se avizinham serão tratados com o mesmo grau de entusiasmo e de profissionalismo.

 

 

 

 

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DE 5 EM 5 + LEITURAS EM ANDAMENTO (31)

por Cláudia Oliveira, em 26.06.17

 

 

Livros Lidos Mencionados:

 

"Escombros", Elena Ferrante

"A Salvo Comigo", SL Slaker

"A Contraluz", Rachel Cusk

"A Mulher-sem-cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado", Gonçalo M Tavares

"As Coisas Que Perdemos no Fogo", Mariana Enriquez

 

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"A CONTRALUZ" | RACHEL CUSK

por Cláudia Oliveira, em 25.06.17

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Rachel Cusk já é escreveu nove romances, mas só agora conheci o trabalho da autora com o primeiro livro de uma trilogia recentemente lançado pela Quetzal. Em 2003 foi escolhida pela Granta como uma das melhores jovens romancistas. Na altura tinha apenas 37 anos. Recebeu com este romance rasgados elogios pelos vários meios de comunicação e críticos literários. Foi finalista do Prémio Baileys em 2015.
 
'Se passar algum tempo a ler este romance, ficará convencido de que Rachel Cusk é uma das mais inteligentes escritoras vivas.'
New York Book Review 
 
Uma mulher viaja durante o verão até à Atenas para dar aulas de escrita criativa. Perante esta experiência conhece várias pessoas e recolhe outras histórias. São diálogos que mostram o que a maioria pensa e ninguém revela. Algumas mentiras e falsos moralismos. Várias verdades e cruéis revelações. 
 
Temos a nossa professora de escrita criativa debruçada sobre vários assuntos. Desde a escrita e as diversas formas de escrever. Várias referências literárias. Os pensamentos mais íntimos de quem passa por si ao longo da viagem e desabafa sobre os seus anteriores casamentos. De salientar que a protagonista passa por um processo de divórcio e está a renovar energias. Uma espécie de resumo, do que esteve recalcado ao longo do seu casamento. Mostra as feridas. Questiona qual a forma ideal para manter um casamento, um lar. Como é ser mãe,  como é recomeçar do zero. Uma experiência de perda que não dá para evitar numa situação dessas. 
 
Tem uma das passagens mais bonitas sobre a reconfortante sensação de paz. Entre um mergulho e uma visão sobre o sol e o mar. Já reli a passagem dezenas de vezes e consigo sempre sentir a plenitude daquelas palavras. 
 
Conviver é cada vez mais difícil. Encontrar pessoas interessantes passa a ser um jogo labiríntico. É preciso procurar, ir atrás. Quando tentamos forjar a nossa própria felicidade teremos um castigo dado pelo destino, como um alerta. Adoro a ideia que ela transpõe acerca do casamento. Não somos nunca nós mesmos,  há uma impossibilidade de descobrir por vivermos através de outra pessoa. Há diversas condicionantes alheias que afectam sempre a nossa forma de agir. 
 
A maternidade é outra tema abordado e que mexeu muito comigo. É impossível ficar indiferente às suas palavras sobre a sua mãe e os seus filhos. Foi um livro que me acrescentou. Deu aquele frio na barriga. Apoderou-se dos meus pensamentos. Sacudiu-me, mostrou-me que não estou sozinha. Há melhor missão para a literatura? Não creio. 
 
Anseios, absolutos anseios entre divagações e conversas interessantíssimas. Senti-me num barco, rodeada de boa bebida e excelentes conversas enquanto via o pôr do sol. Desejei ter amigos iguais às personagens. Senti-me ligada.
 
Livro esplendoroso. É um quadro gigante de vozes e pensamentos com pinceladas de realidade. Terminei e quis reler. Hoje quando escrevia este texto, reli várias passagens e perdi-me novamente. 
 
Por favor, anseio pelo segundo e terceiro. 
 

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Hoje a entrevista é outra. Queremos saber tudo o que se passa na Feira do Livro, não é verdade? Lancei a proposta à Sandra Pinto Barata, autora do blog "Say Hello To My Books" (visitem!), e ela aceitou de imediato. 
 
