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Diário da Queda | Michel Laub

por Cláudia Oliveira, em 14.03.16

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No Goodreads

Minha pontuação 4*

 

Este livro foi editado em Portugal pela Tinta da China, em 2013, numa edição primorosa. Finalista dos Prémios Portugal Telecom, São Paulo  de Literatura e Zaffari & Bourbon. Michel Laub é um escritor, jornalista e advogado brasileiro.

 

Fiquei completamente apaixonada pela escrita do Michel Laub. É uma mistura de algo amargo, ternurento e impactante. Li o livro de um só vez, sem parar para respirar. Recomendadíssimo!

 

O narrador fez algo na sua infância que o atormenta ainda hoje. Essa situação dá título ao livro. Diário da Queda é uma tentativa do protagonista tentar desculpar-se pela maldade que provocou a outra pessoa. É também uma tentativa de encontrar respostas para a doença do pai e o sofrimento do avó. Três gerações distintas na forma de encarar a vida. 

 

Amor de pai é descrito na sua simplicidade e ausência de atitudes. O silêncio entre as personagens é notória, a forma como guardam o sofrimento é sufocante. A doença que perturba. O passado que assombra. O livro é denso, apesar dos capítulos curtos. Deixa marcas. 

 

"...aquilo que um filho sabe desde que nasceu, o julgamento que ele silenciosamente faz quando ainda é frágil e depende exclusivamente do amor do pai, e não adiante o pai passar o resto dos anos tentando se redimir da distância ou do descaso ou da falra proposital ou acidental desse amor porque é essa memória que o filho seguirá levando, tenha ele a ideia que tiver."

 

Um excelente romance para todos os leitores.  

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Norte | Edmundo Paz Soldán

por Cláudia Oliveira, em 12.03.16

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No Goodreads

Minha pontuação 3*

 

É difícil escrever sobre este livro. Gostei dele, mas acredito que daqui a uns meses vou lembrar-me apenas do personagem Jesus, um psicopata, e das cenas de violência protagonizadas por ele. Diversas cenas violentas e desconcertantes com personagens complexos e interessantes.

 

 

Jesus, tem a história mais realçada neste livro, onde predominam quatro personagens e três história separadas pelo tempo e espaço. O autor expõe assuntos culturais  da cultura latino-americana como a emigração ilegal e o preconceito.

 

A escrita é fantástica, e somos absorvidos pelo ambiente criado pelo autor. Chega a ser sensorial. Quantas vezes senti nojo? Não sei dizer. Narrativa fluida, crua, fria. No entanto, demorei a terminar devido à minha motivação em relação aos assuntos retratados. Não é de todo aquilo que mais gosto de ler. E a violência incomodou-me bastante. 

 

Nenhum livro do autor boliviano foi editado em Portugal. O meu interesse pela literatura latino-americana cresce todos os dias, tenho feito descobertas fantásticas. É uma cultura intensa, interessante e rica. Acredito que seria uma mais valia termos mais autores desta qualidade no nosso país. 

 

Recomendo este livro para leitores que gostam de ser incomodados e de sair da zona de conforto. Preparem-se, este livro precisa de ser lido de mente aberta e de forma atenciosa para não se perderam no meio de tantos enredos. 

 

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O Despertar | Kate Chopin

por Cláudia Oliveira, em 11.03.16

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No Goodreads

Minha pontuação 5*

 

Este livro foi publicado pela primeira vez em 1899. Recebido pela critica de forma devastadora, consideraram o livro imoral, o que prejudicou a carreira e vida social da autora. 

 

Edna é uma jovem esposa e mãe de dois filhos. Não é feliz, quer mais da vida. Não quer viver somente a cuidar da casa e dos filhos. Sente-se reprimida pelos seus desejos e obrigações. O marido sempre ausente, em trabalho, exige dela uma esposa perfeita, cuidadosa. Edna é uma mulher desafiadora, quer romper com o papel que estipularam para si. 

 

Este livro é incrível. Existem evidentes inspirações do romance Madame Bovary, pessoalmente gostei mais deste. É menos arrastado, considero a Edna mais forte e menos pateta. A escrita da autora também ajuda muito, é clara, fluida, sem rodeios ou ornamentos. É feita uma excelente critica à sociedade através dos acontecimentos e pensamentos da protagonista. 

