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CLUBE DOS CLÁSSICOS VIVOS

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De 5 em 5 + Leituras em Andamento (11)

por Cláudia Oliveira, em 29.04.16

 

 

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Os Meus Desacontecimentos | Eliane Brum

por Cláudia Oliveira, em 27.04.16

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Minha pontuação: 4*

 

Eliane Brum ainda não foi publicada em Portugal, mas devia. Apaixonei-me pela escrita dela o ano passado com o romance Uma Duas. Aviso para quem for ler Uma Duas: é um livro visceral, capaz de mexer com as entranhas. Este pequeno Os Meus Desacontecimentos é denso, foi ao meu baú de memórias apagadas. Permitiu-me descobrir que as memórias não são apagadas, são guardadas até alguém mostrar que ainda estão podem ser salvas.

 

Neste livro encontramos pensamentos muito pessoais da autora em relação à vida, à família, à descoberta dos livros e amor pela escrita. As pessoas mais importantes no seu percurso até chegar a este livro e ser a mulher que é. A morte que entrou na sua vida tão cedo, agarrou na sua irmã e levou-a. 

 

"Esta irmã, que era um túmulo no cemitério, um túmulo que ninguém da família conseguia fechar, muito menos eu, havia me roubado a casa, o sol, as roseiras, a luz. Passeia a infância pedindo ao meu pai que plantasse roseiras, mas já não havia onde. Percebo agora que nunca perguntei ao meu pai como era ser um homem sem rosas. Como é, pai, como é ser homem sem rosas?"

 

A relação que ela tem como as palavras é fascinante e encanta-me. É muito parecida com a minha forma de olhar para a literatura. Identifiquei-me muito com a Eliane Brum. Segue uma passagem que pode falar por si mesma.

 

"...passei a me trancar no quarto com três ou quatro livros. Não queria brincar, não queria comer, não queria dormir. Eu queria ler. Se me obrigavam a sentar à mesa para o almoço, eu ficava me repetindo a última linha lida, temerosa de perdê-la numa colherada de feijão e, com ela, a chance de desembarcar na linha seguinte. 

O lugar na realidade se inverteu. A paisagem dos livros era real. A vida concreta era sonho. Eu me movia por ela e fazia o que esperavam que fizesse, mas eu não estava ali. Estava lá. Era jovem, era velha, heroína, aventureira, princesa, fada, bicho, planta, sereia, monstro, deus. Estava nas terras altas da Escócia, no centro da Terra, em bosques povoados por bruxas e duendes, no sítio do Pica-Pau Amarelo, em Valhala. Eu podia escolher quem ser e onde estar. "

 

Um dos meus capítulos preferidos é quando ela fala numa livreira que passou na sua vida e a fez descobrir o amor pela leitura. Sempre entram na nossa vida pessoas que são uma peça fulcral em algumas decisões. Na altura não percebemos como são importantes. 

 

Este livro é maravilhoso. É uma das minhas autoras brasileiras preferidas. Vou ler tudo da Eliane Brum. Recomendo, claro.

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De 5 em 5 + Leituras em Andamento (10)

por Cláudia Oliveira, em 22.04.16

Minuto Leituras em Andamento: 11:50

 

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Ana de Amsterdam | Ana Cássia Rebelo

por Cláudia Oliveira, em 22.04.16

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Minha pontuação: 4*

 

A portuguesa Ana Cássia Rebelo tem um blog intitulado Ana de Amsterdam. Em Fevereiro de 2015 foi lançado um livro com o mesmo título que reúne vários textos do blog escritos entre 2006 a 2014. O título escolhido é também o nome de uma conhecida música de Chico Buarque. O registo é bastante intimo, melancólico e surpreendentemente divertido. 

 

 

Este livro foi uma grande surpresa, devorei até ao fim. É uma narrativa cativante, cheia de pormenores e temas acutilantes. Não há filtro na forma como a autora expressa aquilo que sente em relação à vida e às pessoas. Ela sofre de depressão, pensa várias vezes na morte e não esconde nada ao leitor. Temas tabus são abordados de forma natural. Nunca li textos tão transparentes sobre a frigidez, o suicídio e masturbação como encontrei neste livro. Ela não encaixa nos padrões normais impostos pela sociedade e não esconde. 

 

A única coisa que me incomodou ao longo do livro, e por isso não entrou para a lista dos meus livros preferidos, foi a forma rezingona e mesquinha com que a autora fala de outras pessoas. Ela só gosta das pessoas que lhe são muito próximas ( que bonita homenagem!) e não gosta das pessoas em geral. Encontra defeitos nos desconhecidos e transporta isso para as suas frustrações. 