A Sandra este ano esteve a trabalhar como colaboradora na Feira do Livro de Lisboa, no grupo Porto Editora (inclui Bertrand, Coolbooks, Quetzal, Pergaminho, Círculo de Leitores, etc...) e é uma apaixonada por livros como podem comprovar de seguida. Tive o prazer de a conhecer este ano no segundo encontro do Clube dos Clássicos Vivos. Uma simpatia, inteligente  e comunicadora nata. Gosta de Truman Capote, Charles Bukowski, Saramago, entre outros (a lista está sempre a aumentar). Este ano criou a iniciativa Março Feminino, uma iniciativa para divulgar literatura escrita por mulheres.
 
Alguns dias depois do encerramento da Feira do Livro fazemos uma espécie de balanço e ficamos a conhecer alguns segredos dos bastidores. Venham daí. 
 

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- O que te motivou para trabalhar este ano na feira do livro? 
 
Já queria ter trabalhado o ano passado, mas não fui a tempo das inscrições. Este ano, como tinha disponibilidade decidi inscrever-me. Mais que ganhar uns trocos, o que me motivou foi a experiência de trabalhar no meio dos livros, perceber como funciona a Feira (que frequento desde miúda) por dentro, fazer parte do evento mesmo a sério. Fazer valer o "estar" e não só "passar", entendes? 
 
 
- Onde fizeste a inscrição? 
 
Online, no site da Bertrand. Depois chamaram-me para uma entrevista, como fizeram a todos os inscritos e, felizmente, fui chamada. 
 
 
- Fazem contrato de trabalho? As condições que oferecem são aliciantes? 
 
Sendo um trabalho provisório, não fazem contrato. Mas quem aceita trabalhar lá, sabe ao que vai. Sabe que são, no máximo, 18 dias, com várias horas de trabalho. São as condições normais para trabalhos do género. Eles ajudam nas refeições, o que é muito bom. Mas como não era tanto o dinheiro que me motivava, não tenho nada a apontar. 
 
 
- O que pensaste quando viste o grupo editoral onde ias trabalhar? 
 
Já sabia para onde ia, porque me inscrevi no site da Bertrand. Na Feira o espaço é conjunto entre a Bertrand e a Porto Editora. Tanto que os nossos coletes de trabalho diziam "Grupo Porto Editora", o que confundia a cabeça de muita gente. Já era um grupo que respeitava, fiquei a conhecer a fundo o portefólio da Porto, da Bertrand, da Quetzal, da Pergaminho, etc. Foi ótimo!
 
 
- Como é o ambiente de trabalho? Existe competitividade? 
 
Nada de nada. Foi tão bom. Das melhores coisas que tiro desta experiência são as pessoas, principalmente os colegas. Criou-se um espírito de equipa muito grande, estávamos todos ali para o mesmo. Ajudavamo-nos sempre, em qualquer situação. Um dia que me senti mal e precisei sair mais cedo, aguentaram as pontas por mim, tal como fiz com outros colegas em situações idênticas. Fartámo-nos de rir em situações caricatas, nos dias de calor borrifávamo-nos uns aos outros com água, fazíamos pausas para ir comprar Calipos e combater o calor, trocámos muuuitas opiniões sobre livros, sobre a Feira, sobre a vida em geral. Quando um não sabia onde estava um livro, o outro ajudava. Quando um não conseguia ajudar um cliente, o outro estava ali ao lado e intervinha. Mesmo os responsáveis - os chefinhos - eram todos pessoas excelentes, acessíveis, simpáticas, compreensivas, com quem tínhamos muito boa relação, com quem criámos private jokes, que nos fizeram sentir importantes enquanto ali estávamos. Aceitávamos tudo o que nos pediam e fazíamos sem pestanejar, porque eles estavam ali connosco quase de igual para igual - trabalhavam muito mais que nós até. Foi uma grande aprendizagem a nível humano e profissional. 
 
- Têm formação antes da feira do livro? -  Há alguma entrevista com pré selecção?
 