 

Senti uma enorme empatia com a personagem. Muitas mulheres vão sentir o mesmo ao ler este livro. 

 

"Havia dias em que se sentia feliz sem saber porquê. Estava feliz por estar viva e respirar, quando todo o seu ser parecia formar um todo com luz do Sol, a cor, os odores, o calor exuberante de um dia perfeito no Sul. Nessas alturas, gostava de deambular sozinha por sítios estranhos e desconhecidos. Descobriu muitos cantos soalheiros e sonolentos, feitos para sonhar. E descobriu que era bom sonhar e estar sozinha, sem ninguém a incomodar.

 

Havida dias que se sentia infeliz, não sabia porquê, em que parecia não valer a pena estar contente ou triste estar viva ou morta; em que a vida lhe parecia um pandemónio grotesco, e a humanidade se assemelhava a vermes debatendo-se cegamente em direcção à inevitável aniquilação. Em dias assim não conseguia trabalhar, nem tecer fantasias que lhe agitassem os pulsos e lhe aquecessem o sangue."

 

Quem nunca?! Fantástico! 

 

Este livro marcou-me, mexeu comigo e decididamente colocou-me perante questionamentos sobre a vida de muitas mulheres nos tempos actuais Quantas mulheres vivem sobre o poder financeiro dos seus maridos? Quantas mulheres esquecem a próprias felicidade para ter uma imagem bonita perante a sociedade? 

 

Recomendadíssimo.  Um clássico brilhante, para todos os leitores. 

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Clube dos Clássicos Vivos | Escolha do livro

por Cláudia Oliveira, em 11.03.16

Este fim de semana vou recolher alguns títulos para fazermos a votação do próximo clássico para o Clube dos Clássicos Vivos. Para isso, conto com a vossa ajuda. Deixem nos comentários ou no grupo do Goodreads alguns títulos que gostariam de ler.

 

Este mês estamos a ler O Despertar, de Kate Chopin e a discutir Sensibilidade e Bom Senso, da Jane Austen. Ambas excelentes leituras! 

 

Entretanto, vou deixar as minhas sugestões para a leitura conjunta do próximo mês. Orlando, de Virginia Woolf e O Monte dos Vendavais, da Emily Brontë ( já viram a nova edição da Relógio d´Água?).

 

Boas leituras!

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Após treze anos sem ver a filha, Val recebe-a na casa onde vive com os seus patrões. Ela vai mudar tudo com a sua personalidade cheia de certezas e pouco humilde. O filme desta semana é Que Horas Ela Volta? (8 IMDb) da directora brasileira Anna Muylaert

 

As interpretações são excelentes, sobretudo a interpretação da actriz Regina Casé. O enredo é simples, mas é um retrato fiel de algumas famílias brasileiras. Duas realidades, famílias ricas e famílias em busca de uma melhor oportunidade na vida. A desigualdade das classes sociais. A simplicidade, a humildade, a arrogância e o prepotência. A ausência de amor, a busca da felicidade.

 

 

Adorei quando a filha da empregada consegue passar no exame ao contrário do filha da patroa. O incómodo dos ricos é evidente! Perguntam-se: como é que a filha da empregada tem o descaramento de ser tão inteligente? Uma chapada sem mãos. 

 

O filme é rico na linguagem, nos diálogos. É um excelente filme brasileiro. Não desilude, surpreende. Mais do que os acontecimentos, a mensagem é reflexiva. Gostei imenso! Recomendadíssimo! 

 

Directora: Anna Muylaert

Local: Cinema em casa

Ano: 2014

Duração: 112 minutos

Género: Drama

País: Brasil

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As mulheres da minha estante

por Cláudia Oliveira, em 08.03.16

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Para assinalar o Dia Internacional da Mulher decidi partilhar convosco algumas mulheres da minha estante. Seleccionei livros de escritoras que não li ainda (excepto uma), mas pretendo ler brevemente. Não falta diversidade e qualidade neste núcleo de escritoras.