 

Prometo que vão acabar por identificar-se com alguma passagem. Um livro para ler de mente aberta. Gostei imenso! Leiam, leiam. Esta mulher escreve muito bem, queremos mais!

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Quarenta Dias | Maria Valéria Rezende

por Cláudia Oliveira, em 19.04.16

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Minha pontuação 4* 

 

Gostei bastante do livro da autora brasileira Maria Valéria Rezende. Foi super recomendado por pessoas a quem dou crédito e confio. E claro, não me desiludi. Li-o no telemóvel, infelizmente não está editado em Portugal.

 

Alice estava sossegadinha na sua vida em João Pessoa até ser obrigada pela filha para ir viver para Porto Alegre para assumir um papel que ela não quer vestir: ser avó.  No entanto, quando está instalada tudo muda de rumo devido a uma reviravolta. Mais tarde, vê-se à procura de um rapaz que ela nem sequer sabe se existe. É na rua que Alice volta a sentir-se livre.

 

É divertido acompanhar as peripécias e desabafos da protagonista. É original a forma como Alice desabafa para um caderno com a figura de uma Barbie na capa e muitas vezes a confronta a boneca com a estupidez. É uma personagem muito cativante apesar de estar na maioria das vezes zangada com a vida, é bastante refilona. Acho interessante entrar na cabeça de uma mulher que não quer viver conforme as regras ditas normais da sociedade e que se sente reprimida por isso.

 

É um livro que se lê bastante bem, com uma narrativa divertida e fluida. Gostei mais da primeira parte e menos da segunda, mas no geral é um livro que me abriu o apetite para ler mais obras da autora.

 

Um livro para quem escrevia no diário na adolescência e brincava (ou sonhava) com Barbies na infância.

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Clube dos Clássicos Vivos | Livro de Maio

por Cláudia Oliveira, em 18.04.16

Hoje venho revelar o clássico para o Clube dos Clássicos Vivos. Escolhi para o mês de Maio o clássico Orlando, de Virgínia Woolf. Quero ler há imenso tempo, estou super entusiasmada. 

A leitura conjunta começa no dia 1 e vai até ao último dia do mês. Quem vai participar? Quem já leu? Deixem comentários.

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Vozes de Chernobyl | Svetlana Alexievich

por Cláudia Oliveira, em 12.04.16

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Minha pontuação 5*

 

A autora bielorrussa venceu o Prémio Nobel da Literatura em 2015. Fiquei bastante surpreendida e feliz por ser uma mulher e por escrever livros de não-ficção. O prefácio de Paulo Moura explica a importância de um prémio tão importante para uma autora deste género. Gostei bastante do prefácio, é uma excelente nota introdutória. Outra coisa que me agradou imenso, a tradução feita directamente do bielorruso. 

 

Este livro tem um dos capítulos mais difíceis que eu já li na minha vida enquanto leitora. Está presente em todas as páginas sofrimento.  Foi uma leitura que mexeu muito com as minhas emoções e me fez sentir pequena.

 

Em 1986 aconteceu o desastre nuclear em Chernobyl. Pouco ouvimos falar sobre o assunto, certo? As pessoas que viviam em Chernobyl naquele momento não foram avisadas e continuaram a viver ingenuamente sem conhecimento do perigo. Mais tarde quando se apercebem e lhes é revelado o que realmente está a acontecer têm que abandonar as suas casas juntamente com as suas famílias, sem pertences e os seus animais de estimação. Algumas pessoas recusam-se a ceder, preferem pôr à prova a própria vida.

 

Devido a guerra alguns têm que fugir para Chernobyl. Não há como escapar à morte. O livro tem muita angustia, saudade e tristeza. Os capítulos que mais me chocaram foram os capítulos sobre crianças e grávidas.  Ninguém consegue para ficar indiferente. São histórias sofridas. Emocionei-me também com as histórias de amor destruídas pelas radiações. No livro, para contrariar tanta dor, surge alguns momentos de humor. São feitas piadas sobre o assunto. 

 

O livro dá voz às pessoas com sonhos destruídos. A autora consegue transformar os relatos em histórias inspiradoras e transformadoras. A estrutura do livro é interessante. São relatos na primeira pessoa, transformados pelo talento da autora. Confesso que existiram alguns momentos em que o ritmo de leitura quebrou por causa da estrutura escolhida, e talvez desagrade alguns leitores. No entanto, as histórias e a experiência de leitura é superior a esse pequeno pormenor. 

 

É um livro incrível. Uma leitura que me marcou bastante e figura na minha lista de preferências em relação aos livros de não-ficção. Parabéns à editora Elsinore pela oferta diversificada e qualidade das edições. 

 

Muito recomendado!