Sim, há uma entrevista. E depois uma pequena formação sobre o que é necessário fazer e como tem que ser feito. Claro que os que já trabalham em livrarias têm esse know-how, mas os externos, como eu, precisam entrar dentro do sistema todo. 
 
- O que fazes durante o horário de trabalho? Também repões livros e colocas preços? 
 
Tudo o que for necessário. Reposição de livros sempre que é necessário, colocar preços, arrumar as prateleiras e ter sempre as "frentes" dos livros organizadas e completas, ajudar os clientes a encontrar livros, a esclarecer dúvidas, preparar os locais de sessões de autógrafos, enfim... Tudo o que vocês vêem quando passam num espaço como aquele, somos nós que arrumamos, organizamos e mantemos ao longo do dia. 
 
 
- Como foi assistir aos eventos na primeira fila? Tiveste esse oportunidade ou não foi possível? 
 
Alguns sim. Estive a um palmo do Presidente Marcelo quando foi apresentar o novo livro sobre Mário Soares. Acompanhei várias sessões de autógrafos do Agualusa, do Peixoto, do Raminhos, do Bruno Vieira Amaral, do Agusto Cury, teatros infantis, etc. 
 
 
- Como são os bastidores da feira do livro? Ambiente saudável ou muito rigoroso? 
 
Há rigor, claro. Aquilo é um negócio, tem que correr bem, tem que haver profissionalismo. Durante o dia íamos trabalhando entre pavilhões, onde fosse necessário, onde víssemos que alguém precisava de ajuda, onde reparassemos que estava alguma desarrumação. Mas na Hora H, por exemplo, era uma loucura. Tínhamos que estar fixos num pavilhão, porque há muita gente com dúvidas e a precisar de ajuda nessa hora. É, literalmente, non stop. Se precisássemos pesquisar algo no computador, havia um colega que estava a fazer apenas isso durante aquela hora e encaminhávamos o cliente para ele. Todos tínhamos um papel e uma função. Todos estávamos totalmente focados nos clientes e nas suas necessidades. Nas horas em que a Feira estava mais morta, obviamente que o ambiente era mais descontraído. Há tempo para "brincar" e tempo para trabalhar. 
Muitas vezes, quando a feira fechava, depois de desligarmos as luzas e fecharmos tudo, ainda ficávamos a conversar. Estávamos cansados, sim, mas o ambiente entre nós era tão bom que nessa altura relaxávamos um bocadinho com a companhia uns dos outros. 
 
 
- Qual foi a maior dificuldade durante estes dezoito dias? 
 
O cansaço fisico e o calor. Houve vários dias seguidos em que trabalhei entre 9h a 11h. Apenas com uma hora de paragem para comer. O que significa sempre 8h a 10h em pé. Já experimentaram estar esse tempo todo em pé? Custa. Principalmente quando começou a ficar muito calor e deixei de conseguir ir de ténis. Levava sandálias para aguentar melhor a temperatura, mas toda a gente sabe que sandálias rasas não são a coisa mais confortável para estar parada em pé. Ás vezes fazia pausas de 2 minutos só para me sentar um bocadinho e descansar os pés. Todos nós passámos por isso. Quando chegou o calor intenso piorou. Cansa o triplo. Tínhamos que estar ao ar livre sem ter para onde fugir. Os pavilhões absorvem o calor como estufas. Até meio da tarde tirávamos à sorte quem ia para os pavilhões do lado direito que estavam a apanhar com o sol de chapa. A sorte é que tínhamos borrifadores (aqueles das plantas) que enchíamos com água e gelo e assim andámos nos últimos dias de feira. Só assim era suportável. Molhávamos os braços, a cara, o pescoço, as pernas, tudo. Os clientes passavam por nós e riam-se. Alguns pediam para os borrifarmos também. Chegava a casa exausta. Dorida. E só três dias depois da Feira acabar é que senti que recuperei as forças e que voltei a ter pés. 
 
 
- Como são os clientes da feira do livro? Queres contar alguma situação engraçada (ou sem graça nenhuma)? 
 