 

Elena Ferrante, escritora italiana, rosto desconhecido com quatro livros editados em Portugal. Ninguém fica indiferente a tanto sucesso. Eu já li este livro, mas pretendo reler. Adoro a escrita da autora, adoro as personagens que ela criou. 

 

Eleanor Catton, escritora neozelandesa,vencedora do Prémio Man Booker com este romance. Um livro que mistura suspense e astrologia. Como não amar?

 

Auður Ava Ólafsdóttir, escritora islandesa, vencedora de um prémio literário para mulheres da Islândia chamado Prix de Page. Este romance é o único editado em Portugal. 

 

Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, duas escritoras norte americanas da mesma família, um livro escrito inicialmente por uma e finalizado por outra. Um livro sobre livros e inserido no Plano Nacional de Leitura. 

 

Clarice Lispector, escritora brasileira, escreveu o livro da vida de muitas mulheres. Publicado em 1964, é um livro intemporal. 

 

Diane Setterfield, escritora britânica, talvez o seu romance mais conhecido seja O Décimo Terceiro Conto com adaptação cinetografica. Um bestseller traduzido em 38 países. 

 

Justine Picardie, escritora britânica, escreveu sobre a também escritora Daphne Du Maurier, autora de Rebecca (um dos meus livros preferidos de sempre!). Um romance baseado em factos reais. 

 

Nicole Krauss, escritora americana, dois livros editados em Portugal pela Dom Quixote. Já venceu diversos prémios, é considerada pela The New Yorker uma das maiores escritoras com menos de quarenta anos. 

 

Carson McCullers, escritora estado-unidense, começou a escrever com 23 anos. O romance foi eleito um dos melhores romance do século XX. 

 

Svetlana Aleksievitch, escritora e jornalista bielorussa, vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 2005. Um livro de não-ficção sobre o pior desastre nuclear de sempre. 

 

 

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A Fera na Selva | Henry James

por Cláudia Oliveira, em 07.03.16

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Minha pontuação 4*

 

Foi o meu primeiro contacto com o autor: assim que terminei de ler esta novela pensei: ama-se ou odeia-se. Eu estranhei, mas acabei por ser seduzida pela escrita crua de Henry James. Nas primeiras páginas não estava a entender onde o autor queria chegar com o título do livro, só descobri quando cheguei ao final. É aquele género de livro que vale a pena ser relido várias vezes.

 

John tem a sensação que algo de grandioso irá acontecer na sua vida. Esse seu sentimento em relação à vida é revelado a May há uns anos atrás. Acabam por reencontrar-se e numa conversa ela confessa que não se esqueceu do desabafo de John. Tornam-se amigos depois disso. A história desenvolve-se à volta do acontecimento que John espera acontecer há anos. Acontece, mas ele não dá por isso.

 

Leitura muito recomendada. É visceral e imponente. O final desta história transforma a forma de ver a vida, dando-lhe fragilidade. Chama a atenção para a importância dos sentimentos e da forma como fugimos de viver algumas experiências. 

 

Genial, quero ler mais deste magnifico escritor. 

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Veja Mais Mulheres | Polissia | Maïwenn Le Besco

por Cláudia Oliveira, em 05.03.16

 

 

 Esta semana consegui ver mais um filme para o projecto Veja Mais Mulheres. Desta vez, a escolha recaiu sobre a directora e actriz francesa Maïwenn Le Besco com o filme Polissia (7.3 IMDb). O filme foi premiado várias vezes em 2011 e 2012. 

 

Este filme é o meu preferido desde que comecei o projecto Veja Mais Mulheres. Adorei do começo ao fim. Destruiu-me, desfez o meu coração em mil pedaços e ainda hoje tenho algumas cenas gravadas na mente. É um filme brilhante na abordagem, roteiro e interpretações.  

 

Acompanhamos a vida dos membros da Brigada para a Protecção de Menores. Casos como pedofilia, maus tratos, exploração infantil, prostituição são alguns temas abordados neste filme emocionalmente destruidor. O que pode ser mais devastador? O filme é retrato de forma crua, sem poupar nos diálogos chocantes e cenas de sofrimento. As interpretações são excelentes. Fiquei apaixonada pelo amor demonstrado pelo actor Joey Starr neste filme. 