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Não tenho conseguido ver os filmes todas as semanas como era suposto para o desafio Veja Mais Mulheres, mas na semana passada vi um documentário bastante interessante chamado Bridegroom, da realizadora Linda Bloodworth-Thomason. O documentário conta a história de um casal homossexual com um final muito trágico.

 

 

Depois de assumirem para eles mesmos a sexualidade, tiveram que lutar contra o preconceito das pessoas da aldeia onde viviam e da família. É interessante ver como descobriram a homossexualidade. Ambos viviam numa aldeia pequena e preconceituosa.

 

Vivim juntos há seis anos até que um elemento casal cai de uma altura de quatro andares e morre. A família dele, sobretudo a mãe, vai tomar uma atitude surpreendente e preconceituosa. Proíbe o companheiro do filho de ir ao funeral. Mas já no hospital ele é afastado pela equipa médica porque não o consideram da família.

 

Uma história de amor entre duas pessoas do mesmo sexo em pleno século XXI onde preconceito é uma realidade. 

 

Está disponível na Netflix. 

 

Cinema em Casa

Directora: Linda Bloodworth-Thomason

Ano: 2013

Duração: 1 hora e 20 minutos

Género: Documentário 

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Carta ao Pai | Franz Kafka

por Cláudia Oliveira, em 06.04.16

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Minha pontuação 3.5*

 

Do Kakfa li A Metamorfose e gostei do impacto que teve em mim na altura. Sempre quis ler Carta ao Pai devido à temática, no final da leitura fiz uma relação entre os dois livros. 

 

Carta ao Pai não é nada mais do que uma carta do Kafka ao pai num tom acusador e dramático. Acusa o pai de ter exercido uma enorme influencia negativa na sua vida. O pai dele é um homem detestável. Sempre a exigir muito do filho, humilhando-o diversas vezes. O livro deixou-me com os nervos à flor da pele.

 

Vejo esta carta como uma tentativa do Kafka libertar-se. As palavras estão cheias de rancor e orgulho ferido. Percebe-se uma enorme tristeza. A carta é intimista, deixou-me um nó na garganta em algumas passagens. Não seria capaz de reler este livro. 

 

É um livro transformador, fez-me pensar na relação que quero ter com os meus filhos e na forma como quero que eles e vejam. 

 

Um livro para destruir a alma. Preparem-se. 

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A Amiga Genial | Elena Ferrante

por Cláudia Oliveira, em 06.04.16

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Minha pontuação 5*

 

Adorei a releitura deste livro. Acabei por dar cinco estrelas desta vez. Uma das melhores leituras deste ano. Ansiosa para começar o segundo volume, ao mesmo tempo não quero terminar de ler esta colecção tão depressa. Vou contar-vos porque adoro este livro. Já tinha falado nele em 2015, podem ler AQUI.

 

A autora utiliza um recurso que gosto bastante. No meio de uma peripécia, desvenda um pouco do que tem para contar mais tarde, deixando o leitor ansioso pelo relato. Também consegue manter um clima de mistério ao longo da trama. As últimas páginas são fantásticas. É impossível não ficar de boca aberta ou sair de casa a correr para ir comprar o próximo volume depois daquele final. A escrita cativante mantém uma aura de mistério durante toda a história, sobretudo em relação a uma das personagens, a Lila. A minha personagem preferida. Senti falta de conhecer a história pela seu ponto de vista. 

 

A história é narrada pela Elena (Lenú), a melhor amiga de Lila. Elas conhecem-se muito novas e nunca mais se largam. A relação de ambas vai converter-se numa amizade genuína após passar por várias fases. A Lenú sente uma obsessão em relação à sua amiga, compete constantemente com ela. Inferioriza-se, enaltecendo sempre a amiga. Isso incomodou-me regularmente. 

 

Gosto sobretudo da da importância que a professora exerce na vida destas duas meninas, assim como da história das famílias presentes neste livro.  Todos os personagens são cativantes e cheios de camadas. Apesar da narrativa não possuir um ritmo rápido a história fica melhor a cada página. Aposto que os próximos livros são melhores. São, não são?

 

A história bastante verosímil. Segunda minha teoria, é a história da própria autora. Talvez por isso tanto mistério à volta do anonimato de Elena Ferrante. Ou golpe de marketing?

 

Não é somente um livro sobre mulheres nem para mulheres. É um livro que mostra a infância e adolescência de uma amizade entre duas crianças. Este livro aqueceu o meu coração,  levou-me a viajar até à minha infância e adolescência e recordar as minhas amizades. Tive a sorte de ter conhecido a minha amiga genial que ainda hoje está ao meu lado.

 

Pretendo ler os próximos volumes ao longo do ano. Estou encantada! 

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