A maioria, felizmente, são educados, simpáticos, sabem que estamos ali para ajudá-los. Depois há outros muito, muito antipáticos, rudes até. Pessoas que não dizem obrigado depois de lhes darmos a informação que pedem (o que é que custa?), pessoas que respondem de forma torta e mal educada, virando-nos a cara só porque dissemos que o livro que queriam já não havia na Feira. Uma senhora ficou até chateada comigo porque a Isabel Allende não lançou um livro novo. Que culpa tenho eu? Outros que me atribuem a culpa de na Hora H apenas terem desconto os de etiqueta laranja. E aquelas que insistem que um livro é da Bertrand só porque o viram na loja ou no site? E lá tínhamos que explicar que aquilo é uma Feira de editoras e não de livreiros. Só acreditavam quando lhes mostrava, no nosso sistema de pesquisa no computador, que tal livro era da editora X. Lá acreditavam e a pergunta seguinte "onde é que isso está na Feira?". Além de sabermos de livros, tínhamos que ser mapas ambulantes. Felizmente, a maior parte eu sabia responder. Houve um senhor, já velhinho, que tinha perdido a mulher há pouco tempo, o amor de uma vida, e procurava um livro para aprender a lidar com a morte, enquanto se emocionava a contar a sua história. Houve muuuuitas pessoas a sugerirem-me livros que nunca vou ler. E outras a pedirem-me sugestões de coisas tipo "olhe, diga-me lá um bom livro sobre puberdade!". 
 
 
- E os autores? Houve algum autor que te captou a atenção e te fez comprar o livro dele? Conseguiste conversar com algum? 
 
Conversar não, porque estávamos em horário de trabalho e tinha que manter a postura. Mas o José Luis Peixoto impressionou-me. Foi o autor que mais tempo lá ficou a conversar com os leitores. Ok, o Cury teve 4h em sessão de autógrafos, mas mandava um "você é o piloto da sua vida", assinava o livro e 'tá a andar. O Peixoto "perdia" mesmo tempo com cada pessoa. Talvez uns 15 a 20 minutos de conversa com cada leitor que estava ali para conseguir um autógrafo dele. Começou às 15h, quando voltei da minha hora de jantar às 21h ainda lá estava. Já em pé, numa postura mais descontraída, a falar com alguns fãs sobre as suas obras, como se de velhos amigos se tratassem. Trouxe um livro dele comigo: Dentro do segredo. Postei foto das minhas compras no Instagram, onde se inclui esse e ele, sem me conhecer, foi lá comentar. Adoro. Fiquei fã, mesmo antes de o ler. 
 
 
- Com quem gostavas de ter trocado uma palavra mas não conseguiste? 
 
Com ninguém em especial. 
 
 
- Há preocupação com a concorrência? 
 
O que senti foi foco em fazermos nós um bom trabalho, sem olhar para o que os outros andam a fazer. 
 
 
- No último dia começaste logo a sentir saudades? Como foi esse dia? 
 
No último dia, queria que chegasse logo o final da tarde, para ficar um tempo mais fresquinho. Quando a feira fechou, às 23h, e fechámos tudo, senti assim um friozinho, tipo "acabou mesmo...". Mas estava tão cansada que só pensava em dormir. No dia seguinte bateu uma nostalgia. Passei o dia a pensar "a esta hora estava a entrar, a esta hora estava a fazer isto, a esta hora estava a fazer aquilo". Ficam as boas memórias. Esta experiência já ninguém me tira. 
 
 
- Venderam muitos livros? Sentes que as pessoas lêem pouco? 
 
Fiquei parva com a quantidade de gente na Feira todos os dias! Mesmo nos dias com 41º graus, as pessoas não faltavam (a partir mais do final da tarde). Muita, muita gente mesmo. Vi muitos livros a irem para casa com as pessoas, muitas delas a levar pilhas de cinco ou mais. Dá-me ideia que a Feira do Livro está na moda. Ler está na moda. E isso é tão bom. Senti que a maior parte das pessoas não comprava por comprar. Iam com ideias fixas, sabiam o que queriam, tinham uma opinião formada. Os livros não estão a morrer. 
 
 
- Qual foi o livro que mais recomendaste? Quais são os autores mais procurados? 
 