 

Precisam MESMO ver este filme! Recomendadíssimo.  

 

Local: Cinema em casa

Directora: Maïwenn Le Besco

Local: Cinema em casa

Ano: 2011

Duração: 2 horas e 7 minutos

Género: Drama, Crime

País: França

 

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A Cabeça do Santo | Socorro Acioli

por Cláudia Oliveira, em 03.03.16

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Minha pontuação 4*

 

Gostei muito deste livro. Não esperava nada e saí totalmente surpreendida no final desta história. Infelizmente, a autora ainda não foi editada em Portugal. Li o livro em e-book no meu kobo. Uma leitura agradável e despretensiosa. Recomendo muito.

 

A autora brasileira venceu o prémio Jabuti de literatura infantil em 2003. Este é o seu primeiro romance para o público adulto. A ideia para este livro foi desenvolvido num curso promovido pelo Gabriel Garcia Marquez em Cuba chamado Como Contar um Conto, a quem a autora dedica a obra.

 

Samuel promete à mãe, que está prestes a morrer, ir até a uma pequena aldeia chamada Candeia, debaixo do sol do sertão do Ceará, procurar pela avó e o pai. Durante vários dias, com sede e fome, caminha em direcção à aldeia. Quando chega ao destino, a história começa e eu não vou contar mais porque é absolutamente engraçado e não quero estragar a leitura a ninguém. 

 

Nas primeiras páginas desconfiei um pouco do enredo porque encontrei várias semelhanças com o romance Pedro Páramo (opinião no blog), do autor Juan Rulfo. É evidente onde a autora encontrou inspiração. E não esconde isso. Felizmente, conseguiu distanciar-se da história criada pelo Juan Rulfo. Quero mais livros da Socorro Acioli! Quero os livros dela em Portugal! 

 

O que mais gostei neste livro, para além do enredo, foi a escrita da autora. Bom humor e emoção, numa narrativa cativante e simples. É o tipo de livro que não queremos largar. A minha personagem preferida é a avó do Samuel. Tem uma personalidade singular, vocês precisam conhecer. Um pormenor engraçado, todos os capitulos começam com a letra C.  

 

Deixo a minha recomendação para os leitores que pretendem um livro bem escrito, leve e diferente. 

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Fevereiro | Resumo

por Cláudia Oliveira, em 02.03.16

 

Li 16 livros

2 livros de não-ficção

9 livros físicos

7 ebooks

 

14 autores lidos pela primeira vez

 

Li 7 mulheres e 8 homens

1 autor bulgaro

5 autores americanos

4 autores brasileiros

1 autor uruguaio

2 autores franceses

1 autor inglês

1 autor argentino

1 autor mexicano

 

No total 3857 páginas

 

As Vozes de Marraquexe, Elias Canetti 4*

O Pequeno Amigo, Donna Tartt 4*

Turismo para Cegos, Tércia Montenego 3*

Deixa Comigo, Mario Levrero 3.5*

As Ligações Perigosas, Choderlos de Laclos 2*

Sensibilidade e Bom Senso, Jane Austen 4*

Resta Um, Isabela Noronha 4*

O Leitor do Trem das 6h27, Jean Paul Didierlarent 2.5*

Pedro Páramo, Juan Rulfo 4*

Stone Arabia, Dana Spiotta  4* 

Dois Rios, Tatiana Salem Levy 4*

Os Antiquários, Pablo de Santis 3*

Da Mão Para a Boca, Paul Auster 3*

A Vida Secreta dos Livros, Santigo Posteguillo 3*

A Cabeça do Santo, Acioli Socorro 4* 

A Fera na Selva, Henry James 4*

 

Os preferidos deste mês foram: Stone Arabia, O Pequeno Amigo e Sensibilidade e Bom Senso.

 

A minha estante recebeu 7 livros novos. Comprei 6, recebi 1 livro de presente.

Dos 7, li 2. 

Li 3 livros da biblioteca.

 

Janeiro | Resumo

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