Não fazia ideia, mas a nova tradução da Biblia é muito, muito procurada. De resto, de tudo um pouco... Muita gente a comprar livros de autoajuda ou desenvolvimento pessoal, muita gente que é fã de livros de bolso, policiais, romances, literatura portuguesa ou estrangeira...há leitores para todos os gostos. 
 
 
- Recomendas a experiência? Vais repetir?
 
Recomendo muito. Não sei como é nas outras editoras, mas ali foi melhor até do que imaginava. Vou repetir, sem dúvida, se a vida permitir, se tiver disponibilidade nesta altura para o ano. 
 
 
- Por fim, ficaste com vontade de ir trabalhar para uma livraria? 
 
Não. Tinha vários colegas lá que vinham de livrarias e todos diziam que a Feira é, sem duvida, um sitio especial. Fui mesmo pela Feira em si. 
 

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AS COISAS QUE PERDEMOS NO FOGO | MARIANA ENRÍQUEZ

por Cláudia Oliveira, em 22.06.17

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Comparada a Poe e a Bolaño, Mariana Enriquez estreia-se em Portugal com o seu livro de contos e uma capa fabulosa pela Quetzal. Confesso que fui atraída pela capa. É brutal, não é? Comprei assim que saiu. Felizmente não me arrependi, pelo contrário. Valeu a pena cada cêntimo. 

 

São doze contos obscuros e com muita crueldade misturada. A autora dá voz aos rejeitados pela sociedade: prostitutas, crianças pobres e mulheres. Mariana inspirou-se na (sua) Argentina, nas histórias que conhece e nas lendas urbanas. Assumo que não fiquei com vontade de conhecer o país depois deste livro. Fiquei chocada com algumas histórias e isso afastou-me (da mesma forma que me aproximou) das pessoas. Quando somos confrontados com a crueldade perdemos a esperança nos outros. Foi isso que aconteceu. Fiquei revoltada com o mundo e pedi justiça. E as mulheres? São o alvo? Este livro diz que sim, as mulheres e as crianças são (e acreditam ser) os bonecos da sociedade. Maltratados e no centro do ódio. 

 

Cometi o erro de ler o primeiro conto enquanto tomava o pequeno-almoço. Não o façam, se forem sensíveis como eu. Fala num menino sujo que jamais esquecerei. Uma mãe drogada, grávida de outra criança. Um menino pobre só. Apesar do mundo. Das vizinhas. Da mãe drogada. Tive de parar de mastigar e fechar o livro. Estava enojada. Nem consegui voltar a comer. Este menino marcou-me (e fiz questão de reler o conto). É de uma enorme violência. A escrita da autora torna a história mais cruel. É amarga, dura. Não poupa nos detalhes. 

 

Mas não é apenas este conto digno de recomendações. Os outros são espectaculares também. Não acredito que este seja um livro para ler de fio a pavio, mas foi exactamente isso que eu fiz. Vontade de sair do escuro imediatamente. Vamos lá ler o livro de uma só vez para poder respirar fundo. Estão a ver a ideia? Já terminei o livro há cerca de um mês. Quem é que me disse que consegui libertar-me dele? O menino sujo e a menina sem braço ainda continuam muito presentes. Parecem sombras. 

 

Mariana Enriquez passa desta forma para a lista de autoras que quero voltar a ler. Um romance, por favor. Recomendo sobretudo para quem gosta minimamente de contos e/ou ler sobre a sujidade do mundo. 

 

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É com muito entusiasmo que venho anunciar o clássico para Julho e Agosto. Eu fico sempre assim cada vez que um clássico ganha a votação. Ganhou o "Vermelho e Negro", do francês Stendhal. Assim que vi o número de votos no último dia de votação tentei encontrar alguém que me comprasse o livro na Relógio de Água na hora H. Obrigada Cristina! O livro está em cima da minha secretária neste momento, não vejo a hora de começar a leitura. E por aí? Alguém vai ler?

 

Podem acompanhar a discussão AQUI.

 

Henri-Marie Beyle, mais conhecido como Stendhal foi um escritor francês reputado pela fineza na análise dos sentimentos de seus personagens e por seu estilo deliberadamente seco.

 

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DIÁRIO DA LEITORA | ANTES DE PARIS

por Cláudia Oliveira, em 15.06.17

 

 

Ando numa ânsia de fazer check in. Paris espera-me. Como eu a espero há cerca de dez anos. O Mundo está à nossa disposição e podíamos usufruir mais. Será a primeira viagem de muitas. Abre uma janela imensa para nunca mais fechar. Sem colocar ainda o pé fora de Portugal sinto aquilo a que chamam o "bichinho do viajante". Como o bichinho da leitura e da escrita. Percorre o sangue e deixa um entusiasmo, uma adrenalina. 

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No meu caderno bonito dedicado especialmente à cidade, anoto os filmes e os livros que pretendo ver e ler. Também já fiz a extensa lista do que pretendo conhecer. Espero que cinco dias sejam suficientes (ou insuficientes, para regressar). A mala ainda não está feita. Só separei o pijama. Em casa visto qualquer coisa, fora temos de combinar as peças. Não pensei no guarda roupa, sinceramente não é algo que me preocupe. Os livros, levo o Victor Hugo e as leituras em andamento de forma a terminar. Ainda não descarreguei o telemóvel, mas é obrigatório. Quero tirar muitas fotos. Também quero olhar e ver. Olhar e sentir. 

 

Ontem estive a ver os vídeos de um Youtuber. Pagou 1.50€ para ir à casa de banho, mostrou como se compra o bilhete, contou um pouco da história do Moulin Rouge. Avisou que ali quase ninguém fala inglês. Portanto, estou tramada. Mímica, sou óptima. Já imprimi vários mapas. Estou a torcer para não ficar sem bateria no telemóvel durante os passeios. Nem ser assaltada. Nos vídeos da Youtuber um casal de visitantes é assaltado no metro. Já estou a pensar no plano B. 

 

Revi "Corcunda de Notre Dame", o filme da Disney. Já não me lembrava como gosto da música "Longe do Mundo", da Sara Tavares. Estive a ver "Fim de Semana em Paris" e gostei bastante. Este filme tem vários planos da cidade, lugares lindos. Tem o clima certo. Comecei a ver "2 Dias em Paris" e também estou a gostar muito. Preciso de terminar. Existem diversas sugestões cinematográficas ligadas à cidade. Um dos meus preferidos é "Meia Noite em Paris". Tenho muita curiosidade em relação ao filme da Isabelle Huppert ("Um Amor em Paris"). Gosto imenso de cinema francês. Isso é outra conversa. Deixo duas dicas: Un Heureux Événement ("Um Feliz Evento") e  Amour (Amor). Não encontro o nome do filme que mais me impressionou. Adorava rever. 

 

 

Vou fazer um diário de viagem no meu caderno.  Trago mais noticias quando regressar. Até lá estou de férias. Este blog também. Sem pressas. Com uma alegria imensa por estar viva e poder aproveitar cada momento com saúde. É a primeira vez num avião, num aeroporto. Frio na barriga. Adoro a sensação da novidade, do desafio e esta sede de vida que não se esgota. Esperam-me dias intensos. E uma experiência inigualável. 

 

 

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"TORNA-TE UM GURU NAS REDES SOCIAIS" | MIGUEL RAPOSO

por Cláudia Oliveira, em 14.06.17

 

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Lançamento do Manuscrito em Maio deste ano, "Torna-te um Guru nas Redes Sociais" é um livro essencial na arte dos tempos modernos. Miguel Raposo tem imensa experiência na área da comunicação e tecnologia. Consequentemente um vasto conhecimento do digital e das potencialidades da internet.

 

Este livro traz informação nova. Aprendi várias coisas e recebi os melhores conselhos que alguém me podia dar como booktuber e bloger. Dicas como "sê genuíno" parecem banais, mas são essenciais para obter resultados. Ninguém quer opiniões com pouca personalidade e sinceridade. Juntamente com outros leitores acabo por percorrer um caminho. Quem segue o blog desde o inicio vê a evolução, consegue prever se vou gostar muito ou pouco de certo livro.  Apesar de virtual, temos uma personalidade e uma imagem formada perante os outros. No meu caso há um rosto porque mantenho um canal no Youtube. Quando decidi criar o canal não havia uma intenção de ganhar dinheiro. Nem sabia da existência de parcerias. Não tinha blog. Com o passar dos anos percebi que podia ter parcerias e beneficiar de alguma forma com a criação de conteúdo. Sem deixar a minha personalidade de lado passei a usufruir de benefícios e a direccionar os meus objectivos noutras direcções. Este blog (e respectivo canal) já me trouxeram momentos especiais (e consequentemente pessoas). Não me arrependo de nada em relação ao caminho feito até ao momento. 

 

Tudo se move no meio virtual. Os mais cépticos começam a migrar e aceitar os tempos modernos. Diziam-me que um canal e blog dedicado aos livros nunca teria capacidades para despertar o interesse do público. Não terá os mesmos ganhos de um Youtuber de maquilhagem, desafios com canela ou danças com barbas. Nem de perto. Os ganhos com publicidade são estrondosos em Portugal. Vi uma reportagem e fiquei de boca aberta. O livro confirma. Os livros serão sempre uma minoria, mas nunca perdemos a esperança. Há várias formas de contornar essa situação. Há técnicas, mas também dá algum trabalho. Os resultados não acontecem milagrosamente. 

 

Houve uma altura em que as propostas eram imensas e senti-me perdida. Teria sido uma grande ajuda se tivesse lido este livro nesse período. Também tive um momento muito chato por causa de um título mal pronunciado. Inexperiente, podia ter falhado redondamente na minha postura. Tive sorte, não o fiz. E ainda cativei mais seguidores. Se puderem ler este livro vão ficar com bases importantes. Este livro também ajuda imenso na resolução de conflitos nas redes sociais. Isto se quiserem fazer das vossas redes sociais algo rentável, dinâmico e em constante crescimento. 

 

Não me tornei uma guru, nem pretendo utilizar todas as sugestões do Miguel Raposo. Os anos de utilização também trazem experiência. Aprendi muitas coisas sozinha. Não existiam livros como este há uns tempos atrás. Para quem não quer perder tempo e pretende aprender a viver num mundo virtual onde qualquer falha pode ditar um percurso de muito trabalho é fundamental a leitura deste livro. Recomendo.

 

 

(livro cedido pela editora)

 

 

 

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CLUBE DOS CLÁSSICOS VIVOS | INFORMAÇÕES EXTRAS

por Cláudia Oliveira, em 14.06.17

 

Comecei a ler o clássico de "Nossa Senhora de Paris", de Victor Hugo. Estou a pensar ler cinco capítulos por semana. Devagarinho. Tenho feito pequenos comentários no meu instastories, mas sinto necessidade em comentar por escrito com outros leitores. Como o Clube dos Clássicos Vivos é um espaço de discussão de clássicos sugeri dinamizar o grupo e abrir tópico de discussão por lá.  

Desta forma, convido a todos os leitores deste clube a abrirem tópicos para discutirem os clássicos que andam a ler (com spoiler, sempre com pré-aviso). Podem abrir tópicos com os clássicos lidos também. Tenham cuidado em verificar se existe tópico aberto para não repetirmos.

Continuamos a ter as votações, a leitura conjunta de dois em dois meses. Assim não precisamos de esperar que o livro parado na estante fique à espera de ser seleccionado para conversar sobre ele. Quem sabe outros leitores se juntem.

O que vos parece? Vamos falar de clássicos? Comentem! Entretanto abri o tópico de discussão para "Nossa Senhora de Paris". Parece que já temos vencedor para a próxima leitura conjunta ("Vermelho e Negro"), vamos só esperar pelo o final do dia de hoje. E vocês estão à vontade para deixar o vosso feedback do clássico que quiserem. Também podem pensar com carinho se vão participar na leitura conjunta dos próximos dois meses. 

 

É quase impossivel ver estas informações na app do Goodreads, recomendo que vejam pelo portátil. Link com as informações AQUI e do clássico do Victor Hugo AQUI.

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